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Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil?

  • 18 de julho de 2010|
  • 19h36|
  • Por

Lentamente, a Câmara dos Deputados vem usando mais e mais o formato da consulta pública via internet como apoio para escrever projetos de lei.

Por enquanto, os alvos têm sido temas relacionados com o meio digital. Marco Civil da internet, direito autoral, regulamentação das lan houses – projeto nas mãos do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), história contada na edição de hoje do Link. É um ensaio, um estudo de método moderno, eficiente e que está dando muito certo.

A internet oferece desafios diferentes para vários setores. Ela muda de maneira tão profunda a forma de nos comunicarmos que, não tem jeito: muda junto o negócio da informação – jornalismo, cinema, música – e tudo o que depende de informação. Isso vai da maneira como empresas são geridas ao modo como somos governados.

No momento em que todos tivermos acesso a um celular ou computador conectado e um software seguro para votar, para que Congresso? Para que intermediários se, no fim, o objetivo é criar leis que representem o desejo da população. Políticos não costumam ser lá muito populares e defender num discurso demagógico a democracia direta é fácil. O problema é que a democracia direta é uma forma de ditadura.

Chama-se a ditadura da maioria. Uma das utilidades de um Congresso Nacional, nas democracias, é garantir a proteção das minorias. A democracia não serve apenas para impor o desejo majoritário, afinal.

Outro objetivo, por improvável que pareça, é estimular a conversa sobre temas complexos. Campanhas políticas, por natureza, simplificam o que é complicado. Transformam o que podem num slogan ou num sorriso. Se toda lei fosse decidida em campanha eleitoral, que horror.

O formato da consulta pública via internet ajuda em ambas as pontas. Por um lado, não cria uma campanha eleitoral para cada lei, coisa que a democracia direta exigiria. Por outro, abre as portas para todo cidadão que deseje opinar sobre um assunto.

Antes da rede, consultas públicas eram inatingíveis. Era espaço para grupos de lobby e ONGs empurrarem relatórios extensos e complexos goela abaixo dos parlamentares. Na web, virou espaço de conversa.

Porque a web faz isso bem. No fórum eletrônico aberto pelo governo ou em blogs e redes sociais, quem desejar se mobiliza. Há espaço para os relatórios – mas também para a conversa.

Pegue um tema difícil como o dos direitos autorais. Quando a conversa ocorre num ambiente ao qual qualquer um tem acesso, tudo muda. Os especialistas e aqueles diretamente afetados podem fazer seu lobby, defender sua causa. Mas o cidadão que acha o assunto interessante também pode entrar na discussão. Só de ler as conversas e bisbilhotar os relatórios, já aumenta sua educação a respeito. Torna-se um cidadão informado e, portanto, apto também a encaixar seus argumentos. Democracia de fato, para quem quiser.

Não é que a rede faça milagres. Quem conversa na web sabe que há guerras insanas, discussões de baixíssimo nível e que logo, logo, alguém será comparado a Hitler de forma injustificável – é a famosa Lei de Godwin. Há gente, até, que se mete numa boa conversa com o único objetivo de espalhar a cizânia: mas como tem troll nessa pobre internet.

Ainda assim, talvez por tratar de temas ligados à cultura digital, o formato de consulta pública online está funcionando. Sim, as coisas no Brasil às vezes dão certo. Estar funcionando quer dizer que deixa vontade de mais e mais. Casamento gay, aborto, regulamentação de motocicletas no trânsito, quem sabe até reforma política. O número de assuntos é enorme. Queremos discutir tudo.

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40 Comentários Comente também
  • 18/07/2010 - 20:22
    Enviado por: Link - Estadao.com.br

    [...] Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil? [...]

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  • 18/07/2010 - 20:32
    Enviado por: Link - Estadao.com.br

    [...] dos Direitos Autorais, que sará debatida nesta segunda, 19, e a regulamentação das lan houses. O colunista Pedro Doria discute a eficácia desse formato de discussão, avaliando como o diálogo na internet ajuda a democracia, [...]

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  • 18/07/2010 - 23:10
    Enviado por: Tiago Martins Lacerda

    Acredito que a gente ainda vá passar da democracia representativa para a democracia colaborativa. Como isso vai acontecer, que ferramentas tecnologicas e burocraticas e que tipo de educacao politica tem que ser feito na escola eu nao sei. Esta na hora dos cientistas da informacao e os cientistas politicos, sociologos e pedagógicos se juntarem e desenvolve-las.

