* Por Carlos Lordelo, do Estadão.edu

O austríaco Bernhard Niesner, de 34 anos, sempre gostou de idiomas. Enquanto crescia, em Viena, aprendeu inglês, espanhol e português. Mas volta e meia se perguntava por que o processo de adquirir uma nova língua era, para ele, “tão difícil”. Bernhard viu na dúvida uma oportunidade de negócio e, junto com o suíço Adrian Hilti, criou em 2008 o Busuu.com, site que combina rede social e conteúdo didático em 12 idiomas.
O Busuu nasceu como o projeto de Bernhard e Adrian para concluir o MBA da escola de negócios espanhola IE. A plataforma estreou com cursos de alemão, espanhol, francês e inglês. Hoje também oferece material nos níveis básico e intermediário em árabe, italiano, japonês, mandarim, polonês, português, russo e turco. Lidera seu nicho de mercado com 28 milhões de usuários ante 15 milhões de seu principal concorrente, o Livemocha (www.livemocha.com).
O Brasil é o país com o maior número de usuários registrados. Ao todo, 2,2 milhões de brasileiros acessam o serviço diretamente no site www.busuu.com ou por meio dos aplicativos móveis para os sistemas operacionais Android, do Google, e iOS, da Apple. A maioria (51%) aprende inglês.
“A demanda por cursos de línguas é muito forte, sobretudo nos países emergentes, porque as pessoas estão vendo a oportunidade de melhorar sua situação econômica”, disse Bernhard ao Estadão.edu nesta segunda-feira, 4, em São Paulo. Uma pesquisa feita pelo Busuu no ano passado com 4,6 mil usuários brasileiros mostrou que 28% dos entrevistados acham a internet a ferramenta mais eficiente para aprender idiomas, seguida por cursos no exterior.
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“Estamos vivendo uma mudança de método. Antes as pessoas iam para a escola ou cursinhos e compravam materiais didáticos. Agora elas aprendem online e por meio de dispositivos móveis”, afirmou o CEO do Busuu. “A internet permite que as pessoas aprendam o que é mais importante para elas, em cursos sob medida.”
Para o austríaco, as técnicas também são outras: a aprendizagem informal e interativa ganhou força em detrimento da figura do professor como único detentor de conhecimento.
Foi a partir da identificação das tendências no mercado de educação a distância que o Busuu montou sua estratégia. O site reúne duas possibilidades: o aluno aprende por conta própria navegando por 200 horas de conteúdo sobre cada idioma e acessando o material didático; e depois pode exercitar a língua participando de chats e videoconferências e enviando os textos para falantes nativos corrigirem.
O registro no Busuu é gratuito e dá acesso a uma quantidade limitada de conteúdo. Quem quiser ter direito a funcionalidades adicionais e mais material didático pode pagar uma assinatura que custa a partir de R$ 9,99 por mês.
Confira trechos da entrevista concedida por Bernhard, em um excelente portunhol.
O brasileiro é conhecido por adorar redes sociais. Como você avalia a participação na plataforma dos usuários daqui?
O brasileiro é mais ativo que os usuários de outros países. Gostam muito de participar, falar diretamente por meio de chats e videoconferências e de jogar. Não é um público que gosta muito de lições grandes e, às vezes, chatas. Acho o Busuu perfeito para o Brasil e isso explica nosso êxito aqui. Nosso sistema é bonito, colorido, tem sons e abre a possibilidade de conhecer novas pessoas. E as unidades são pequenas. Você pode investir 15 minutos por dia no metrô ou no trânsito e aprender. O brasileiro também ajuda muito quem quer aprender português. Às vezes eu envio um texto para correção e recebo 20, 30 comentários. É uma loucura.
Vocês já pensaram em remunerar os usuários que mais ajudam os outros a aprender um idioma?
Acho que esses professores que temos na plataforma gostam muito de ajudar. Eles recebem “busuu berries” (espécie de moeda de recompensa por uma atividade bem realizada) e criam árvores de idiomas muito bonitas (utilizada para indicar progresso nas diferentes línguas). Também são pessoas que recebem ajuda de outras pessoas. O sistema de educação via internet funciona porque há pessoas dispostas a ajudar e receber ajuda. O Busuu tem uma comunidade simpática e democrática. Se começássemos a dar dinheiro para as pessoas mudaria completamente o espírito do site.
