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Os cinco anos de Navegar Impreciso terminam hoje

  • 20 de março de 2011
  • 20h00
  • Por

A primeira edição deste Navegar Impreciso saiu no Link em 17 de outubro de 2005. Hoje é a despedida do caderno. As colunas naquele final de 2005 trataram do primeiro iPod que tocava vídeos, da pressão contra os EUA para internacionalizar a governança da internet e de como vândalos, trolls no dizer da rede, barbarizaram no Orkut o perfil de uma moça que cometera suicídio.

São pouco mais de cinco anos, mas parece um bocado mais. O Orkut ainda tinha aura de novidade. Não sabíamos então, mas a internet andava tranquila. O tombo da Bolsa que derrubou as ponto com, em 2000, limitara o investimento. As novidades eram poucas já fazia um tempo. Mas as sementes das mudanças que fariam da internet um bicho completamente diferente já estavam lá.

Smartphones eram BlackBerrys, celulares rodando algo parecido com Windows 3.1 que permitiam ler e-mail. Mas, daquele iPod que também tocava filmes surgiria, radical, em 2007, o iPhone.

Redes sociais já pareciam fazer sentido, mas o que tínhamos eram Orkut e MySpace. Aí vieram Twitter e Facebook. O primeiro foi descrito por muitos como algo que permite dizer o que você está fazendo em 140 caracteres. Qual que nada. É, hoje, o maior e melhor serviço de curadoria de informação por milhares de editores que existe.

O Facebook mostrou que era possível, com um sistema muito simples e organizado, traçar elos entre pessoas. Elos via fotos do passados com todos se marcando. Elos do botão curtir para recomendar tudo que há online. Mark Zuckerberg conseguiu fazer que uma rede com meio bilhão de pessoas pareça um lugar em que estão só seus amigos. E, bem, aconteceram os tablets. Uma categoria nova, um dispositivo de acesso à rede que não é nem celular, nem computador e que sequer parece fazer sentido. Quem usa o tablet não larga mais.

Durante esse tempo de coluna, a internet virou uma entidade cujo centro está nas redes sociais e não em sites de busca; já não é mais dominada pela web – a rede também é vivida nos apps de celulares e tablets. É uma rede que, de baseada em texto e fotos, rumou pesadamente para vídeos. Vídeos são os responsáveis pelo maior tráfego atual na internet.

Como a coluna se saiu? Publiquei, cá no Link, que vídeo no iPod não fazia sentido – o aparelho era para música. E disse também que ninguém queria uma ligação telefônica atrapalhando seu período curtindo música. Sugeri que a Wikipedia havia entrado em decadência. Anunciei o fim do jornal impresso perante o Google Base. Google Base? Pois é – também gostei do Google Wave e, se o prezado leitor não ouvir falar de um ou do outro, é porque esta coluna errou, errou muito, errou de forma aterradora.

Mas também acertou quando previu que o iPad ia ser um sucesso. Quando se encantou com o Twitter mesmo quando parecia inútil. Quando insistiu, desde 2006, na observação de que o Google tinha poder demais sobre que informação é lida – conclusão, hoje, nada polêmica. Ou na afirmação de que blogs não eram diários de adolescentes, mas um modelo fundamental de publicação.

No fundo, entre erros e acertos, o encanto com todos os desafios que a rede impõe foi sincero. Sempre contei com excelentes interlocutores entre os editores do Link com quem lidei: Guilherme Werneck, Otávio Dias, Alexandre Matias e Heloisa Lupinacci. É gente com quem escolhi ou escolheria trabalhar. Em redação, isso é um luxo. E, como nunca editei, só apareci uma semana após a outra com um texto que o editor nunca escolheu, posso dizer com a isenção que cabe: é o melhor caderno de tecnologia e cultura da imprensa brasileira. Deixo o Link porque os destinos profissionais às vezes nos impõem essas coisas. Sigo leitor. Aos que acompanharam a coluna: muito obrigado.

