Como Hollywood faz dinheiro criando escassez
- 25 de janeiro de 2010|
- 15h28|
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Já que falávamos de cinema e de escassez, não custa permanecer no assunto. Antes, no entanto, uns números interessantes.
1. Em 2008, o lucro da venda de ingressos de cinema nos EUA e Canadá bateu o recorde anterior, fechando em 9,78 bilhões de dólares.
2. Em 2009, embora os números de dezembro (o ponto alto da temporada) não tenham sido plenamente computados, a conta já está em 9,69 bilhões. Deve ultrapassar a casa dos 10 ou chegar muito próximo. O recorde foi batido.
3. Este ano tem outra característica: pela primeira vez desde 2002, o lucro com ingressos vendidos foi maior do que o com a venda de discos de filmes (incluindo DVD e Blu-ray). Em 2004, o lucro com DVDs de cinema chegou a 12,1 bilhões, em 2009 a estimativa é de que feche 8,73 bi.
4. Outros dados de 2009: 1,27 bilhões gastos com pay-per-view na TV paga e 361 milhões com aluguel e compra de filmes via internet.
5. No total, os consumidores de EUA e Canadá gastaram 28,38 bilhões com filmes em 2009. Ligeiramente abaixo dos 28,47 bilhões de 2008.
Um quê de contexto: EUA e Canadá, juntos, são o maior mercado consumidor de cinema do mundo, correspondendo a um naco de 35% do total. Não custa lembrar que a queda de 2009 em relação a 2008 é muito pequena se formos lembrar que a recessão atingiu duramente os EUA no período.
As pessoas estão gastando mais dinheiro indo ao cinema e estão comprando menos filmes. Embora o mercado de Blu-ray e o de compra online esteja crescendo – o segundo num ritmo violento – ainda não compensou a queda de DVDs.
De volta ao problema econômico básico: fazer cópia e distribuir informação era caro. Com a internet, isso mudou. Mas a escassez de cópias não é a única escassez que empresas que lidam com informação podem explorar. De todas as indústrias, nenhuma tem se mostrado mais atenta a isso do que Hollywood. E ela sabe exatamente em que escassez investir: a da experiência única.
As tecnologias iMax e 3D são a mostra disso. Não há jogo de caixas de som 5.1 ou tela de TV grande que substitua a experiência de um filme construído para iMax e 3D e assim projetado. Hollywood pode ter outra segurança: é verdade que a tecnologia do entretenimento doméstico melhora e cai de preço dramaticamente. Mas em um mundo cada vez mais urbano, a metragem dos apartamentos também diminui. Jamais será possível recriar, num quarto e sala, a experiência de estar envolto pela tela grande.
O filme projetado em sala de exibição tem uma qualidade para quem quer fazer dinheiro: ele está sob controle da indústria.
O resultado da experiência de um CD pode ser copiado sem perda de qualidade.
O resultado da experiência de um filme iMax ou 3D só se tem nas condições que o dono do conteúdo dita.
Escassez permanece a questão chave para todos. Se cópia e distribuição foram barateadas pela tecnologia, que nova escassez a tecnologia pode criar?
A indústria do cinema já apostou num caminho que, aparentemente, vem rendendo resultados. Avatar, o filme que serve de melhor exemplo para as duas novas tecnologias, recebeu 500.000 downloads ilegais nos primeiros dois dias após sua chegada aos cinemas. E 980.000 na primeira semana. Mas quem, após deixar a sala do filme, fala de sua história? Ninguém. O deslumbre é puramente visual. Quem viu a cópia pirata que baixou da rede não viu Avatar. E sabe disso.
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25/01/2010 - 17:30 Enviado por: Madu
Ótima sacada. Escassez é a essência do capitalismo, sem ela a equação da oferta e da procura não pende para o lado da indústria.
É exatamente a “escassez” que o P2P liquidou com a Internet. Enquanto isso, a industria cultural parou para assistir —enquanto poderia ter se voltado a criar a “próxima escassez”.
