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Todos no Vale do Silício a serviço do Facebook

  • 26 de outubro de 2010|
  • 13h18|
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O Vale do Silício não é um lugar para amadores.

E, nesta semana, um pequeno grupo de profissionais do ramo se reuniu para anunciar um ousado lance de dados. O objetivo do gupo: dominar o mundo das redes sociais. O local: Facebook.

Na sede do Facebook, que fica em Palo Alto, no limite sul do campus da Universidade de Stanford, dois dentre os principais sócios da Kleiner Perkins Caufield & Byers avisaram ao mundo todo que estão abrindo um fundo de 250 milhões de dólares para investir na rede social.

Eram eles Bing Gordon e uma lenda viva do Vale, John Doerr.

O Vale funciona ao redor de um sistema bastante azeitado: jovens engenheiros têm uma ideia, montam um protótipo e começam a circular com ela pela Sandhill Road.

Sandhill Road é uma rua larga no limite norte do campus. (Pois é: o Vale do Silício é como uma cidade do interior muito pequena na qual todos se conhecem.) É em Sandhill Road que estão os escritórios dos grandes e pequenos capitalistas de risco que ouvem as ideias e elegem uns poucos.

Mais da metade das empresas em que esses escritórios investem dão errado – aquelas que dão certo, no entanto, fazem fortuna. Alguns poucos destes escritórios têm um índice de acertos maior do que a média.

Mas nenhum deles tem uma média de acertos tão alta como a da Kleiner Perkins. E, dentre os sócios da Kleiner Perkins, não há ninguém como o veterano John Doerr.

É só ver a lista de seus acertos ao longo dos últimos anos: AOL, Amazon, Netscape, Lotus, Sun Microsystems, Symantec e, bem, o Google.

O fundo – que se chama sFund – não tem dinheiro só da Kleiner Perkins. Entraram de sócios o próprio Facebook, a Amazon e a jovem Zynga, responsável pelos games sociais Mafia Wars e a popularíssima FarmVille.

Cada um desses três tem seu papel nessa parceria. O Facebook ajuda a implementar sistemas em seu próprio ambiente.

A Amazon, que tem uma das mais espetaculares infraestruturas de servidores de toda a web, oferece este ambiente. E a Zynga contribui com o seu vasto conhecimento de interação de aplicativos com as redes.

Agora, vão começar a ouvir os engenheiros que têm ideias. Pretendem investir de um mínimo de US$ 100 mil até o limite de US$ 100 milhões.

E tudo pareceria o Vale funcionando como sempre funcionou, não fosse uma inteligente costura de relações.

A aposta, aqui, é que a internet será um ambiente cada vez mais social. Que estamos apenas no início de uma rede em que são as pessoas e suas identidades online, não mais os sites, que estarão no centro. E existe uma disputa pelo domínio deste ambiente.

O Vale do Silício é controlado financeiramente pelos profissionais, mas são os amadores criativos que o reinventam a cada ciclo de inovação.

O mundo era da Microsoft até o Google sair repentinamente de uma garagem e virar tudo de cabeça para baixo. Assim como o mundo foi da IBM até que a jovem Apple deixasse a sua garagem e nos lançasse na era dos microcomputadores. O segredo do domínio é interceptar os criadores neste momento em que deixam a garagem.

É uma espécie da caça.

Há muitos investidores no Vale. Se, por um lado, é difícil marcar um encontro com um deles, quanto mais convencê-los, por outro eles também estão sempre com medo de que a nova novidade seja descoberta pelo concorrente.

Como garantir preferência? A solução Kleiner Perkins: abrindo um fundo voltado totalmente para isso. Um fundo com muito dinheiro. Quem tiver uma ideia de aplicação para as redes sociais vai procurá-los primeiro.

E, como quem paga a conta dita as regras, o Facebook também se garante.

Em se ligando ao fundo, pode impor que as novas boas ideias sejam construídas dentro de sua rede.
Os bons engenheiros nas garagens deixam de ser potenciais concorrentes para serem operários dedicados ao crescimento de sua plataforma.

Para Doerr, as redes sociais marcam o início de uma terceira onda na internet. Houve a web gráfica de 1995, a web 2.0 e agora esta, social. Uma rede de conversas. E o premiado com a primeira grana do fundo é o Flipboard – um software para o iPad que transforma as indicações de leitura no Twitter em uma bela revista eletrônica.

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Leia mais:

‘Link’ no papel – 25/10/2010

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