    Viva a colaboracao!

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  • 19/07/2010 - 08:34
    Enviado por: Lucas Jerzy Portela

    evidente que será. Não há fim da Representação.

    Mas a função do Parlamento será outra, e menor. Será a de agenciar e estabilizar as multiplas demandas sociais.

    alias, não foi pra isso que ele nasceu como entendemos na Revolucao Francesa?

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  • 19/07/2010 - 09:13
    Enviado por: Fábio

    A tempos atrás pensei neste tipo de democracia on-line: onde todos votassem voluntáriamente um projeto. Mas este teu texto me fez perceber que pode lá não ser uma boa. De fato a democracia total é o ideal de todo povo inculto que resumem em uma frase famosa “A voz do povo é a voz de Deus”… a maior mentira do mundo. Afinal votação livre e voluntária de projetos só fara estes projetos serem vencidos por quem tem interesse.

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  • 19/07/2010 - 09:26
    Enviado por: Tweets that mention Link - Estadao.com.br -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by pd_weblog, Guilherme F. Pereira, Karla Soares, Edmo Sinedino, Tácito Costa and others. Tácito Costa said: Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil? http://bit.ly/cXYGA9 [...]

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  • 19/07/2010 - 10:42
    Enviado por: Luis

    O Ficha Limpa poderá ser uma resposta disto.
    Eu, por exemplo (e acredito que grande parte de brasileiros, também), desejaria que o Ficha Limpa fosse cumprida ao pé da letra, sem distinção de partido ou ideologia.
    O DEM, apesar de tudo, para mim, deu um bom exemplo quando expulsou dos seus quadros o ex-governador de Brasília.
    O PT daquele MEGA-MENSALÃO, teria que fazer o mesmo. O PSDB de Minas Gerais,também, sob pena de o STF caçar os peixes maiores (presidente, governador ou prefeito etc, sem distinção se de GOVERNO ou OPOSIÇÃO).
    Um presidente, um governador ou um prefeito que diz NÃO SABER de nada,mas que toma providência, não deveria ser caçado.Agora, não sabendo de nada e não tomando providências,TERIA QUE SER CAÇADO (seja presidente, governador, prefeito etc). Para que uma pessoa incapaz no poder?
    Este seria um belo projeto para ampliar o alcance do FICHA LIMPA. Nele eu votaria sem pensar.

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  • 19/07/2010 - 11:11
    Enviado por: LUCAS

    É bastante irresponsavel de nossa parte pensar que em uma democracia parlamento seria inútil, inútil é termos este tipo de politicagem que vivemos a bastante tempo no Brasil, ou seja beneficios sociais em troca de voto, por exemplo, o Governo fazer publicidade que fez tantas escolas, tentar com isto falar para o eleitor que ele foi bom, deveria ser proibido, até porque ele foi escolhido e remunerado exatamente para isto, não estária mais do que cumprindo sua obrigação, outra coisa é falar que está distribuindo milhões de bolsas familia, na verdade ele deveria ter é vergonha disso, isto siguinifica ele tem mesmo é de investir primeiro na educação, é claro que o nos vamos viver com isto por bastante tempo. Ainda não temos como empregar todo mundo, deveriamos chegar um tempo em que esta bolsa miséria de que o governo faz tanta publicidade, deveria ser apenas para os imcapases de gerar sua propria renda. O que devemos é saber votar, e porque votar.

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  • 19/07/2010 - 11:27
    Enviado por: Arides Lisboa

    A web faz bem, mas não faz milagres. O eleitor comum nunca aprofunda temas — dos mais banais aos mais importantes — porque tem talvez uma visão vaga de todos eles, e não lhe resta tempo nem apetite para cuidar de muitos. A consulta online será sempre acessória, cabendo aos “relatores” (parlamentares ou apenas procuradores) a grande missão de aprofundar e entender o cerne das questões e das dúvidas. Vemos hoje que o nível médio dos comentários (como este aqui)não chega nunca ao exame acurado das qustões que aborda. A democracia de Atenas do tempo de Péricles continuará sendo parte dos sonhos e da meta que embalam o homem imperfeito: o equilíbrio e a justiça absolutos. Penso que devemos ser mais modestos nas nossas aspirações, até para sermos mais felizes.

