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Ponto Edu

Farmácia, Direito, Ciências Econômicas, Relações Internacionais. Todos esses cursos são cogitados pela paulista Marina Laura Fernandes, de 16 anos. A estudante de Ribeirão Preto, que está no 3º ano do ensino médio, foi aprovada no curso que era sua segunda opção no Sisu, Ciências Econômicas, na Universidade Federal Fluminense (UFF). A primeira era Farmácia. Quando perguntada sobre a disparidade entre as opções, Marina esclarece que foi influenciada na hora da inscrição por sua cunhada, que é farmacêutica. “Ela me explicou como era o curso e a profissão e fiquei interessada”, diz ela. Como ainda não concluiu o ensino médio, Marina não poderá realizar sua inscrição na UFF em 2012.

Neste ano quando for prestar vestibular, dessa vez para valer, Marina calcula que fará a prova em cerca de 13 universidades, em várias partes do país. E para vários cursos. Em um mundo ideal, caso passasse em todos os vestibulares prestados, a paulista escolheria Relações Internacionais na USP. “É o meu sonho”, diz ela.

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* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

Foto: Arquivo pessoal

Aos 16 anos, Henrique Bispo, de Mauá, foi aprovado em 1º lugar em Ciências da Computação na UFPR. E ele nem estudava em casa. Não tinha tempo. De manhã, pegava o ônibus para a Etec Júlio de Mesquita, em Santo André, onde concluiu o ensino médio. À tarde, fazia o curso técnico em outro colégio, em Ribeirão Pires. Só então voltava para Mauá, de trem, onde em novembro, logo após o Enem, começou a trabalhar como monitor num cursinho de informática. “Eu estudava na sala, na hora do almoço, nos intervalos. Mas estudar em casa mesmo, só nos fins de semana”, conta Henrique, que diz ter saído pouco de casa em 2011.

Ele também fez a 2ª fase da Fuvest para o curso de Estatística, e aguarda o resultado. Vai se matricular na UFPR, mas prefere ficar em São Paulo. “Mas se eu não passar na Fuvest, vou para Curitiba, morar com meus tios”, planeja.

Além do 1º lugar em um vestibular, Henrique tem outra marca invejável: tirou nota 1.000 (a mais alta possível) na redação do Enem. “Tenho que aproveitar essa nota, porque não é todo ano que no Enem cai um tema com o qual sou familiarizado”, diz. A redação deste ano foi sobre Internet: “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”.

A dica de Henrique para quem vai fazer vestibular é escolher um curso que o aluno realmente queira fazer, e não pensando na note de corte mais baixa. “Não escolha o curso fácil, mas o que vai mais te empolgar para estudar”.

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13.janeiro.2012 18:42:59

Em busca do jaleco

Há cinco anos tentando entrar em uma faculdade de Medicina, a alagoana Karla Julliana Silva Sousa, de 21 anos, não conseguiu realizar seu sonho neste ano. A estudante, que reside em Maceió, foi aprovada em psicologia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sua segunda opção de curso no Sisu. “Achei que este ano conseguiria, eu estava lá, estava quase dentro da universidade”, diz ela. “É o primeiro ano que a UFAL utiliza unicamente o Sisu como forma de ingresso e, por conta disso, a nota de corte subiu muito”, acredita Karla. A estudante pretende se matricular em Psicologia, mas não desistirá da carreira na Medicina. “Vou cursar a faculdade e, paralelamente, prestar o Enem. Uma hora eu consigo”, afirma ela.

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* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

Foto: Arquivo pessoal

Pedro Fraiman poderia se tornar calouro em Medicina, não fosse um detalhe: tem 16 anos e ainda vai começar o 3º ano do ensino médio.

Estudante do Colégio Ciências Aplicadas, de Natal, teve uma rotina apertada para ser aprovado na Federal de Alagoas (UFAL). “As aulas são de 7h30 às 13h15. Depois eu chegava em casa, almoçava e estudava até umas 20h”, conta.  ”Mas não viro madrugada. Não tem diferença entre estudar seis horas de madrugada ou seis horas à tarde”, ressalta.

