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Vem aí mais um produto Apple: será que é o golpe contra a TV?

  • 29 de agosto de 2010|
  • 20h00|
  • Por

Na próxima quarta-feira, Steve Jobs anunciará mais um produto à imprensa. Depois do iPad e do iPhone 4, é a vez da AppleTV ser renovada. Mas, por enquanto, só há rumores.

Rebatizada iTV, custaria US$ 99 – menos de R$ 200 – lá. Nos vazamentos sempre calculados à imprensa, a tentativa é de não inflar muito o anúncio. Jobs, disse uma fonte à BusinessWeek, não acredita que a caixa será um grande sucesso. As negociações com as redes de TV não vão bem, o que pode atrapalhar tudo.

Mas parece que não é só isso.

Segundo Kevin Rose, fundador do Digg.com e autor de um blog sobre os bastidores da tecnologia, a iTV terá um ambiente para apps exatamente como iPhone, iPod Touch e iPad.

Aqui no Brasil, a loja iTunes é pobre, só tem aplicativos. Nos EUA é completamente diferente, um desbunde. Há música de tudo quanto é tipo que dá para comprar com um clique de mouse por quase nada. É possível comprar temporadas completas de séries de TV em HD sem precisar de Blu-ray. Ou só episódios eventuais. Permite ouvir podcasts ou assistir videocasts gratuitos na TV da sala. Todo o telejornalismo americano está disponível gratuitamente. Para alugar um filme de lançamento basta um clique – sem a viagem à locadora.

Por conta do iPad, jornais, revistas e editoras já estão dedicados a explorar os potenciais dos aplicativos. Há novas possibilidades de diagramação e interação no mundo digital e, principalmente, a chance de cobrar pelo conteúdo.

E se o mesmo ocorresse com a TV? Não é difícil imaginar como ocorreria. O HD conecta-se à TV e pode ser operado por controle remoto, iPad, iPhone ou iPod. Da internet, baixam-se aplicativos: um programinha da HBO, outro da Fox, um terceiro da FIA, dedicado à Fórmula 1. Pelo app da HBO escolhemos a série que queremos assistir, talvez o filme. Mas o estúdio também oferece, sem intermediários, seus filmes ao espectador. A corrida de domingo vai ao vivo.

O resultado é uma mudança profunda no negócio – ou melhor, negócios. Mídia são três negócios que se confundem. Um é produção de conteúdo, outro é empacotamento de conteúdo e o terceiro, distribuição. O estúdio de cinema produz e vende o que faz. Um canal de TV dedicado apenas a filmes compra, empacota numa determinada ordem, revende o pacote. Operadoras de TV a cabo levam o sinal até nossas casas e, por dinheiro, nos repassam canais.

O negócio da app pode pular o empacotador e o distribuidor. Quem produz conteúdo ganha mais dinheiro, os intermediários desaparecem.

Operadoras de telecomunicações se desesperam com este cenário. Afinal, elas vendem ‘conteúdo agregado’ a seus cabos para aumentar o lucro. Se começarmos a pagar pela banda larga mas usarmos Skypes da vida para as conversas e um app para os filmes sem pagar telefone ou assinatura de TV, os lucros saem pelo ralo.

É esta a discussão por trás da neutralidade da rede. Se, por um lado, deixam de faturar vendendo TV a cabo, por outro começam a cobrar por usos diferentes da internet. Quem usa a rede para vídeo desembolsaria mais do que quem só procura texto na web. É por isso que as empresas de telecomunicações querem mudar a maneira de cobrar pela banda larga. Se vai colar? Aí está uma pergunta ainda por ser respondida.

Nada aconteceu ainda. Mas tudo está mudando muito rápido.

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27 Comentários Comente também
  • 30/08/2010 - 05:47
    Enviado por: Link - Estadao.com.br

    [...] Negócios: Paypal no Brasil Navegar Impreciso: Vem aí mais um produto Apple: será que é o golpe contra a TV? [...]

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  • 30/08/2010 - 08:15
    Enviado por: Cristiano

    Para entender o futuro da Apple TV, é preciso voltar alguns meses até maio e reler o anúncio do Google TV, na conferência Google I/O.

