15.11.09
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Mariluce Moura ,
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Geral
09:57:51.
Desde este final de semana, o Pesquisa Brasil, programa que resulta da parceria entre a Rede Eldorado e a revista Pesquisa Fapesp, está apresentando uma série de entrevistas com os maiores especialistas brasileiros em asma. Acompanhá-las é tomar conhecimento dos avanços mais recentes e significativos na pesquisa dessa doença, ou melhor, dessa sindrome que afeta 300 milhões de pessoas no mundo e provoca a morte de 250 mil anualmente. Aqui no Brasil, a asma é diagnosticada em 12% da população acima de 18 anos. Estima-se que entre crianças e adultos ela atinge um total de 26 milhões de pessoas e é causa de morte de um em cada 700 brasileiros -- taxa até 10 vezes superior à de alguns países desenvolvidos.
Nas entrevistas, os mesmos pesquisadores que apresentaram seus achados científicos para a reportagem de capa da revista Pesquisa Fapesp deste mês de novembro, abordam as causas da asma e as dúvidas que ainda persistem nesse terreno, além dos caminhos para a identificação mais rápida e os tratamentos mais eficazes do problema. A primeira entrevistada da série foi a patologista da Universidade de São Paulo, Thais Mauad e quem perdeu suas brilhantes explicações pode recuperá-las pelo site do território ou Eldorado ou, a partir da segunda feira, pelo site site www.revistapesquisa.fapesp.br.
Thais contou o que seus estudos, baseados no exame de pulmões e do restante do aparelho respiratório de pacientes que morreram de asma, estão revelando sobre os brônquios e os bronquíolos dos asmáticos, além de comentar as novas diretrizes internacionais para diagnóstico e tratamento da asma.
No próximo fim de semana, no sábado às 11 horas da manhã e no domingo às 8 horas, também da manhã, o entrevistado é José Roberto Lapa e Silva, pneumologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele vai contar para os ouvintes como tem evoluído nas últimas décadas o conhecimento sobre esse grande problema inflamatório das vias aéreas que é a asma e detalhar os testes que vem fazendo com vacinas e novas formas de tratamentos da asma grave.
Na semana seguinte o entrevistado será Alvaro Cruz, pneumologista da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele coordena o Programa de Controle da Asma e da Rinite Alérgica (ProAR) em Salvador e em Feira de Santana que, desde 2003, já atendeu cerca de 4 mil pessoas portadoras de asma grave e conseguiu, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzir de forma sensível os gastos no sistema público de saúde com a síndrome.
Na primeira semana de dezembro, o pneumologista do InCor Rafael Stelmach conta como ele e sua equipe estão tratando pessoas com asma grave e as separando de acordo com os fenótipos, o que vem apresentando bons resultados.
Para encerrar a série especial, o Jornal Eldorado vai receber no dia 11 de dezembro um pneumologista da equipe do Dr. Rafael para responder às perguntas dos ouvintes. Sugiro que fiquem atentos a essa programação.
15.10.09
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Mariluce Moura ,
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13:46:52.
Dois estudos recém-concluídos de sequenciamento genômico de leveduras industriais utilizadas no processo de produção de etanol estão deixando pesquisadores brasileiros muito animados quanto às possibilidades futuras de se aumentar a velocidade de fermentação e, portanto, a produtividade nas usinas de fabricação de álcool.
Um dos estudos, feito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob a coordenação de Boris Stambuck e em colaboração com pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, analisou o genoma das cinco principais linhagens da levedura Saccharomyces cerevisiae usadas na produção industrial no país, inclusive a variedade Pedra 2, que entra no processo de fabricação de cerca de 30% do etanol nacional.

Levedura Saccharomyces cerevisiae, utilizada na produção do etanol do Brasil
O outro, cujos resultados foram publicados neste mês na respeitada revista científica Genome Research, foi desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a norte-americana Universidade Duke e mais a participação de pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e da Carolina do Norte. Nesse estudo, que tem entre seus autores Gonçalo Pereira, professor titular do Instituto de Biologia da Unicamp e, na coordenação, Juan Lucas Argueso, um brasileiro hoje baseado na Duke, o alvo era exclusivamente a análise do da levedura Pedra 2.