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  • 19/07/2010 - 12:01
    Enviado por: Flavio Alves

    Eu sugeri ao deputado que votei nas últimas eleições para que seja o pioneiro a discutir com seus eleitores via Internet todas as suas decisões no congresso. Eu disse “discutir”, não que ele tenha que acatar todos os resultados das enquetes dos seus eleitores. Excelente texto!

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  • 19/07/2010 - 12:29
    Enviado por: ML

    Creio que você não acompanhou, nem está acompanhando, o nível das discussões dos projetos que mencionou. Ainda que alguns especialistas nos temas tratados tenham se esforçado para tentar manter o debate em alto nível, no geral o que se viu foram contribuições de baixíssima qualidade. Entre palpites leigos risíveis e propostas claramente inconstitucionais, sobrou muito pouco.

    Há o mérito, claro, de deixar todo mundo falar, ainda que falem bobagem. Não se pode acreditar, porém, que todas as vozes mereçam ser ouvidas com a mesma atenção. Afastar a meritocracia em prol de um “consenso coletivo” da turba é um perigo.

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  • 19/07/2010 - 12:41
    Enviado por: leandro

    democracia é um sistema onde prevalesce a opinião da maioria, mesmo que a respeito de assuntos de interesse da minoria, hoje vivemos numa ditadura da minoria, mas não a minoria dos excluidos deficientes etc e sim a ditadura da minoria do poder economico

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  • 19/07/2010 - 13:07
    Enviado por: Paulo Pereira

    Escolha de Sofia: Fecha-se o Congresso (valhacouto de pusilânimes e de venais traidores da pátria e do Povo brasileiro)ou uma Constituinte em que se estabeleça a DEmocracia on-line.

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  • 19/07/2010 - 15:11
    Enviado por: Grilo D

    O Congresso é útil hoje? Gastamos mais de R$100 mil por mês por cada parlamentar, e a maioria deles usa o tempo e o nosso dinheiro para auto-promoção e benefícios pessoais. Aumento de salário é imediato, mas outras medidas importantes podem ficar mais de 10 anos (!) entrando e saindo da pauta.
    A instituição parlamento é necessária mas, com os espécimes que lá habitam há séculos me fazem achar que aquilo não faria falta alguma.
    Ou, em português claro: temos o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar.
    Abraços,
    Grilo D

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  • 19/07/2010 - 15:15
    Enviado por: Philomeno M. Phlorys

    Com os avanços na comunicação as eleições periódicas só favorecem os picaretas, que têm prazo suficiente para enraizar suas maracutaias nos tecidos institucionais não muito sadios de nossa república. Podemos reagir instantaneamente a qualquer safadeza ou ato de corrupção, mas ficamos na dependência da justiça quase sempre leniente e tarda — tarda no tempo e tarda de eficiência. O primeiro país do mundo que inaugurar uma forma de democracia compatível com nossa era digital dará salto à frente gigantesco, em matéria de arcabouço institucional.
    Mas, pelo visto, será preciso um De Gaulle para arrumar tudo. Essa raça que está aí é toda de viralatas.

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  • 19/07/2010 - 15:52
    Enviado por: Caio Gracco

    Pedro, bom texto, mas acho que você cometeu um erro teórico fundamental. Não é o sistema representativo o garante das minorias, mas sim um conjunto claro de direitos e garantias fundamentais inscrito no sistema jurídico, com uma Corte competente para verificar se os atos do governo estão de acordo com eles. Sem esse controle externo ao Legislativo, também um sistema representativo viraria uma ditadura da maioria. Na verdade, para que o próprio sistema representativo não afogue as minorias, ele precisa ser “temperado” com a regra da proporcionalidade.

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    • 21/07/2010 - 08:18
      Enviado por: Pedro Doria

      Caio – bom comentário e concordo que simplifiquei o que é bem mais complexo. Mas não é um erro teórico. Os três poderes têm que ter, como vc observa, seus ‘check and balances’ externos.

      Mas quem escreve as regras pelas quais o Judiciário se conduz? Poderíamos argumentar, talvez, que um Judiciário que se baseia em seu próprio histórico de decisões – tipo o dos EUA – teria alguma independência em relação ao Legislativo. Faria lei com suas decisões. Mas mesmo lá isso é polêmico pacas e, no fim, ainda assim eles (os juízes) jamais ultrapassam os limites da Constituição que foi escrita por um Congresso de representantes. Essencialmente um legislativo.