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  • 30/08/2010 - 09:18
    Enviado por: Welton Trindade

    … E o desespero que atingiu o impresso vai se tornar mais agudo no audiovisual. Precisamos inventar uma nova palavra. Dinanismo para adjetivar os novos tempos é pouco.

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  • 30/08/2010 - 09:53
    Enviado por: Pauleta

    Cara que usa Kevin Rose como fonte, o que dizer?

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  • 30/08/2010 - 10:32
    Enviado por: Tales

    Embora o iTunes Store tenha muito conteúdo, enquanto o modelo da Apple for de cobrança individual por filme ou episódio eu não vejo futuro.
    Acho muito mais conveniente o modelo de negócio da Netflix, que já tem integração com meu video-game e que me cobra uma taxa fixa todo mês para me entregar conteúdo por streaming ou por correio. Até acho que para a Apple faria todo o sentido comprar a Netflix e integrar à iTunes Store.

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    • 05/09/2010 - 16:05
      Enviado por: o_beto

      Parabéns visionário! vc “quase” acertou.

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  • 30/08/2010 - 10:58
    Enviado por: estenio

    isso mesmo que venha tudo quanto é empresa de importados, paras esses babacas que regem nossa economia, ver que queremos produtos de qualidade, assim fazendo com que os nacionais melhores tirando a sobretaxa que cobram por produtos nacionais é nóis queirós

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  • 30/08/2010 - 12:13
    Enviado por: ANIBAL DOS SANTOS FILHO

    Se é golpe,não sei.Os produtos da Apple, aqui no Brasil,segundo as pesquisas, não são bem vindos, dizem que são os menos seguros. É esperar para ver.

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  • 30/08/2010 - 13:56
    Enviado por: Denys

    Acho justo cobrar por conteúdo, mas por um preço justo. Com tantos intermediários e impostos o brasileiro não sabe pelo que está pagando, mas sabe que está pagando caro pela qualidade recebida.

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  • 30/08/2010 - 15:46
    Enviado por: Luiz Garrido Filho

    Infelizmente aqui no Brasil eles estão ganhando.

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  • 30/08/2010 - 16:14
    Enviado por: Rodrigo

    Quase não precisa dizer que as fornecedoras de acesso a internet vão fazer de TUDO pra lutar contra isso, afinal de contas eles mesmos fornecem o atual formato tradicional de tv a cabo. Eles não querem se transformar em um análogo das companhias de água e energia, fornecendo apenas um serviço básico.

    Nos EUA a Comcast esses dias anunciou que o seu previamente plano ilimitado passa a ter um limite de 250 GB por mês. Parece muito, mas começa a assistir TV de alta definição pela internet pra ver onde vai parar essa banda.

    Aqui no Brasil então nem se fala. O Speedy AINDA não tem limite, mas a NET tem limites de banda bastante baixos.

    Esse “novo mundo” é o que todo geek quer, e seria excelente pra consumidores em geral, mas algo me diz que ainda está muito longe de acontecer.

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  • 30/08/2010 - 16:34
    Enviado por: carlos henrique da silva

    A internet hoje em dia é tão importante quanto uma televisão, vejo essa nova fase da internet muito promissora,mas falta o governo brasileiro fazer a sua parte de democratizar a bandar larga, além de barateá-la, pois pouquissima gente tem acesso a essa nova tcnologia.

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  • 30/08/2010 - 17:26
    Enviado por: kris

    Não vejo a hora disso tudo acontecer!
    E se as grandes redes abertas começarem a espernear demais vão acabar como as gravadoras…
    haushsusuha

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  • 30/08/2010 - 18:01
    Enviado por: Link - 30 de agosto de 2010 - Trabalho Sujo - OESQUEMA

    [...] na puberdade • Amigos, amigos… • Personal Nerd: O país do Orkut • Paypal no Brasil • Vem aí mais um produto Apple: será que é o golpe contra a TV? • Gameoverdose • Clube do jogo • Samsung, Blockbuster, iPhone 4 e Google • O homem-linux [...]