Os conteúdos dos 12 idiomas são semelhantes? Seguem a mesma sistemática?
Ainda sim, mas estamos desenvolvendo material didático específico para cada idioma. A gramática muda, mas se você quer saber como se diz isso (aponta para um laptop) em alemão, por que não colocar uma foto de um laptop com a palavra na sua língua nativa e abaixo em alemão? Para vocabulário, faz muito sentido usar a mesma estrutura. Para gramática, não.
Quem prepara o material didático?
Temos um Departamento de Educação com especialistas dos diferentes idiomas e em ensino a distância. Fazemos todo o material na sede da empresa, em Londres. E também contratamos freelancers.
Vocês pretendem ampliar o número de idiomas oferecidos?
Prefiro ter menos idiomas mas com material de qualidade do que 25, 30 idiomas. Aumentaria a complexidade da produção. Temos de focar mais na diversificação do conteúdo. Depois podemos pensar em crescer. Agora queremos desenvolver explicações gramaticais específicas para ajudar os brasileiros, por exemplo. Um alemão tem mais facilidade com inglês porque muitas estruturas são parecidas.
Por que não oferecem cursos no nível avançado?
O nível avançado requer mais customização de conteúdo e funcionalidades específicas. Mas já temos aqui, por exemplo, a possibilidade de o aluno ver, ler e comentar fotos da National Geographic, vídeos da BBC e textos do The Guardian. O aluno pode escrever o que quiser, uma frase ou um texto enorme, e esperar a correção de seus pares.
Os cursos do Busuu têm algum tipo de certificação?
Facilmente você consegue uma certificação do Busuu para colocar no LinkedIn, dizendo o nível em que está no curso. Podemos dizer quantas palavras você aprendeu e quanto tempo passou estudando. Mas também estamos planejando oferecer a certificação dos cursos junto com um parceiro.
Aliás, você acha realmente importante a certificação?
Não. Pessoalmente, acho muito mais importante que as pessoas saibam falar do que ter um certificado. Muita gente tem certificado e não sabe falar. Por outro lado, sabemos que existe um mercado e há gente disposta a pagar (pelo certificado). Então, como empresário, vou oferecer essa possibilidade. Mas eu acho que o aluno deve conseguir falar. Meu português é muito ruim, mas falo e você entende mais ou menos. Mas não tem problema. Eu posso sair, conviver com as pessoas, conversar com o atendente do hotel. É importante dizer às pessoas que querem interagir com turistas, por exemplo, que não precisam falar como Shakespeare, ou com o melhor sotaque do inglês falado na Universidade de Cambridge.
Que dicas você dá para quem quer aprender um idioma?
A regularidade é fundamental. Todo dia você precisa investir pelo menos dois blocos de 30 minutos no aprendizado. A coisa tem de ser mais contínua, usando vários métodos ao mesmo tempo. Tem o aplicativo para smartphone, dá para ouvir rádio naquele idioma, assistir a filmes, ler notícias na internet. E o mais importante: não ter medo de praticar e errar. O sistema do Busuu mostra que os gringos cometem muitos erros de português. O brasileiro não tem que ter vergonha de falar inglês.
* Por Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu

O interesse dos brasileiros pelas redes sociais vai além do botão “curtir”. O terceiro país com maior número de usuários no Facebook é o primeiro quando se trata de redes para o ensino de idiomas. No Busuu e no LiveMocha, principais projetos de mídias sociais de línguas, o público brasileiro é maioria, com 2 milhões de alunos em cada plataforma.
“Mercado emergente, população jovem com sede de aprender e popularização da tecnologia garantem o sucesso dos sites no Brasil”, afirma o cofundador do Busuu, Bernhard Niesner. “Na rede social você encontra diversão e flexibilidade. E o sistema é inteligente, sabe exatamente as dificuldades do aluno, coisa que nenhum professor ou CD-ROM é capaz de memorizar.”
Busuu e LiveMocha funcionam de modo semelhante. Ao se cadastrar, o usuário indica quais idiomas fala fluentemente e quais deseja aprender. Os conteúdos são gratuitos e os exercícios, corrigidos por nativos do idioma. Como em toda rede social, os integrantes podem conversar, colocando em prática o que aprenderam. “O aluno ganha confiança e se expõe de maneira formal e informal a uma comunidade poderosa de falantes nativos”, afirma André Almeida, diretor de Language Training do LiveMocha no Brasil.
