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O futuro do entretenimento passa pela TV – e pela internet

  • 16 de janeiro de 2011|
  • 20h00|
  • Por

Se o assunto era TV, na Consumer Eletronics Show (CES), a maior feira de dispositivos digitais do mundo que ocorreu no início do ano, então a resposta parecia ser 3D. Nos stands de fabricantes havia inúmeras alternativas para a tecnologia – até mesmo uma que dispensa os óculos, da Toshiba.

Enquanto isso, só uma versão da Google TV estava lá, fabricada pela Samsung.

A indústria às vezes é assim. Míope.

Não é que não exista um mercado potencial para TVs capazes de transmitir vídeo em 3 dimensões. Deve ter. Mas é coisa ainda distante no futuro. Só existem um punhado de filmes neste formato. Seu potencial maior, que está na transmissão de esportes, exigirá das emissoras um investimento em novas câmeras inacreditavelmente alto. Não começou a ser feito. Não assistiremos às Olimpíadas de Londres em 3D, dificilmente à Copa do Brasil. Quem sabe, com otimismo, às Olimpíadas do Rio.

Enquanto a CES ocorria, Rich Greenfield, um analista da consultoria Pali Capital, de Wall Street, jogou no YouTube um vídeo. Atende pelo prosaico nome de “Como Roubar Qualquer Filme Que Você Queira na Web”.
Por que um analista de Wall Street criaria um guia para piratear filmes na internet? Porque ele é pago para revelar fragilidades da indústria.

Há até não muito tempo, para copiar um filme ilegalmente era preciso paciência e sorte. Paciência para descobrir e baixar via um sistema razoavelmente complexo de compartilhamento de arquivos como o Bit Torrent. E sorte para conseguir uma cópia de boa qualidade e sem vírus.

O vídeo de Greenfield mostra como isso mudou. Hoje, uma série de sites listam os filmes à disposição de quem quer vê-los. Não ficam só nessa: também resenham os arquivos, comentando sobre sua qualidade. Só baixa um filme sem nitidez quem quer. E não é preciso saber o que é Bit Torrent. Para baixar, sabendo quais os sites certos, basta saber clicar um ou dois links e o download se inicia.

Só havia um modelo de Google TV à disposição dos visitantes da CES porque a indústria do cinema e da televisão está boicotando equipamentos que ligam internet e televisão. Não é só o Google que sofre com isso. A Apple TV também é vítima do boicote. A locadora online Netflix, idem.

A indústria cria dificuldades porque não quer a TV pela internet. Para começar, ela rompe a grade. Se o espectador assiste o que quiser, quando quiser, não há mais horário nobre para cobrar caro em comerciais.
E surgem intermediários sobre os quais a indústria não tem controle. Nos EUA, no Brasil, na Europa, na Ásia, os mesmos conglomerados produzem o filme ou série e vendem a TV por assinatura. Nenhum destes grupos quer Google ou Apple ou qualquer outro no meio para quebrar a intermediação.

É onde entra o manual de pirataria de Rich Greenfield. No fundo, se o público está baixando seus programas pela internet, há duas opções. Uma é vender. Outra é não vender e assistir resmungando a pirataria crescer.
No momento, dificultando a vida das Google TVs que existem por aí, estão optando pela segunda opção.

Esta é uma dança que não para por aí. Uma televisão é, no fim das contas, só um grande monitor. Ela vem cheia de tecnologia: entradas, protocolos, seletor de canais. No mundo das Google TVs, não seria preciso. Compramos uma só televisão excelente que vai durar anos. É só um monitor. E mudamos a caixa, bem mais barata, de tantos e tantos anos. As entradas para os novos aparelhos estão lá. Os novos protocolos, idem.
Também para a indústria dos eletrônicos é um desafio.

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15 Comentários Comente também
  • 17/01/2011 - 20:26
    Enviado por: Link - 17 de janeiro de 2011 - Trabalho Sujo - OESQUEMA

    [...] abaixo • A ditadura na Tunísia e as botas da internet • Governo Kennedy digitalizado • O futuro do entretenimento passa pela TV – e pela internet • Twitter e Wikileaks, banda larga, Peter Sunde « Marcelo Adnet manda a real | » [...]

