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Pedro Doria
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Revolução Digital: o fim da escassez de informação

  • 22 de janeiro de 2010|
  • 10h03|
  • Por

Se eu fosse um estudante de história, hoje, com mestrado ou doutorado à frente, me dedicaria a examinar a Europa no século entre 1450 e 1550.

Mas, antes, um pulo ao presente.

Não é difícil explicar como as tecnologias digitais viraram o mundo de cabeça para baixo. Começa com um conceito econômico básico: escassez. Se há demanda por um bem escasso, haverá gente disposta a pagar para tê-lo. A indústria que lida com informação – não só jornais como cá o Estado, mas também livros, música, cinema e tantos outros – se baseava na escassez de dois bens. Fazer cópia de informação – livro, disco, filme – era caro. E distribuir a informação copiada para vários pontos de uma cidade, estado ou país, era igualmente caro.

Tecnologias digitais, a internet entre elas, jogou o preço no chão. Não é de graça – banda larga, afinal, tem lá seu custo, computador e celular de ponta também – mas comparado ao que havia antes, é quase de graça.

Avatar custou 500 milhões de dólares para ser feito. É um filme particularmente caro. O problema é que filmes como Atividade Paranormal – 15.000 dólares – são também exceção, não regra. O preço de um bom filme está, no mínimo, na casa dos centenas de milhares. Sempre foi caro. Cidadão Kane, de 1941, saiu por 690.000 dólares (dá uns 10 milhões ajustando pela inflação). Mesmo o cinema independente: O Acossado, de Jean-Luc Godard, custou 82.000 dólares em 1960, 587.000 em dinheiro atual.

Tecnologia digital barateou equipamento, mas gente continua precisando de dinheiro. Bom fotógrafo, iluminador, figurinista. O que dá a um filme uma certa estética à qual nos habituamos é um conjunto grande de profissionais. El Mariachi custou 7.000 dólares em 1992. É um excelente filme B e lançou seu diretor, de Robert Rodriguez, para a fama. (Rodriguez fez de tudo nas filmagens.) Seu segundo filme, Desperado, saiu por 7 milhões. Bons filmes podem ser feitos por muito pouco, mas a economia tem efeitos imediatos na estética. Se, em algum momento, a indústria do cinema for incapaz de pagar pela produção, passaremos a ter filmes fundamentalmente diferentes. Nenhum juízo de valor aqui. Mas algo terá sido perdido.

O que sempre pagou o preço foi a exploração do fato de que copiar e distribuir era caro. Eram poucos os lugares nos quais se podia ver um filme. Com controle quase total sobre quem copiava e distribuía, muita gente fez fortunas ainda que pagando altos custos de produção.

Um elemento ainda protege a indústria do cinema. Os arquivos são grandes. As gravadoras foram duramente atingidas por volta de 2000, no momento em que modems mais rápidos e o início da banda larga fizeram com que a transferência de arquivos de música pela rede se desse em poucos minutos. E banda larga, evidentemente, aumenta de capacidade a cada ano.

Cinema é só um exemplo. Toda indústria que lida com informação está sendo atingida de uma forma ou de outra. Não é a primeira vez que algo assim ocorre. A imprensa de Johannes Gutenberg entrou em operação no ano de 1450. Não teve repercussão imediata na vida de seu criador, que morreu falido. Mas espalhou-se pela Europa toda nas décadas seguintes, barateando violentamente o preço da cópia de informação. Um século após, o continente estava completamente transformado.

Muitos livros e ensaios foram escritos para tratar dos efeitos da tecnologia de impressão. São amplamente conhecidos. Mas apenas um livro – The Printing Press as an Agent of Change, de Elizabeth Eisenstein – foi escrito para tratar das ansiedades e desconfianças do momento em que a mudança ainda estava ocorrendo.

É o período fascinante em que vivemos.

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116 Comentários Comente também
  • 22/01/2010 - 11:00
    Enviado por: Darwinista

    Pra um futuro não tão distante, quem quiser vender cinema terá que produzir filmes de distribuição direta na rede. É a adaptação forçada aos novos modos de consumo de cultura.

    Cinemão, só pra filmes independentes e pras ultra-mega-blaster produções tipo Avatar.

    Aliás, o 3D é o último suspiro do cinema como conhecemos. Daqui a alguns anos, ele virará coisa restrita a cineclubes.

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    • 22/01/2010 - 11:06
      Enviado por: Pedro Doria

      Caramba, Darwinista, afirmação bombástica! =)

      Não tenho tanta certeza, sabe. Acho que muita coisa que nem imaginamos ainda pode ocorrer. Na verdade, acho que de todas as indústrias envolvidas, a do cinema é aquela com as melhores perspectivas de continuar em um modelo parecido com o atual.

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    • 22/01/2010 - 11:30
      Enviado por: Confetti*

      ainda nao vi filme distribuido exclusivamente na rede, mas ja ha livros inteiros, cds e curtas ! mas isso “democratiza” o acesso ou…restringe ? afinal, computador e celular turbinados custam caro…seu fulano sem grana arrisca nem nunca ouvir falar…ainda nao existe “bolsa revoluçao digital”…

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    • 22/01/2010 - 22:18
      Enviado por: Chesterton

      é mais barato ir ao cinema que fazer downloads e ter equipamento mínimo para se assistir COM qualidade filmes.
      Se o dono do cinema for esperto e criar um “clima”, nunca vai acabar.
      Basta ver as crianças, lotam os filmes (para ver outras crianças?) que são feitos para elas e são bem promovidos. Aí talvez a pirataria (sim, downloads sem pagar é pirataria) pode até estimular a ida ao cinema.
      Preço x qualidade, a chave de tudo.

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    • 23/01/2010 - 08:36
      Enviado por: HRP!

      O cinema se renova a cada dia…..e essa industria tentacular não se deixará envolver por esse tipo de massificação..

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  • 22/01/2010 - 11:24
    Enviado por: Confetti*

    é possivel tbm que o conteudo digital – muitos, todos ? -seja pago ! com a migraçao atual e constante de usuarios da imprensa tradicional para o web, os sites serao obrigados a rever as modalidades de acesso…o nyt ja vai cobrar leitura mais detalhada de seu site…

    nao acho que produçao cinematografica e jornalistica estejam no mesmo nivel de “transformaçao” na rede

    salut winis e pd !

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    • 22/01/2010 - 11:50
      Enviado por: Pedro Doria

      Confetti*, acho que todos serão afetados de formas absolutamente diferentes.

      A mudança econômica que afeta todos é a mesma. Mas, vc tem razão, o impacto em cada um será diferente. Me lembra Anna Karenina: ‘Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma do seu jeito.’ ;-)

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  • 22/01/2010 - 11:36
    Enviado por: Darwinista

    Argh!!! Perdi tudo que escrevi pq a página recarregou sozinha!

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  • 22/01/2010 - 11:46
    Enviado por: Darwinista

    PD,

    Acho que exagerei um pouco no “alguns anos”… :-)

    Mas realmente não acredito que o cinema como a gente conhece se sustente por muitos anos. As produções ficam cada vez mais caras, e a distribuição ilegal só aumenta. Além disso, o acesso cada vez mais fácil a telas maiores torna a experiência do cinema em casa mais e mais prazerosa. Porque alguém encararia filas enormes, funcionários mal preparados e sujeitos mal educados falando ao celular, se pode assistir ao mesmo filme sentado em seu sofá? Aliás, isso já acontece muito hoje, com DVDs e telinhas de plasma. Imagine em 20 anos.

    Meu lado Julio Verne me faz pensar que o cinema do futuro vai ser um lance interativo, holográfico, algo como o holodeck do Jornada nas Estrelas – Nova Geração (odeio meu lado nerd). As salas terão que ser todas readaptadas. Por isso eu acho que o 3D é o canto do cisne do cinemão.

    Salut, confa!

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    • 22/01/2010 - 11:52
      Enviado por: Pedro Doria

      Darwinista, já concordei com você. Já pensei exatamente isso. De pouco tempo para cá, mudei de ideia. Tenho um post na manga sobre isso =)

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    • 22/01/2010 - 11:53
      Enviado por: Confetti*

      3D com aqueles oclinhos fajutos tbm esta vivendo seus ultimos dias…certeza que alguém ja deve estar inventando algo pra substitui-las no MIT….

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    • 22/01/2010 - 12:05
      Enviado por: Rodrigo Santos

      Heheh todo nerd sonha com o holodeck… ao menos que seja um nerd de Star Wars :-P

      Eu já acho que a experiência interativa, como os modernos games RPG (ainda não chegam perto do holodeck, claro), e o cinema, onde vc assiste passivamente alguém te contar uma história, são formas diferentes de entretenimento. Ambas vão ter sempre o seu lugar. Ainda que o cinema possa sim, assim como o PD disse, mudar fundalmentalmente o dia em que não existir mais orçamento “indiscriminado” pra se fazer filme.

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  • 22/01/2010 - 11:57
    Enviado por: Confetti*

    ( tou procurando aqui uma conferencia informal de godard comentando o que teria sido “acossados” na era digital…foi na université de genève ano passado…)

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  • 22/01/2010 - 12:07
    Enviado por: Rodrigo Santos

    Pessoalmente, não vejo a hora de ter streaming de filmes em tempo real na minha TV. Todos os filmes já feitos, na ponta dos dedos. Não deve demorar muito.

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  • 22/01/2010 - 13:19
    Enviado por: Paulo Roberto Silva

    Interessante o paralelo entre o período pós Guttenberg e o atual, em termos de mentalidade. Em um aspecto, pelo menos, eu havia identificado semelhanças. Hoje, com as tecnologias de recuperação de pergaminhos antigos, é possível identificar conceitos científicos até então atribuídos a pensadores da Renascença sendo usados e elaborados em plena Idade Média. Contudo, a proliferação dos originais impressos, em contraposição à limitada disponibilidade de manuscritos copiados do passado, acabaram impondo uma barreira para quem quisesse pesquisar informações pré 1450. O que deu a impressão de que a Idade Média teria sido um período fraco em produção cultural.