O americano Ryan Strong se cadastrou no LiveMocha há um mês para aprender português. Quer morar no Brasil quando terminar as aulas de Fiction Writing no Sarah Lawrence College em Nova York. “Tive dificuldade de achar um curso acessível de ‘português brasileiro’.”
No LiveMocha pode-se aprender 38 idiomas com exercícios simples e o contato com nativos. Para ter material mais elaborado, disponível só para inglês, espanhol, francês, alemão e italiano, é preciso pagar mensalidade. No Busuu, há cursos de 12 idiomas, com material extra para quem se dispõe a pagar.
No início deste ano, o Busuu em parceria com o IE Business School realizou o I Barômetro de Idiomas, que avaliou os hábitos de estudo 45 mil pessoas de 230 países. Confira a seguir algumas conclusões a que eles chegaram sobre os hábitos dos brasileiros.
*Por Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu

Quando passou no curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Nilton Fernandes, de 21 anos, decidiu investir pesado no aprendizado de inglês. “A ciência fala inglês. A maioria dos artigos que os professores passam são no idioma, portanto é necessário sabê-lo bem.”
Ao matricular-se na Minds, escola indicada por amigos, Nilton teve uma surpresa: ele poderia comprar o material didático em papel ou no tablet. Acostumado com os livros impressos, ele não teria aderido ao tablet se não houvesse ganho o equipamento em uma promoção da escola. De qualquer modo, ficou satisfeito com o resultado. “Gosto muito dos livros, mas o tablet tornou minha vida muito mais prática e dinâmica.”
A Minds afirma ser a primeira escola de idiomas do Brasil a deixar todo seu material didático disponível no tablet. Segundo Leiza Oliveira, diretora da escola, oferecer o conteúdo digital foi uma decisão pedagógica, já que os alunos estavam enfrentando dificuldades no aprendizado, especialmente nos exercícios de audição. “O tablet agrega o som diretamente aos exercícios. Além disso, permite aos professores passar exercícios extras e usar a internet intensivamente.”
Leiza não esperava que o tablet fizesse tanto sucesso. Ela conta que, ao verem colegas usando o dispositivo, alunos que antes haviam recusado o equipamento resolveram adotá-lo. Outra surpresa foi a distribuição geográfica da adesão à novidade. “De todas as nossas filiais, as da Região Norte foram as que mais tiveram adeptos.”
Para a professora de linguística aplicada Vera de Paiva, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o tablet se destaca no uso em sala de aula por integrar diferentes mídias. “As práticas sociais da linguagem mudaram e o ensino precisa mudar junto”, diz. “O tablet é um ótimo incentivo à leitura, mas ainda não estamos criando material específico para essa nova mídia.”
O diretor de Marketing do Iesde, empresa especializada em educação a distância, Bruno Branco, concorda com a especialista. “O tablet é crossmedia, ele tem uma linguagem própria que pressupõe o uso intensivo de vídeos e de interação, muito diferente dos tradicionais cursos online.” Para Branco, o futuro da educação está no tablet. “Mas precisamos pensar em como integrá-lo a uma didática eficiente.”
Mesmo que sua escola não tenha o material didático no tablet, você pode usá-lo baixando aplicativos. Logo abaixo vão algumas opções de aplicativos para iPad e Android que podem te ajudar a aprender outro idioma.
Aplicativos para iPads:
Gratuitos
Google Translate: É exatamente como o tradutor do Google disponível online.
Hello-hello World: Oferece lições básicas em 11 idiomas, incluindo inglês e português. Além disso, conecta os usuários com outras pessoas interessadas no mesmo idioma para troca de informações.
Pagos
Conversation English (IS$ 2,99): São mais de 150 frases e expressões, além de 14 lições com exercícios, para aprimorar suas habilidades no inglês.
Business English Power Verbs (US$ 2,99): Aplicativo com uma lista de verbos e expressões comuns no ambiente empresarial.
Aplicativos para Android:
Gratuitos
Busuu Online: A rede social Busuu também oferece um aplicativo para celular e tablet. Os 12 idiomas que compõem o Busuu estão disponíveis como aplicativo.
