Paul Krugman
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Credibilidade, cara de pau e dívida

9 de agosto de 2011 | 7h00

Paul Krugman

Para compreender todo o furor envolvendo a decisão da Standard & Poor’s, a agência de classificação de crédito, de rebaixar a nota dos títulos da dívida americana, é preciso ter em mente duas ideias aparentemente (mas não de fato) contraditórias. A primeira é que os Estados Unidos não são mais o país estável e confiável de antes. A segunda é que a própria S&P goza de credibilidade ainda menor; é o último lugar de onde alguém deveria esperar avaliações sobre as perspectivas do país.

Comecemos com a falta de credibilidade da S&P. Se há uma expressão que descreve a decisão da agência de classificação de crédito de rebaixar a nota dos EUA, esta é a cara de pau – definida pelo exemplo do jovem que mata os pais e então implora por clemência alegando ser um órfão.

Afinal, o imenso déficit orçamentário dos EUA é em grande parte resultado de um declínio econômico que se seguiu à crise financeira de 2008. E a S&P, juntamente com as demais agências de classificação de crédito, desempenhou papel importantíssimo na precipitação dessa crise, concedendo notas AAA a ativos lastreados em hipotecas que desde então se transformaram em lixo tóxico.

Mas as avaliações incompetentes não pararam por aí. Num episódio agora famoso, a S&P concedeu ao Lehman Brothers, cujo colapso deu início a um pânico global, uma nota A até o mês da sua quebra. E qual foi a reação da agência depois que esta empresa foi à falência? Ora, a S&P publicou um relatório negando ter feito qualquer coisa de errado.

E são estas as pessoas que agora dão sua eminente opinião sobre a credibilidade dos Estados Unidos?

Espere só, a coisa não para por aí. Antes de rebaixar a nota da dívida americana, a S&P enviou ao Tesouro dos EUA um rascunho do seu comunicado à imprensa. Os funcionários americanos logo repararam num erro de US$ 2 trilhões nos cálculos, algo que qualquer especialista em orçamento teria calculado corretamente. Depois de certo debate, a S&P reconheceu o erro e rebaixou a nota mesmo assim.

Num ponto mais amplo, as agências de classificação de crédito nunca nos deram motivo para levar a sério suas opiniões sobre a solvência nacional. É verdade que, em geral, os países que declararam moratória tiveram suas notas rebaixadas antes da consumação desse fato.

Mas, nesses casos, as agências de classificação apenas seguiram os mercados, que já tinham se voltado contra esses devedores problemáticos. E, nos raros casos em que as agências rebaixaram a nota de países que ainda tinham a confiança dos investidores – como os EUA hoje -, elas se mostraram equivocadas.

Devemos lembrar do caso do Japão, que teve a nota de sua dívida rebaixada pela S&P em 2002. Ora, nove anos mais tarde, o Japão ainda consegue obter empréstimos com facilidade e a juros baixos. Na verdade, na sexta-feira, os juros sobre as obrigações japonesas com prazo de 10 anos eram de apenas 1%.

Assim, não há motivo para levar a sério o rebaixamento da nota da dívida americana na sexta feira. Estamos falando das últimas pessoas de quem deveríamos aceitar conselhos.

Dito isto, os EUA têm diante de si grandes problemas.

Esses problemas estão pouco relacionados com a aritmética orçamentária de curto e mesmo médio prazos. O governo americano não tem problemas para solicitar empréstimos capazes de cobrir seu déficit. É verdade que o endividamento está se acumulando, e sobre essa dívida os americanos terão de pagar juros. Mas, se fizermos as contas, em vez de enunciar números assustadores, perceberemos que nem mesmo imensos déficits nos próximos anos terão impacto na sustentabilidade fiscal dos EUA.