Pedro conta que está feliz com a aprovação, mas já esperava o resultado. “Afinal, já estudo bastante.” Mas o que ele quer mesmo é ser aprovado em Medicina na UFRN, na cidade onde mora. Este ano, ele foi para a 2ª fase, mas não passou. “Esta aprovação de hoje foi um estímulo para mim, para passar no vestibular de verdade no fim do ano”, diz Pedro.

Ele também pensa em disputar vaga na USP, mas não pôde fazê-lo este ano porque a data coincidiu com a prova da federal potiguar.

Apesar dos estudos, Pedro também tem sucessos em outros campos. Disputa amanhã uma vaga na delegação brasileira da Olimpíada Internacional de Química. Foi campeão brasileiro de handebol em 2008. E namora Caroline, um ano mais nova que ele. “Mas não pratico mais o handebol. A gente tem que abdicar de algumas coisas em nome do que quer”.

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Após dois anos de cursinho, Mateus Carbonese da Silva, de 19, passou no seu primeiro vestibular. Ele é um dos 44 calouros de Engenharia Eletrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que colocou todas as vagas do curso no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Mateus vai fazer matrícula na instituição, mas aguarda o resultado da Fuvest e da Unesp para saber se muda para o Estado vizinho.

O estudante de Birigui, a 500 km de São Paulo, presta o Enem desde que o exame tornou-se um grande vestibular. Diz que não estava suficientemente preparado para a prova em 2009 e, em 2010, teve a redação anulada porque fugiu do tema. Desta última vez, o texto dele recebeu 720 pontos.

“Estou muito feliz com minha primeira convocação, até porque estudei a vida inteira em escola pública e passei em uma das universidades onde almejo estudar”, afirma Mateus, que foi aluno, depois do colégio, do cursinho comunitário da Unesp em Araçatuba e do Objetivo de Birigui, com bolsa de 30%.

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Mesmo que não vá para o Paraná, o garoto vai sair de casa. É que ele disputa vaga em Engenharia Elétrica na USP de São Carlos e na Unesp de Ilha Solteira. “Minha mãe é muito coruja e não está muito feliz com a ideia de eu morar em outra cidade”, conta.

A prioridade de Mateus é a Fuvest, cuja segunda fase ocorreu entre domingo e terça-feira. Ele viajou até São José do Rio Preto para fazer os exames. No sábado, porém, entrou no Sisu e se inscreveu na UTFPR. “Só entrei na internet terça à noite e estava em 5.º lugar, por isso nem mexi no sistema até o fim das inscrições.”

Se o estudante não passar nas estaduais paulistas, vai morar em Campo Mourão, interior do Paraná. Dois colegas de Mateus já moram na cidade e cursam Engenharia na UTFPR. “Vamos morar numa república”, comemora o calouro.

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Um vídeo publicado ontem pelo portal NE10 mostra protesto realizado em Recife contra as falhas do Enem 2011, principalmente a correção da redação.

No vídeo, de menos de três minutos, estudantes gritam “Enem pro espaço! Eu não sou palhaço”, e o aluno João Pedro Cavalcanti concede uma entrevista na qual explica os pontos do protesto, como a “aleatoriedade” na correção da redação, o fato de que um aluno teve sua nota revisada de 0 para 8, e que os avaliadores são teoricamente incentivados a corrigir muito rápido. João Pedro também critica a falta de transparência na correção da parte objetiva, já que os alunos não têm acesso à própria folha de respostas.

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* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

A nota do Enem 2011 estava originalmente prevista para sair no dia 4 de janeiro de 2012 (quarta-feira), como diz o site oficial da prova (http://enem.inep.gov.br/resultados-enem.html). Porém, a assessoria do MEC acaba de informar ao Estadão.edu que a nota está prevista para sair “na primeira semana de janeiro” – ou seja, pode ser divulgada antes ou depois do dia 4.

