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A estratégia da Microsoft para derrubar o Google

  • 9 de agosto de 2010|
  • 14h58|
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Ele apareceu faz pouco tempo. É discreto que só mas, numa página tão espartana, ainda assim chama atenção. Está lá no pé, à esquerda, do endereço Google.com: “Altere a imagem do plano de fundo”. A home branca se vai substituída por uma fotografia colorida à beça.

O Google fica a cara do Bing.

Há um quê de surreal na situação, como se algo ali não fizesse sentido. O Google copiando o sistema de buscas da Microsoft.

E, no entanto, as reportagens e análises vêm surgindo. É um processo lento, quase que surpreso. Mostram que o Bing cresce nos EUA – tinha 8% do mercado de buscas quando foi lançado, em maio de 2009. Agora está com 12,7%. Dos blogs ultra-especializados aos sites de tecnologia e de lá, semana passada, para o New York Times.

Alguém na Microsoft anda feliz da vida: elogio na imprensa não é exatamente coisa com a qual estão acostumados. E por certo há surpresa equivalente na sede do Google. Alguém dizendo que outro site de buscas é bom também? Como pode?

Não adianta recorrer a ele. O Bing é bom, sim. Mas não no Brasil. Ele é bom nos EUA. E não é que seja bom em qualquer busca. Ele faz bem coisas bastante específicas. Procurar, por exemplo, passagens de avião para comprar. É uma busca tão sofisticada que entende a flutuação dos preços. Não só informa que um avião sai do aeroporto pedido e a que horas naquele dia como diz se o momento para comprar é bom ou ruim. Se o preço melhora nuns dias ou se não passa disso.

Ele responde com o placar do jogo para quem busca uma partida. Responde com a cotação se alguém perguntar sobre uma ação negociada nas bolsas americanas. Escreva o nome da empresa de transporte e o código da encomenda, Bing retorna com o local onde o pacote está. Bing é melhor para buscar onde o produto está mais barato, enquanto o Google virou o terror poluído onde quem busca um produto só encontra de volta lixo.

Ao menos, tudo isto é verdade lá nos EUA. Aqui, ainda não.

Faz só algumas semanas que o Google adaptou seus resultados de busca para imagens. Antes, era um tal de clicar no link da próxima página, uma após a outra, até encontrar aquele retrato perfeito. Agora, não. Um scroll para baixo resolve – a próxima patacada de fotos aparece.

Copiou do Bing.

Sim: estão copiando mesmo o sistema da Microsoft. O Google, símbolo da agilidade e eficiência tecnológica do Vale do Silício, está copiando a mesmíssima empresa de Bill Gates, que tem parecido sempre se atrapalhar nos últimos anos. Ora, pois.

O movimento é discreto. A turma do Bing tem na manga algumas poucas e bem implementadas inovações. Sua busca, em termos gerais, não é melhor que a do Google. Mas é direita. A esperança é que alguém venha procurar pela passagem e continue ali na hora de pesquisar sobre história para o trabalho escolar. E não é à toa que buscas tão específicas sejam localizadas geograficamente – que funcionem lá mas não aqui. É preciso analisar bem os sistemas locais todos até responder bem por um serviço. Há que adaptar país por país.
O movimento é discreto mesmo. Cresceu um punhado de pontos percentuais enquanto o Google ainda tem para lá da metade. Está sólido e confortável na liderança.

Ainda assim, pela primeira vez em anos, o Google copia um concorrente.

Jason Calacanis, o empresário pioneiro dos blogs enquanto negócio que se transformou em analista de tudo o que acontece na rede, tem uma ideia. Seria um grande acordo entre a Microsoft e a imprensa, nos EUA.

No sonho de Jason, que bem gosta de uma confusão instalada, Bill Gates bateria à porta de cada um dos dez maiores grupos de mídia americanos. Eles produzem o grosso da informação consumida online. A cada um destes grupos, Gates faria uma oferta em dinheiro. Não precisa ser muito, basta que seja algum. É para compensar a queda na renda em publicidade ao perder os acessos vindos do Google. Isso mesmo: em troca do dinheiro, cada um dos dez bloquearia todos os seus sites para o Google e ficaria exclusivo do Bing.
Não derruba o Google, mas faz uma bagunça danada. O site deixa de ser a fonte primordial de notícias nos EUA. À Microsoft, custaria um dinheiro. Estaria, literalmente, comprando uma parcela da audiência que se informa via mecanismos de busca.

Busca, afinal de contas, é matéria de hábito. Tem a ver com o primeiro site que nos vem à mente ou com a caixa que, convenientemente, já pusemos direto no software de navegação. Em geral, para quase todo mundo, Google.

O hábito não se constrói por acaso. A turma do Google é boa em tecnologia e sua tecnologia não está apenas no programa que seleciona as melhores respostas para cada agrupamento de palavras-chave. Também está em seus servidores: uma série de computadores baratos em rede, um após o outro, armazenados em galpões espalhados pelo mundo. Computadores baratíssimos funcionando como se foram um só. Rápidos, incomparavelmente rápidos.

É apenas uma de suas vantagens.

Derrubar o Google não é trivial. Mas a tática da Microsoft é interessante por surpreender. Ao invés de tentar construir um site de buscas melhor em tudo, optou por investir em segmentos específicos e a investir na interface. A busca se apresenta mais organizada, mais prática. E o produto final é ornado por uma bela fotografia que muda todo dia.

Seu problema é que o Google copia. E copia rápido. Se é uma briga de Davi contra Golias, não deixa de ser curioso ver a Microsoft no papel de Davi.

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