Em termos de conhecimento, ambos os estudos ajudam a explicar que características estruturais, genéticas, tornam as leveduras usadas na fermentação do etanol tão resistentes, tão adaptáveis às condições adversas do interior dos tanques de fermentação, as chamadas dornas, onde, segundo Gonçalo Pereira, trava-se uma guerra química e biológica mortal entre uma infinidade de microorganismos. "A levedura reorganiza os seus genes de tal forma e com tal velocidade que, se possui um gene especialmente importante, consegue ampliá-lo várias vezes. E descobrimos que ela faz isso com os genes localizados na ponta dos cromossomos, estabelecendo uma série de variantes. Ela é capaz de se transformar completamente", ele explicou à agência Fapesp, referindo-se especialmente à eleita de seu grupo, a levedura Pedra 2..
Em termos de efeitos práticos sobre a produção brasileira de etanol, hoje na faixa dos 27,5 bilhões de litros por ano, a cargo de 350 usinas, os pesquisadores acreditam na possibilidade de construção de novas variedades de levedura ainda mais eficientes nas dornas. Observam que um aumento de 5% na velocidade da fermentação já teria um alto impacto sobre a produção.
Até aqui, os levedos usados para a produção do pão, do vinho, da cerveja e de alguns outros itens já tinham seu funcionamento bem conhecido. Não era o caso do álcool. E para um país que faz grandes apostas no etanol, conhecer mais profundamente os mecanismos que permitem a determinadas leveduras tornar sua produção mais rápida e eficiente era crucial. Agora, o quadro melhorou: obteve-se conhecimento básico a ser aplicado numa área economicamente estratégica.
12.07.09
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Mariluce Moura ,
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Geral
18:38:33.
Fácil para um, difícil para outros
Talvez haja muito de determinação genética e nada de lassidão moral, ao contrário do que gostam de pensar os moralistas, na incapacidade de muitas pessoas exercerem um forte auto-controle para levar adiante decisões um tanto difíceis, como manter uma dieta, por exemplo. E são diferenças no cérebro encontradas por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), divulgadas nos últimos dias, que vêm em apoio dos que se torturam atribuindo-se fraqueza de espírito por sua reduzida competência para exercer auto-controle.
Enquanto, em muitas pessoas, apenas uma área do cérebro é ativada quando têm que tomar decisões carregadas de valor, naquelas com um bom auto-controle uma segunda área cerebral modula a atividade da primeira, permitindo-lhes pesar fatores mais abstratos, como o caráter saudável de alguma coisa, por exemplo, em paralelo à urgência de atender desejos primários, como o gosto, para, ponderando os dois fatores, tomar a melhor decisão. Isso foi mostrado em imagens de ressonância magnética funcional (MRI) em três dimensões.
Os achados não se prestam, em princípio, apenas para explicar dificuldades para se seguir dietas, e sim o processo de tomada de decisão em muitos temas que envolvem a chamada força de vontade. "Uma questão básica em economia, psicologia e mesmo religião, é por que algumas pessoas podem exercer o auto-controle e outras não", diz Antonio Rangel, professor associado do Caltech e principal autor do artigo sobre a pesquisa publicada na Science de 9 de julho. "Na perspectiva da moderna neurociência, a questão passa a ser, 'o que é especial na circuitaria do cérebro que pode exercitar um comportamento de eficiente auto-controle? ' Esse artigo estuda a questão no contexto das decisões de dieta e traz um insight importante.", completa ele.
Quem estiver interessado em mais detalhes sobre o estudo, pode acessar, por exemplo, www.sciencedaily.com/releases/2009/04/090430144543.htm e ver inclusive uma imagem em 3D que mostra as áreas do cérebro ativadas nas pessoas com alto grau de auto-controle.
Fico, entretanto, imaginando se psicanalistas não diriam que a capacidade de considerar fatores mais abstratos, em lugar de simplesmente atender aos impulsos primários, quando se vai tomar uma decisão, não está vinculada a um ego mais desenvolvido e bem estruturado, ou seja, ao desenvolvimento mais harmônico de uma pessoa. E talvez isso também possa ter efeitos na circuitaria cerebral.
Para que precisamos sempre de novos neurônios?
Já faz algum tempo que os cientistas não têm mais dúvida de que o cérebro dos mamíferos, em sua impressionante plasticidade, vai ganhando novos neurônios por toda a vida, ainda que não tenha sido fácil se afastarem do velho esteio paradigmático da neurociência que assegurava que nascíamos com todos os neurônios que teríamos até o fim. Mas, uma questão foi mantida: o que fazem exatamente, a que se destinam essas novas células? Agora, um grupo internacional de pesquisa explica como os neurônios recém-nascidos impulsionam, aperfeiçoam e atualizam nossa habilidade de nos orientarmos no ambiente.