O Enem deste ano foi realizado nos dias 22 e 23 de outubro. As inscrições para o SiSU (sistema que permite o ingresso nas universidades) devem abrir “na 1ª quinzena de janeiro”, segundo o MEC – depois da divulgação das notas do Enem.

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A Defensoria Pública da União (DPU) informou que enviará recomendação ao Inep (braço do MEC responsável pelo Enem) a a anulação das questões idênticas às do simulado do Colégio Christus, de Fortaleza. Eis a nota na íntegra:

“Brasília, 28/10/2011 – A partir da constatação do vazamento de 14 questões da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada no último fim de semana, a Defensoria Pública da União enviará, nesta sexta-feira (28), recomendação ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para que sejam anulados os itens comprometidos para todos os estudantes ou para que o certame seja cancelado de forma integral.

O defensor público federal Ricardo Salviano, titular do ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva no Distrito Federal, é o autor da recomendação. “Como se trata de um concurso nacional, a solução não pode ser apenas no âmbito local, já que ela interfere na garantia da isonomia entre todos os candidatos”.

A DPU aguardará prazo de 10 dias para que o Inep se manifeste.

O que é uma recomendação?

De caráter extrajudicial, serve como alerta sobre a necessidade de providências para resolver uma situação irregular ou que possa levar a alguma ilegalidade. Não obriga a outra parte a segui-la, mas, se não for acatada, o defensor, a partir de então, poderá tomar providências na esfera judicial, como mover uma ação civil pública.

Comunicação Social DPGU”

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* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu, e Paulo Saldaña, enviado especial a Fortaleza

Pelo menos 300 estudantes em Santa Maria, mais 300 estudantes em Fortaleza, inaguraram nesta sexta-feira o que prometem pela internet ser uma onda de protestos contra o Enem.

Nesta manhã, no interior do Rio Grande do Sul, a manifestação foi na Praça Saldanha Marinho, no Centro. Alguns estudantes falavam de cima de um carro de som. Outros usavam nariz de palhaço, e em frente ao espelho de uma loja havia até uma fila para os estudantes pintarem a cara. Algumas das palavras entoadas pelos estudantes foram: “Um, dois, três, quatro, cinco, mil! Queremos que o Enem vá para a…” e também: “Ei MEC, cadê o respeito? Não se trata estudante desse jeito”.

Uma professora pediu a anulação das 14 questões idênticas às do material distribuído no Colégio Christus, em Fortaleza. Outros estudantes pediam o retorno do vestibular das federais ou a criação de Enems regionais, em substituição a uma prova para todo o Brasil.

Poucas horas depois e a 4.100 quilômetros dali, na capital do Ceará, outros 300 estudantes, de vários colégios, fizeram uma manifestação contra o Enem na Praça da Imprensa, no bairro Dionísio Torres. A maioria estava sem uniforme, mas outros trajavam roupas de diferentes escolas. Alguns portavam cartazes questionando a lisura da prova, com dizeres como “Vazou ou não vazou?”, “Haddad, pede pra sair”, e “Não foram só 639 que tiveram acesso às questões”. A iniciativa do protesto foi de alunos do colégio Ari de Sá.

“O motivo dessa manifestação é que o Enem tem tido problemas consecutivos nas três edições. O que a gente quer é que seja sério”, disse o estudante Guilherme Almeida, do 3º ano do Ari de Sá. Ele diz ser contra o cancelamento do Enem apenas para os alunos do 3º ano do Christus. “Ou cancelam as questões repetidas, ou cancelam a prova para todo mundo”.

Alguns dos manifestantes cearenses também usam nariz de palhaço. Outros pintaram o número 14 no rosto, em referência às questões do material do colégio idênticas às aplicadas no Enem neste fim de semana.

“Alunos na rua, Enem a culpa é sua”, gritam os estudantes. Eles deram a volta em dois quarteirões e fecharam a rua enquanto andavam.  Eles se descolaram para não atrapalhar as aulas de uma escola, e caminharam  rumo ao prédio do Ministério Público Federal.

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