Babbel: O aplicativo Babbel, largamente difundido nos celulares, também está disponível para tablets. São 11 idiomas, entre eles sueco e turco.
Hello-Hello World: O mesmo aplicativo que para iPads existe para Android.
Pagos
Oxford Dictionary (R$ 54,42): Um dos mais tradicionais dicionários britânicos, completo de A a Z, com áudio de voz para que vocês possa ouvir a pronúncia das palavras.
* Por Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu
A especialista em idiomas da Pearson no Brasil, Piri Szabo, diz que o curso presencial é ideal para alunos que necessitam de um ritmo de estudos e do monitoramento ao vivo do professor. “Ele é como um corredor que determina por onde o aluno deve passar.”
Gerente do Departamento Acadêmico da Cultura Inglesa, Lizika Goldcheleger ressalta a importância do presencial. “O aluno sente o impacto do que diz, tem a orientação do professor e pode se comparar aos colegas.”
O produtor de cinema Rômulo Errico, de 31, já teve aulas de inglês em diversos períodos dos últimos 20 anos, sempre em sala, “Aprendo muito com a dúvida dos outros.” Mesmo assim, ele não dispensa a plataforma online da escola. “É dinâmico, tem mais a ver com a minha vida”, diz.
“Cursos presenciais que não oferecem plataformas online se distanciam dos alunos”, afirma Marc Boisson, diretor pedagógico da Aliança Francesa.
*Por Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu

O funcionário público Vinícius Schurgelies calcula que vai economizar cerca de R$ 2 mil por semestre com a troca do curso presencial de alemão no Goethe-Institut pelo semipresencial. “Além do preço, ele vale a pena por obrigar o aluno a fazer cursos oficiais de proficiência ao final de cada nível. No curso tradicional, só faz o teste quem quer”, diz Vinícius, que mora perto da sede do instituto, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. “O material é ótimo e estou até mais disciplinado do que antes.”
Como ele, mais de 200 pessoas da capital e de cidades paulistas como Santos, Ribeirão, Guarujá e Mogi das Cruzes fizeram a opção pelo semipresencial. Eles têm aulas online de gramática e vocabulário, fazem exercícios e tiram dúvidas com o professor. A cada três semanas, encontram-se no sábado em São Paulo, das 13h30 às 17 horas, para treinar comunicação oral.
“Não é necessária a presença regular do aluno duas vezes por semana em uma cidade complicada como São Paulo para aprender alemão”, afirma Cristina Shibuya, responsável pelo curso. “Quatro meses do semipresencial equivalem a dois cursos presenciais. É uma economia de tempo e dinheiro.”
Apesar das vantagens econômicas, os interessados no aprendizado online devem ficar atentos. A professora do Departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal do Ceará (UFC) Andreia Turolo afirma que é comum encontrar cursos que só transferiram para o ambiente virtual a metodologia e os materiais antes impressos. “Um curso online deve dispor de interatividade, integrar mídias e permitir que o aluno ‘saia da nave’ e ‘voe’ pelo espaço sideral da rede”, diz Andreia.
Ferramentas de colaboração como wiki, blog e fóruns são elementos importantes do programa online de espanhol oferecido pelo Instituto Cervantes. Para Rosa Sanchez, chefe de estudos do instituto, essencial mesmo é a figura do tutor. “É o tutor quem acompanha o desenvolvimento do aluno e evita que ele fique desmotivado.” Andreia concorda. “O tempo com o professor deve ser usado para organizar informações, dar instruções sobre o que se pode fazer e avaliar dificuldades”, diz.
No Goethe-Institut, a receita tem dado certo: o índice de aprovação nos exames de proficiência dos alunos online é de 98%, enquanto o dos alunos do presencial é de 95%.
Instituto Cervantes – http://ave.cervantes.es/
São quatro tipos diferentes de cursos à distância:
• Cursos de espanhol geral que compreendem desde os níveis iniciantes até a proficiência.
• Cursos de preparação para o DELE, exame de proficiência de Espanhol. Disponível nos níveis iniciante e intermediário.
• ¡Hola, amigos! Curso on-line para crianças e jovens, desenvolvido em colaboração com o Ministério de Educação de Alberta, no Canadá.