"Acredito que as novas células do cérebro nos ajudam a distinguir entre memórias que estão intimamente relacionadas em termos espaciais", diz Fred H. Gage, pesquisador do Instituto Salk, um dos responsáveis pela pesquisa, junto com colegas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, descrita na Science de 10 de julho.
A área mais ativa da neurogênese está no hipocampo, uma estrutura em forma de cavalo marinho que se encontra numa região profunda do cérebro. O hipocampo processa e distribui memórias para zonas apropriadas de armazenamento no cérebro, depois de ler a informação para um eficiente recall mais adiante.
"A cada dia temos numerosas experiências que envolvem tempo, emoção, intenção, olfato e muitas outras dimensões", diz Gage. "Toda informação vem do córtex e é canalizada através do hipocampo. Lá, ela é empacotada antes de ser mandada de volta para o córtex, onde é armazenada, completa. É possível que a neurogênese no hipocampo tenha relação com o padrão de separação das informações.
O leitor que desejar mais detalhes da pesquisa, pode acessar http://www.sciencedaily.com/releases/2009/07/090709140808.htm.
Idéias revolucionárias
A edição de junho de 2009 da revista Popular Mechanics destaca vinte e cinco invenções que mudarão a cara do mundo. Dentre elas, a revista aponta as perspectivas abertas pela técnica de interface cérebro-máquina desenvolvida pelo neurocientista Miguel Nicolelis. Mais informação pelo www.natalneuro.org.
Repito parcialmente o texto da revista, conforme a home do Instituto de Neurociência de Natal: "Depois de fazer com que estímulos elétricos do sistema neuromotor de uma macaca nos EUA comandassem os passos de um robô no Japão, Miguel Nicolelis pretende, agora, testar o caminho inverso: verificar se o cérebro é capaz de interpretar os sinais reemitidos pelo computador.
Se a hipótese de que o cérebro consiga perceber e responder aos estímulos do computador for comprovada, de acordo com o exemplo dado pela revista, no futuro, não só poderemos jogar videogame apenas com o pensamento, como sentiremos como se estivéssemos vivenciando o jogo na realidade.
À parte as especulações imaginárias, o potencial real dessa técnica reside nos benefícios que pode trazer para a saúde e qualidade de vida humana. Em torno de cinco anos, Nicolelis planeja criar, em cooperação com vários laboratórios do mundo, uma veste robótica para pessoas que perderam os movimentos em detrimento de lesões severas na medula espinhal. A idéia é que os estímulos motores-cerebrais do paciente possam controlar uma prótese mecânica, restaurando a mobilidade".
05.07.09
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Mariluce Moura ,
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21:50:34.
Ponto para o café: aparentemente, a cafeína pode reverter danos da memória produzidos pelo mal de Alzheimer. Se o cérebro humano reagir da mesma forma que o de camundongos geneticamente modificados para desenvolver o mal de Alzheimer, uma determinada dose diária de cafeína será capaz de levar pacientes de Alzheimer a recuperar parte da memória destruída pela mais comum das chamadas demências senis. Os camundongos dessa história tinham entre 18 e 19 meses, tempo de vida correspondente a cerca de 70 anos no ser humano, e tomaram diariamente o que para nós equivaleria a cinco xícaras de café.

(AE)
Só bem estruturados testes clínicos, entretanto, poderão bem mais adiante confirmar se são justificadas as expectativas positivas geradas pelos resultados dos dois estudos paralelos a esse respeito publicados neste domingo, 5 de julho, na edição on-line do Journal of Alzheimer's Disease. Ambos foram conduzidos por grupos de pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida (USF), vinculados ao Centro de Pesquisa do Mal de Alzheimer (ADCR), que relataram ter obtido uma redução significativa dos níveis da proteína beta amilóide – cuja elevação já há algum tempo os neurologistas associam ao mal de Alzheimer – no sangue e no cérebro das cobaias transgênicas.
