* Por Juliana Deodoro, especial para o Estadão.edu
SÃO PAULO – A discriminação de gênero, social e aos usuários de drogas foi o principal tema discutido nesta sexta-feira, 20, no debate que encerrou a Semana de Barba, Bigode e Baseado na USP. O encontro reuniu cerca de 70 alunos no vão do prédio da Faculdade de História, na Cidade Universitária. Na mesma mesa estavam representantes da Marcha da Maconha e do movimento LGBT, pesquisadores sobre sexualidade e até um integrante da congregação Rastafari.
“Temos de evitar a discriminação de todas as formas”, afirmou o professor Júlio Simões, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) USP. Além de Simões, participaram do debate a também professora da Antropologia Heloísa Buarque, Alexandre Peixe Santos, do movimento LGBT, o músico moçambicano rastafari Ras Haitrm e Helena Marques, representante da Marcha da Maconha.
Com o tema “Travestis e drogados: (des)marginalizando comportamentos”, o debate tentou relacionar os dois assuntos que, segundo os integrantes da Frente Uspiana de Mobilização Antiproibicionista (Fuma) – organizadores do evento – eram os pontos-chave da semana: a legalização da maconha e a “autonomia sobre o uso do corpo”.
Para Heloísa Buarque, há sim uma correlação entre as questões, especialmente entre a legalização do aborto e da maconha . “Ambos são movimentos ‘abolicionistas’ por proporem maior liberdade aos cidadãos. Além disso, são questões de saúde pública”, disse.
A semana
Quando foi noticiada, a Semana de Barba, Bigode e Baseado causou polêmica. A programação, realizada na FFLCH, teve desde “plantão de cultivo” e “orgia poética” até um dia apenas para os alunos fumarem orégano.
Segundo os organizadores, os principais objetivos do evento foram cumpridos. “Se queríamos ampliar o debate, conseguimos. Atingimos setores da sociedade mais amplos, que nem imaginávamos”, disseram. A intenção, segundo eles, é realizar uma semana somente de palestras sobre o tema já no segundo semestre. “Isso aqui não se esgota em uma semana.”

* Por Carlos Lordelo
SÃO PAULO – Para a chapa 27 de Outubro, o resultado das eleições para o DCE da USP foi “previsível”. “Ainda mais com essa política de voto útil na qual a chapa Não Vou Me Adaptar se apoiou para derrotar a Reação”, disse o aluno de Letras João Silva, de 32 anos, ligado à 27.
Segundo ele, a NVMA pressionou os estudantes a votar no grupo com mais condições de vencer “a direita” – isto é, a Reação, que se identifica como “apartidária”. “E a força toda que se falava que a direita tinha se mostrou uma farsa”, completou.
O estudante afirmou ainda que a nova gestão do DCE será “uma repetição” da que comandava o diretório no ano passado, pois tem os mesmos integrantes e propostas.
João disse também que a 27 usou as eleições como trampolim para fazer propaganda de suas ideias. A chapa terminou a corrida em 4º lugar, com 503 votos.

* Por Carlos Lordelo
SÃO PAULO – Última colocada nas eleições para o DCE da USP, a chapa Quem Vem Com Tudo Não Cansa diz que faz planos a “médio prazo” para se “reinserir” na vida estudantil. O grupo já comandou o diretório em 2006 – na época, com o nome Camarão que Dorme a Onda Leva.
Segundo o representante da chapa Pedro Martinez, de 20 anos e aluno de Direito, o grupo está se reorganizando. Neste ano eles só receberam 254 votos (110 no Largo São Francisco).
Para Pedro, a Não Vou Me Adaptar ganhou porque fez “política de medo” contra a Reação, tinha militantes espalhados por diversos cursos e forjou uma “união eleitoral”. “Mas eles devem rachar em pouco tempo”, aposta.

* Por Carlos Lordelo
SÃO PAULO – A chapa Reação considerou “justo” o resultado das eleições para o DCE da USP, divulgado na madrugada deste sábado. “Pelo menos o processo, este ano, foi limpo”, disse a estudante de História Pilar Gomez, de 24 anos, que coordenava a campanha do grupo no câmpus do Butantã. Ela referiu-se à suspeita de que houve fraude nas eleições de 2009, nas quais a chapa Reconquista, que tinha integrantes e ideias semelhantes aos da Reação, perdeu por uma pequena diferença de votos.