• Curso de formação de tutores, destinado a professores de espanhol como língua estrangeira que vão utilizar o AVE profissionalmente, em qualquer das suas modalidades de uso.
Goethe – Institut – http://www.goethe.de/saopaulo
• NoGoethe-Institut São Paulo os cursos semipresenciais estão disponíveis para alunos iniciantes, básicos e intermediário.
• A sede do instituto, em Munique, oferece cursos totalmente a distância. São cursos gerais, de treinamentos de escrita e gramática e cursos de preparação para exames de proficiência. Mais informações no http://www.goethe.de/lrn/prj/fer/enindex.htm
Rosetta Stone – http://www.rosettastonebrasil.com
Alunos descobrem como falar, ler, escrever e entender um novo idioma sem tradução ou memorização. São oferecidos cursos em mais de 30 idiomas, que podem ser acessados online ou por aplicativos para celulares e tablets. A escola oferece ainda um rede social exclusiva para os alunos.
EF Englsh Town – http://www.englishtown.com.br
Uma das maiores escolas online do Mundo, a English Town oferece aos alunos cursos que vão desde o básico até os níveis mais avançados. Pode-se escolher entre um curso tradicional e um curso com acompanhamento ainda mais próximo de um professor. O diploma da escola é certificado pela Hult International Business School.
*Por Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu

Aprender um idioma no trânsito, no restaurante ou no avião. Apostando na portabilidade do celular como fator de atração de alunos, três das quatro maiores operadoras do País oferecem cursos e aplicativos de inglês. “O celular é uma ferramenta de educação que veio para ficar”, diz Flávio Ferreira, gerente de Serviços de Valor Agregado da TIM.
A lógica dos cursos é parecida. Estudantes recebem por SMS conteúdos de vocabulário e gramática, respondem a exercícios e seguem para outra lição. Há cursos de todos os níveis e com temas específicos, como mercado de trabalho e viagens.
O turismólogo Henrique Magalhães, de 29 anos, aprendeu inglês numa temporada de seis meses nos Estados Unidos. “Continuo convivendo com o inglês todos os dias, via celular.” Além dos exercícios por SMS, ele acessa o conteúdo online da EF English Town, responsável pelo curso oferecido pela Claro. “Prefiro o celular a um curso tradicional pela praticidade e pelo preço.”
Há quase 250 milhões de linhas habilitadas hoje no Brasil, mais que o total da população. “O País está se abrindo para o mundo e o celular é universal”, diz o diretor de Inovação, Produtos e Serviços da Vivo, Alexandre Fernandes.
Segundo a especialista em idiomas da Pearson no Brasil, Piri Szabo, a ferramenta ajuda na prática do idioma, mas deve estar associada a outras formas de aprendizagem. “O grande segredo é juntar esses aplicativos a outros cursos.”
Claro Línguas
Conteúdo desenvolvido pela EF English Town.
Curso por área de interesse: negócios, viagens, diversão e esportes.
Disponível por SMS, WAP e online.
Custo: Entre R$ 1,99 e R$ 9,99 por semana.
Tim + Inglês
Conteúdo desenvolvido pela Ezlearn.
Curso com quatro níveis de dificuldade.
Disponível apenas por SMS.
Custo: R$ 0,99 por semana.
Vivo Kantoo English
Conteúdo desenvolvido pela Kantoo.
Mais de cinco cursos diferentes. Oferece também Espanhol.
Disponível por SMS, WAP, Portal de Voz e online.
Custo: Entre R$ 1,99 e R$ 6,99 por semana.
* Por Lorena Amazonas, especial para o Estadão.edu
“Provavelmente sou o único doutorando do Departamento de Física da PUC do Rio que não tem inglês fluente.” Por esse motivo, o professor universitário Jefferson Ferraz Damasceno Felix Araujo, de 31 anos, decidiu se matricular em janeiro em um curso de inglês na Wise Up. Na verdade, não só por isso. “Estou no último ano do doutorado e penso em fazer o pós-doutorado no exterior.” Formado pela Universidade Federal do Piauí, Jefferson diz que na graduação teve de ler textos científicos em inglês, mas não encarava o domínio do idioma como prioridade. “Só quando vim fazer meu mestrado aqui na PUC percebi que precisava correr atrás”, diz. “Quando você trabalha com física em nível de doutorado, tentando virar pesquisador, o inglês é muito importante na interação com outros pesquisadores. Às vezes temos palestras de professores estrangeiros aqui na faculdade e preciso sentar ao lado de algum aluno para ele me ajudar a entender.” Jefferson encaixa o curso de inglês, de 1 hora e meia, duas vezes por semana, entre as aulas que dá na PUC-Rio e o doutorado. “Não é fácil, precisa de disciplina, mas é necessário.”