Esses novos estudos foram desenhados considerando pesquisas anteriores do próprio centro da USF que haviam demonstrado o efeito positivo da cafeína, quando administrada logo no começo da fase adulta, para evitar o surgimento de problemas de memória nas cobaias preparadas para ter na velhice o mal de Alzheimer. Agora, "os novos achados fornecem evidências de que a cafeína poderia ser um 'tratamento' viável para estabilizar o mal de Alzheimer, e não apenas uma estratégia de proteção", disse Gay Arendash, autor principal de um dos dois estudos publicados.
O interesse na Universidade do Sul da Flórida pelos efeitos da cafeína no possível controle dos problemas de memória produzidos pelo devastador mal de Alzheimer começou há vários anos, quando os neurocientistas do ADCR tomaram conhecimento de um estudo português que constatava que pacientes da doença neurodegenerativa haviam consumido ao longo dos últimos 20 anos menos cafeína que idosos não afetados pelo mal. Algum tempo depois, em paralelo às pesquisas com camundongos, esses pesquisadores comprovaram que a cafeína administrada a pessoas idosas, sem sintomas de demência, reduzia os níveis da proteína beta amilóide no sangue.
A essa altura, eles estão convencidos da relação entre cafeína, redução da beta amilóide e das duas enzimas necessárias à sua produção no sangue e, por reflexo, no cérebro, e reversão de problemas de memória provocados pelo mal de Alzheimer. Mas, lá pras tantas, os pesquisadores quiseram saber se dar cafeína a cobaias normais desde a juventude até a velhice aumentaria sua memória ¬– não funcionou. O grau da memória normal manteve-se inalterado entre os ratinhos que tomaram e os que não tomaram bastante café.
Se algum leitor tiver interesse em procurar os artigos científicos, eis as indicações:
1. Caffeine Reverses Cognitive Impairment and Decreases Brain Amyloid-β Levels in Aged Alzheimer's Disease Mice; Gary W Arendash, Takashi Mori, Chuanhai Cao, Malgorzata Mamcarz, Melissa Runfeldt, Alexander Dickson, Kavon Rezai-Zadeh, Jun Tan, Bruce A Citron, Xiaoyang Lin, Valentina Echeverria, and Huntington Potter; Journal of Alzheimer's Disease, Volume 17:3 (July 2009).
2. Caffeine Suppresses Amyloid-β Levels in Plasma and Brain of Alzheimer's Disease Transgenic Mice; Chuanhai Cao, John R Cirrito, Xiaoyang Lin, Lilly Wang, Deborah K Verges, Alexander Dickson, Malgorzata Mamcarz, Chi Zhang, Takashi Mori, Gary W Arendash, David M Holzman, and Huntington Potter; Journal of Alzheimer's Disease, Volume 17:3 (July 2009).
05.07.09
por
Mariluce Moura ,
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Geral
21:40:38.
Ponto para o café: aparentemente, a cafeína pode reverter danos da memória produzidos pelo mal de Alzheimer. Se o cérebro humano reagir da mesma forma que o de camundongos geneticamente modificados para desenvolver o mal de Alzheimer, uma determinada dose diária de cafeína será capaz de levar pacientes de Alzheimer a recuperar parte da memória destruída pela mais comum das chamadas demências senis. Os camundongos dessa história tinham entre 18 e 19 meses, tempo de vida correspondente a cerca de 70 anos no ser humano, e tomaram diariamente o que para nós equivaleria a cinco xícaras de café.
Só bem estruturados testes clínicos, entretanto, poderão bem mais adiante confirmar se são justificadas as expectativas positivas geradas pelos resultados dos dois estudos paralelos a esse respeito publicados neste domingo, 5 de julho, na edição on-line do Journal of Alzheimer's Disease. Ambos foram conduzidos por grupos de pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida (USF), vinculados ao Centro de Pesquisa do Mal de Alzheimer (ADCR), que relataram ter obtido uma redução significativa dos níveis da proteína beta amilóide – cuja elevação já há algum tempo os neurologistas associam ao mal de Alzheimer – no sangue e no cérebro das cobaias transgênicas.
Esses novos estudos foram desenhados considerando pesquisas anteriores do próprio centro da USF que haviam demonstrado o efeito positivo da cafeína, quando administrada logo no começo da fase adulta, para evitar o surgimento de problemas de memória nas cobaias preparadas para ter na velhice o mal de Alzheimer. Agora, "os novos achados fornecem evidências de que a cafeína poderia ser um 'tratamento' viável para estabilizar o mal de Alzheimer, e não apenas uma estratégia de proteção", disse Gay Arendash, autor principal de um dos dois estudos publicados.
