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Otimismo irresponsável e o caminho para o ‘eurogeddon’

7 de novembro de 2011 | 19h30

Paul Krugman

Gavyn Davies publicou hoje um ótimo texto propondo uma outra forma de se pensar no eurocaos. Digo “outra forma” com deliberada cautela – a análise que ele faz dos fundamentos econômicos é, ao que me parece, idêntica à minha, mas ele propõe uma abordagem diferente que pode funcionar melhor do que o caminho que o restante de nós temos sugerido. Eis o que diz Davies:

“É normal debater o problema do endividamento soberano concentrando-se na sustentabilidade da dívida pública nas economias periféricas. Mas pode ser mais informativo enxergá-lo como um problema no balanço de pagamentos. Tomados em conjunto, os quatro países mais problemáticos (Itália, Espanha, Portugal e Grécia) têm um déficit conjunto de US$ 183 bilhões na conta corrente. A maior parte deste déficit corresponde ao déficit no setor público destes países, já que o seu setor privado se encontra atualmente num estado aproximado de equilíbrio financeiro. Compensando estes déficits, a Alemanha tem um superávit de US$ 182 bilhões em conta corrente, o equivalente a cerca de 5% do seu PIB.”

O problema do euro pode então ser definido como a tarefa de encontrar uma maneira de 1) financiar estes desequilíbrios no curto prazo e 2) acabar com os desequilíbrios no médio prazo.

Vale destacar que não estamos falando de desequilíbrios que têm ocorrido desde sempre. Os desequilíbrios internos da Europa são um fato recente, coincidente com a – e quase certamente produzido pela – criação do próprio euro (GIPS representa Grécia, Itália, Portugal e Espanha):

Assim sendo, como devem ser corrigidos estes desequilíbrios? Os líderes europeus têm se mostrado completamente avessos à ideia de enfrentar esta pergunta. A grande matéria publicada no Times de ontem traz uma retrato dos líderes - Trichet em particular – envolvidos em furiosos esforços de negação. Não se tratou apenas da insistência de Trichet em afirmar que nenhuma moratória jamais poderia ocorrer. O Banco Central Europeu também apostou tudo na doutrina da austeridade expansionista, mais conhecida como crença na fadinha da confiança.

E o que o texto de Davies nos mostra é que, ao menos de maneira implícita, os líderes europeus apostaram na doutrina da transferência imaculada – na prática, queriam acreditar que os grandes desequilíbrios nos pagamentos poderiam ser revertidos sem grandes mudanças nos preços relativos.

Ora, o que está ocorrendo em lugar disso é uma austeridade forçada nos países deficitários, que não é compensada por políticas expansionistas em outros países, num ambiente de baixa inflação agregada – o BCE chegou de fato a aumentar sua taxa básica de juros! -, tornando um ajuste quase impossível. O resultado é uma zona do euro que ruma para a recessão, na qual um esfacelamento do próprio euro parece ser uma possibilidade cada vez mais plausível. Fantástico.

10 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Javier Vidal

    ¿COMO e posible que este home levara o premio nobel?¿para que traballara, para os EEUU?¿O para algun hegde found dos paises arabes?¿Como se popde mentir de esa forma?
    Adeuda publica da Espanha fica 22 PUNTOS abaixo a deuda meia da area Euro.
    Alemania ten unha duda publica do 85% do PIB.
    Espanha ten unha deuda do 62% do PIB.
    ¿cOMO SE PODE DECIR O QUE DI ESTE HOME?
    ¿Donde ele tirou o titutlo de economista?¿no Carrefur?.
    Meu deus, que ignorancia supina

    • Enviado por: Qwerty

      Javier, ele está falando de déficit versus PIB e não dívida (deuda) versus PIB.

  2. Enviado por: Junior

    Se a Alemanha tem um superávit em conta corrente é pq ela está exportando poupança para os deficitários países periféricos da zona do euro. A experiência empírica demonstra que déficits em conta corrente superior a 4% do PIB não é autofinanciável. O que fazer? Seperavits fiscais por longo tempo, não tem alternativa. Será a década perdida para a europa como foi a década de 80 para a américa-latina.

  3. Enviado por: Javier Vidal

    CARO QWERTY: E correto o que di voçe, pero tamen tera que comprender que Krugman confunde e mistura tudo un pouco.Compara o deficit alemao con catro paises nao da unha ideia clara e afeta , indiretamente,a credibilidade,xa froxa, de estes paises.Porque si ve a letra pequena, a maior parte de ese desajuste o arrastra, sobre tudo Grecia, e algo menos Portugal.E moito menos Italia ou Espanha.
    Cada pais ten problemas diferentes e este home mete tudo no saco.Espanha ten un gravisimo problema de desemprego (oficial, sobre tudo), Italia de deuda publica, Grecia de deuda,e de deficit,e Portugal, en menos medida tamen.Polo que eu sei o deficit publico da Espanha sera en dcembro do 6%.Alto, pero nao dramaticamente alto, comparado con os outros.
    Era isso o que queria decir.
    Saudos

  4. Enviado por: Fabio

    Isto quer dizer que Alemanha e Franca viveram as custas do desenvolvimento dos outros e agora relutam em pagar a conta ?

    • Enviado por: Javier Vidal

      FABIO:
      Porsuposto que foi asim,viveron a costas do desnvolvemento de outros, lhe venderon seus produtos na mesma moreda comun, cando outros paises da area euro crescian o triple que eles.Foi moi boo pra eles, pra recuperarse .Tudos os menbros da area euro ten que pagar, exatamente en proporçao a o seu Pib e poblaçao.Espanha o 13%,alemania o 21%,Italia o 17% e asim tudos.
      Krugaman e un ignaorante nao ten ideia do que e europa y e de EEUU.Xa esta todo falado.

  5. Enviado por: Frederico Cesar

    Significa que a assimetria das economias ficou mais do que clara com a criação do Euro. As economias periféricas não conseguem concorrer em pé de igualdade com as do centro sem que suas moedas fossem desvalorizadas. As economias do centro ganharam em competitividade e as periféricas viveram um tempo de bonança artificial financiada a baixos juros mas que tinha hora marcada para acabar.

  6. Enviado por: Didi

    A Eurozona subestimou os riscos de caminhar pelas beiradas do precipício, com os países gastando acima da capacidade de pagamento ficou difícil rolar a dívida com a freada brusca na economia mundial.

    O que se vê é uma cena apavorante, os PIIGS pisaram nas pedras, escorregaram, caíram, e durante a queda encontraram um galho temporariamente salvador, mas não suficientemente forte para suportá-los por muito tempo.

    Trágico e cômico, mais parecem siri no pau e sujeitos a desprender rumo abaixo.

  7. Enviado por: GB

    Esperando a publicação dos meus comentários, que são a coisa mais boba e ingênua do mundo. Só pedi uma minformaçãozinha minúscula e que deveria ser fácil, se não para o jornal, ao menos para as pessoas que comentam aqui oferecer (ou mesmo para que estas pessoas ignorem meu comentário). Ou será que o Estadão é contra a liberdade de expressão?

  8. Enviado por: Pedro Batista

    Senhores e senhoras, quem tiver ouro que venda! Quem não o tiver apliquem em imóveis e meios de produção. A canoa esta a virar !!!

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