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Brasil ocupa antepenúltima posição em ranking internacional de educação

Paulo Saldaña

08 maio 2014 | 03:00

COM MARINA AZAREDO

O Brasil aparece na 38.ª posição entre 40 países analisados no The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês), realizado pela The Economist Intelligence Unit (EIU) e Pearson Internacional. Em relação ao estudo anterior, de 2012, o País subiu uma colocação, apesar de ter piorado seu desempenho no índice.

O levantamento da EIU e da Person considera diferentes avaliações, relacionando-as com a produtividade do país. O índice leva em conta habilidades cognitivas e de desempenho escolar a partir do cruzamento de indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), Tendências Internacionais nos Estudos de Matemática e Ciência (Timms) e avaliações do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização e Leitura (Pirls). Também são usados dados educacionais de alfabetização e taxas de aprovação.

No estudo deste ano, o Brasil passou o México no ranking, porque aquele país teve um recuo ainda maior no índice. O último lugar continua ocupado pela Indonésia. As primeiras posições trazem novidades, com nações asiáticas, como Coreia do Sul e Japão, tomando o lugar da Finlândia, que havia muitos anos figurava na liderança da maioria das avaliações.

“O sucesso desses países destaca a importância de ter objetivos claros para o sistema educacional e uma forte cultura de responsabilidade na prestação de contas”, afirma o relatório.

Qualidade. Para Michael Barber, chefe de Educação da Pearson, os governos de todo o mundo estão sob pressão para melhorar a aprendizagem. “Isso é cada vez mais importante para o sucesso das pessoas”, disse.
O relatório ressalta a ligação estatística entre o tempo médio gasto na escola por um estudante de um país e a produtividade dos trabalhadores. Aponta ainda que é imprescindível a qualidade da formação básica, mas a retenção de habilidades depende da continuidade da aprendizagem ao longo da vida adulta.

A professora Maria Helena Guimarães de Castro, presidente da Fundação Seade, afirma que o Brasil tem resultados muito positivos na inclusão dos últimos 25 anos, mas que o desafio agora é a qualidade. “O essencial está no ensino fundamental, com professores estimulados e bem formados”, diz ela, que foi consultora do relatório. “A produtividade do Brasil é muito baixa e precisamos avançar. Mas é claro que esse não é o único sentido da educação.”

Para o presidente da Pearson no Brasil, Giovanni Giovannelli, o diagnóstico também pode ajudar os gestores por mostrar as práticas que funcionam no mundo. “Tem quase 200 países nas Nações Unidas e só esses 40 têm essa medição. Só isso é em si um fato positivo para o Brasil”, diz ele.

 

POSIÇÃO 2014 PAÍSES Z-SCORE POSIÇÃO 2012 MUDANÇA NO SCORE 2014 / 2012
1 COREIA 1.30 1 0.07
2 JAPÃO 1.03 2 0.14
3 CINGAPURA 0.99 2 0.15
4 HONG KONG 0.96 -1 0.05
5 FINLÂNDIA 0.92 -4 -0.34
6 REINO UNIDO 0.67 0 0.07
7 CANADÁ 0.60 3 0.05
8 HOLANDA 0.58 -1 -0.01
9 IRLANDA 0.51 2 -0.02
10 POLÔNIA 0.50 4 0.08
11 DINAMARCA 0.46 1 -0.04
12 ALEMANHA 0.41 3 0.00
13 RÚSSIA 0.40 7 0.14
14 ESTADOS UNIDOS 0.39 3 0.04
15 AUSTRÁLIA 0.38 -2 -0.08
16 NOVA ZELÂNDIA 0.35 -8 -0.22
17 ISRAEL 0.30 12 0.45
18 BÉLGICA 0.28 -2 -0.07
19 REPÚBLICA TCHECA 0.27 3 0.07
20 SUÍÇA 0.25 -11 -0.30
21 NORUEGA 0.21 5 0.10
22 HUNGRIA 0.17 -4 -0.16
23 FRANÇA 0.17 2 0.04
24 SUÉCIA 0.17 -3 -0.06
25 ITÁLIA 0.11 -1 -0.03
26 ÁUSTRIA 0.10 -3 -0.05
27 ESLOVÁQUIA 0.09 -8 -0.23
28 PORTUGAL 0.04 -1 0.03
29 ESPANHA -0.08 -1 0.01
30 BULGÁRIA -0.26 0 -0.03
31 ROMÊNIA -0.44 1 0.16
32 CHILE -0.79 1 -0.13
33 GRÉCIA -0.86 -2 -0.55
34 TURQUIA -0.94 0 0.30
35 TAILÂNDIA -1.16 2 0.30
36 COLÔMBIA -1.25 0 0.21
37 ARGENTINA -1.49 -2 -0.09
38 BRASIL -1.73 1 -0.08
39 MÉXICO -1.76 -1 -0.16
40 INDONÉSIA -1.84 0 0.19

Nota: As pontuações do Índice são representadas pelo Z-Score (pontuação Z), que indica quantas divergências de padrão uma observação está acima ou abaixo da média. O processo de normalizar todos os valores no Índice com o Z-Score permite uma comparação direta dos desempenhos dos países em todos os indicadores. Note que os Z-Scores listados são específicos à sua respectiva versão no Índice e seus países. Ao fazer comparações de países individuais nas versões do Índice, é importante focar na colocação do país no ranking e não na pontuação do Z-Score. FONTE: : The Economist Intelligence Unit

*A reportagem saiu originalmente na edição impressa do Jornal O Estado de S. Paulo.

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Análise:

Países que tratam educação como assunto estratégico colhem desenvolvimento econômico

Por Ilona Becskeházy, consultora em educação

O projeto “A Curva de Aprendizado”, que apresenta agora seu segundo relatório, organiza dados complexos, obtidos de fontes diversas, de forma a potencializar seu uso informativo, além de permitir a comparação entre cenários e resultados educacionais de cerca de um quarto dos países do mundo. Entre eles, o Brasil. As conclusões que o projeto vem apresentando, assim como as informações que o compõem, não são desconhecidas por quem se interessa pelas políticas educacionais, mas têm permanecido ao largo dos desenhos das intervenções propostas para o setor em nosso País.

O relatório tem o diferencial de analisar a educação levando em conta o contexto socioeconômico de cada país, que guarda relações tanto de causa como de efeito de sistemas educacionais competentes ou incompetentes. Os que trataram o tema da educação como assunto estratégico e implementaram, por décadas, reformas estruturantes, além de fazer investimentos em recursos humanos e materiais para garantir patamares altos de exigência a todos os seus alunos, colhem as recompensas de maior desenvolvimento econômico e bem estar individual. Os que não fizeram, simplesmente não colheram. Entre eles, o Brasil.

O responsável pela elaboração do relatório menciona o interesse de Ministros da Educação em saber como melhorar seus sistemas educativos. Entre eles, não está o Brasil. Por aqui, desdenhamos o que se aprendeu nos processos de estruturação educacional em países que hoje são industrializados porque nosso desenvolvimento prescindiu da educação. A nação se satisfez com o consumo baseado na exploração de riquezas naturais e não cobrou a distribuição do conhecimento. Escolhemos parâmetros medíocres e soluções paliativas para que ninguém se sinta incomodado.

Perspectivas de mudança? Basta ler o que vai proposto no Plano Nacional de Educação que será votado em breve, para se perceber que mantemos a prática de deixar como está para ver como fica.