O interesse na Universidade do Sul da Flórida pelos efeitos da cafeína no possível controle dos problemas de memória produzidos pelo devastador mal de Alzheimer começou há vários anos, quando os neurocientistas do ADCR tomaram conhecimento de um estudo português que constatava que pacientes da doença neurodegenerativa haviam consumido ao longo dos últimos 20 anos menos cafeína que idosos não afetados pelo mal. Algum tempo depois, em paralelo às pesquisas com camundongos, esses pesquisadores comprovaram que a cafeína administrada a pessoas idosas, sem sintomas de demência, reduzia os níveis da proteína beta amilóide no sangue.
A essa altura, eles estão convencidos da relação entre cafeína, redução da beta amilóide e das duas enzimas necessárias à sua produção no sangue e, por reflexo, no cérebro, e reversão de problemas de memória provocados pelo mal de Alzheimer. Mas, lá pras tantas, os pesquisadores quiseram saber se dar cafeína a cobaias normais desde a juventude até a velhice aumentaria sua memória ¬– não funcionou. O grau da memória normal manteve-se inalterado entre os ratinhos que tomaram e os que não tomaram bastante café.
Se algum leitor tiver interesse em procurar os artigos científicos, eis as indicações:
1. Caffeine Reverses Cognitive Impairment and Decreases Brain Amyloid-β Levels in Aged Alzheimer's Disease Mice; Gary W Arendash, Takashi Mori, Chuanhai Cao, Malgorzata Mamcarz, Melissa Runfeldt, Alexander Dickson, Kavon Rezai-Zadeh, Jun Tan, Bruce A Citron, Xiaoyang Lin, Valentina Echeverria, and Huntington Potter; Journal of Alzheimer's Disease, Volume 17:3 (July 2009).
2. Caffeine Suppresses Amyloid-β Levels in Plasma and Brain of Alzheimer's Disease Transgenic Mice; Chuanhai Cao, John R Cirrito, Xiaoyang Lin, Lilly Wang, Deborah K Verges, Alexander Dickson, Malgorzata Mamcarz, Chi Zhang, Takashi Mori, Gary W Arendash, David M Holzman, and Huntington Potter; Journal of Alzheimer's Disease, Volume 17:3 (July 2009).
04.07.09
por
Mariluce Moura ,
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Geral
18:54:23.
Existe hoje, por parte das autoridades da área de saúde, uma preocupação crescente e justificada com o aumento da proporção de obesos na população brasileira, o que torna ainda mais relevante a série de pesquisas científicas em curso no país -- algumas de caráter bastante inovador -- que têm por alvo a obesidade e as variadas doenças a ela relacionadas.
Vale citar, para começo de conversa, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, o chamado ELSA Brasil, o maior estudo epidemiológico já estruturado para a América Latina. Ele foi lançado oficialmente em setembro do ano passado, mas foi montado a partir de uma chamada pública dos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia em 2005 e tem investimentos previstos do governo federal de R$22 milhões. Pode-se resumir o projeto como uma pesquisa pioneira sobre doenças crônicas não-transmissíveis, a exemplo do diabetes e das moléstias cardiovasculares, e seus fatores de risco na população brasileira.
O ELSA Brasil envolve um consórcio de seis instituições de ensino e pesquisa: a Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA), do Espírito Santo (UFES) e do Rio Grande do Sul (UFRGS). E seu eixo central é a pesquisa e o monitoramento, ao longo de 20 anos, de 15 mil funcionários e docentes que trabalham nas instituições que participam do estudo. São homens e mulheres que têm hoje entre 35 e 74 anos de idade.
Mas não se pense que só teremos algum resultado desse investimento no conhecimento empírico do quadro nacional das doenças crônicas quando todos os acompanhados compuserem um batalhão de sobreviventes com idades entre 55 e 94 anos. Bem antes disso, ou seja, dentro de cinco anos segundo as previsões mais otimistas, o país deve dispor de dados para orientar a prática médica e o desenvolvimento de programas preventivos das doenças alvo do estudo.