    Recentemente tentei fazer um levantamento rápido de notícias sobre determinado tema na década de 1990 em comparação com os anos 2000. O período pós 2000 estava todo disponível da web, com direito a cruzamento de informações. Os anos 1990 só estavam disponíveis em uma hemeroteca pública, e um dia inteiro de pesquisas rendeu apenas uma notícia. A barreira existente é similar à gerada pela imprensa em 1450.

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  • 22/01/2010 - 13:25
    Enviado por: Jåµë§

    :: O cinema no Brasil está realmente fadado apenas às grandes produções. Não sou o único que vai ao cinema hoje em dia para ver apenas filmes que que a telona diferencia, tais como aqueles baseados quase que inteiramente em efeitos especiais.

    Comédias românticas, suspenses psicológicos e afins são, hoje, consumidos em casa, no DVD ou no PC mesmo.

    –x–

    Uma possível consequência é a qualidade de roteiro. Avatar é apenas MAIS UM dos filmes que embasbacam no visual mas que toda agrana foi gasta com CGI, não com roteirista – o filme, IMHO, é uma bosta.

    –x–

    Entretanto, acho que toda mudança tem seu valor. Afinal, o homem não inventou a lâmpada tentando melhorar a vela.

    Em tempo: com 12Mbits do Virtua já se baixa filmes de 4GB em questão de meia hora, right?

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  • 22/01/2010 - 13:26
    Enviado por: Jåµë§

    :: Confetti, esses óculos são ótimos no verão… pra espalhar conjuntivite.

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  • 22/01/2010 - 13:29
    Enviado por: Jåµë§

    :: Em tempo2: o HoloDeck é uma cópia da Sala de Perigo dos X-Men, praticamente.

    Pra ver como o sonho é mais antigo.

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    • 22/01/2010 - 14:05
      Enviado por: Darwinista

      Ainda bem que, onde quer que você vá, sempre vai ter alguém mais nerd que você… hehehehe

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  • 22/01/2010 - 14:00
    Enviado por: Nat

    Achei muito legal seu comentário, Paulo. Eu tive essa discussão há uns anos atrás, mas justamente ao contrário. Eu trabalhava na Biblioteca Nacional, com a digitalização dos microfilmes do JB da década de 70.

    Naquela época (2001, 2002), os arquivologistas reclamavam das facilidades da internet. Para eles, a disponibilização do documento a um público mais vasto e mais rápido atrapalhava diversos processos de avaliação e categorização da informação.

    Não que eles estejam incorretos, nem todo mundo sabe bem utilizar a informação a que tem acesso, mas a arquivologia hoje (que já virou gerência da informação) trabalha no sentido não só de disponilizar a maior quantidade de informação possível na melhor mídia disponível mas também com a correta classificação de origem e acesso a mesma.

    Minha tia é uma das arquivistas influentes na cidade e está agora fazendo um MBA em gestão de documentação. Ela é totalmente adepta da informação 2.0 que é esta nova geração de internet (não é futuro, já está acontecendo) onde a interatividade é a regra básica. Na web 2.0 a informação necessariamente é disponível a todos, sem exceção, não havendo mais documentos restritos nas esferas privadas e públicas. É claro que isso também é uma utopia, pois sempre haverão segredos de estado e informações privilegiadas de empresas, mas o que mais me interessa é saber como o usuário comum vai lidar com o processamento de toda a informação.

    Na minha modéstia opinião, essa análise vai ser terceirizada na web 2.0. O produtor da informação vai disponibilzá-la sem restrições, alguém especializado em interpretar essas informações (existe uma brasileira com fama internacional que trabalha nisso , melhorando os métodos de visualização da informação) e o usuário final, que já vai pegar essa informação de certa maneira revisada.

    Analisando amplamente, não mudará na essência da apreensão da informação e sim na disponibilização dela. Quem tiver mais interesse ou mais conhecimento vai, da mesma maneira, deter mais informação do que os outros.

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  • 22/01/2010 - 14:10
    Enviado por: Paulo Roberto Silva

    Pois é Nat, esta é uma diferença entre 1450 e 2000. Lá, o custo da impressão ainda era elevado, e não havia demanda que bancasse a impressão de grande parte dos manuscritos que estavam nos arquivos. Por isso muitos manuscritos permaneceram desconhecidos. Hoje o custo da digitalização é competitivo para que inclusive projetos sem fins lucrativos possam investir na digitalização. outro dia encontrei um pdf do original de uma obra de Giambattisti Vico, publicada no início do século XVIII, no Google Books.

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    • 22/01/2010 - 14:24
      Enviado por: Pedro Doria

      E é aí que está o pulo do gato, Paulo Roberto Silva.

      De fato, no século 16 o custo de impressão era muito caro. Mas era incrivelmente mais barato do que o custo de cópia apenas 50 anos antes. Copiar informação era coisa que só a Igreja, reis e meia dúzia de Médicis tinham condições de fazer. De uma hora pra outra, uma gama de comerciantes passou a ter acesso ao negócio e o número de leitores multiplicou-se, rapidamente, para a casa dos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares.

      A revolução atual é muito maior. Mas, proporcionalmente, é semelhante ao que ocorreu naquele tempo.

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    • 22/01/2010 - 14:33
      Enviado por: Paulo Roberto Silva

      Exato, PD. Mesmo as cópias mais baratas, usadas por estudantes das universidades medievais, ainda eram mais caras que as cópias impressas. O ponto é que naquele momento não valia a pena imprimir todo texto que tivesse manuscrito, apenas os que tinham maior demanda. Ou seja, Homero, Platão, Aristóteles, Virgílio, a Bíblia e pouca coisa mais. Textos lidos em qualquer universidade da época.

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    • 22/01/2010 - 14:37
      Enviado por: Nat

      A hierarquia, entretanto, continua a mesma. Só que antes era uma questão de dinheiro (quem tinha dinheiro pra pagar a impressão ou comprar os livros, tinha maior acesso). Hoje é questão de educação (não gosto de usar essa palavra, mas não sei que outra usar, no sentido de quem tem maior conhecimento ou maior interesse, saberá o que fazer com a informação).

      Para esses próximos anos, será interessante ver essa troca de moeda. A “inteligência” e “educação” vão valer mais do que dinheiro. Mas, é óbvio, o dinheiro (pelo menos no Brasil) ainda é primordial para a educação de qualidade.

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  • 22/01/2010 - 14:27
    Enviado por: Max Malone

    Analogia perfeita! Realmente como em 1450 estamos no limiar de um novo mundo. Fico ansioso para descobrir o resultado dessa revolução.
    Parabéns PD sempre grandes idéias.

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  • 22/01/2010 - 14:45
    Enviado por: RICARDO CHAPOLA (CHAPS)

    Grande PD, de volta à blogosfera.
    Sou calouro, mas já o conheço bem. Era freqüentador de seu antigo blog e assim que soube de sua volta (a qual, se me permite, chamar de GLORIOSA), vim para cá “correndo”.
    Cinema. Bem… Sobre ele, tenho uma concepção bem semelhante daquela já discutida por meu caro amigo Darw. É algo que está em gradativa extinção. Acredito que meus filhos não terão o privilégio (pelo menos, eu acho que seja) de ver o bocado de cadeirinhas almofadadas dispostas numa sala escura enquanto se passa numa baita tela branca esticada lá na frente um filme.
    Como Darw mesmo disse, qual o motivo disto existir se posso desfrutar de tudo isto no conforto de meu lar? E ainda contando com vários outros agravantes que reforçarão esta tendência. As tv’s andam ganhando dimensões maiores, a qualidade da imagem acompanham o aumento, a do som também… O mercado ajuda a estimular o fim do cinema!
    Pessoalmente, eu gosto do cinema, daquela sala cheia de gente mastigando pipoca que, sim, atrapalham hora ou outra. Mas esta é a graça do negócio. Dividir com pessoas de todos os tipos de pessoas (feias, chatas, inconvenientes, bonitas, fedidas e por ai vai), o momento de lançamento de um filme. Quando ele morrer, vou lamentar.

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  • 22/01/2010 - 14:55
    Enviado por: Felipe

    É fato que a indústria da música foi muito mais afetada que a do cinema. O consumidor hoje pode optar por baixar todo um álbum, mas também pode querer apenas as músicas a seu gosto. Isso muda bastante a forma da indústria vender seus artistas e seus produtos.

    Com relação ao cinema, eu acho que o buraco é mais embaixo. Apesar de toda a tecnologia que podemos ter em casa, a sensação de ir ao cinema ainda é única. Claro que para a maioria do público não é isso que importa, e sim assistir ao filme e se divertir. Vale lembrar que a industria do cinema hoje tem sobrevivido mais da venda de DVDs do que propriamente das bilheterias de cinema. Os filmes em 3D e em formato IMAX podem ser o futuro, mas ainda são caros, ou seja, provavelmente serão poucos os filmes que virão com essas tecnologias (somente aqueles com garantia de retorno).

    Algumas pessoas (James Cameron entre elas) já trabalham para desenvolver a tecnologia 3D, para que o público possa assistir aos filmes sem os famigerados óculos, por exemplo. Já se fala também em aparelhos de TV com essa tecnologia, que, ao se popularizarem, obrigarão a industria do cinema a pensar em uma outra solução para seus problemas. E assim caminha a humanidade!

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  • 22/01/2010 - 14:59
    Enviado por: Felipe

    Ah sim, já ia esquecendo.

    O Youtube divulgou essa semana que vai disponibilizar para aluguel cinco filmes que competirão no festival de Sundance deste ano. Sundance é o maior festival de cinema independente dos EUA.

    A notícia pode ser lida aqui: http://dn.sapo.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1476046&seccao=Media

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    • 22/01/2010 - 15:11
      Enviado por: Darwinista

      É uma das últimas pás de cal no comércio de aluguel físico de filmes.

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  • 22/01/2010 - 15:01
    Enviado por: Nat

    O Monsores lembrou algo interessante. Mesmo eu acreditando que mudará a moeda de troca nos próximos anos e me preocupar como o usuário vai processar a informação (já que acredito que toda e qq informação vai estar disponível em breve), o que realmente importa, no entanto, é descobrir como o cérebro absorve as informações em cada ser humano.

    De nada adianta dar alguma coisa que o ser humano não consegue receber. A neurolinguística e neurociência, independente do meio, podem levar a informação direto ao usuário alvo de maneira que ele entenda e absorva o conteúdo.