Ora, não é a matemática orçamentária que está fazendo com que os EUA pareçam pouco confiáveis, e sim a política. E por favor, não comecemos com as declarações habituais que responsabilizam ambos os lados. Nossos problemas são causados por um único lado – mais especificamente, são provocados pela ascensão de uma direita extremista que prefere criar crises a ceder um único centímetro nas suas exigências.

É verdade que, mantidas as políticas atuais, uma população de idade cada vez mais avançada e o custo cada vez mais alto do sistema de saúde acabarão fazendo com que os gastos aumentem mais do que as receitas. Mas os EUA apresentam um gasto com a saúde muito maior do que o de outros países avançados, e sua carga tributária é considerada muito pequena comparada aos padrões internacionais. Se pudéssemos ao menos nos aproximar um pouco mais daquilo que é internacionalmente considerado normal para esses dois dados, nossos problemas orçamentários seriam solucionados.

E o que nos impede de fazer isso? O problema é que temos neste país um poderoso movimento político que preferiu correr o risco de uma catástrofe financeira em vez de concordar em aceitar um aumento nos impostos cobrados, por menor que fosse.

Mesmo em termos fiscais, o verdadeiro problema dos EUA não é se o país conseguirá cortar do déficit um trilhão aqui ou acolá. A questão é saber se os extremistas que agora bloqueiam todo tipo de medida política razoável podem ser derrotados.

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36 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Milton Guedes Guimaraes

    Bem o Krugman está otimista demais,parece que nada aconteceu de ruim na economia dos EUA nas últimas décadas. Ocorreram profundas alterações em sua economia . Vejamos: quem era o maior fabricantes de automóveis; quem detinha o maior consumo de energia elétrica do mundo; quem era o maior produtor de aço do mundo e por último quem tinha a moeda mais estável do mundo? Perdeu tudo e o pior jamais ir a reaver.Uma coisa é certa O EUA empobreceu, mas ainda nao quer acreditar, a classe média sumiu. Avalie que 10% da população possuem 75% do PIB do país.

    • Enviado por: Querty, o apocalíptico

      Pois é, os EUA acreditaram que a tecnologia e os serviços seriam capazes de manter a trajetória de crescimento e sustentação de sua economia. Exportaram as fábricas, acreditando que só a moeda US$ se faria valer como força pra manter seu império. Enquanto isto, entrou em guerras sem necessidade, aumentou gastos sem necessidade e consequentemente se implodiu aos poucos, acreditando que o mundo seria virtual. Os americanos acreditaram demais em Hollywood e esqueceram que o mundo real é cruel e as fantasias se tornam pesadelos se não houver responsabilidade. Agora chora…

  2. Enviado por: Alexandre Correa

    Perfeito, a “questão é saber se os extremistas que agora bloqueiam todo tipo de medida política razoável podem ser derrotados”. Difícil resposta… Dessa questão a maioria foge, buscando soluções mágicas nos números da “economia”; mas o problema é Político! Como derrotar os “falcões” extremistas de direita? Desafio eletrizante! É preciso qualificar o debate e tronarmo-nos mais lúcidos quanto ao poder das ideias, e deixar de dar importância exagerada aos “números”. Chegou a hora do retorno da Política, do poder dos argumentos, da retórica, do debate… Momento para o qual nos preparamos muito mal!

  3. Enviado por: Ronald Mattos

    Também achei muito otimista a visão da dívida americana pelo Krugman. A parte que concordo é a que essas agências 666 só servem a interesses ocultos, pois não antecipam nada, vide Lechman, Freddie Mae, etc.
    A “missão” dessas agências – qualquer uma que seja – é criar catástrofe em um determinado país para facilitar a destruição do mesmo, jogá-lo nas garras de “planos de salvamento”, que nada mais são do que transferências do dinheiro do contribuinte para os banqueiros 666 – via privatizações rapinescas, pseudo-salvamentos de bancos, e outras “facilidades”, que nunca seriam permitidas se não acontecesse em períodos de crises (provocadas)como essas.
    O Brasil não está livre desses fascínoras, pois suas reservas de divisas são etéreas( dinheiro especulativo) e se desfazem em fumaça num estalo.
    Nós podemos ser os próximos neste tabuleiro !!!!