Mas, poderia alguém perguntar, o que exatamente tem a obesidade a ver com tudo isso? Ocorre que o que determina o aumento epidêmico das doenças crônicas não-transmissíveis no Brasil é, a par do envelhecimento da população, a alteração de seu padrão dietético-nutricional e de sua atividade física, ou seja, alimentação excessiva, mal balanceada, e sedentarismo que resultam, em larga escala, em obesidade. Para quem não sabe, o excesso de peso em nossa população teve a prevalência aumentada de 16% para 41% entre os homens e de 29% para 40% entre as mulheres, no período de 1974 a 2004, segundo os resultados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). É notável o quanto o problema se acelerou entre os homens nesses 30 anos examinados. Se subiu mais desde então, ainda não sabemos com segurança. De qualquer sorte, a elevação já registrada é suficiente para que a obesidade mereça ser tratada como prioridade de saúde pública, segundo o Ministério da Saúde. A propósito, o excesso de peso é definido como índice de massa corpórea igual ou acima de 25 kg/ m2.
A obesidade aumenta o risco de mortalidade cardiovascular porque contribui muito para novos casos de diabetes. E o risco de doença coronariana, estrada larga para os infartos e os acidentes vasculares-cerebrais (AVC) ou derrames, "é sempre maior do que os riscos relativos dos três principais fatores de riscos coronarianos: hipertensão arterial, tabagismo e dislipidemia [aumento anormal da taxa de lipídeos no sangue]", como consta de informe técnico institucional publicado do Ministério da Saúde publicado na edição da Revista de Saúde Pública de fevereiro deste ano (volume 43, número 1.
Nesse capítulo dos estudos da obesidade vale, entretanto, comentar uma inovadora pesquisa da Unicamp, coordenada pelo professor Mário Saad, que propõe que as diferenças na flora intestinal dos indivíduos podem participar da fisiopatologia da obesidade. Se isso se confirmar e revelar uma vinculação importante da obesidade com um quadro inflamatório discreto do intestino, o tratamento do excesso de peso poderá mais adiante se encaminhar por vias jamais pensadas.
Num próximo post prometo mais detalhes desse estudo.
28.06.09
por
Mariluce Moura ,
Seção:
Geral
13:17:41.
Sou fascinada por neurociência, esse caminho sobre chão científico pelo qual se busca desvendar, em sua materialidade e funções, o cérebro humano, sua fisiologia normal, os males que o acometem e seus desconhecidos potenciais.
Sinto, ao mesmo tempo, enorme atração pelos achados das psicologias e da psicanálise em relação aos singulares comportamentos humanos fundados na vastidão e complexidade da mente. E mente pressupõe conceitos que não dispõem da materialidade do cérebro, embora a ele estejam sempre referidos, em última instância.
Penso que esses campos do conhecimento na verdade se somam, ainda que parte dos neurocientistas torça o nariz para a área psi, digamos assim, sob o argumento de que lhe falta qualquer base científica rigorosa. Eles se somam, sim, num percurso cheio de aventura para dentro de um território ainda largamente misterioso e desconhecido, por mais que nas últimas décadas se tenham acumulado saberes sobre ele, e cuja promessa é entendermos mais a especificidade do ser humano. Com uma certa informalidade, para simplificar, talvez possamos nomear esse território de complexo cérebro e mente.
Digo isso para informar aos leitores/ouvintes deste blog que, a cada final de semana, vou trazer aqui comentários e notícias bem frescas de pesquisas importantes ou curiosas sobre cérebro e mente. O gosto que experimento pela área torna divertido, prazeroso, o trabalho de garimpá-la, disposição muito adequada a atividades de fins de semana. E a esses textos dominicais estou dando o nome geral de cerebrações, que, pela semelhança fonética remete propositalmente a celebrações.
28.06.09
por
Mariluce Moura ,
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Geral
13:15:28.
Atração: consenso entre homens, divergência entre mulheres
Quem é atraente? Os homens convergem bastante quando elegem as mulheres atraentes a seus olhos, enquanto a visão das mulheres é bem mais divergente ao escolher os homens que as atraem. Essa é pelo menos a conclusão de um estudo coordenado pelos psicólogos Dustin Wood, da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte e Claudia Brumbaugh, do Queens College, em Nova York, publicado na última quinta feira na revista científica Journal of Personality and Social Psychology.
O julgamento dos homens sobre o poder de atração das mulheres baseou-se antes de tudo em suas formas físicas e eles atribuíram as melhores classificações às que exibiam um visual magro e sedutor. Entretanto, a maior parte também apontou mulheres seguras,com uma aparência confiante, como mais atraentes.
