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Pedro Doria
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Em sua nova geração, a internet são várias redes. Não uma só

  • 12 de setembro de 2010|
  • 20h01|
  • Por

Já estamos vivendo uma nova era na história da internet. É sua quarta geração. É difícil precisar quando começou, tem um quê mais de um ano, mas já se trata de uma rede fundamentalmente diferente daquela que existiu. Sua principal característica é a fragmentação.

A primeira geração da internet durou duas décadas e meia, entre seu nascimento enquanto ArpaNet, em 1969, até o surgimento da web gráfica, em meados da década de 1990. Foi uma internet pequena, principalmente acadêmica, pela qual se navegava usando comandos escritos contra tela preta, letras e números num verde brilhante típico dos terminais de computadores de muito tempo atrás.

A segunda geração da rede foi a da web gráfica navegada via Netscape ou Explorer na qual os mais tarimbados pioneiros tinham a própria homepage. (Naquele tempo, não se falava de site. Era uma única página, em geral com imagens piscantes e a plaquinha informando que tudo estava em construção.)

A terceira é aquela batizada por Tim O’Reilly, um editor de livros sobre tecnologia, de Web 2.0. Sua principal característica é a interação. A nova web, inaugurada após a bolha, trazia sites inteligentes que vão de blogs ao YouTube, da Wikipedia ao Orkut. Sites que não eram só de texto e imagens fixas mas que permitiam comentários, relações entre pessoas, sites ao menos parcialmente construídos por seus usuários.

Há uma disputa em jogo por quem define melhor o que é esta quarta geração da internet. Na capa da Wired de um mês atrás, a notícia era de que ‘a web morreu’. Segundo o editor Chris Anderson, a internet estava deixando a tela do Firefox ou Explorer para se distribuir num mundo de apps em vários aparelhos entre smartphones e tablets.

A revista britânica The Economist, que faz uma das melhores coberturas das ideias que circulam no Vale do Silício na imprensa, aposta num conceito parecido embora diferente. Não é que a web esteja morta, apenas que ela ficou menos importante. Há um processo de balcanização da internet, explica seu correspondente no Vale.

A internet não é mais uma só, aberta, toda conectada entre si. Agora ela é muitas. Há exemplos óbvios, caso do Facebook, que vive na web porém é uma rede fechada, quase desconectada do resto. (Na semana passada, o Facebook ultrapassou o Google, agora é o site no qual as pessoas passam mais tempo na internet mundial.)

E há casos menos óbvios. A internet começa a ser um pouco mais local e menos global. De dentro da China, da Arábia Saudita ou do Egito, não se vê a rede completa. E o instrumento dos censores está mais usado com outros fins. A Austrália começará a impedir acesso a pornografia infantil usando as mesmas ferramentas. O Hulu, site de vídeos legais que exibe séries de TV, só é acessível nos EUA. Parte do conteúdo do YouTube também. Tem pedaços da rede que só se vê em um lugar, outros que não se vê em outros. A internet não é mais uma só.

No caso dos apps para celular e tablets a confusão ainda impera. No mundo da Apple, de iPods, iPhones e iPads, tudo é fechado, um universo à parte. Faz parte da internet, é muito usado, mas sequer é percebido por quem não convive com os aparelhos da empresa.

O Google, com seu Android, pretende crescer ao ponto de se tornar um concorrente de peso. Tem chances e uma desvantagem. Como seu sistema para aparelhos móveis é aberto, cada empresa implementa a seu modo. O resultado são dezenas de pequenas incompatibilidades. O programinha testado em um aparelho não funciona necessariamente em outro. A turma do buscador está correndo atrás para fechar um pouco mais a plataforma e impor um padrão mínimo. Só assim será possível criar um ecossistema de apps capaz de enfrentar o mundo Apple.

De muitas formas diferentes, a internet em que vivemos já é outra. Nela, a web é menor e os conteúdos não estão disponíveis a todos. Há os limites geográficos e também os financeiros. Cada vez mais tem gente cobrando pelo acesso ao que produz. Assim como há gente pagando.

Esta nova rede precisa de um nome. Web 3.0 não serve, pois se a web foi o centro das duas gerações anteriores, ela é apenas um componente desta de agora. O concurso pelo nome já abriu.

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Link no papel: 13/09/2010

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15 Comentários Comente também
  • 12/09/2010 - 20:26
    Enviado por: Link - Estadao.com.br

    [...] Quem são os trolls ‘Fui um troll’ Brasileiros na cola do Twitter iPhone 4: Bom, apesar da crise da antena Google: muito além de 2001, por William Gibson A nova busca instantânea do Google Navegar impreciso: A quarta geração da internet [...]

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  • 12/09/2010 - 23:57
    Enviado por: /dev/null

    Certa vez, sugeri em uma lista de discussão de amigos que devia se chamar Web NG, isto é, Web Next Generation :)

    Entretanto, para ser sincero, não me parece nada revolucionário isso aí… No fim, acho que nada realmente revolucionário no nível da Web aconteceu até hoje na Internet. Ainda estou esperando… mas vá ver é só minha visão tecnicista :)

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    • 14/09/2010 - 07:35
      Enviado por: Pedro Doria

      /dev/null, é vero. Mas… a gente não percebe a revolução de dentro, só de fora. E, às vezes, ao invés de revolução temos evolução ;-)

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  • 13/09/2010 - 01:47
    Enviado por: Lucio F.