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iPad quebra a regra de a Apple ser sempre a marca mais cara

  • 14 de março de 2011
  • 11h20
  • Por

Na BestBuy, uma loja de eletrônicos de preços populares, nos EUA, o Motorola Xoom com 32 GB, 3G e Wi-Fi, sai por US$ 800. É o melhor modelo de tablet rodando o sistema Android, do Google. O iPad 2 equivalente custa, nas lojas da Apple, US$ 730.

O PlayBook, tablet da Research in Motion que faz o Blackberry, ainda não está no mercado. Os rumores correntes são de que custará US$ 500 no modelo com 16 GB. É o preço pelo qual sai o iPad 2 só Wi-Fi nesta configuração. Mesmo que tenha acesso 3G, o PlayBook chegará ao mercado com tela de 7 polegadas. Nos iPads 1 e 2, ela tem 9.7 polegadas.

É um jogo novo este que anda pela praça. A tradição da Apple é a de lançar produtos excepcionalmente bem acabados com preço alto. O consumidor sempre encontra alternativas mais baratas. No mundo dos tablets, a empresa comandada por Steve Jobs está demonstrando uma agressividade ímpar.

Ainda estão para sair modelos de tablets da HP e o novo da Samsung. (O Galaxy Tab, lançado no ano passado, envelheceu terrivelmente com o anúncio do novo Android, que ele não suporta.) Ao que tudo indica, todas as concorrentes terão dificuldades de enfrentar a Apple no preço. Talvez consigam lançar produtos competitivos, mas o preço ficará mais ou menos parecido.

Não é assim com celulares, muito menos com computadores. Mas o novo iPad é mais fino, tem um duplo processador, câmera HD atrás e câmera para conversas em vídeo na frente. Além disso, é a segunda geração do produto. Já vem mais bem acabado porque a empresa teve um ano para aprender com os erros do primeiro.

O resultado é que, para o consumidor de tablets, preço não será um fator decisivo na escolha de seu modelo. Se escolher um modelo com Android foi porque realmente o preferiu. Mas se busca uma desculpa para ingressar no universo Apple, o iPad 2 acaba de se tornar uma porta de entrada.

Para aqueles que já vivem no universo Google, o Android é mais adequado. Agenda, Gmail, arquivos do Google Docs, tudo é integrado com muita facilidade e mais apuro. Gmail não tem todas as funcionalidades no iPad, embora funcione no essencial. A agenda dá probleminhas. Para aqueles que usam computadores Macintosh e ou iPhones, não há dúvidas de que o tablet da Apple é mais indicado.

E quem vive no universo que começa no pacote Exchange da Microsoft e passa pela telefonia centrada em e-mail do Blackberry? É o caso tipico do ambiente corporativo. Talvez o PlayBook seja uma opção. Mas é um risco, uma plataforma ainda não testada.

Nenhuma dessas atividades é central no uso de um tablet. E-mail urgente se responde no celular, e-mail daqueles que exige tempo e reflexão continuam melhores quando escritos no computador. Tablet serve para consumir informação, seja vídeo, livro ou mesmo web.

Análises tanto da Forrester Research quanto da IDC, empresas especializadas no assunto, preveem que a Apple terminará 2011 com algo próximo de 80% do mercado mundial de tablets. O motivo é simples e baseado no parágrafo anterior.

Tablet serve para lazer, não produtividade. É para leitura relaxada, na poltrona, não para a pressa do dia a dia em que celular e computador resolvem. É para assistir a série de TV, navegar de forma divertida e atenta, via Flipboard ou algo no estilo, pela torrente de Twitter.

Em 2010, a Apple deu um nó na concorrência com o iPad. Ditou o padrão. Resolve as deficiências em 2011, quando os outros estão lançando a primeira batelada de alternativas. Se iPad virar sinônimo de tablet, o jogo pode acabar cedo. Não terá sido a primeira vez. Foi assim com o iPod.

—-
Leia mais:
Link no papel – 14/03/2011

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