Paul Krugman
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Pessoas ignorantes

6 de outubro de 2011 | 15h41

Paul Krugman

O website Nieman Watchdog traz um bom artigo de John Hanrahan sobre a cobertura da imprensa das manifestações com o  slogan Ocupar Wall Street. A cobertura inicialmente foi depreciativa e mínima – e “mea culpa”, eu mesmo não dei muito atenção a elas. Mas está cada vez mais claro que alguma coisa importante está sucedendo: finalmente, depois de três anos em que Pessoas Muito Sérias se recusam a exigir que Wall Street preste contas à sociedade, existe uma insurreição popular contra os Mestres do Universo.

Naturalmente, surgirão as costumeiras tentativas para negar todo o movimento, baseadas em trivialidades. Veja como as pessoas estão vestidas de modo estranho! E daí?  É melhor quando banqueiros nos seus ternos sob medida e cujas apostas colocaram a economia mundial de joelhos – e foram socorridos pelos contribuintes – se queixam que o presidente Obama está dizendo coisas um pouco duras sobre eles.

Ou, por que não tentam trabalhar dentro do sistema?  E o que tem ocorrido com aqueles que de fato tentaram? Quando as intrigas palacianas prejudicaram pessoas como Elizabeth Warren mesmo dentro do governo Obama, e os republicanos lançaram seu apoio total aos delinquentes das grandes riquezas, por que os manifestantes não podem agir fora dos canais usuais?

Finalmente, por que não acatar a opinião das pessoas que sabem o que necessita ser feito? Os leitores regulares sabem a resposta: as Pessoas Muito Sérias erraram de modo impressionante e consistente,  antes da crise financeira e depois.  Nada nos recentes fatos políticos sugere que os sagazes homens das finanças merecem algum crédito, absolutamente.

Portanto, bom para os manifestantes. E se as pessoas que cercam Obama tiverem algum instinto de autopreservação,  elas tentarão se reconciliar com as pessoas que decepcionaram tanto.

13 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Jose Carlos C.Fernandes

    As pessoa muito sérias dizem que controles no sistema financeiro é anti-americano, keynesianismo é ingerencia do Estado. Só apoio financeiro do FED/ Tesouro, não é estatização. É obrigação !!?? E o Stanley Morgan está “falado”, isto é “espírito americano”, esperar baillout ?

  2. Enviado por: Juliano Camargo

    PK, agradeça que são ignorantes, porque se estes manifestantes fossem menos ignorantes em economia ocupariam o seu apartamento em NY.

    Agora você e outros panacas da esquerda americana, que por ideologia e conveniência apoiaram o bail-out para Wall St vão se fazer de bobinhos e se juntar a essa confusa turba revoltada.

    • Enviado por: Guilherme da Fonseca-Statter

      Embora concorde com a substância do seu comentário creio que se enganou num aspecto. Paul Krugman não está afirmando que os manifestantes são pessoas ignorantes. Para Paul Krugman ignorantes são as pessoas que estão contra os manifestantes!

  3. Enviado por: Valloy

    Tanta gente grande já se mostrou ignorante em economia nesses últimos tempos. Será devido ser a economia uma ciência humana e não exata, como tanto bobão tem vendido por aí?

  4. Enviado por: Javier Vidal

    Krugman: cada vez e mais ridiculo.Os indignados de Wall Street, movemento que nasceu no norte de Africa e na Europa e que se espalla sen parar polo mundo, incluida sudamerica, a pesar da censura e do silencio de moitos paises (Brasil, Chile, Espanha, Italia, Alemania, Inglaterra).Al menos a xnte se organiza e tenta mudar esa democracia fascista que goberna EEUU e Europa.O conseguiremos.

  5. Enviado por: Ana

    Juliano Camargo e Javier Vidal parece que vocês devem voltar a ler o artigo. Independente de estar a favor ou em contra das opiniões do Sr. PK as conclusões que vocês tiraram da leitura do artigo são completamente equivocadas é uma questão de interpretação de texto. PK está sendo irônico e utilizando a forma como os autodenominados pessoas muito sérias tentam atacar ao povo supostamente as “pessoas ignorantes”. O artigo claramente defende o movimento contra Wall Street e inclusive pede desculpas por não haver dado a importância devida desde o principio. Interpretação de texto e irônia assuntos pendentes na vidas dos senhores.

  6. Enviado por: Zeca

    Acho que o americano comum não vai concordar muito com a “segunda rodada” de capitalização que os 4 maiores bancos (Wells Fargo, Citi, JP Morgan e Bank of America) vão desesperadamente precisar daqui um bocadinho…

  7. Enviado por: Juliano Camargo

    Quando aconteceu o colapso aconteceu os defensores do liberalismo laisser-faire diziam que era melhor encarar esse prejuízo na hora, deixando estas instituições falirem com grandes perdas. Diziam que estímulos não eram justos e não iriam sequer funcionar, porque a economia havia entrado em uma desalocação econômica muito grande, de caráter estrutural, o que realmente se concretizou.

    Krugman e outros vieram dizer que o bail-out era ‘inevitável’, um ‘mal necessário’. Defenderam que estados absorvessem perdas bancárias em suas dívidas públicas.

    Suas políticas de estímulo serviram unicamente para manter na mesa os bancos que perderam as apostas.

    A falha não é de mercado, mas sim do sistema misto defendido pelo sr. Krugman.

  8. Enviado por: O Iluminista

    vc nao poderia de ser mais um panaca a se ajuntar a estes baderneiros esquerdistas apoiado por imbecis como vc e michael more

  9. Enviado por: Jose Carlos

    Na realidade o K esta pouco se lixando para americanos e o resto. O problema dele é com quem espinafra suas ideias ou simplesmente lhe dá atenção! è o Nassif americano!

  10. Enviado por: Jose Carlos

    Quis dizer: ” não lhe dá atenção!”

  11. Enviado por: Jandir

    PK o Nassif americano, ótima essa!rs

  12. Enviado por: alfredo de azevedo

    Está dito: não há insatisfeitos, desempregados,sem tetos, pobres e muito menos miseráveis na República do Norte. Isto pensam e acreditam alguns parvos brasileiros que dos EUA mal conhecem os caminhos que os levam à Disney e à “cidade del leste”,lá deles, de onde retornam felizes e abarrotados de produtos made in china. Agora falando mais sério: esse chorume humano que começa a aparecer e incomodar a límpida e rica imagem do coração do sistema, era esperada, afinal, o capitalismo não tem onde por seus rejeitos. Estamos a assistir os estertores do neoliberalismo que sustentava a inexistência de qualquer solução fora do modelo. os neoliberais sustentavam que as crises eram sempre consequência de comportamentos viciados derivados de um estado onipresente. Conclusão: há que reduzir o tamanho do Estado e aumentar o papel do mercado. trata-se de uma espécie de terrorismo de pensamento. Na defensiva, às vezes nós mesmos aceitamos alguns desses argumentos neoliberais, como se fossem universalmente válidos. Só que o rei está nu e sua nudez se escancara nos dois lados do Atlântico com vários nomes ou psedônimos ou ainda como heterônimos. Porém, todos filialmente vinculados ao capitalismo. É do destino: um dia,Cronos assassinará a Urano.

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