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  • 22/01/2010 - 15:03
    Enviado por: Cláudia

    Sud Menucci e Sorocaba, ambas no interior de São Paulo, apresentam experiências interessantes em termos de amplliação do acesso à internet por banda larga. Em Sud Menucci a prefeitura está bancando o acesso geral à internet via banda larga wireless e acabou provocando uma mini-revolução econômica na cidade já que nunca se adquiriu tantos computadores como agora. Em Sorocaba foram criados diversos ambientes de acesso wireless em locais públicos o que é bem legal porque privilegia o convívio social.

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    • 22/01/2010 - 15:24
      Enviado por: Nat

      No Estado do Rio já existe isso (há quase 8 anos). Quissamã tem 100% do seu território coberto por internet banda larga gratuita, a QuissaNet. O cidadão só precisa comprar o modem e levar o IPTU do imóvel para fazer o registro.

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    • 23/01/2010 - 11:20
      Enviado por: RW in Miami

      Miami Beach tambem tem Wi-Fi gratuito disponivel para qualquer um que esteja na cidade. Nao e’ o mais rapido do mundo, mas ja e’ um adianto….

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  • 22/01/2010 - 15:10
    Enviado por: surfando na jaca

    Pedroca (com todo respeito), pensei em reportar uma conversa que tive com um renomado músico de estúdio. Ele confessava o barateamento que a tecnologia teve para a produção cultural, especialmente na música. Havia criado seu próprio estúdio de gravação sem muitos gastos e com qualidade desejável. Fabricara seus cds e fora vender. Eis o problema da tecnologia barata, não conseguira nem divulgação e nem postos de venda. Ficando tudo mais difícil em termos de faturamento. A lentidão imensa do público pra saber que realizara o trabalho fêz-lo desistir da empreitada.
    Pois é, democratizou, mas não tornou viável economicamente os independentes.

    Obs: Eu não deixaria meu pai solto e xingando todo mundo no Firula (com todo respeito). Que será que deu no Emérito? Está irreconhecível e tenho todo respeito pelo digníssimo. Não posso mais revidar.

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  • 22/01/2010 - 15:12
    Enviado por: surfando na jaca

    fê-lo. Podia ter aquele treco de corrigir. Salve o pai emérito daquela espelunca!

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  • 22/01/2010 - 16:00
    Enviado por: Radical Livre

    O Cinema não é nada. A distribuição digital vai chegar já já ao Brasil (só falta a Banda larga se alargar um pouco mais) e vai matar muito cinema por aí. Eu, pessoalmente, ainda acho que nada se compara à experiência de ver um filme (qualquer filme) num telão de 12 metros, numa sala escura com som de qualidade.

    Agora, Preparem-se para pirataria em e-books. Conteúdo pequeno (1MB, no máximo)e mal-protegido por DRM (fácil de quebrar, como sempre). Vai estourar nos próximos anos, juntando as editoras às gravadoras na reclamação contra a pirataria.

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  • 22/01/2010 - 16:22
    Enviado por: Rafael

    Nada sobre a paywall do NY Times, Pedro? :P

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    • 22/01/2010 - 20:18
      Enviado por: Pedro Doria

      Rafael, não tenha dúvidas de que ainda vou chegar no assunto pay wall. No caso do NYT, eles mesmos ainda não sabem com detalhes o que farão. Tomaram a decisão macro pelo modelo do taxímetro e a partir daí precisarão detalhar.

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  • 22/01/2010 - 16:34
    Enviado por: shirlei horta

    (Já fiz 3 ou 4 comentários, todos passados para o mundo do faz-de-conta, estou tentando de novo. De novo, também, beijo para confetti!)

    Esse assunto é fascinante. De prima, tenho que discordar do darwinista: duvido do fim do cinema, do fim do livro, do fim do jornal impresso etc. Tudo no mercado tem seu nicho.

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    • 23/01/2010 - 06:17
      Enviado por: Confetti*

      shirlêee! beijos e que bom vc de novo na minha tela!

      navegar impreciso ta ficando bom pra caramba!
      todo mundo caprichando na caligrafia !

      =))

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  • 22/01/2010 - 16:36
    Enviado por: shirlei horta

    Agora foi. Mas ainda não dá para ler os comentários, porque a página recarrega e mata de ódio, nojo e raiva!

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  • 22/01/2010 - 17:15
    Enviado por: Proftel

    Algumas coisas me preocupam outras deslumbram.

    O que mais preocupa é o descarte dos equipamentos dada a velocidade dos avanços tecnológicos. Um computador com ano e meio de uso é “tralha”, celular então, com seis meses ou menos muita gente joga na parede.

    Na Europa dos séculos XIII e XIV que o Pedro Doria citou não havia isso.

    No meu conceito de tecnologia há várias formas de transmissão, armazenamento e criação cada vez mais rápidas e “grandes” (no que tange ao armazenamento).

    Imagino daqui uns anos a seguinte cena: Um cidadão chega em casa cansado, toma um banho, janta, conversa com a patroa, vai para o escritório, senta numa cadeira confortável (dessas onde hoje assistimos TV), coloca um óculos que na ponta da haste também conecta fones de ouvido e um pequeno microfone, pluga ele num equipamento do tamanho d’um videogame e visualiza tudo em 3D, sensores externos no “óculos” captam os movimentos dos dedos, mãos, antebraços, tronco até pernas.

    Daí pra frente não precisa teclado nem mouse.

    Assistiremos tudo, ouviremos e falaremos, a expressão corporal para envio do que hoje entendemos como “webcam” seria reproduzida por programa pré alimentado com dados biométricos.

    Coisa de doido não é, toda essa tecnologia está disponível aqui e alí, está espalhada, um dia provavelmente isso tudo será juntado e talvez se concretize minha intuição.

    :-)

    :-)

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  • 22/01/2010 - 17:35
    Enviado por: Paulo

    Boas a todos, embora seja assiduo participante de outros Blogs do OESP, nunca estive por aqui, me permitam:

    Acho prosaico esse prazer de exercitar futurismo, em todo caso me permitam tocar em alguns pontos críticos desprezados nos posts mais otimistas:

    1. Humberto Eco ponderou, já ha algum tempo, sobre o excesso de informação, nessa seara a diferença entre ter tudo e ter nada é nenhuma, o problema é cognição e produção de sentido e não acesso e quantidade.

    2. A medida que tudo e todos querem ser vistos, ser visível passa a ser um problema muito maior, logo mesmo que se edite e distribua a custo muito baixo ser irrelevante vai ser regra, já que ser relevante vai ser difícil e muito mais caro.

    3. O turma da digitalização enfrentará um problema gravísssimo, a retro compatibilidade dos conteúdos digitais, ou por acaso vcs acham que a disputa entre as mega-hiper-super-coporações tecnológicas vai acabar?

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  • 22/01/2010 - 17:37
    Enviado por: Ricardo Cabral

    Salve Pedro, faço a minha primeira participação na casa nova, que espero ver tão bem-sucedida quanto os espaços anteriores por onde você já blogou.

    Sobre o tema, de fato as possibilidades de produção e de reprodução (cópia mesmo) oferecem alternativas cada vez mais baratas, o que não significa que novos gargalos não tenham surgido. A distribuição é um deles, especialmente pelo lado da propaganda em relação ao produto — seja livro, filme/vídeo, peça de teatro, notícia de er, jornal —, que no vasto e disperso universo da internet não tem a mesma “garantia” de ser visto como antes, quando havia apenas TV, jornais e semanários divulgando esses produtos (com matérias genuínas e também pagas). Ao mesmo tempo, algum custo segue existindo, e como a margem de lucro parece cada vez mais estreita, a tendência é a de menor qualidade em alguns desses produtos, e ainda não vejo muito como isso melhorará.

    Claro, há diferenças em cada setor. Na indústria fonográfica, já era mesmo hora das mega-corporações perderem todo o poder que tinham sobre o processo. Mas vejo um problema na qualidade do que é veiculado nas mídias tradicionais, que me parece ter baixado muito (é um achismo, não tenho dados concretos), como se quem ainda tem algum poder na distribuição optasse apenas por produtos de venda praticamente certa — o trio pagode meloso, música breganeja e axé, além de um R. Carlos da vida e um ou outro funk —, jogando todas as suas fichas nisso, e o resto que vá pelas vias alternativas de micro-distribuição.

    O cinema é diferente. Segue existindo a grande indústria (Hollywood, mas tb os “locais” Bollywood e Hong Kong), que a despeito do custo de um Avatar, segue investindo parte considerável dos milhões não no aspecto técnico da película, mas em marketing, massificação a não poder mais. Mas vejo um retorno do cineclubismo que dá esperanças ao cinema mais autoral e supostamente independente (o termo não é bom, mas paciência, fico com ele), ironicamente facilitado tanto pela extinção das grandes salas de cinema de rua, quanto pelos avanços tecnológicos (filme digital, internet de banda ultra-larga) que barateará um pouco mais a distribuição.

    E como já está ficando grande demais, deixo tanto a crise da mídia tradicional (cobra ou não cobra pelas notícias? Dará certo com o NYT?), assim como o assunto dos livros e as discussões sobre e-readers para outro momento, por mais que o debate tenha sido intenso nas últimas semanas na blogosfera brasuca.

    Abraços a todos, em especial aos conhecidos

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  • 22/01/2010 - 17:42
    Enviado por: Giovanni Orvietto

    O css ainda está terrível no Chrome… arrumem essa formatação! Já ouviram falar de reset CSS?

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    • 22/01/2010 - 20:51
      Enviado por: Pedro Doria

      Giovanni Orvietto, que problema vc está vendo? Daqui, parece tudo direito.

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  • 22/01/2010 - 18:00
    Enviado por: Proftel

    Só uma curiosidade, alguém aqui já ouviu falar d’um filminho brasileiro chamado “Cassiopéia” ?

    Pois bem, este filme foi o primeiro digitalizado no mundo, é brasileiro, conheci um carinha que trabalhou numa máquina (se não me engano) com processador AMD K6-2-500, placa de vídeo off board de 64Mega e com 256 de memória RAM, não lembro direito a configuração, isso foi em 1994 ou 95, o filme foi lançado em 96.