      Num ambiente de democracia direta no qual o Legislativo é o povo, as leis lentamente mudariam. Quiçá a Constituição mudaria. O sonho de todo demagogo é falar direto com um ‘povo’ sem precisar do intermédito de um Congresso. Não é à toa que este é o primeiro passo de qualquer ditador, mesmo os mais carismáticos. Fecham o Congresso. Assim como o Judiciário é um controle externo do Legislativo, este é o que mantem o Executivo vigiado. A máquina é complexa mas, quando bem regulada, funciona direitinho… é que precisa de tempo funcionando para regular direito. No Brasil, nunca deram este tempo. Sempre interromperam.

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  • 19/07/2010 - 16:18
    Enviado por: J Messias

    Excelente matéria. Estamos conseguindo fazer movimentações bancárias com certa segurança, tirar titulo de eleitor, fazer B.O., etc, etc tudo pela Internet, porque não opinarmos também sobre os caminhos que nosso País deve tomar pela Internet, haja visto que o Congresso discute demais tendo uma produção quase nula.

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  • 19/07/2010 - 16:57
    Enviado por: Claudio

    Engraçado, a maioria das opiniões aqui é unânime em afirmar que: a classe política não cumpre seu papel e o “povo” não saberia legislar. Assim fica difícil, chamemos o polvo Paul para decidir então.
    A verdade é que a Internet é uma ferramenta poderosa de trasnformação e, se bem usada, pode produzir muitos frutos.

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  • 19/07/2010 - 17:06
    Enviado por: Alba

    PD,

    Como sempre, seu texto é muito bom. Mas mesmo que eu não queira fazer papel de rabujenta perante tanto otimismo, existem os mil exemplos que você aponta, de debates truncados em vários blogs. Em outros, a discussão política é mesmo Fla X Flu, pregação para convertidos. Daí li hoje, por coincidência, na FSP, um artigo que trata exatamente da questão. Vou colar apenas o início, pq é restrito a assinantes.

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    PRESIDENTE 40/ ELEIÇÕES 2010

    Internet não criou espaço para debate, diz professor
    Estudo mapeia debate político em blogs e redes sociais em 2006 e 2008

    Para Vladimir Safatle, predomina radicalismo e repressão a ideias dissonantes; discussão se alinha às campanhas

    UIRÁ MACHADO
    DE SÃO PAULO

    A promessa política da internet não se realizou, afirma Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP. Safatle é autor de estudos sobre uso da internet nas eleições de 2006 e 2008, feitos em parceria com Marcelo Coutinho, professor da FGV e especialista em internet e política.
    Desde que surgiu, a rede mundial de computadores trouxe a esperança de que revitalizaria o debate político público e serviria como espaço de discussão de ideias.
    Segundo Safatle, a internet não se configurou como espaço de diálogo, como muitos esperavam, mas de radicalismos exacerbados.
    “A internet está mais para grande espaço fragmentado de posições, onde cada território está ocupado por opiniões muito bem definidas e que não entram em contato com ideias diferentes. Manifestações dissonantes são reprimidas ou ignoradas.”

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    • 20/07/2010 - 21:59
      Enviado por: Clever Mendes de Oliveira

      Alba (19/07/2010 às 17:06),
      No ano passado, o Observatório da Imprensa publicou um bom texto sobre as discussões na Internet. Não sei a razão, mas o texto saiu do site só que recentemente voltou. Vale à pena a leitura. Saiu no número 552 do Observatório da imprensa. Faço a indicação do texto transcrevendo o cabeçalho para facilitar a pesquisa na Google, assim além de evitar de colocar o endereço do site e do post, pois nisso eu sempre me atrapalho, a transcrição serve para deixar indicado outros posts pertinentes referidos no inicio do texto:
      - – - – - – - – - – -
      “TEMPOS MODERNOS
      Notícias sobre a internet
      Por Michael Massing em 31/8/2009
      Reproduzido do New York Review of Books, volume 56, número 13, de 13/8/2009, título original “The news about the internet”; tradução de Jô Amado
      O tema deste artigo foi comentado no Observatório por Luiz Weis (“Parasitas ou renovadores do jornalismo?), Sandro Vaia (“Os jornais e a cacofonia da internet”) e Ricardo Kotscho (“O maridão na net e o futuro dos jornais”).”
      - – - – - – - – - – -
      Além desse artigo no Observatório da Imprensa houve um bom post no blog de Idelber Avelar. O nome do post é “A crítica ao Fla x Flu como uma cortina de fumaça do nosso tempo”. Deu para chegar lá via Google. Como o blog está desativado faço a indicação em pedaços do endereço com os comentários que foram também de boa qualidade. Assim ao blog do idelberavelar basta acrescentar /2009/05/a_critica_ao_fla_x_flu_como_uma_cortina_de_fumaca_do_nosso_tempo.php#comments.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 20/07/2010