É o que o iMax e o 3D prometem para o entretenimento audiovisual —mas também há as cadeiras que tremem, o cinema com cheiro, os ventiladores que simulam o vento nos espectadores em uma cena de velocidade… recriar isso para o universo doméstico será caro. Mas não impossível: a Philips já tem isso em seus laboratórios na Holanda
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25/01/2010 - 21:36 Enviado por: Conde Allamistakeo'
Eu e alguns colegas do curso de Filosofia da UFES chegamos a mesma conclusão após algumas horas de conversa sobre o futuro da industria do cinema , porem como sou daqueles que ficam pensando no assunto mesmo depois de chegar a uma conclusão , acabei por lembrar que o cinema 3d esta atrasado se levar-mos em conta a criação de oculos que permitem a sensação de ambientes 3d . Caso estes aparatos tecnologicos venham a se popularizar o tamanho dos apartamentos , casas das cidades não vai atrapalhar para que o usuário faça o donwload do filme e experimente a mesma sensação 3d do cinema ….
Isto me fez pensar por mais um tempo sobre o assunto , porem como não é algo que me interessa diretamente não cavei muito >.<
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25/01/2010 - 21:37 Enviado por: Conde Allamistakeo'
Por isto que a expressão
“. Jamais será possível recriar, num quarto e sala, a experiência de estar envolto pela tela grande!”
pode estar errada >.<
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26/01/2010 - 01:00 Enviado por: Pedro Doria
Conde Allamistakeo’, entendo o que você quer dizer no que se refere à tecnologia 3D. Mas a experiência de imersão, da tela em cúpula e cadeira inclinada do iMax continua um quê distante da casa de qualquer um. Seria preciso contratrar um arquiteto para refazer a sala de estar. E eu, pessoalmente, acho iMax mais impressionante do que 3D.
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26/01/2010 - 03:32 Enviado por: shirlei horta
Cinema é magia em tela grande.
Substituir a tela grande por minha sala, salão ou hometheater? Não…….. nem pensar…… Não por quem gosta de cinema, o que é diferente, obviamente, de gostar de filme…
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26/01/2010 - 03:42 Enviado por: Beni Borja
Hollywood aprendeu alguma coisa com a debacle da indústria fonográfica, a primeira a tomar o tsunami digital na cabeça.
O que a indústria cultural vende são experiências. A experiência da música na era digital sistemáticamente sacrificou qualidade por portabilidade e praticidade, uma tendência que foi inaugurada pelo falecido walkman.
Para que não tivesse o mesmo destino , Hollywood tratou de investir na experiência da telona , daí o investimento nos filmes em Imax e 3D, e a rápida adoção do HD .
Enquanto isso a indústria fonográfica ludita, nem um formato digital para música gravada tem.
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26/01/2010 - 09:44 Enviado por: Jåµë§
:: Aí é que está Pedro Doria, tudo vai depender de como a indústria do cinema vai lidar com o que importa, o roteiro. Minha preocupação é que se deteriore o que já está em andamento. Para valorizar a ida ao cinema, há uma overdose de filmes cuja narrativa não importa e, sim, sua produção CGI. Sendo assim, contratam-se atores medíocres ou atores bons mas baratos para falar qualquer coisa que seja pontuada entre uma cena de explosão e outra de magia. O que está sendo contado? Não é importante, certo?
–x–
O cinema mais tradicional está sendo baixado P2P.
Até mesmo pelos garotos(as) que realmente curtem cinema.
Vejo público ainda, mas bem menor do que costumava ser.–x–
Quanto ao IMAX 3D… quantos aqui conseguiram ver Avatar?