    Hoje um processador desses não se acha nem no lixo do lixo (apesar d’eu ainda ter duas máquinas com eles que rodam XP de boa, um dia dôo pr’um museu).

    O grande segredo na minha área (hardware/software) é “azeitar” a máquina, compatibilizar (odeio essa palavra) processador, memória, HD com o Sistema Operacional.

    Se pego uma máquina antiga, provavelmente ela não rodará um Windows da época dela na Rede, muitos recursos atuais não são mais disponíveis.

    A solução é instalar um Linux atual compatível com o hardware (isso é canseira mas funciona, “caçar” drives de Linux pra hardware antigo é de lascar, por vezes só se consegue configurar “na unha” mas, funciona, essas maquininhas velhas por vezes “abrem” janelas e processam mais rápido que alguns “core-qualquer-coisa” com Vista ou XP.

    Guardem bem isso, um bom Técnico sabe “azeitar” uma máquina.

    :-)

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    • 22/01/2010 - 20:32
      Enviado por: shirlei horta

      Ih, Profi, sabe o Clóvis, o diretor? Foi meu primeiro diretor de teatro, num concurso de poesia (olha como eu sou fofa!) em mil oitocentos e… nem lembro….

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    • 22/01/2010 - 22:57
      Enviado por: Colafina

      Proftel, eu também ainda tenho um AMD K6-2-500, é o nr.3 da rede, tá meio baleado precisando de cuidados, mas ainda ativo! :-)

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    • 23/01/2010 - 09:18
      Enviado por: HRP!

      Alex:
      Cassiopéia ficou pela metade muito tempo e aí veio Toy history

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  • 22/01/2010 - 18:42
    Enviado por: Carlos

    O período entre 1300 e 1600, incluindo-se aí a história da imprensa, é bem estudado. Não precisa de um doutorado para saber como era, a bibliografia é farta. Abs.

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    • 22/01/2010 - 20:23
      Enviado por: Pedro Doria

      Carlos, é evidente que o período é vastamente estudado.

      Mas procure literatura específica sobre a maneira como a distribuição da imprensa repercutiu durante sua evolução. Há muito sobre em que resultou, quase nada sobre como foi o processo. Quase nada sobre o durante.

      No entanto, de repente vc conhece algum livro que eu não conheça…

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    • 24/01/2010 - 23:19
      Enviado por: Carlos

      Essa não é exatamente minha área, PD, estou mais envolvido com as leituras dos livros clássicos da Antigüidade e a imprensa é apenas um tema a mais. Os clássicos, porém, eram os livros mais desejados. Talvez tenha alguma coisa nos livros do Anthony Grafton (http://www.youtube.com/watch?v=2tUCbClRPXg), que é uma das referências para o período e o tema; um dos últimos livros dele, Codex in Crisis, parece falar sobre o tema, mas infelizmente não conseguirei colocar a mão nele tão cedo. A imprensa foi importante para a padronização da língua, sobretudo a recuperação do latim e a popularização e padronização das línguas vulgares. Não devemos olhar apenas a tecnologia de impressão, mas também a tecnologia de leitura. Isso vale tanto para o codex quanto para a internet. O livro supõe atenção contínua; o jornal fragmenta os conteúdos no espaço, o que supõe por sua vez uma disciplina de leitura diferente. Apenas no século XIX a sociedade precisou de informações fragmentadas, e por isso o jornal foi inventado e se popularizou. A tecnologia de impressão já existia há séculos. Outro ponto é que ao contrário da internet, ela não estava apoiada no ensino público, logo os livros são para os poucos iniciados. Contudo, pode-se argumentar, como faz Carlo Ginzburg, que um moleiro poderia ter acesso a esses impressos. Bem, seu ponto é mais restrito: distribuição, o que não deixa de ser uma boa pergunta, mas creio que seja uma pergunta difícil de ser respondida. Há indícios nos próprios livros: as publicações – todas – deveriam ser reproduzidas em imprensas régias ou com licença para operar; há, ainda, em muitos países a permissão do inquisidor que era impressa junto com o livro, sobretudo na Espanha; as edições eram restritas numericamente (obtinha-se licença pata x cópias). Isso já restringia a circulação da informação. E como contabilizar os livros vendidos? As melhores fontes são as do Estado, e não as privadas, e é de se duvidar que tenha sobrado alguma contabilidade desses impressores. Abs.

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  • 22/01/2010 - 19:10
    Enviado por: Nilson

    ”É o período fascinante em que vivemos.” Só se for para os marxistas… já que citaram Vico.

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  • 22/01/2010 - 19:30
    Enviado por: Proftel

    Falando em Tecnologia, agora mesmo preciso desligar tudo para a mudança da casa.

    Atualmente é preciso chamar a operadora de telefonia, solicitar transferência de endereço, desmontar a parabólica e ídem procedimento, desmontar os computadores, modem, hub, a tralha toda e, remontar na casa nova.

    Isso é um saco, a maioria nem percebe porque não faz sozinho (a), paga.

    Não é o meu caso portanto, um bom fim-de-semana a todos (as).

    Até semana que vem.

    :-)

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  • 22/01/2010 - 19:43
    Enviado por: Rogerio

    Penso que o cinema nunca acabará, pois as pessoas não vão ao cinema ver um filme. Hoje já não faz sentido pagar caro por um ingresso para ver um filme no cinema se pode-se obter o mesmo resultado, e de forma mais barata, alugando um dvd, com tv a cabo ou vendo na tv aberta, mas as pessoas ainda assim vão ao cinema, sabem por que? Pela experiência proporcionada, tela grande, ambiente escuro, som excepcional, coisas que não se tem em casa. Mesmo se gastando muito dinheiro para montar um home theater ainda não substitui o cinema. É claro que isso não elimina o mercado de venda de filmes pela internet, da mesma forma que já se faz com música, pois também há aqueles que abrem mão da experiência de uma sala de cinema pelo conforto de casa, como eu.

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  • 22/01/2010 - 20:40
    Enviado por: Kaue

    Ele voltou \o/

    Texto ótimo, gostaria realmente de ver como tem sido essa mudança da ótica de um verdadeiro jornalista.

    Com certeza dará um livro no futuro, já tem o Prefácio.

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  • 22/01/2010 - 21:08
    Enviado por: surfando na jaca

    Putz, já entrou marxismo na parada, só em falar em Vico (????).

    Eu queria colocar o exemplo bem concreto do músico com quem conversei e que já gravou com a fina nata da MPB, lembrando os comentários do Ricardo Cabral e do simples Paulo.
    O caso concreto que queria sublinhar é a dificuldade de tornar economicamente viável o trabalho de quem se aventura a fugir das grandes empresas, mas esbarra com a propaganda e com a distribuição. Como escreveu o Paulo, existe cada vez mais uma torrente de informações e é uma tarefa extraordinária selecionar o que é novidade boa. Bom em gosto é sempre superficial, a não ser que analisemos por outros critérios que possam ser mais objetivos, mas não é meu intento. Nada adiantaria ao músico em questão criar um blog, sair distribuindo propaganda pela net, pois pouca gente se aventura ao novo, embora ele possa estar disponível com facilidade. Isso quer dizer que os velhos meios de propaganda (TV e rádio, onde rola o famoso jabáculê)e de distribuição (ambos estão juntos, pois uma megaloja como a Saraiva não se arriscará a colocar nas prateleiras algo difícil de venda). Nisso tudo, ainda existe a tal da concorrência da pirataria, que tem dado prejuízo às coorporações. Sem dúvida, o acesso aos bens culturais foi e será cada vez mais democratizado pela NET, lembrando que o acesso é cada vez mais includente, como foi na história da televisão. O que quero dizer é que o acesso na Net, apesar da enxurrada de ofertas de bens culturais “gratuitamente”, a triagem ainda é dirigida por algo externo à ela, que forma a cultura de massas. Assim, acho que o Cabralzinho (com todo respeito) erra ao falar de uma procura das grandes empresas pelo produto mais simples. Não, o produto mais simples é que é mais acessível ao grande mercado. Por isso, existe pop-rock até no Himalaia e todo mundo gosta. Bom, o ponto central da questão econômica na Net é mesmo a pirataria ou qualquer circulações de bens imateriais sem pagar as coorporações. Elas demonstram uma grande dificuldade em dar conta do rombo que a internet trouxe para suas caixas registradoras. Ora punem pequenos ou grandes piratas de música, ameaçando o resto do internautas, ora recuam, investindo em outras formas de venda, como a da faixa on-line. Hábito estranho para quem escutava o disco de um artista como um todo. Na verdade, esse todo sempre foi forçado pelos contratos das gravadoras, forçando a inclusão de coisas dispensáveis ao ouvinte. Eu ando curioso para ver até onde vai isso, numa época que o pós-moderno eliminou o grande artista, a grande banda de rock, o gênio musical, o grande compositor etc.
    Boa noite a todos e a todas.

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    • 22/01/2010 - 21:43
      Enviado por: Proftel

      Surf, você vai me desculpar mas, olha, um texto longo desses merecia um espaçamento condizente (prá não falar decente).

      Está parecendo um “tijolo”.

      Please, deixe legível, de boa.

      :-)

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  • 22/01/2010 - 21:11
    Enviado por: surfando na jaca

    Patavinas, precisava de uma oportunidade de corrigir o texto, como no Pandareco.