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    • 21/07/2010 - 08:30
      Enviado por: Pedro Doria

      Alba, Clever, a internet existe aberta ao público faz 15 anos.

      Antes da internet, para ter acesso continuado a uma incrível quantidade de cultura era preciso viver em uma metrópole – só estas tinham bibliotecas, discotecas, museus, cinemas, teatros etc. de alto nível. Em 15 anos a internet mudou isto rapidamente.

      Ao aumentar o acesso a cultura e informção, construiu a maior contribuição para a qualidade da democracia que jamais houve.

      É verdade que mostrou que a conversa pode ser frequentemente simplista, polarizada. Mas isto é da natureza da conversa online ou da conversa humana? O debate está aberto e há bons argumentos de ambos os lados. A tecnologia é nova. Temos essa impressão, por causa da rapidez do avanço tecnológico, de que nossa cultura, nossa sociedade, caminha no mesmo ritmo. Não caminha. Entre a imprensa de Gutenberg e a Reforma, sua primeira filha, se passou quase um século. Entre a imprensa e as revoluções Americana e Francesa foram três séculos. Não acho que as coisas mudarão tão devagar assim… acho que 50 anos após a internet já teremos governos e imprensa muito diferentes.

      Mas é preciso tempo. Pelo menos o tempo de uma geração. Quando a primeira geração criada 100% digitalmente estiver no comando, aí podemos começar a falar com clareza do início do impacto da internet. Enquanto nós, criados entre livros, discos e máquinas de escrever tivermos as rédeas, ainda será cabeça velha (ainda que se ache renovada) pensando.

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  • 19/07/2010 - 17:49
    Enviado por: Caubi de Gusmão

    Prezado Dória, boa tarde.

    Você falou que a Demnocracia Direta é uma espécie de Ditadura! Que tal você ver o que acontece, por exemplo na Suécia? A Democracia Direta como está sendo desenhada pelo PDD (veja http://www.democraciapdd.com.ber) é uma forma moderna da Democracia Direta, não aquela dos tempos de Roma. Na Democracia Direta desenhada pelo PDD o povo tem o poder nas mãos e não os politicos, como hoje.

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  • 19/07/2010 - 19:33
    Enviado por: Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil? « Senate Simulation

    [...] 19, 2010 by doidimaiscorporation Artigo de Pedro Doria em seu blog no Estadão. Interessante por mostrar pra que serve o Congresso. Lentamente, a Câmara dos Deputados vem usando [...]

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  • 19/07/2010 - 19:52
    Enviado por: arlindo filho

    sera inevitavel e boa essa mudanca.

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  • 19/07/2010 - 20:08
    Enviado por: Haroldo Euclides

    Ilustre jornalista, a democracia representativa tem seu mais forte impacto quando o sistema é bicameral como o nosso. Ficando o Senado para dar força aos Estados Federados. Os internautas não terão condições de discutir LDO, LOA, PPA e quantos projetos em suas comissões como CAE, Assuntos Sociais, e Jurídicas, além de debates em plenário. Mas respeito uma participação popular junto aos parlamentares e IMPRENSA.

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  • 19/07/2010 - 20:19
    Enviado por: Link - 12 de julho de 2010 - Trabalho Sujo - OESQUEMA

    [...] • Mais tempo para discutir a lei do direito autoral • Games podem ficar mais baratos • Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil? • Isso não é jogo • Filme do Facebook, Naspers, Steve Jobs e Nhom •Vida Digital: Mauricio [...]