“Apesar de alguns acharem que foi uma derrota, penso que foi uma vitória. Conseguimos mostrar nossa cara e dizer para os estudantes que existem pessoas que contestam a atual conjuntura do DCE”, afirmou Pilar.
A Reação era a única das cinco chapas que defendia a presença da Polícia Militar no câmpus. Recebeu 2.660 votos e terminou em segundo lugar, muito distante do grupo vencedor, Não Vou Me Adaptar (6.964 votos).
Para Pilar, se as eleições tivessem sido no fim do ano passado – como era previsto pelo regulamento do DCE – “o quadro seria muito diferente”. Ela acredita que o adiamento da votação prejudicou a chapa. “No ano passado as pessoas estavam mais indignadas. Agora as coisas estão mais calmas, não há mais greve, e assim os alunos se acomodam.” O voto não é obrigatório, mas este ano o quórum foi recorde: 13.134 participantes.
Segundo a estudante, o novo DCE precisa “tomar posições”. “Esta é pelo menos a terceira gestão consecutiva do mesmo grupo. No ano passado, primeiro eles foram contra a invasão da reitoria e, depois da reintegração de posse, se uniram aos movimentos mais radicais, aos invasores.”

* Por Carlos Lordelo
SÃO PAULO – A chapa de situação Não Vou Me Adaptar foi reeleita para comandar o DCE da USP. A apuração das urnas está chegando ao fim no Centro Acadêmico da Escola de Comunicação e Artes, na Cidade Universitária. Até o momento, a NVMA teve 6.554 votos e todas as outras quatro chapas, somadas, receberam 5.523 votos.
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A Reação, chapa que se diz apartidária e era a única a defender a presença da Polícia Militar no câmpus, disputa o segundo lugar com a Universidade em Movimento. A primeira teve 2.344 votos e a segunda, 2.478.
Em quarto lugar vem a 27 de Outubro, composta sobretudo pelos estudantes que invadiram o prédio da reitoria no fim do ano passado. O grupo teve 470 votos.
A última colocada até o momento é a chapa Quem Vem Com Tudo Não Cansa: 241 votos.
A apuração deve terminar em aproximadamente 30 minutos, segundo uma integrante da Comissão Eleitoral.
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
SÃO PAULO – Fila e muita movimentação marcam a manhã de quinta-feira na Faculdade de Letras da USP. No último dia das eleições para o DCE, a participação dos eleitores promete ser recorde.
De acordo com militante da chapa Não Vou Me Adaptar, a expectativa é de quórum bastante elevado. Geralmente, as eleições para o DCE têm uma média de 8 mil votos. Até quarta-feira, no entanto, penúltimo dia de votação, já haviam sido contabilizados mais de 7.500 votos. Como muita gente deixa para votar no último dia, são esperados mais de 10 mil votos nessa eleição.
Além situacionista Não Vou Me Adaptar, mais quatro chapas concorrem à diretoria da entidade: a Reação, que se identifica como “apartidária”, e as esquerdistas Quem Vem Com Tudo Não Cansa, Universidade em Movimento e 27 de Outubro.
O resultado deve sair na madrugada de sexta para sábado.
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
SÃO PAULO - O único direito de resposta concedido a uma chapa no debate entre candidatos ao DCE da USP, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, nasceu de uma pergunta sobre cotas raciais no vestibular da Fuvest.
A Reação foi a primeira a responder. O representante Éder Souza, negro, disse ser contra as cotas porque o problema da educação não estaria no “topo”, mas na “base”. Segundo ele, a inclusão de negros na universidade deveria ser resolvida com a melhoria do ensino público. Mas Éder assegurou que a Reação é a favor de um plebiscito para decidir o tema.
Danilo Cruz, também negro e membro da Universidade em Movimento, criticou o fato de Éder, sendo negro, ter essa opinião.
Éder pediu à mesa e obteve direito de resposta. Afirmou, então, que não “segue cartilha”, mas tem consciência para definir suas próprias opiniões.
Confira outros lances do debate neste link. As eleições para o DCE começam nesta terça-feira e vão até quinta.
* Corrigido às 10h35 de terça, 27. Éder disse ser contra as cotas, não que a chapa tenha essa posição.
* Atualizado às 10h47 de terça, 27, para acrescentar link do vídeo.
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
Diversas unidades da USP sediaram nesta segunda-feira a última rodada de debates entre as chapas que concorrem ao DCE. As eleições começam nesta terça e vão até quinta, 29.