Com apenas uma sala em São Paulo, conseguir ingresso nas primeiras semanas foi um teste de paciência para mim no qual falhei e resolvi ir num 3D tradicional. Outro efeito colateral, transmissão de doenças pelos óculos, tais como conjuntivite. Juro, acontece. No Cinemark os óculos são malfeitos, duros, desconfortáveis. Os do Bourbon são melhores.–x–
Dito isso, eu sou fã da revolução tecnólogica no cinema. Aquela que dá pulos sazonais e transformam tudo. Tron, Jurassic Park, Matrix, Spiderman, Avatar… qual o próximo filme revolucionário? Acho que agora só na base da holografia…
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26/01/2010 - 09:53 Enviado por: Arthurius Maximus
Uma realidade criada pela própria condição de dificuldade que o mercado de cinema enfrentou durante um certo tempo. Mas, pelos investimentos feitos; nada mais justo.
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26/01/2010 - 11:19 Enviado por: uberVU - social comments
Social comments and analytics for this post…
This post was mentioned on Twitter by pd_weblog: Agora, no Weblog: Como Hollywood faz dinheiro criando escassez http://bit.ly/78Vvsa...
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26/01/2010 - 11:45 Enviado por: ZEH
Boa sacada. Diferemente das gravadoras, que venderam por décadas círculos plásticos de tamanhos decrescentes sem atentar para os shows e performances, Hollywood não se esqueceu de que o seu negócio é Cinema, e os círculos de plástico são importantes complementos – como bonequinhos e mochilas.
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26/01/2010 - 12:43 Enviado por: gil lopes
São só sacadas…o caminho rumo ao digital é inexorável, apostar no meio antigo é anacrônico. Os filmes serão consumidos pelo computador, sair de casa é perigoso, caro. Quando baixar um filme for rapidinho, e isso é amanhã, o filme será consumido em casa. Aí sim os números vão explodir. Mas o perigo ronda, os critérios já deverão estar desenvolvidos de modo a garantir o sustento de Hollywood, a música já deverá ter feito o trabalho sujo. Filme no cinema só alguns, pirotecnias como colcar escafândro pra mergulhar são superadas rapidamente…nada é melhor que o conforto do lar ao lado dos entes queridos…o resto é sacada, tiro curto, não se iludam.
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26/01/2010 - 16:31 Enviado por: Radical Livre
Este negócio que cinema é bom em casa é, claro, uma questão de opinião.
Este negócio que as cidades estão perigosas, pode ser verdade. Mas eu tenho mais ou menos uns vinte cinemas perto de casa – e vou de bicicleta, deixando-a presa em um poste.
Sair de casa só é perigoso para quem não gosta da rua. Ou você sai do trabalho e se tranca em casa todo dia? Não vai a restaurantes, shows, teatro, passeios de lazer etc?
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26/01/2010 - 13:18 Enviado por: Anrfel
Revolução tencológica permanente para, mais do que nunca, impor o meio como a mensagem. Quanto tempo vai durar? Filmes (qualquer gênero) rendem melhor no cinema, o avanço da técnica já foi uma maneira de melhor contar a história, passar a idéia. Não se assiste a um filme 4 ou 5 vezes apenas pelos efeitos especiais, eu acho. Posso estar errado, talvez esteja. Fazer o quê? Aguardar e acompanhar, como sempre.
Em tempo: bem-vindo de volta, Pedro. Dá um jeito nesse troço da página recarregar sozinha e a gente perder o que escreveu.
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26/01/2010 - 13:20 Enviado por: Robertão
a grande vantagem do cinema são os shoppings. é o parque de diversões moderno. voce passeia, lancha ve^as lojas e vê o filme.
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26/01/2010 - 15:10 Enviado por: Alba
Hollywood, sem dúvida, conseguiu aproveitar a escassez para produzir uma mercadoria de formato deslumbrante (Vi em 3D) . E, embora eu não consiga esquecer um comentário do Ricardo Cabral apontando o layout dos naa’vi muito parecido com as capas dos discos de Santana dos anos 70, o que chama a atenção é algo apontado por vários aqui, como o James, o Beni Borja, o Gil Lopes. A indústria parece ter um encontrado uma solução TEMPORÁRIA contra o sangramento virtual, mas vai arrastando alguns bons cadáveres no caminho, como se lê aqui: http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/01/26/ult4332u1441.jhtm
Isto sem falar dos filmes com atores consagrados, do tipo Anthony Hopkins e roteiro muuuito mais elaborado do que o de Avatar e que simplesmente não pagaram os custos de produção.