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  • 20/07/2010 - 00:44
    Enviado por: prof_girafales

    “Lentamente, a Câmara dos Deputados vem usando mais e mais o formato da consulta pública via internet como apoio para escrever projetos de lei.”

    Conversa fiada!!!!

    Eh o nosso velho congresso, corrupto ate os ossos, tentando disfarçar a brutal intervençao que pretende impor a Internet no Brasil nos proximos anos!!!!

    Esato sacudindo uma bandeira falsa diante de uma parte das nossas elites: os donos da midia!

    Juntar liberdade de expressao e direito de comunicaçao a direito autoral eh uma baita canalhice!!!

    Querem usar o poder de convencimento dos meios de comunicaçao para criarem leis de censura e bloqueio do fluxo de informaçao justificando a proteçao do direito autoral!

    Criar uma lei para LanHouse eh uma piada! Por que haveria uma lei? Para proteger quem do que? As leis existentes ja protegem (legalmente)as crianças de frenquentar ambientes publicos! Qual a diferença de uma LanHouse e uma banca de jornal? Proteger a sociedade e o direito autoral eh piada, eh forçar a nossa propia ignorancia! Querem eh distruir qualquer chance de aparecer uma sociedade livre na America do Sul! E estao contando com a predisposiçao historica dos grupos de esquerda (no poder agora) para destruir qualquer semente de liberdade!

    A Internet eh a ultima chance de paises de terceiro mundo como nos conseguirem se civilizar atraves de movimentos pacificos e cidadaos!

    Espero que os donos de jornal e da mida em geral nao joguem esta chance fora so para poderem prender estudantes em LanHouses fazendo copias nao autorizadas de livros tecnicos carissimos e de algumas musicas!

    Lamentavel!

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  • 20/07/2010 - 09:57
    Enviado por: Paulo F Valente

    É falacioso o argumento de que a democracia direta é uma forma de ditadura, por não garantir proteção das minorias. Na verdade a proteção das minorias é garantia constitucional de países civilizados e garantida por carta da ONU. O Supremo Tribunal Federal também garante isso. Na verdade a democracia direta está rapidamente ganhando espaço no mundo, principalmente na Europa.
    Quem quiser maiores detalhes sobre o assunto pode consultar o e-book fre: O Sociocapitalismo – por um Mundo Melhor, disponível em http://www.slideshare.net/pjvalente/o-sociocapitalismo

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    • 21/07/2010 - 09:40
      Enviado por: Pedro Doria

      Paulo, Carta da ONU não é lei e Constituição emenda-se. Uma Constituição votada por democracia direta, que cara teria?

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  • 20/07/2010 - 16:08
    Enviado por: Paulo Rená

    Alba,

    as conclusões dessa pesquisa são bastante equivocadas. Os resultados podem ser esses mesmo, mas há muita cegueira na leitura de que Orkut e Blogs na eleição de São Paulo representam o Brasil.

    A rede pode viabilizar a comunicação de quem quer debater e não está em São Paulo, por exemplo. Os problemas de falta de diálogo não estão na Internet, e sim nas pessoas.

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    • 21/07/2010 - 17:31
      Enviado por: Alba

      Paulo Rená,

      Não pretendi fazer o papel da bruxa má do oeste (ou de que sei lá a direção) que não deixava a Dorothy alcançar os mágicos sapatinhos vermelhos (perdõe, PD, ando meio espírito de porco)

      Mas em considerando o nosso processo histórico e de formação de partidos, o PD está perfeitamente certo em observar que os curtos períodos de democracia que tivemos foram interrompidos. E que demanda tempo criar uma sociedade mais participativa e mais consciente do papel do Congresso. Considerando o espaço histórico, não acho que 50 anos sejam irrazoáveis, afinal.

      E, bem, uma pesquisa dá a medida do que ocorre num determinado momento e está sempre sujeita a erro. Eu, por exemplo não sei direito quem seriam os membros da nova classe média, com maior acesso ao consumo, mas ainda beeem longe, no quesito educação.

      Ânfãm, esperemos pelo melhor! :-)

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  • 20/07/2010 - 16:59
    Enviado por: Viniciusg

    O congresso é inútil com ou sem informatização e virtualização.