Acompanhe os melhores momentos do debate realizado nesta noite na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
22h20. Acaba o debate aqui na SanFran. Amanhã começa a tão esperada votação para o DCE da USP. Continue nos acompanhando.
21h09. Universidade Em Movimento e Quem Vem Com Tudo Não Cansa afirmam que o congresso pode ser propulsor para a estatuinte da USP. Para a primeira, será também o momento de debater as cotas raciais na universidade. A segunda propõe uma Comissão da Verdade na universidade para discutir crimes da ditadura.
27 de Outubro não tem ainda proposta unitária sobre o congresso e afirma que é uma vergonha a chapa Reação usar a morte do estudante da FEA Felipe Ramos de Paiva para falar sobre a PM no câmpus. Segundo eles, o reitor queria a presença da polícia desde 2009.
Não Vou Me Adaptar foge da pergunta e defende que todos os investimentos na USP sejam públicos. Segundo eles, acordo fechado entre Faculdade de Veterinária e agronegócio na semana passada não poderia ter acontecido.
21h00. Mais uma pergunta: “A chapa vencedora será responsável por realizar o 11º Congresso da USP. Qual é o plano de cada uma das candidatas?”
20h58. Para 27 de Outubro, a criminalização dos movimentos sociais é um debate “seríssimo”. Reação diz que professor da Letras foi agredido ano passado e que piquete e agressão continuam sendo crimes mesmo sem o decreto de 1972. “Vocês estão criminalizado o ato de ter aula”, provoca a Reação.
Representantes da Universidade Em Movimento afirmam que o professor foi agredido por aluno em surto psicótico. “Não é colocando like e dislike no Facebook que vocês vão mudar o mundo”, respondem.
Segundo Quem Vem Com Tudo Não Cansa, Rodas trata a Cidade Universitária como uma bolha e afirma que a segurança da USP deve ser integrada com o resto da cidade.
Não Vou Me Adaptar diz: “Quem está realizando crimes na universidade é o reitor. O papel do movimento estudantil é defender cada aluno perseguido”.
20h46. A plateia poderá fazer mais três perguntas. Um aluno questiona: “Os estudantes devem ser responsáveis por aquilo que fazem?”
20h43. Não Vou Me adaptar começa respondendo. Para eles, USP deveria ser para todos; defendem eleições diretas para reitor. Segundo a 27 de Outubro, a missão de Rodas é reprimir os movimentos com o intuito de privatizar a universidade.
Enquanto a chapa Reação é constantemente provocada pela plateia, Universidade Em Movimento propõe plebiscito como forma de consultar estudantes. De acordo com Quem Vem Com Tudo Não Cansa, a congregação rediscutirá nesta quinta-feira o status de persona non grata do reitor.
20h33. Última pergunta da plateia: “Na SanFran o reitor é persona non grata. Como as chapas vão combater o projeto dele?”
20h30. Universidade Em Movimento prega que o movimento estudantil seja ativo em todos os cursos e não apenas “com as pessoas iluminadas da FFLCH”. Para que isso aconteça, eles acreditam na reunião dos Centros Acadêmicos como forma de reaproximar a política dos alunos.
Para Reação, alunos de faculdades distantes (como a SanFran e a unidade Piracicaba) não podem ir às assembleias marcadas tarde da noite no Butantã. Não Vou Me Adaptar discorda e diz que a democracia deve ser participativa, construída com debates nas bases.
27 de Outubro rebate a chapa Reação, dizendo que ”momento de greve é momento de debater, e não de ir para casa dormir”. Por fim, afirma que a concorrente está ligada a partidos da ditadura.
Quem Vem Com Tudo Não Cansa finaliza: “A urna tem decisões fechadas. Nas assembleias formamos decisões.”
20h20. Terceira pergunta da plateia: Quais as alternativas ao modelo de assembleias?
20h15. 27 de Outubro diz não querer nem dialogar com a Reação, que responde: ”As outras chapas não querem apenas autonomia da reitoria, mas da realidade.” Para Universidade em Movimento, Reação tem discurso cínico e só aparece no movimento estudantil na hora da eleição.
Segundo Não Vou Me Adaptar, Rodas foi escolhido pelo PSDB para colocar a USP em rankings internacionais a qualquer custo. “Não adianta um homem, um voto. A política acontece nas assembleias”, afirma.
20h11. Segunda pergunta da plateia: “Qual a vinculação da Reação com a reitoria?”
