Os lutadores do euro
24 de fevereiro de 2012 | 11h43
Paul Krugman
Daniel Davies tem um artigo muito bom – na forma de um jogo de RPG – sobre a Grécia; a questão é que não há respostas que sirvam para o governo da Grécia, considerando a situação que a criação do euro e a bolha inicial da dÃvida no interior da zona do euro geraram.
É realmente uma posição angustiante para todas as problemáticas economias da periferia. Seus problemas foram causados fundamentalmente pela balança de pagamentos e não pela questão da dÃvida soberana; elas registraram enormes ingressos de capital entre 1999 e 2007, o que levou à inflação, e agora precisam recuperar de algum modo sua competitividade. Mas a isto somou-se a crise da dÃvida soberana, que as obrigou a buscar ajuda – e as instituições de crédito agora exigem em troca duras medidas de austeridade, o que tem como consequência uma maior depressão destas economias que já sofrem uma grave supervalorização.
Não é muito difÃcil perceber o que a Europa como um todo – na prática, o Banco central Europeu (BCE) e os alemães – deveria fazer: menos exigências de austeridade, muito mais reativação geral. (A situação pareceria muito melhor com uma inflação de 3 ou 4% na zona do euro). E ainda é possÃvel usar como justificativa que a austeridade, pelo menos neste grau de rigor, é realmente contraproducente, até mesmo em termos fiscais, porque deprime o crescimento, de modo que a posição da dÃvida se agrava mesmo que o déficit atual do orçamento se reduza.
Contudo, é muito mais difÃcil dizer o que os lÃderes destas economias periféricas deveriam fazer. O calote unilateral não resolveria o problema da competitividade, e, pelo menos por enquanto, concretamente agravaria o aperto fiscal, porque elas ainda apresentam déficit primários. (Esta situação talvez mude dentro de um ano ou por aÃ). A saÃda do euro permitiria uma rápida desvalorização, resolvendo o problema da competitividade – mas acabaria sendo profundamente prejudicial e geraria grande má vontade, de modo que é difÃcil que um governo adote esta medida enquanto não houver realmente nenhuma alternativa (o que logo poderá ocorrer na Grécia, mas não nos outros paÃses).
Portanto, trata-se de uma espécie de armadilha. Se você fosse o primeiro-ministro deste paÃs, o que você faria? Em primeiro lugar, acredito que suplicaria a troica para que as exigências de austeridades fossem menos severas, faria todo o possÃvel para acelerar a melhoria da competitividade (o que não é muito), e esperaria que as coisas melhorassem gradativamente por meio de uma “desvalorização interna”, ou piorassem e proporcionassem um ambiente econômico e polÃtico em que a saÃda do euro se tornasse uma possibilidade concreta.
É uma maneira terrÃvel de fazer polÃtica econômica, mas não vejo nenhuma mágica.
Terei de limitar bastante meus posts nos próximos dias: hoje à tarde darei uma aula e à noite viajarei para Portugal.
Tópicos relacionados