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  • 17/01/2011 - 20:26
    Enviado por: Link - Estadao.com.br

    [...] Navegar impreciso • O futuro do entretenimento passa pela TV – e pela internet [...]

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  • 18/01/2011 - 09:44
    Enviado por: André Marques

    Olá Doria,

    Sou coordenador editorial da revista Produção Profissinal, da Editora Bolina. Nosso foco é justamente os mercados de broadcast e audiovisual. Há algumas semanas que acompanho seus textos e consigo neles, ótimas fontes para as reportagens que faço. Eu gostaria de marcar uma entrevista contigo para a edição de fevereiro, para que justamente possamos falar a respeito da teconologia em 3D, tão comentada atualmente. Grande abraço!

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  • 18/01/2011 - 10:51
    Enviado por: Tweets that mention Link - Estadao.com.br -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Adriano Brandão, João Ferreira. João Ferreira said: O futuro do entretenimento passa pela TV – e pela internet http://goo.gl/nSanP [...]

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  • 18/01/2011 - 14:28
    Enviado por: Luciano Alvim

    Parabéns pelo post lúcido.
    Nunca entendi o porquê de tanto oba-oba com a tecnologia 3D, como se ela fosse salvar o mundo do entretenimento…
    Acho que é por isso que o modelo de HDTV multi-canais continua sendo preterido pelo HDTV da alta definição. A mudança de paradigma implicaria em mudanças institucionais, comerciais e resultaria em todo um novo treinamento para os profissionais. Já a escalada de definições e o próprio 3D implica apenas em oferecer o mesmo, só que com mais qualidade e o efeito “uau” do 3D.
    Na minha opinião, as empresas de comunicação não querem aderir ao TV+Internet, pois teriam que adaptar sua programação ao novo meio. Não acho isso impossível, mas parece que eles não fazem ideia do que fazer. E isso deve ser aterrorizante, então é mais fácil suprimir a inovação.
    Abraço.

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  • 18/01/2011 - 15:08
    Enviado por: Roberto Mello

    Pedro, o livro “Where Good Ideas Come From” trata do tema HDTV vs Youtube, facilmente replicável ao tema 3D vs NetTV. Vc já leu?
    Em resumo, “incrementos” de tecnologias existentes, como é o caso da HDTV e TV em 3D seguem o padrão 10 anos de desenvolvimento e 10 anos de adoção/implementação (20 anos ao todo). Já tecnologias disruptivas (como são as da Net), chegam atropelando, como é o caso do Youtube e provavelmente será o caso das NetTVs.

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  • 18/01/2011 - 17:17
    Enviado por: Ploni Osabio

    Procurei esse Grenfield no youtube e não encontrei o tal filme. Talvez o título original tivesse ajudado, já que tive que fazer tradução reversa. Mas bom mesmo teria sido incluir um link direto no post.

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  • 19/01/2011 - 11:31
    Enviado por: estenio

    televisores 3d são ótimos se não tivessem que usar óculos e claro se fossem fabricados aqui pois pelo menos o preço seria menor, mas como toda ilusão é pouca.

    Fiz um tcc na faculdade de tv digital(que por sinal não pegou aqui no brasil)e pesquisei tb esta parte de tv com internet. É ruim ainda ter de pensar que as pessoas(principalmente aqui) ainda tem muito medo de fazer coisas pela internet ou desconfiança de um produto que a use. Mas como brasileiro eu sei que nós somos um povo ultra consumistas apartir do momento em que pegamos confiança em algo mais ou como acontece agora com a compra de carros, que dispararam assim o governo supoem que criou-se uma nova classe média huahuahuah

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  • 19/01/2011 - 11:44
    Enviado por: Diego Souza ;) 2011

    Ola Novamente Pedro!!!

    Como eu posto bastante aqui no Link ( como você já deve ter percebido!!! ;) ), não pude deixar de ler mais esta gênial matéria a qual você mostrou!!!

