Repressão financeira ao estilo chinês
11 de junho de 2012 | 15h56
Paul Krugman
Não imagino até que ponto este artigo de John Hempton a respeito da China está correto, mas trata-se de uma ótima leitura, capaz de inspirar boas reflexões.
Basicamente, Hempton argumenta que a China transformou a repressão financeira – o controle dos juros pagos sobre os depósitos, que garante uma taxa real de retorno negativa – numa gigantesca máquina cleptocrática. Os bancos cobram aluguel dos correntistas, transferem este aluguel para empresas de propriedade estatal sob a forma de empréstimos baratos, e então a elite do partido essencialmente se apropria do dinheiro. Subjaz a todo o sistema uma alta taxa de poupança que Hempton atribui à polÃtica de filho único.
Na verdade, se ele tiver razão a respeito das questões demográficas paralelas à questão, teremos uma bomba relógio dentro do sistema, bastante distante das preocupações envolvendo a inflação alta ou baixa demais: no fim das contas, e me parece que não demorará muito para chegarmos a este ponto, os chineses mais velhos que pouparam freneticamente porque não esperam ter um número suficiente de netos para sustentá-los acabarão se tornando gastadores lÃquidos, tirando dinheiro dos bancos para poderem sobreviver. Se esta argumentação estiver correta, quando isto ocorrer, o sistema todo vai implodir.
Gostei do raciocÃnio dele; estou curioso para saber a opinião daqueles que de fato entendem mais a respeito da China.