Sou sempre otimista e acredito que as salas de cinema continuarão a funcionar, mas não dá pra negar a infantilização do conteúdo, sempre redondinho, como em Avatar e outros. Não fossem as belas imagens, seria possível prever a próxima cena sem a menor dificuldade.
De toda forma, é estimulante ver tantas transformações num período de tempo tão curto.
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26/01/2010 - 22:40 Enviado por: Victor Serrão
Obrigado por voltar!
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28/01/2010 - 19:38 Enviado por: Bufo
Sem querer ser chato, mesmo sendo (e citando o padre Quevedo), mas essa grafia iMax non ecziste! A grafia oficial é tudo em caixa alta, IMAX, remetendo às telas gigantes. Se a caixa alta for problema, Imax também é aceitável, mas iMax tem 2 problemas: o i em caixa baixa seguido por letra em caixa alta hoje em dia representa interatividade/internet nada a ver com IMAX onde o I é de image(m). Outro problema é que fica parecendo que é produto da Apple, mas por mais incrível que pareça, o IMAX é mais antigo que a empresa do Steve Jobs.
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28/01/2010 - 23:43 Enviado por: Chesterton
Muitos cinemas terão que optar entre upgrade e virar igreja. Viva a destruição criativa (não a destruição destrutiva bolivariana). Mas é isso mesmo, o termo escassez é bem colocado. Sessão de cinema em casa só não é pior que ser convidado para ver álbum de casamento.
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29/01/2010 - 13:53 Enviado por: gil lopes
bem…vamos olhar por outro lado uma vez que tem bairros por aí maravilhosos, cheios de jardins e bicicletas, segurança total, bairros onde dá gosto sair pelas ruas limpas, sem qualquer sinal de violência, uma beleza. Pois mesmo assim, os filmes, as músicas, os livros, e todo entretenimento vai para a telinha de casa, ou de onde o freguês preferir…muito mais barato. Se somarmos o preço do estacionamento, da gorjeta, e de tudo que envolve a voltinha no shopping…shopping? compra pela internet que é mais barato…mesmo assim, o aconchego do lar a custos mais baratos, vence. Custa menos e, com os filminhos de hoje em dia( no future, o amanhã já é hoje)…melhor pagar menos por eles.
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Mas calma, evidente que algumas salas permanecerão, poucas e boas, as melhores, com muitos serviços e cobrando bem caro…só para os ricos. Todo mundo vai consumir pela Tv, pela telinha, barato, rápido, instantâneo, muito melhor para o mundo todo ao mesmo tempo…ou seja, o faturamento será estrondoso, as cópias para salas, tudo isso acaba..é instantâneo.
Mas só quando a música já tiver feito o trabalho sujo…vamos a isso. Monetizar a circulação de arquivos, tudo fica mais barato e melhor, a economia gira e cria empregos, o desenvolvimento floresce. E até nós poderemos novamente participar, com um mercado imenso como esse que temos nossa capacidade de geração de riquezas também é imensa. Quem aposta contra isso quer o que? -
29/01/2010 - 14:02 Enviado por: gil lopes
“Hollywood aprendeu alguma coisa com a debacle da indústria fonográfica, a primeira a tomar o tsunami digital na cabeça”
Quem ainda acredita nisso? Quem acredita em papai noel? quem acredita que o avanço tecnológico é um acaso, um tsunami…francamente…quem não percebeu ainda o que se passa com a indústria da música e do seu papel pioneiro no desenvolvimento da nova plataforma? Quem ainda não percebeu o rumo das coisas?…é típico, difundem uma historinha pra enganar trouxas e a coisa pega, vira lenda…estamos perdendo por isso, por essa propaganda que serve a uma política anti cultural entre nós. Vamos olhar de frente o que se passa e vamos agir ao invés de ficar repetindo bobagens.
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