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  • 22/01/2010 - 21:29
    Enviado por: Alba

    Boa noite a todos ao conhecidos e aos desconhecidos também, :-)

    Hoje, na FSP, o Fernando Barros e Silva, escreveu um artigo muito interessante mostrando como o cinema documenta a revolução em curso. Porque é uma revolução, sem dúvida. Na dúvida entre resumir o conteúdo, colo aqui o artigo:

    “FERNANDO DE BARROS E SILVA

    Mochila vazia
    SÃO PAULO – Ponha “Avatar” de lado. George Clooney é Ryan Bingham, executivo de uma empresa especializada em demitir funcionários de outras corporações. Esse demitidor de elite é o protagonista de “Up in the Air” (“Amor sem Escalas” na destradução local), filme de Jason Reitman que estreia hoje.
    Entre uma demissão e outra, o personagem vive no avião. Sua obsessão é atingir dez milhões de milhas no ar. “No ano passado, tive que aguentar 43 miseráveis dias em casa”, contabiliza. Profissão, estilo pessoal e filosofia de vida se fundem na sua figura descompromissada.
    Em suas viagens, ele promove o “way of life” que personifica em palestras motivacionais sobre “Como Esvaziar a Sua Mochila”. O segredo consiste em fazer a plateia sentir quanto pesam as tralhas materiais e os laços afetivos acumulados ao longo da vida.
    Bingham vê seu mundo ameaçado quando Natalie (Anna Kendrick), uma jovem executiva, sugere um método mais econômico de cortar cabeças: por teleconferência. Ambiciosa e provinciana, Natalie confidencia que, ainda adolescente, imaginava chegar à casa dos 20 casada com um executivo de sucesso, dirigindo um jipão da moda, com filhos e cachorro de raça na bagagem.
    Seu ideal de vida convencional contrasta com o cinismo cosmopolita de Alex (Vera Farmiga), versão feminina de Bingham, a parceira perfeita para um bom papo e uma noite de sexo casual num cinco estrelas. As coisas, porém, não são tão fáceis como parecem. Mas guardemos o final, antes que o leitor demita o colunista pela internet.
    As demissões (e os demitidos, todos colhidos na vida real) ocupam só o pano de fundo da trama. Ainda nos anos 90, o psicanalista francês Cristhope Dejours escreveu um livro (“A Banalização da Injustiça Social”) discutindo as razões que levam pessoas ditas “de bem” a aceitar fazer o “trabalho sujo” e cometer crueldades contra terceiros. A “banalidade do mal” no mundo corporativo era seu tema. “Up in the Air” arranha essa ferida.”
    Pois é, as novas tecnologias também tem um componente perverso que é a forma como atingem o mundo do trabalho, que nunca mais será o mesmo, levando vários profissionais a se declarar “autônomo” ou coisa assim. Sem falar dos milhares de empregos perdidos. Mas é fascinante acompanhar tantas mudanças num espaço de tempo tão curto, embora muito do que se imagine sobre o futuro imediato possa se mostrar só desejo e não realidade, como o Gustavo Chacra demonstrou, num artigo saboroso, escrito para o Aliás, comparando o que de fato aconteceu, nos 25 anos da série De volta para o Futuro, em confronto com a realidade atual, mostra que as coisas tendem a se tornar ainda mais incertas. Mas sem dúvida, é fascinante ver tantas transformações.
    Confesso, analfabeta digital que sou, que não sei o que é “screaming”. Mas junto-me àqueles que não dispensam a tela de cinema, com efeitos especiais ou não. Enquanto for possível ou, quiçá, no meu tempo de vida.
    Vi Avatar, mas isso fica pra um outro comentário, que este já está enorme, desculpe.

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    • 22/01/2010 - 22:00
      Enviado por: Proftel

      A Tecnologia me chama, parou de chover.

      Uma boa noite a todos (as).

      :-)

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  • 22/01/2010 - 21:37
    Enviado por: Proftel

    Pedro Doria:

    “Façavor” de parar de soluçar, também perdi muitos parágrafos por aqui.

    :-)

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  • 22/01/2010 - 21:39
    Enviado por: Proftel

    Já havia tirado dois cabos de rede, estava me preparando pra desmontar o cabeamento da parabólica quando caiu baita toró, desci do telhado mode me abrigar.

    Tecnologia é assim (por enquanto), precisa montar e desmontar.

    Deixo um aviso prôceis, informações importantes se conectam por cabo, nada de wireless.

    :-)

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    • 23/01/2010 - 10:25
      Enviado por: Confetti*

      fala alê,tudo bom ?

      da uma olhada ali no “personal nerd”(à baixo do titulo da home)…é a tua cara ! :) )

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  • 22/01/2010 - 22:07
    Enviado por: Nilson

    Cabe aos bárbaros deste tempo, os proletários de Marx, encerrar esse ciclo histórico. Estão aí para fazer a revolução, querendo ou não. A internet e a tecnologia são as armas(”a humanidade só se propõe a resolver os problemas que ela consegue resolver”). Todo mundo sabe que comunismo = mudança dos valores dos bens. Está começando. É a última ilusão das pessoas, ver as desigualdades do mundo eliminadas por meio da grana. Vico é um alívio. Sei que isso tudo passará, hehe.

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  • 22/01/2010 - 22:08
    Enviado por: surfando na jaca

    Olha que fui econômico, Proftel. Sei lá, era o que estava pensando. Depois reclamam da questão da superficialidade… O Doria (quase escrevi outra coisa) vem e reclama. Podia complicar a parada, aí que nem vc. iria ler.
    O negócio é o seguinte, resumindo o resumo: a liberdade da internet é a liberdade condicionada pela máquina da indústria cultural para o grande público, já que o capital cultural de cada segmento social não é o mesmo (P. Bourdieu). O problema é que ela ainda não sabe como entrará no controle desse veículo, isso engloba até o ganha-pão do Pedroc, digo Pedro Doria. Os jornalões não sabem se cobram e ficam sem leitores.
    A internet não comanda a indústria de massa, mas é exatamente o contrário, de fora para dentro. Falta acontecer de dentro para dentro, mas ninguém sabe como implementar.

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    • 23/01/2010 - 00:36
      Enviado por: Proftel

      Surf, não falei sobre o conteúdo, me referi ao layout.

      Quero urgentemente um robô que empacote minhas coisas para a mudança, será que ainda inventam isso?

      Por falar em “mudança”, alguém já ouviu falar sobre o “IPv6″ ? Não?

      Pois é…, esse troço já está desde 2006 em estudo/tentativas de aplicação e, pelo jeito entrará em vigor.

      No fundo é como mudar placa de veículos, lembram antigamente daquelas placas amarelas com duas letras e quatro números? Passaram os veículos para placas cinzas com três letras e quatro números porque o número de veículos aumentou.

      Na rede rola a mesma coisa, o novo protocolo (IPv6) dará teoricamente um IP pra cada geladeira ou vibrador conectado na Rede.

      São “trocentos bilhões” de endereços, a coisa está ficando difícil de controlar.

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  • 22/01/2010 - 22:10
    Enviado por: surfando na jaca

    Só discuto marxismo com o emérito Pai Dória.

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  • 22/01/2010 - 22:14
    Enviado por: Nilson

    haha. É um fato. Não adianta discutir, meu caro. É um fato.

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  • 23/01/2010 - 00:09
    Enviado por: Colafina

    Novas tecnologias? Há tanta coisa já acontecendo que até parece ficção. Mas só parece. Já estamos no futuro, e faz tempo…

    http://www.ted.com/talks/pattie_maes_demos_the_sixth_sense.html

    É coisa de maluco!

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    • 23/01/2010 - 00:46
      Enviado por: Proftel

      Colafina, você está antenado, gostei do vídeo, só confirma aquele meu comentário aí pra cima (o das 17:15 ).

      :-)

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  • 23/01/2010 - 01:28
    Enviado por: PSB

    Li inteiramente alguns dos comentarios, e superficialemente muitos.

    cotejo desta época com o nascimento do da imprensa móvel veio a calhar, mas há uma diferença capital: naquela época não havia preocupação tão grande quanto há hoje com direitos autorais.

    Vejamos este caso: os livros do séc. 19 e início do séc. 20 eram todos, acredito, de capa dura, portanto mais caros e duráveis. Surgiu o livro de bolso, mais barato e de qualidade inferior, acessível (affordable, não é, Pedro Doria). Surgiu depois ainda o livro eletrônico. No entanto, uma edição de bolso usada de Shakespeare custa 1 dólar. Alguém pode decidir ler Shakespeare no seu leitor eletrônico, mas, acredito, por outros motivos que o preço baixo.

    Não é o preço nesse caso do livro, mas o meio de armazenagem da informação. No caso do cinema, não me parece o preço, mas a comodidade de nao sair de casa o principal fator de mudança.

    Há uma mudança de comportamento: falemos de pornografia, por exemplo (somos todos adultos aqui, não somos?). Não sou muito velho, mas penso que, se em 1970 quisesse ver uma fotografia ou vídeos, digamos, de uma oriental com seios grandes, teria certa dificuldade, sobretudo morando no interior Brasil. Hoje, confesso não ter tentado isso, mas deve apostaria que me cansaria de encontrar vídeos e imagens dessas na internet, por meio do google ou programas p2p.

    Muito antes um video no Youtube caseiro com um pegadinha ou coisa engraçada era algo incomum. Agora é banal: ele está repleto de vídeos caseiros com brincadeiras. Procurarei só o importante ou o melhor, até mesmo pirataria. SIm, até mesmo pirataria. Numa época em que a internet ainda era meio lenta e a pirataria de filmes era incipiente, se um amigo me dissesse que conseguiu fazer um milagre e baixar um filme porcaria, sei lá, algo como um terror ‘A Geladeira Assassina’, isso seria um feito e inspiraria desejo, mesmo que tivesse uma qualidade horrível e sem legenda. Hoje, se esse mesmo amigo disesse que conseguiu baixar, por exemplo, Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas sem legendas, será nada admirável. Antes era raro, e não podia perder a oportunidade. A pirataria de filmes está tão fácil que, como na pornografia ou nos vídeos youtube, já estamos iniciando o segundo estágio: NÃO É MAIS QUANTIDADE, MAS QUALIDADE. Antes se via qualquer pornografia ou video caseiro sem graça porque eram os únicos, eram raros; não mais. Antes qualquer cópia ilegal de filme na rede já era o máximo; não mais.

    O cinema físico existirá, assim como orquestras sinfônicas existem para um público específico: alguns que realmente gostam desse tipo de música, e alguns de algumas vezes querem poder dizer que assistiram já um concerto de música clássica.

    O cinema é a mais cara das artes: literatura, música, teatro, fotografia, pintura, escultura, dança e quaisquer outras em que puderem pensar. Em minha humilde opinião, a grande revolução na indústria do cinema não é a internet rápida, mas o gravador de vídeo digital. Aquela, sem dúvida, é importante, mas esta permite que EU ou VOCÊ façamos nosso próprio filme com certa qualidade de gravação.