    Talvez a “nova rede” sequer chegue a receber um nome. O fato é que a percepção de uma “coisa” chamada internet está aos poucos passando a existir apenas num nível mais baixo, em sua infraestrutura. Cada vez menos se ouve falar em “acessar a internet”, mas em “procurar no Google”, ou ” entrar no Facebook”, ou em qualquer outro serviço por meio do qual acessamos informações

    Entendo a Web 2.0 como uma fase de transição, em que vários serviços que permitiam uma maior interação dos usuários com os serviços (e entre usuários) pipocaram num meio conhecido – a Web – mas que, à medida foram se expandindo, passaram a ser percebidos como o próprio meio. Os bilhões de páginas que estão na web não estão mais na web, mas no Google, e no Digg, e no Delicious, etc, etc. Mensagens via Facebook e Twitter não precisam mais ser lidas e enviadas por meio dos sites desses serviços, mas por apps que fazem isso direto do celular, com interface mais adequada a este dispositivo. E o acesso direto de eletrodomésticos à internet tornará a coisa ainda mais transparente.

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  • 13/09/2010 - 06:19
    Enviado por: Fernando

    Na verdade, O’Reilly já tinha previsto isso quando falou em “the web as a platform”. Portanto acho q esse fenômeno ainda se enquadra dentro do que ele concebeu como Web 2.0, só que agora saímos do período de transição para vive-lo em sua plenitude!

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  • 13/09/2010 - 09:14
    Enviado por: Luiz Bertotti

    Os interesses estratégicos e econômicos dos países mais fortes finalmente se impuseram na rede. Existem de novo, no mundo, os seres humanos de primeira e de segunda classe, separados de acordo com seus locais de nascimento e acessos que lhes são permitidos. Nesse aspecto o que houve foi um tremendo retrocesso. E a proliferação de tecnologias cada vez mais incompatíveis entre sí também joga contra o sonho de um mundo unido pela informação aberta a todos. Isso é avanço?

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  • 13/09/2010 - 09:52
    Enviado por: /dev/urandom

    Como tudo nesta vida, quanto mais gente usa, pior fica.

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  • 13/09/2010 - 13:08
    Enviado por: ufa

    Não confunda Web com Internet, please

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  • 13/09/2010 - 14:50
    Enviado por: rubens toledo

    Vamos voltar aos livros? As pessoas vão ter que aprender (ou reaprender)a se focar em um único assunto por algumas horas? Nada de ficar flutuando por dias sobre um tema e no fim, por tanta informação superficial, escrever um texto micho, ralo e desnecessário?

    Que coisa…

    Rubens

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  • 13/09/2010 - 15:12
    Enviado por: Link - 13 de setembro de 2010 - Trabalho Sujo - OESQUEMA

    [...] • Google: muito além de 2001, por William Gibson • A nova busca instantânea do Google • A quarta geração da internet • « Vida Fodona #228: Na contagem regressiva | » Por Alexandre Matias às 15:17 [...]

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  • 14/09/2010 - 10:39
    Enviado por: Davi Kikuchi

    Quer dizer que a internet é como o universo? No início, era algo concentrado. Então, de repente, ele explodiu e se expandiu. E agora, a matéria passou a se concentrar em corpos isolados…

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  • 14/09/2010 - 15:09
    Enviado por: Mauricio

    Não há nada de novo, muito menos “nova rede”.
    O que está acontecendo na internet é aquilo que acontece no mundo, um exemplo de que a humanidade reflete no mundo virtual aquilo que faz no mundo real, ou seja, agrupa-se em grupos separados, vivem-se mundos à parte uns dos outros e na maioria das vezes sequer sabem da existência um do outro.
    Até que demorou para isso acontecer, mas está ocorrendo agora e a tendência é que essa separação se amplie pois é da natureza humana.
    Não adianta querer inventar a globalização, ou acreditar que todos são iguais então tudo vai ser legal e todos vão curtir as mesmas coisas. Isso tudo é papo de vendedor, de interessados e comércio, na ganância da economia mundial.
    Somos o que somos, só isso.

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  • 18/09/2010 - 13:28
    Enviado por: Marcelo

    Caro Perdo Doria
    Não concordo quando vc diz que o facebook está fechado, nele são publicadas informações de jornais, do twitter e os mais variados links

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  • 18/09/2010 - 20:14
    Enviado por: Antonio Ribeiro

    A Rede Internet é uma Rede Aberta, estruturada com base em um Modelo de Referência de 4 camadas, utilizando os protocolos TCP/IP V4 que estão evoluindo para o TCP/IP V6. Em um determinado Nível (que no Modelo OSI/ISO é a Camada de Aplicação)é que as “loucuras” andam acontecendo tornando as comunicações proprietárias (na verdade, as aplicações é que são proprietárias) como o artigo comenta.E isto está sendo silenciosamente difundido a aceito pela sociedade, ainda que esta mesma sociedade defenda a necessidade de existir uma “rede neutra” conceito que, obviamente, é incompatível com a prática de “fechar” as aplicações. Em outras palavras, os “deuses” da camada 7 querem a Rede Aberta até à camada 6 e daí em diante cada um faz o que melhor lhe interessar em termos de mercado. Tem dado certo para uns poucos, errado para muitos (que nem chegamos a saber)e, certamente, lançado confusão na cabeça dos usuários que, cada vez mais, ficam condicionados a uma determinada empresa ou produto e, certamente, gastando mais do que seria possível em outras circunstâncias. Assim, não precisamos de um novo nome para uma Rede que seja dividida e, sim, de uma Rede que, cada vez mais, seja universal para todos os usuários.

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  • 02/11/2010 - 17:27
    Enviado por: jairo martins

    Na miha opiniao, a nova rede deveria se chamar money web,compre web,pague web ou algo parecido. Pois nunca se produziu tanto conteudo pago na historia da internet.

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