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* Por Lorena Amazonas, especial para o Estadão.edu
Há dois anos e meio, a camareira no Novotel Morumbi Solange Alves Pereira dos Santos, de 40, não havia terminado o ensino médio. Hoje, já formada, estuda inglês e quer cursar Hotelaria ainda este ano. “Tinha dificuldade muito grande de me comunicar com hóspedes estrangeiros. Sempre ficava aquele ponto de interrogação, tínhamos que fazer mímicas.” Depois de apenas 2 meses de curso, a situação já mudou. “Outro dia uma hóspede precisava de 4 travesseiros. Ela falou em inglês e eu consegui entender”, conta, orgulhosa. Divorciada e mãe de quatro filhos, Solange termina seu turno à tarde. Estuda duas vezes por semana numa escola de inglês na Avenida Paulista, das 18 horas às 19h30. Depois gasta uma hora e meia para voltar para casa, em Suzano, Grande São Paulo, mas não pensa em desistir. “Usei meu 13º salário e parte do 14º (bonificação paga pela empresa) para bancar minhas aulas.” Assim como muitos brasileiros, Solange pretende usar o que aprende nas aulas de inglês durante a Copa do Mundo, em 2014. “Quero estar preparada para receber os estrangeiros. Ano que vem, se conseguir, começo um curso de espanhol.”
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Depois de uma temporada de oito meses em Nova York em 2010, a estudante de Design de Produtos da Faap Kyra Altmann, de 22 anos, se prepara para morar outra vez no exterior. Vai fazer mestrado na Inglaterra. “Fui para Nova York meio por acaso. Uma amiga ia morar lá e acabei indo também, para estudar artes.” Kyra se forma agora no meio do ano. Pretende começar o Master of Fine Arts (MFA) ainda em 2012. Ela quer estudar no Chelsea College of Arts and Design, em Londres, que tem entre seus ex-alunos a cineasta Jane Campion, diretora de O Piano, e os atores Ralph Fiennes e Alan Rickman (respectivamente, lorde Voldemort e Severo Snape na série Harry Potter). “Gosto de ter metas. Antes de me candidatar já comecei a estudar para os exames de inglês”, diz. Há um ano, Kyra voltou a ter aulas do idioma pensando em seu mestrado. “É importante ter um bom nível de inglês para poder participar das aulas, se colocar e expor suas ideias”, afirma. “Pode parecer que não, mas no MFA tem que escrever muito texto.” Enquanto não viaja, Kyra treina escrevendo em inglês em seu blog kyraaltmann.blogspot.com. “Escrevo sobre assuntos que me interessam, sempre voltados para a arte”, diz. O canal também serve para a estudante divulgar seu trabalho. “O portfólio é muito importante. Não só os trabalhos, mas a apresentação também.”
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Para o estudante de Administração Alex Revollo Fernandes, de 20 anos, intercâmbio não é algo que se faz de uma hora para outra. “Acredito que é preciso ter planejamento. Intercâmbio requer dedicação, tempo e dinheiro.” Por conta disso, Alex já começou a cotar o melhor pacote para que possa estudar inglês nos EUA no ano que vem. “Quero passar 7 meses na Flórida.” Este ano, Alex se matriculou em um curso de inglês na Wizard para se preparar melhor. “Só tinha estudado inglês no colégio.” Alex estuda em média meia hora por dia, em casa, fazendo lições propostas pelos professores e treinando na rede social wespeak.com . “Fiquei sabendo desse site pelo Facebook. Lá consigo fazer lições e sei que é possível conversar com outros estudantes, mas ainda não tive tempo para isso.” Alex, que trabalha com marketing, termina sua graduação no fim do ano e pretende viajar logo em seguida. “Talvez também busque um trabalho, mas meu principal objetivo lá é falar inglês fluentemente.”
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