    Por fim, façamos este exercício de imaginação: se houve um meio REALMENTE infálivel de impedir cópias piratas de filmes, a indústria do cinema se mostraria tão disposta a trabalhar com a internet?

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  • 23/01/2010 - 02:10
    Enviado por: gil lopes

    É interessante imaginar que o avanço tecnológico se dá por acaso, sem investimentos e estratégia. Mas depois de tanto tempo continuar acreditando nisso pode se tornar apenas manifestação de ingenuidade ou teimosia dialética.
    Já é hora de observar que a indústria da música foi pioneira no salto para o digital, não sem antes pilotar uma década de super lucros amealhados em cada mercado nativo de música nos anos 90 com o privilégio dos repertórios nacionais. Ao adotar o novo meio, a nova cultura, a indústria da música como num passe de mágica aniquilou todos os mercados de música no mundo, exceto o anglo americano. Dá o que pensar, e dá também para imaginar de onde veio o avanço tecnológico e suas repercussões.
    Mais do que a adoção dos Cds o movimento anterior que determinou um crescimento vertiginoso na vendagem mundial da música foi a adoção da MTV nos anos 80 nos EUA. No Brasil, 10 anos depois a MTV chegou finalmente até aqui mas com programação importada, o que de resto marcou sua existência entre nós, apesar do case acústico que produzimos nos estertores da representatividade do veículo. Começamos a “querer nossa MTV” bem tarde, de certa forma nunca a tivemos.
    Mas agora, o movimento é muito mais radical e avassalador. A adoção da distribuição e venda pela Internet demanda além de legislação e digitalização de toda música, educação e princípios de civilização até então atributo das sociedades mais desenvolvidas em cujo ambiente se desenrola o avanço da indústria da música prioritariamente.
    Nos EUA cerca de 18% já consomem música pela Internet legalmente. É de se imaginar a lucratividade na nova plataforma se compararmos a anterior. Em 5 anos a indústria da música já comemora mais de 4 bilhões faturados, exclusivamente com produtos anglo americanos, os únicos por enquanto oferecidos na nova plataforma massificada, o ITUNES da Apple e correlatos.
    Mas como o caminho é democrático, avança para ele quem quer e quem pode. A via está aí. Apesar disso tudo, entre nós a questão não se colocou ainda. A vanguarda da produção cultural brasileira foi a sua música, no entanto com o seu Mercado aniquilado ainda não se ouve nenhuma proposta concreta de movimentação para o digital. O que se ouve são analyses fajutas sobre a derrocada das multinacionais da música, a glamourização da Internet livre para apropriação da propriedade alheia sob a capa de liberdade de informação e regozijos pela utilização do meio digital como veículo de exibição do que antes só era possível cantando no banheiro. Um mar de amadorismo, talvez uma vocação primitiva não superada.
    Enquanto isso, um mar de produtos importados, nenhuma produção de novos artistas, nenhuma consagração, só padres e axés nos supermercados e desemprego, falta e carência cultural e pirataria. É o fim do mercado de música no Brasil, a falácia dos shows já foi desmistificada, nada novo sai daí, só a reprodução do antigo e consagrado, ou, do importado que é quem avança com mais consistência e poder. Existe alguma urgência cultural mais urgente?

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  • 23/01/2010 - 06:41
    Enviado por: Confetti*

    oia eu aqui navegando imprecisamente :

    http://www.youtube.com/watch?v=NGI_UA18RsI

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  • 23/01/2010 - 08:56
    Enviado por: surfando na jaca

    Senhor Gil Lopes,suas considerações são interessantes. Tinhamos um mercado de mais de 60% de artistas nacionais. O Brasil era um dos raros exemplos de mercado fonográfico dominado por artistas nativos na América Latina. Não acredito que isso se alterou, mas que passou a um produto de apelo imediato, resumido na tipologia de sucesso do trio que todo mundo aponta: pagode, cornelejo, axé-music.
    Acho que a internet ainda não tem um impacto importante no mercado brasileiro de música. Mas se tivesse, estaríamos vendendo os três modelos de sucesso on-line.

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  • 23/01/2010 - 09:39
    Enviado por: Gilberto Garcia

    A TV aberta não é “grátis”?, quem paga pelos seus serviços é o telespectador, quando compra os produtos anunciados. Simples, cômodo para os clientes da emissora e eficiente. Ninguem pode dizer que não da lucro, pois é evidente que o gigantismo de uma Globo não se pode despresar.
    Agora vem a internete, que anuncia nos sites “gratuitos” e não cobra nada de quem os vê. Até aí tudo bem, todos sabem que é assim que funciona, desde que se deixou de cobrar pelo acesso aos portais.
    O que eu não entendo, é porque jornais, incluindo o Estadão, cobram pelas notícias que divulgam, ou pelo menos por parte delas; que não é assinante não tem acesso, me parece uma incoerência.
    O dinheiro arrecadado nas publicidades, com certesa, paga todas as despesas dos sites gratuitos, como o google, por exemplo, e eles não ganham pouco, mesmo oferecendo serviços como o Earth, que deve ser caríssimo.
    Agora, porque não oferecer livros pela internete, os autores poderiam ser pagos como são os colunistas que escrevem para os jornais, seria uma forma extremamente barata de oferecer conhecimento e notícias para toda uma população, de forma mais democrática possível.
    Será que alguem se habilita? pode ser um jornal, um portal de acesso, ou até mesmo um site governamental, que garanto, seria menos custoso que um canal de TV do tipo TV Educativa.
    Talves um dia isso aconteça, eu apostaria em uma empresa domo o Google, que tem a visão de futuro que falta aos jornais e revistas brasileiros. Infelizmente.

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  • 23/01/2010 - 09:56
    Enviado por: André

    Caro Pedro Dória
    Você despertou a atenção dos leitores com um assunto (o estudo da História dos séculos XIV-XV) para depois abandoná-lo completamente! Não é isso que se aprende nas escolas de redação…

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    • 24/01/2010 - 11:43
      Enviado por: Pedro Doria

      Devo ter faltado esta aula em particular, meu caro André, assim como você faltou à aula de leitura que recomenda terminar um texto antes de criticá-lo.

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  • 23/01/2010 - 10:11
    Enviado por: Confetti*

    (estive explorando os blogs do LINK…gente,recomendo com insistencia uma volta pela home toda !
    so tem feras,um barato…
    vejam la o LOL e o P2P pra começar…)

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  • 23/01/2010 - 11:06
    Enviado por: HRP!

    Nada pode ser tão gostoso como ir ao cinema e no escurinho da uns amaços na “mina”!
    Por isso o cinema é para sempre!

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  • 23/01/2010 - 11:06
    Enviado por: HRP!

    Sorry:
    dar!

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  • 23/01/2010 - 15:04
    Enviado por: HRP!

    Essa conversa de informação livre na nte é papo furado.
    Vejam só o Murdoch e os jornalões ocidentais.
    Todos migram para o conteudo pago e acesso pago.
    Cinema em casa?
    E a vida social?
    E a vida em comunidade(fora a virtual?)?

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  • 23/01/2010 - 16:46
    Enviado por: LEANDRO

    Descobriste tudo isso SÒ agora? ahauah

    Pois te prepare, pq com bandas largas acima de 50gb a coisa vai se espalhar mais ainda.
    O mais legal de tudo isso é que NÂO HÀ como impedir.

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  • 23/01/2010 - 20:53
    Enviado por: Flavio C.

    Economia da Informação pessoal.

    Defender que em TODAS as casas terão som THX, e TV plasma para proporcionar experiência do 3D (que será cada vez mais constante nas produções) é o que eu chamo de marxismo digital que tá prevendo uma queda do modelo de negócios digitais que temos hoje.

    A quem interessar…

    http://economiadainformacao.wordpress.com

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    • 24/01/2010 - 11:47
      Enviado por: Pedro Doria

      Flavio C., não tenho nada contra agregadores. São potencialmente muito úteis.

      Mas, ao invés de reproduzir a íntegra do texto dos outros, pince apenas um parágrafo e ofereça um link para o resto. Quem produz informação vive da propaganda ganha no site. Reproduzindo o que os outros produziram por inteiro sem encaminhar os leitores interessados para a origem da informação só contribui para que menos informação seja produzida.

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  • 24/01/2010 - 12:06
    Enviado por: Beni Borja

    Que bom ver o PD de novo atuante na blogosfera.

    Não sei se o nosso anfitrião já teve a oportunidade de ler, mas eu não me canso de recomendar o livro ¨Uma história social da mídia ¨ de Asa Briggs e Peter Burke , editado no Brasil pela Jorge Zahar.

    Foi lá que eu vi pela primeira vez essa analogia entre o surgimento da imprensa e o aparecimento da Internet.

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    • 24/01/2010 - 14:34
      Enviado por: Pedro Doria

      Beni Borja, conheço o livro, sim… e o li por sugestão sua. =)

      Outro que faz a mesma analogia é Clay Shirky, em seu excelente Here comes everybody.

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  • 24/01/2010 - 12:27
    Enviado por: surfando na jaca

    Na frenética dança de São Guido da indústria fonográfica mundial (as cinco empresas comandam mais de 90% do faturamento mundial do setor)vaolta a insistir que a queda das vendas dos cds e, novidade, queda no crescimento da compra de música pela internet é culpa da pirataria. Que 90% das músicas baixadas por internet é pirataria. Lá vem perseguição novamente, suspensa pelo crescimento da venda on line.
    Engraçado… E o Pedroca (com todo respeito) nem deita uma linha sobre o assunto. Quero ver até onde os jornalões vão na busca de assinaturas on line. O JB fracassou tremendamente.
    Na indústria fonográfica, a aposta no produto de fácil vendagem, descartável e sem figurões para impor exigências, levou a essa ditadura dos cinco minutos das faixas, ao insuportável gosto da falta de cultura e informação do povão consumidor. Volto ao Bourdieu, determinadas manifestações artísticas só são compreensíveis pela educação, pelo capital cultural que nos distingue socialmente. Eu, de grande consumidor da indústria fonográfica, sou agora mero espectador daqueles que me colocaram fora desse mercado. Pouca novidade me interessa ou realmente é novidade cultural na indústria fonográfica.
    Será que o pós-moderno é insuperável? Que só o fim do capitalismo tardio poderá renovar as artes desse pastiche e revival de coisas passadas?

