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Perigos da União Nacional

7 de maio de 2012 | 15h56

Paul Krugman

Um comentário a respeito dos resultados da eleição grega: o que estamos vendo no país é o perigo de permitir que todas as Pessoas Muito Sérias se juntem num governo de união nacional quando as Pessoas Muito Sérias estão, na verdade, completamente equivocadas quanto àquilo que precisa ser feito.

Vamos voltar um pouco o filme: não acho que analisar eleições europeias em termos de alguma maré ideológica particular seja o mais indicado. Pode-se dizer que se trata de um mundo como o de Larry Bartels, no qual os eleitores rechaçam quem está no governo e recompensam os insurgentes sempre que a economia vai mal, independentemente das especificidades das plataformas de governo apresentadas nas campanhas. A vitória de Hollande na França é tão representativa de uma guinada geral à esquerda quanto a vitória de Rajoy na Espanha foi indicativa de uma guinada geral à direita; nada mais do que os “de fora” sendo beneficiados pelo fato de não estarem no governo, e a economia estar em tão má situação.

Mas pensemos agora na Grécia, que tinha um governo de união nacional – uma aliança entre centro direita e centro esquerda dedicada a seguir aquilo que as PMSs consideram ser políticas responsáveis. Algo como Michael Bloomberg embebido em vinho grego. Parece ótimo, não? (Eu responderia que não, mas não posso ser considerado uma Pessoa Muito Séria.)

O problema é que as políticas responsáveis nada têm de responsáveis – o programa de austeridade que definiu o significado de `seriedade’ na Europa é um abjeto (e previsível) fracasso. Por isso, os eleitores descontam a raiva nas urnas, votando contra os partidos no poder. E como todas as pessoas respeitáveis estão dentro da tenda política, apoiando políticas fracassadas e sendo identificados com elas, isto dá aos extremistas de esquerda e direita um número expressivo de votos.

É verdade: os ecos dos anos 30 são muito fortes.

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