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  • 20/07/2010 - 17:01
    Enviado por: john ninguno

    o lado humano não acompanha o tecnológico (A. Sodré)

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  • 20/07/2010 - 17:28
    Enviado por: Lauro Mesquita

    Prezado Pedro, coloque nessa lista também a proposta de Lei de Direitos Autorais lançada em consulta pública pelo Ministério da Cultura háum mês:

    http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/

    É importante levantar que a consulta pública do Marco Civil també foi uma iniciativa do poder executivo, mais especificamente do Ministério da Justiça.

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  • 20/07/2010 - 19:34
    Enviado por: Augusto Maurer

    Excelente post, Pedro !

    Há muito penso (e anoto) sobre o problema que levantas e, pelos comentários acima, vejo que mais gente também. Fico, pois, feliz que estejas agregando ressonância a tão importantes idéias.

    Minhas ruminações a respeito estão em http://delicious.com/augustomaurer/politicos_demais.

    Salve o bom debate.

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  • 20/07/2010 - 21:11
    Enviado por: Clever Mendes de Oliveira

    Pedro Doria,
    A questão também poderia ser feita de outra forma: é a democracia direta superior a democracia representativa? A resposta depende da ideologia. Dou então a minha opinião.
    Defendo que a democracia representativa é superior à democracia direta. Para mim, a democracia representativa, embora tenha vindo para resolver um problema tecnológico: a falta de condições de reunir todas as pessoas para a tomada de decisão, superou a democracia direta. A democracia direta é o império da maioria em decisões pontuais que não permite interação entre as partes. Como resultado, na democracia direta os grupos minoritários são excluídos.
    Na democracia participativa tem-se um processo de tomada de decisão e as decisões se encadeiam e os interesses de grupos minoritários podem ser integrados a interesses de grupos majoritários. É claro que esse processo é um processo de luta em que o representante de determinado grupo não pode abrir mão do interesse do grupo que ele representa. Ele pode negociar o interesse que ele representa. Assim a renúncia que é mais própria da ética não pode ocorrer na representação. A representação assim não age com ética, só tendo que ter o respeito à lei. É claro que a lei é informada por princípios, mas o processo de composição de interesse na democracia representativa é basicamente um processo de toma-lá-dá-cá, de acordos e conchavos em que o representante não pode agir com ética.
    Na democracia direta o indivíduo pode agir com ética (Mas não é uma obrigação), enfim, o indivíduo pode abrir mão do interesse dele, mas em uma decisão pessoal que não envolve mais ninguém. Não há espaço para o conchavo, para os acordos, ou em outras palavras, não há espaço para o fisiologismo (Aqui entendido como a defesa pelo representante do interesse do representado, acima de qualquer outro interesse salvo o que for disposto na lei). Sem espaço para o toma-lá-dá-cá, a democracia direta exclui os grupos minoritários. A exclusão é um atraso. A democracia direta, assim, no meu entendimento, é um atraso comparativamente à democracia representativa. O avanço tecnológico pode vir para tornar a democracia representativa mais participativa (Sem dúvida a democracia direta é mais participativa do que a democracia representativa), mas não para substituir, pois isso, em meu entendimento seria um retrocesso.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

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  • 21/07/2010 - 17:34
    Enviado por: Alba

    Clever,

    Obrigada pelas dicas. Vou procurar. Enquanto isso, respondi pra você lá no NPTO, mas não tenho certeza de que tenha sido publicado, porque sei lá, aquilo estava enorme, ou coisa assim. :-(

    Abraço

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  • 23/07/2010 - 20:24
    Enviado por: Paulo

    Pedro Doria
    .
    Sua inocência chega a ser comovente, de todo modo deixo aqui um pedacinho de Paul Virilio em “A bomba informática” pgs. 118 e 119:
    .
    “Democracia lenta e gradual, localmente situada, à maneira da democracia direta das assembléias dos cantões suíços, ou democracia “live” e midiatizada semelhante à medição de audiência da televisão comercial, ou ainda à pesquisa de opinião?…
    .
    Depois da autoridade dos homens sobre sua história, haveremos de ceder, com a aceleração do real, à autoridade das máquinas e daqueles que as programam?…
    .
    De fato, com a rapidez global das telecomunicações, e não mais, como antes, a rapidez local dos meios de comunicações, caminhamos para a inércia, para a esterilidade do movimento…”
    .
    Lamento, mas sua empolgação não é nem original nem precoce, Paul Virilio escreveu isso a 12 anos atrás…

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