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  • 24/01/2010 - 13:03
    Enviado por: A @ no pescoço, YouTube Disco e a escassez da informação | Link Estadão - Cultura Digital

    [...] Mais uma geral nos novos blogs do Link, vamos lá? A Ana, no LOL, fala sobre uma empresa que faz acessórios (pingentes, brincos, pulseiras, chaveiros) a partir do username de cada um no Twitter. No blog P2P, Tati mostra uma nova ferramenta do YouTube, o YouTube Disco, que permite que você faça playlists de músicas que estão hospedadas no site, de forma que ele funcione como um rádio – ou como um DJ de uma festa particular. No blog Sempre à Mão, Filipe fala do avanço do sistema operacional do Google, o Android, em 2009 e Pedro Doria, saudoso de seus tempos de mestrado, fala sobre o fim da escassez de informação e as implicações para a comunicação atual. [...]

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  • 24/01/2010 - 14:01
    Enviado por: gil lopes

    a questão cultural do Brasil é o fim da economia na música brasileira que impede sua difusão e reprodução interna e externamente. Como uma Bomba Atômica nosso mercado da vanguarda cultural nacional foi aniquilado e o país ainda não se deu por isso. Se a 10 anos atrás lançamos cerca de 600 novos CDs, em 2008 chegamos a 60. Um desastre avassalador. Não há investimentos, não há novos artistas, não há comércio, não se compra, não se vende, não emprega pessoas.
    A nova plataforma de circulação da música foi absorvida exclusivamente na sua pior função: a circulação de arquivos sem autorização dos seus proprietários. A discussão de qualquer medida que impeça isso é recebida a os impropérios. Há uma falta de consciência absoluta sobre as repercussões na vida do país do novo acontecimento cultural. Nossa resposta tem sido mais que subdesenvolvida, tem sido bárbara e primitiva. Nossa pior versão.
    A Terra de Tom Jobim agoniza e nem se dá por isso. A grande midia comporta-se como altista na questão, quando opina desinforma e pratica uma anti política cultural. É urgente a questão…

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    • 24/01/2010 - 14:38
      Enviado por: Pedro Doria

      gil lopes, a indústria fonográfica brasileira tem seus problemas particulares.

      Não creio que medidas contra a cópia e distribuição de arquivos, legal ou ilegalmente, na internet, sejam eficazes. Em outros cantos tentaram, puseram gente na cadeia, multaram em milhões… e tudo continuou igual.

      No caso em particular da música, no Brasil, os detentores dos direitos autorais deveriam parar de brigar entre si e partir imediatamente para modelos de venda via internet. Há um mercado gigantesco, aqui e lá fora, esperando por isso. De volta à economa básica: se a única alternativa para conseguir músicas online for ilegal, essa é a alternativa que todos os que desejam música online vão abraçar.

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  • 24/01/2010 - 15:37
    Enviado por: Escassez e Gutenberg | Pedro Doria

    [...] Ela é a autora do livro citado uns posts atrás. [...]

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  • 24/01/2010 - 16:09
    Enviado por: HRP!

    Receitas de bolo?
    Aonde?

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  • 24/01/2010 - 16:37
    Enviado por: Flavio C.

    Esclarecendo Dória.

    1 – A idéia do site é fazer essa agregação mesmo.

    2 – Os textos estão todos referenciados.

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    • 25/01/2010 - 09:20
      Enviado por: Pedro Doria

      Flavio C., eu entendi que a ideia do site é fazer agregação. E você obviamente valoriza o conteúdo que está agregando.

      Mas nós temos um problema, aqui, neste lado da indústria. Produzir conteúdo é caro. Tem que educar, tem que pagar salário, jornalista demora tempo para se formar. Na web, hoje, sofremos uma pressão danada. Todo mundo quer manter o conteúdo aberto. Mas isso representa um custo alto. Só temos retorno de uma forma: vendendo propaganda.

      Quando você reproduz na íntegra um conteúdo que obviamente valoriza em seu blog, o que está fazendo? Nos tirando a única renda que podemos ter. Ou seja, dificultando nossa capacidade de produzir conteúdo.

      Seu blog é sobre informação e tecnologia. Então, acho, você deveria fazer esta reflexão.

      Se você reproduz um parágrafo e põe o link, você faz a agregação que deseja fazer, recomendando informação que considera pertinente para seus leitores, e ajuda quem produz o conteúdo a se sustentar. Se, no entanto, você simplesmente reproduz tudo, aí nos prejudica. É só um pouco? É. Mas vários blogs como o seu, em conjunto, representam um impacto econômico violento em todos nós.

      Perceba: você pode fazer o que quiser. Mas o faça ciente de que está contribuindo para dificultar que consigamos sobreviver e, portanto, para diminuir nossa possibilidade de produzir o conteúdo que você demonstra gostar.

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  • 24/01/2010 - 17:03
    Enviado por: gil lopes

    A indústria fonográfica brasileira é a expressão dos nossos problemas prezado Dória. Como por aqui o que se tem é a Internet livre, ou seja, todo mundo “baixa de graça”, não há hipótese de investimentos em digitalização da música brasileira. Digitalizar pra que? Pra ser roubada? Quem vai investir nisso? A derrocada da indústria da música no Brasil é uma bomba atômica na música brasileira que perde seu principal ativo, seu imenso mercado de música entregue a pirataria face a nova plataforma digital. Não percebemos que essa deseconomia nos aniquila e nos coloca fora da produção mundial, depois de tudo que já conseguimos em 50 anos de crescimento.
    Podemos continuar descrentes, é um luxo que nos damos, vamos ser descrentes e …aguardar os acontecimentos. Enquanto isso o mundo gira. Nosso mercado destruído vira presa fácil a produção internacional anglo americana que evolui tranquilamente sem nenhuma competição em nosso mercado, e se amplia, e ocupa os shows, passa a ser o único show.

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    • 24/01/2010 - 17:10
      Enviado por: Flavio C.

      Olá Gil…

      Concordo contigo no que você diz de bomba atomica, pois, a nossa capacidade de inovação é quase nula.

      E para aqueles que acham que a informação está totalmente disponível, é um erro…

      Queria que esses defensores da Web me arrumassem todos os vídeos, por exemplo, de 100 metros rasos, em todas as olimpiadas da era moderna.

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    • 25/01/2010 - 09:33
      Enviado por: Pedro Doria

      gil lopes, sabe, não acho que dê para ‘combater’ a pirataria. O problema fundamental é econômico, e esta é a tese que estou defendendo. No momento em que cópia e distribuição caiu brutalmente de preço, não é mais possível sustentar uma indústria explorando cópia e distribuição.

      De todas as indústrias que lidam com informação, a de música é a que tem se mostrado mais conservadora para encarar o problema que todos nós enfrentamos. É a menos inovadora, e não só no Brasil. Aqui é só um pouco pior.

      O modelo de venda online funciona. Evita cópias ilegais? Não. Mas baixar disco via P2P dá muito trabalho. Muita gente prefere pagar um pouquinho para baixar de forma rápida e prática. O problema é que, no Brasil, legislação e conservadorismo das entidades que cuidam dos direitos boicota essa opção. Aí, realmente, fica muito difícil. A indústria no Brasil congelou e, num ambiente de mudança continuada, quem congela decai.

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  • 24/01/2010 - 17:08
    Enviado por: gil lopes

    e mais prezado Dória, podemos ser descrentes dos resultados alcançados lá fora pela única indústria da música que se desenvolve no mundo, a anglo americana. Podemos duvidar do seu sucesso, podemos achar que em 5 anos chegar a faturar 4 bilhões de dólares é pouco, mas não imaginamos a rentabilidade disso. Se hoje a indústria tem 20% do mercado americano comprando legalmente pela via digital, como seria se comparássemos isso ao velho mundo, à velha forma de comercialização. Será que está ruim? E com um número produzido exclusivamente com repertório anglo americano. E avançando gradativamente sobre os 80% restantes…quando os números deles começarem a fazer sentido para nós, quando nos tornarmos menos descrentes do que está acontecendo e do sucesso que isso tem produzido…como estaremos? Lembre-se que demoramos 10 anos para ter MTV…quanto tempo necessitaremos para avançar na nova cultura, na nova plataforma e começar a produzir riquezas e empregos?

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  • 24/01/2010 - 17:13
    Enviado por: gil lopes

    Partir para os modelos de vendas na Internet? Como? Num ambiente de pirataria institucionalizado e glamourizado? Quem ará os investimentos para construir a nova plataforma? A Apple? Nosso Ministro da Cultura ou de Ciência e Tecnologia, ou do Interior, ou nosso Presidente iria conversar com a Apple? Ajustaríamos uma proposta onde avançaríamos com medidas institucionais para desenvolver um ambiente com procedimentos mais civilizados em troca dos investimentos necessários a digitalização e disponibilização no Itunes e correlatos de TODA música Brasileira no Brasil e no exterior? Vc acha que há condições e maturidade para imaginar alguma coisa por aÍ? Ou , noutra via, pretendemos reunião a inteligência nacional e desenvolver um canal exclusivo para comercialização totalmente nativo, algo como inventarmos a pólvora internamente, por que não? Há essa disposição?
    O que há de fato? só ruídos e mais nada…confusão que nos atrasa.

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  • 24/01/2010 - 17:21
    Enviado por: gil lopes

    Diante da desmobilização internacional do mercado da música, hoje concentrado exclusivamente e com hegemonia anglo americana, diversos Estados tem se movimentado em busca de soluções em especial na França por exemplo, e em muitos outros países. A luta para derrotar a pirataria é imensa e aumenta dia a dia inexoravelmente. Se n o ambiente dos países desenvolvidos isso é necessário imagine aqui, onde o estrago é simplesmente haitiano. Não há novos artistas desde a virada do século e já fazem quantos anos? Perdemos o fluxo de produção e desmontamos a malha nacional de distribuição e difusão. A repercussão disso na Cultura do Brasil é e vai ter dimensões enormes. A música sempre foi a vanguarda cultural nacional e a sua vertente mais desenvolvida e de sucesso. Produzimos artistas da dimensão mundial de Tom Jobim, João Gilberto e Vinicius de Moraes, isso é muita coisa. Mas não paramos por aí, nosso destaque é indiscutível e colamos no vocabulário de todas as línguas a palavra bossa nova…é um feito. Pois é aqui e agora que nos encontramos nessa situação, não percebemos nada do que se passa e estamos perdendo nossa música…é simplesmente assim.