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  • 30/08/2010 - 20:59
    Enviado por: Bernardino

    As coisas estão melhores a cada dia. E isto é um bom sinal para a população, que se sente explorada por todos os lados.

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  • 30/08/2010 - 23:51
    Enviado por: Ronaldo

    Ah, não… Agora os “macieiros” vão dizer que inventaram a tv por demanda e filmes e seriados para alugar pela internet…. a netflix (que tá espalhado em TVs e appliances boxes tipo roku) e outras já fazem isso há tempos… e Aplicativos o Boxee.tv já faz isso também…

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  • 31/08/2010 - 12:57
    Enviado por: Luciano Alvim

    Doria, acho que vai colar sim, mas vai depender muito mais dos 2 últimos negócios que você cita (empacotamento e distribuição) do que dos produtores.

    Digo isso pela experiência que estou tendo na minha empresa. Com a NFe (nota fiscal eletrônica), parece que algumas gráficas – que sobreviviam basicamente das vendas dos blocos de notas fiscais a empresas – estão fechando ou passando por dificuldades.

    O mesmo pode acontecer se esse modelo vingar. Não quero parecer conspiratório, mas as grandes empresas podem optar por esse modelo ou lutar com todas as forças para inviabilizá-lo. Sou pessimista, e acredito que a segunda opção se concretizará.

    Boa tarde a todos!

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  • 31/08/2010 - 14:54
    Enviado por: Marcelo

    PD, não cabe um texto seu comentando sobre o fim do JB impresso?

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    • 31/08/2010 - 17:37
      Enviado por: Pedro Doria

      Marcelo: nunca trabalhei no JB e já não lia o jornal há, sei lá… uns bons dez anos. Acho que há gente mais qualificada do que eu para falar dele.

      Há muito o que dizer, sim, a respeito de jornais impressos que fecham para continuar apenas digitais. Mas o caso do JB é diferente de outros exemplos no mundo. O JB não está assim por uma crise do jornal impresso. Está assim por má gestão. Jornal, hoje, vende bem no Brasil.

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  • 31/08/2010 - 15:02
    Enviado por: Eduardo

    O caminho esbarra nos direitos autorais e refaz a estrutura de distribuição de produtos, no entanto, as produtoras também devem temer que muitos de seus produtos não tenham visibilidade neste modelo e tornem-se inviáveis financeiramente devido ao maior poder de escolha do consumidor.

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  • 01/09/2010 - 13:57
    Enviado por: MBSantiagoJr.

    :: Olá, ladies and gentlemen… tenho que confessar que entre meu novo blog sensacionalista sobre intriga e espionagem + minhas desventuras pessoais de mudança para novo apartamento as notícias de tecnologia estão passando batidas. Estou muito por fora.

    –xx–

    Então… o tal keynote é daqui a pouco e suponho que o twitter fique agitado. Prometo ser mais ativo nas discussões daqui pra frente.

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  • 01/09/2010 - 13:57
    Enviado por: fernandozz

    Parabéns pela matéria, infelizmente nós vamos ficar aguardando as novidades, tendo em vista que a Apple faz sempre umas “surpresas”.

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  • 01/09/2010 - 19:14
    Enviado por: jefferson

    Sobre o Tema . Eu ja estou matando a TV – Antes assistia a filmes e series pelo Pen-drive. Agora comprei o WDTV LIve da empresa WD. Ficou otimo compartilhar os filmes do computador com a TV. Quem quiser essa caixa vale a pena. acredito que no futuro proximo poderemos eliminar os programas e canais que não gostamos. e escolher os assuntos

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  • 08/09/2010 - 09:48
    Enviado por: Guilhermebrittes’s Blog

    [...] LINK – Por Pedro Doria [...]

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  • 10/09/2010 - 00:42
    Enviado por: Rômulo Ribeiro

    Aí vem coisa…

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  • 10/09/2010 - 10:40
    Enviado por: Rafael

    oi Pedro,

    por que a versão digital do jornal não abre de jeito nenhum no Chrome?

    abs!

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