As mulheres escolheram homens magros e musculosos como mais atraentes, mas divergiram bastante sobre quão atraente eram muitos deles. Algumas chegaram a atribuir o mais alto poder de atração a homens que, para outras, definitivamente nada tinham de atraente.
O estudo, do qual participaram mais de 4 mil pessoas com idades entre 18 e 70 anos ou um pouco mais, baseou-se na classificação de fotografias de homens e mulheres de 18 a 25 anos, dentro de uma escala de 1 até 10 pontos, variando de "nada atraente" a "muito atraente". Antes da fase de julgamento dos participantes, os próprios membros da equipe de pesquisa fizeram uma classificação sobre quão sedutora, confiante, magra, sensível, estilosa, curvilínea (mulheres), musculosa (homens), tradicional, masculina/feminina, classuda, sarada e feliz era a aparência das pessoas nas fotografias apresentadas. Separar esses fatores ajudou os pesquisadores a calcular que características tinham maior apelo para homens e mulheres.
Pioneira, segundo Woods, na investigação do nível de consenso nas classificações masculina e feminina de potencial de atração, a pesquisa mostra que é possível de fato definir quantitativamente em que medida os homens concordam sobre que mulheres são atraentes e vice-versa. E ele acredita que as diferenças têm implicações para as experiências e estratégias relativas às expectativas de homens e mulheres no "mercado" dos encontros. "Por exemplo, mulheres devem encontrar menor competição de outras mulheres para o homem que elas acham atraente. Já os homens precisam investir mais tempo e energia atraindo e guardando suas parceiras de eventuais pretendentes, dado que muitos outros homens também vão igualmente achá-las atraentes". Digase que dificilmente mulheres concordarão com essa afirmativa do professor assistente de psicologia.
Woods também acredita que os resultados do estudo podem ser úteis na investigação das desordens alimentares e de como as expectativas sobre a própria capacidade de atração podem afetar o comportamento. Para ele, o estudo ajuda a explicar porque as mulheres se esforçam bem mais que os homens para obter determinadas características físicas. Isso porque, quando buscam impressionar os homens, elas se vêem muito mais atraentes se estão dentro de determinados padrões, enquanto os homens na média julgam que seu poder de atração não está tão estreitamente ligado às formas físicas --- ainda que as mulheres os achem mais atrativos, conforme o estudo, se também estão dentro de certos padrões de aparência física.
Final curioso de toda essa história: os participantes mais velhos do estudo inclinaram-se a achar as pessoas mais atraentes se elas estavam sorrindo nas fotografias apresentadas.
25.06.09
por
Mariluce Moura ,
Seção:
Geral
19:04:46.
Além de encontrar em suas escavações arqueológicas fragmentos suficientes de uma flauta de osso de abutre com pelos menos 35 mil anos, um grupo de pesquisadores da Universidade de Tübingen, na Alemanha, ainda lançou a ousada hipótese de que a musicalidade remota do Homo sapiens pode ter contribuído para o crescimento demográfico e expansão territorial da espécie.

Em outros termos, o Homo sapiens teria ganhado a disputa por espaço com seu concorrente evolutivo Homo neanderthalensis em parte por sua capacidade de formar redes sociais maiores, para o que a música e outras formas de expressão cultural muito teriam ajudado. Na época da última glaciação, período em que a flauta achada se encaixaria, as espécies sapiens e de Neanderthal conviveram na região do Alto Danúbio. O assunto valeu um artigo na revista Nature desta quinta feira e está bem noticiado em texto da edição on-line de Pesquisa Fapesp. Se quiser lê-lo, clique aqui!
23.06.09
por
Mariluce Moura ,
Seção:
Geral
09:40:18.
Olá, caro leitor-ouvinte!
A partir de agora, os comentários sobre ciência que faço no Jornal Eldorado a cada quinta feira, às 7:52 h, vão ter desdobramentos neste blog, seja em textos, fotografias, vídeos ou áudios.
E eu queria convidá-lo para deixar aqui sua opinião sobre os temas tratados, sugerir assuntos para novos comentários, encaminhar perguntas que você gostaria de ver respondidas por um grande especialista e apresentar suas próprias visões sobre o conhecimento científico. Ciência, afinal, move nosso cotidiano, mas se liga também à grande aventura de conhecer.
Seja muito bem-vindo a este seu novo espaço de manifestação.