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  • 24/01/2010 - 17:29
    Enviado por: Flavio C.

    Informação trivial, clippings, notícias em geral e coisa banal se encontra aos montes na internet.

    Informação séria, fundamentada e com respaldo científico se faz em grupos de estudos, universidades, estudos autônomos entre outros. Ou alguém aqui acha que o Sergey Brin e o Larry page desenvolveram o Google pedindo respostas no Yahoo respostas ?! Rs…

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  • 24/01/2010 - 17:31
    Enviado por: gil lopes

    e os jornais, os analistas? publicam releases ou fazem eco de uma debacle da indústria fonográfica, não se preocupam em avaliar coisa nenhuma e repetem a velha fábula da carochinha: um dia um menino descobriu que poderia circular arquivos pela Internet e..destruiu a indústria fonográfica…a galera aplaude e compra a fábula como verdadeira, não se cansa de ver a realidade diminuída em fábulas do acaso, não descrêem nem conseguem apreender o processo e o movimento do sistema, que já tem séculos de existência. Ninguém ainda acredita que o desenvolvimento tecnológico obedece estratégias e é decorrência de investimentos…ainda se acredita em cientista maluco…afinal…até quando?

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  • 24/01/2010 - 17:37
    Enviado por: gil lopes

    estamos dispostos a pagar que preço? O Brasil pelas suas caraterísticas continentais, um país de muita gente e já com mais de 500 anos, tem muito a dizer ao mundo, tem um papel no concerto das Nações importante e diferente…ou não…poderemos ser apenas um quintal de reprodução da memória importada…mas podemos ser sujeitos no Novo Mundo, na Nova Ordem, podemos ter uma economia importante…para isso, temos que ter Cultura. Temos que Ser alguma coisa se queremos ter voz no mundo, se queremos sentar na mesa do mundo temos que nos apresentar e para isso temos que ter Cultura, Língua, Música, Economia…a decisão nesse sentido é a decisão que o mundo espera saber se seremos capazes…estamos nesse momento em perdas. Fomos batidos flagorosamente em nosso flanco cultural diante do avanço científico e tecnológico implementado, não temos respostas para isso e estamos derrotados. É preciso se levantar e encarar a questão…vamos nessa Dória?

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  • 24/01/2010 - 18:50
    Enviado por: surfando na jaca

    Prezado Gil Lopes,
    existe algo de estranho nessa sua análise. Concordo que não produzimos nada de excelência desde a MPB dos anos 80. De lá para cá, a indústria fonográfica banalizou a mercadoria, mas o mercado continua liderado por artistas nacionais. No Brasil, cerca de 60% do repertório comercializado em nosso mercado é de músicos nacionais e isso continua assim. A produção e distribuição pertencem às cinco empresas, que oligopolizam o mercado fonográfico (Sony, Poligram, Warner, BMG, EMI ficam com 90% do faturamento mundial nesse ramo. Esses dados podem ser obtidos na ótima obra de Canclini, A globalização imaginada). Isso não vai mudar com ou sem internet. O que está acontecendo é a padronização da mercadoria para se atender ao maior mercado possível, através da roupagem do pop-rock. No Brasil, também se padronizou os estilos, não existe mais genialidade musical nesses tempos pós-modernos. São grupos/intérpretes de pop-rock, de pagode, cornelejo e axé-music. Podendo facilmente serem substituído por outros.
    Quanto à vendagem por internet, ela está disponível para músicos brasileiro, inclusive por gravadoras “independentes”, como a Biscoito Fino, uma trincheira contra o lixo musical de nossos dias. Acontece é que a propaganda é que faz a diferença no uso da net. Ninguém descobre as coisas na Net, como pensa o blogueiro-mor. A pessoa já vem com a cabeça feita. Então, não é uma questão de tecnologia apenas, inclusive não é a questão mais importante, já que não muda nada o controle da distribuição já dominado pelas cinco. O que afinal deveremos discutir sobre o assunto MPB? Eu respondo, a padronização, que descaracteriza a nossa cultura. Os processos são os mesmos, mundialmente conhecidos. Incrível mesmo é nossa ignorância sobre a estrutura da indústria cultural de massa, como percebo por aqui.

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  • 24/01/2010 - 20:50
    Enviado por: gil lopes

    prezado surfando na jaca, esqueça tudo isso, acabou. nossa questão nunca foi o conteúdo, sempre tivemos um mercado pujante de artistas e gêneros. a bossa nova, o tropicalismo, o rock brasil e a explosão comercial dos anos 90, o canto dos cisnes do mercado de música brasileiro. No início da década começamos a conviver com a pirataria e em paralelo o advento do meio digital como plataforma de circulação da m’suica pelo mundo. Gradativamente vimos nosso mercado de música ir definhando até se tornar obsoleto nos dias de hoje. Em 10 anos estamos lançando um décimo do que lançávamos…não temos estratégia para o novo meio de difusão e venda, não temos mais mercado, lojas, empregos…acabou. O que está aí é isso, um arremedo de negócio que luta para ainda se suportar de pé com os discos de supermercado, padres e axé…vendendo o meio físico para os que ainda não chegaram ao computador. Os que chegaram, “baixam sem pagar”. Os que não chegaram a cada dia ficam mais perto…portanto, o que temos é anacrônico.
    Na Internet do Brasil o que está disponível é o roubo, quem é que vai comprar se pode “baixar”sem pagar? Residual…sem uma política de defesa, sem uma campanha por novos comportamentos, sem objetivo e estratégia, colocar na Internet é a mesma coisa que nada. Esse é o problema. Não estamos nem temos Itunes, o meio internacional mais usado para comércio de música e portanto, a música brasileira saiu do mercado! É isso jaca…e é terrível. Tá na hora de acordar…mas cadê? e a grande Imprensa onde está? E todo mundo?…

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  • 24/01/2010 - 21:00
    Enviado por: gil lopes

    não adianta discutir conteúdo…tanto faz…a indústria da música é mundial, nossa parceria com ela teve resultados extremamente positivos, ampliamos nosso mercado, acumulamos riquezas, afirmamos nossa música internacionalmente…mas isso passou. Hoje a Indústria da música opera sobretudo nos mercados desenvolvidos e é lá onde se dá a expansão, agora exclusivamente com repertório anglo americano que, de resto, são os responsáveis pela hegemonia da indústria.
    nossa questão é quando vamos querer tratar desse assunto e se vamos…ou se vamos ter música como tem a Bolívia, ou a Colombia, ou a Argélia…se seremos meros reprodutores ou se queremos algo mais…essa é a questão.

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  • 24/01/2010 - 21:12
    Enviado por: surfando na jaca

    Concordo contigo sobre a obsolescência da venda de música no Brasil, mas cada mercado é diferente. Apesar de sermos o quinto país em usuários da internet(China (285 milhões), Estados Unidos (234,4 milhões), Japão (89 milhões) e Índia (86,2 milhões), a venda música on line não colou e a crise é geral para a indústria fonográfica que amarga quedas sucessivas na década, culpando a pirataria. não tenho dúvidas que a pirataria é um sangradouro dessa indústria. Mas a coisa vai além disso e está indo para o buraco mesmo, pelo que conversei com músicos profissionais e pessoal de marketing de uma das cinco oligopolistas. Falam de mudança na fabricação dos nomes de vendagem, cada vez mais artificiais, não começam se consagrando em circuitos de bares ou shows, criando um repertório ao longo do início de carreira. A coisa é massificação mesmo. Cada vez mais vejo que a cultura é um divisor social. Ou a audição de música mudou fundamentalmente para pior, para fundo musical de qualquer coisa: joguinhos, supermercados, consultórios, academia de ginástica, passeio de carro etc.
    Claro que existirão os que escutam música, sempre elitizados.

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  • 24/01/2010 - 21:23
    Enviado por: surfando na jaca

    Não falo em conteúdo, mas exatamente cultura própria ou padronização, como vc. mesmo parece concordar. Sim, o que queremos afinal? O que vejo é nosso mercado sendo dominado pela música de sucesso fácil, massificada, embora ainda fora do circuito mundial do pop-rock. Essa gente tende a desaparecer ou fundir com o pop, que é o que está acontecendo no resto do mundo com suas deliciosas Shakiras e sei lá mais o quê. O que segura essa gente é nosso mercado tradicionalmente brasileiro. Eu não chorarei por ver esse lixo brasileiro acabar, pois para mim isso já está excluído. Será o golpe final no ganha pão de nossos músicos. O Nelson Motta considera que isso é a nova MPB, é nacional e o povo gosta. Se o povo gosta é bom. Sei lá… É um furacão que desabou na MPB e ninguém fala nada pois foi o caminho que as produtoras resolveram trilhar. Restam uns lamentos que alguns reproduzem, como o Chico Buarque, que simplesmente considera encerrada a era da canção. Os senhores idosos da MPB ainda resistem na produção e propaganda, mas estão sendo enterrados juntos, não vendem como antes.

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  • 24/01/2010 - 23:51
    Enviado por: gil lopes

    jaca, vê se entende de uma vez…vc não está vendo nada, nosso mercado não está sendo dominado por nada…não há mais comércio de música no Brasil…se liga…o lance é esse…não há mais, o que há é residual ou anacrônico, tende a não existir…a música viaja pelo compuatdor ou no celular, é digital…não temos projeto para isso a não ser baixar de graça, portanto não há caminhos. podemos ficar discutindo aqui sexo dos anjos, quem é ou não isso ou aquilo, mas o fato é que a Bomba explodiu e não há nada, só pirataria e roubalheira…como sair disso?

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  • 25/01/2010 - 00:49
    Enviado por: surfando na jaca

    Ok, gil. Não sei se é residual, mas ainda tem gente ganhando dinheiro com música no Brasil, tipo Ivete Semgalo com galo, maria rita etc. Se viaja ou não pelo celular ou computador, sei lá. Agora que o futuro é catastrófico, concordo contigo. Buenas.

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