20h05. A Reação responde: “A democratização foi a razão da criação da chapa. Antes de encaminhar qualquer proposta, a chapa quer ouvir os setores da universidade”. Para a chapa Não Vou Me Adaptar, a eleição para reitor deve ser direta. “Professores, alunos e funcionários devem ter mais peso nos conselhos universitários.”
Os representantes da Universidade Em Movimento dizem que o estatuto da USP não segue a Lei de Diretrizes e Bases e defendem eleições com pesos iguais para os votos dos professores, estudantes e funcionários.
“O estatuto é anticonstitucional porque alunos eliminados não podem fazer o vestibular novamente”, afirma a 27 de Outubro.
Por fim, a Quem Vem Com Tudo Não Cansa diz que voto paritário já foi conquistado em outras universidades.
19h53. Começa a rodada de perguntas. A plateia poderá propor quatro questões a qualquer uma das chapas. E a primeira pergunta é: ”O que as chapas têm a propor para o estatuto da USP?”
19h50. Representante da Quem Vem Com Tudo Não Cansa diz: ”O DCE precisa estar mais próximo dos estudantes.”
19h46. Não Vou Me Adaptar diz que Reação é a chapa que bate palmas para Rodas. “O que está em jogo é a defesa de um DCE livre da reitoria”, afirmam.
19h40. Em sua fala, representantes da chapa Universidade Em Movimento dizem que a força do movimento estudantil está nos números e que o movimento precisa ser de toda a universidade. Debatedores da Reação, por sua vez, dizem que vieram para “derrubar o muro de Berlim que ainda existe na USP”.
19h37. Começa o debate! Representantes da chapa 27 de Outubro afirmam que o reitor João Grandino Rodas quer a Polícia Militar no câmpus para privatizar a USP.
19h24. Menos de 50 pessoas aguardam o início do debate na sala dos estudantes da SanFran. Apenas os representantes das chapas Universidade em Movimento e 27 de Outubro vieram vestidos com camisetas das chapas.
19h10. Começa daqui a pouco um dos últimos debates antes das eleições para o DCE da USP.
* Corrigida às 19h35 e atualizada às 22h50
* Corrigido de novo às 10h05 de terça-feira, 27

Estudantes da PUC-SP se reuniram ontem à noite, dia 22, para discutir qual o papel da instituição no debate sobre temas como aborto e homossexualidade. A assembleia ocorreu na chamada “Prainha”, no câmpus de Perdizes, zona oeste, e teve a participação do reitor, Dirceu de Mello.
A discussão vem após as declarações do bispo d. Luiz Bergonzini, da diocese de Guarulhos (SP), de que professores com ideias contrárias às da Igreja não deveriam lecionar na PUC.
Em seu blog, Bergonzini disse que docentes favoráveis a descriminalização de aborto, eutanásia, maconha, “ideologia homossexual” ou “comunistas” deveriam procurar outra instituição – conforme o jornal O Estado de S. Paulo publicou este mês.
O pensamento do bispo foi o estopim para manifestações contrárias e a favor da sua posição. Na semana passada, estudantes fizeram um apitaço na PUC contra a opinião do bispo. Mas também houve cartazes a favor dele.

Reitor Dirceu de Mello participou da discussão
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
Foto: Pedro Alvim
SÃO PAULO – O debate desta quarta-feira na FEA-USP mostrou uma semelhança e uma diferença em relação ao cenário politico brasileiro. A semelhança é que dois grupos favoritos, com discursos opostos, atraem a maior parte da atenção. A diferença é que, para pavor do TSE, o Facebook e o Twitter são fundamentais na campanha.
A Reação, única chapa favorável à presença da PM no câmpus e a única a não pedir a deposição do reitor, foi vaiada várias vezes. No terceiro bloco do debate, cada chapa poderia fazer perguntas a outras duas. As chapas Não Vou Me Adaptar e Reação responderam a perguntas de todas as outras quatro, enquanto a Quem Vem Com Tudo Não Cansa não recebeu nenhuma pergunta.
A plateia teve direito a fazer quinze perguntas; nove foram dirigidas à Reação. As chapas de esquerda a mencionavam até mesmo quando respondiam a perguntas entre si. A situacionista Não Vou Me Adaptar foi a segunda que mais recebeu atenção e a que tem maior número de inscritos.
A divulgação do debate via Facebook e a crítica a um comentário publicado no Twitter por Lucas Sorrillo, da Reação, mostraram que, para a nova geração de líderes, as redes sociais são extensão natural do debate.
* Atualizado às 11h23 de sexta-feira, 23, para adicionar a foto.
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