    Eu só não concordo pedro, apenas com esta questão, das empresa não buscarem junto ao governo, uma melhor solução quanto ao quisito ” preço ”, pois como todos nós sabemos, aqui em especial no Brasil, com uma carga tributária de 40% somado a uma distribuição desigual e injusta de renda, não tem como implacar sequer uma grande tecnologia, como a dita e citada internet via tv ( onde há muitos interesse finânceiro em meio a esta inovação ), e també com as televisões em 3D ( o que para min chega a ser algo fútil, além do que muitas fabricantes já alertaram quanto aos males a saúde , em grávidas e pessoas com problemas de ácool no sangue, que se não me engano, fora a sony a empresa que notificou esta questão ).

    Então antes de algum murmurar quanto a questão ” pirataria ” ( o que para min, se encaixa mais em pessoas que comercializão não pessoas que consomen para si ), vejá só alguns pontos.

    - 1º O que está sendo feito em relação parceira, entre empresa privada e governo quanto ao quisito, acessibilidade a estes produtos, a saber, que só ouvi quanto ao projeto relacionados a games que ´o ” jogo justo ”

    - 2º O termo pirataria, encaixa-se em que exatamente ?, a venda sem pagamentos e impostos, ou violação de direitos autorais ?, até onde sei a lei de direitos, são civis, e as de pirataria, são juridicas, então, afinal o que é pirataria então ??, uma vez que eu mesmo já fui bem dizer ” humilhado ”, por um dono de lan house simplismente por baixar uma música ( detalhes sequer havia um aviso no estabeleciento ), então, nesta questão Pedro é que para combater algo a nível social, deve-se acima de tudo Educar, sem propaganda de ” bala de troco ”, ou tirei um ” 10 Pirata ”.

    Então só para finalizar, Pedro o que gostaria de expor, sem confusões é que, o fato de ter televisão em internet, é otímo e de forma muito democrática, até porque não haveria, pelo pouco que sei, a não manipulação da programação, a qual estamos sujeitos, então, vem a tona estão questão já saturada da ” pirataria ”, pois esta inovação , a nível Brasil, é bem vinda, mais o que será de fato feito, para que todos possam degustar desta fatia de bolo??, bom fica a cada um pensar e torcer para dê certo!!!, obrigado Pedro por me escutar e pçeo desculpas aos demais, se falei algo de pouo proveito!!!

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  • 19/01/2011 - 21:10
    Enviado por: Rodrigo

    “A indústria às vezes é assim. Míope.”
    Falou o grande industrial, capitalista revolucionário, PD!

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  • 20/01/2011 - 03:35
    Enviado por: @jota66

    Não consigo entender o problema da grade.
    O problema do horário nobre não é justamente o fato de ele ser um horário, e portanto, efêmero?
    Se é possível cobrar caro por segundos entre uma parte e outra do filme exibido pela tv, por que o mesmo não seria possível com relação a um banner, um vídeo do youtube, ou uma maldita DHTML que seja, inserida numa página que ofereça o download dos filmes ou das séries (quem sabe, ainda mais inconveniente, teasers direto no arquivo do filme), com segurança e sem protetores de links, tempo de espera dos servidores dos downloads “paralelos”. As páginas mais visitadas seriam equivalentes ao horário nobre, em qualquer hora do dia.
    O produtor vende o direito da página, a emissora oferece o servidor que eventualmente cobra para oferecer o downnload seguro, ou lucra com os contratos de publicidade.

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  • 21/01/2011 - 10:27
    Enviado por: Andre Siqueira

    Pedro parabens!
    Poucos jornalistas consegue ver o que e importante, ficam maravilhado com as tecnologias 3D, OLED, LED, Plasma, HDTV e mais um monte de tranqueiras.
    Ate quando vamos aguardar a tal convergencia que tanto se falava e nunca aparece na TV?

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  • 28/01/2011 - 10:21
    Enviado por: ALEXANDRE MENDES DOS SANTOS

    Afinal, qual o problema que as empresas de telecomunicações têm com o direito do cidadão/consumidor estabelecer o dia/horário/forma em que assistirão seus programas? Eles que têm de se adaptar ao século XXI, que usem a criatividade! pelo que sei até hoje alguma emissora/produtora de TV/música/cinema/seriado ou ator/cantor faliu por causa do uso da internet (vide os lucros e bilheterias recentes de filmes como Avatar/alice no pais das Maravilhas/ Tropa de elite (1 e 2)…

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