  4. Enviado por: luis

    Se os Estados Unidos não são mais o país estável e confiável de antes e se S&P goza de credibilidade ainda menor, Paul Krugman (Nobel de 2008) tenta colocar os dois no mesmo nível, fazendo parecer que seria o sujo falando do mal lavado. Mas, de qualquer forma, o suposto erro ou equívoco da S&P não pode ser maior do que o fato de que os EUA há muito tempo estão em declínio. Isso vem antes do 11/09 e agora já são 10 anos de guerras. A pergunta que não fazem é: QUEM REALMENTE TEM CONTROLE SOBRE AS DECISÕES NO GOVERNO AMERICANO??? OBAMA??? GRANDES COORPORAÇÕES ? A INDÚSTRIA ARMAMENTISTA ? OS SRS DA GUERRA??? Parece que vão precisar inventar mais alguma guerra.

  5. Enviado por: Filip Zanichelli

    Economist of Contempt: S&P errando as contas na hora de fazer o downgrade, e mudando de lógica para explicar o motivo da ação?

    http://economicsofcontempt.blogspot.com/2011/08/on-s-downgrades-and-idiots.html

    http://www.treasury.gov/connect/blog/Pages/Just-the-Facts-SPs-2-Trillion-Mistake.aspx

  6. Enviado por: felipe

    caros,
    não distorçam as coisas de propósito. “a consciência de um liberal” não é nem de longe um título adequado, em língua portuguesa, ao blog do Krugman. se ele soubesse o que quer dizer isso no Brasil não permitiria nem mesmo que vocês publicassem o que ele escreve. sejam sóbrios e honestos como o autor em questão.

  7. Enviado por: alfredo de azevedo

    As análises de hoje, feitas pelo Krugman, estão assemelhadas ao que ele próprio critica em relação à agência classificadora de riscos: certas incoerrências. Ora, percentualmente falando, qual seria o poder de fogo deste “pequeno” grupo, de modo a forçar o governo a fazer o que não quer? Será mesmo pequeno? Se for pequeno é desproporcional em força e poder.É impertinente querer jogar alguma parcela de culpa na parcela idosa da população. A sociedade americana tem mesmo garantida, de forma segura, o “medicare” que é o seguro da terceira idade.Vejam, a característica que faz a diferença da cultura americana em relação a outros povos, é a “previdência”, se agora, coloca-se em jogo até mesmo esta marca, pouca coisa estará a salvo.

  8. Enviado por: Longo Prazo

    Oi Krugman, cheguei!!! Keynes mandou um abraço!

    http://www.youtube.com/watch?v=Qr7DlGRzAok

    Veja e aprenda quem realmente se importa com o povo americano.

  9. Enviado por: jose

    Que falta de credibilidade à S&P e demais agências é verdade. Primeiro demorou para baixar a nota americana quando a dívida começou a explodir com Bush e, depois, baixou pouco. França, Italia e Espanha com nota melhor que a China, credora, com 4 tri em caixa? Estas agências são muito boazinhas com a turma do Atlântico Norte.

  10. Enviado por: Rezende Jose Alonso Degan

    Eh o problema eh a matematica (aritmetica)orcamentaria sim. Eh tao facil descrever em numeros. Deficit orcamentario, deficit na balanca de pagamentos, e pelo jeito da votacao nao querem parar da gastanca. Sinto dizer mas chegou a hora do acerto, pode ate ser postergado, mas esta chegando a hora. “Pouso da Aguia”

  11. Enviado por: Claudio Melo

    Perder a liderança não signfica necessariamente igualar-se aos mais pobres.

    O que ocorre é que os EUA estão perdendo a liderança. Isso é evidente. Para os americanos isso é um choque.

    Mas no que interessa, Krugman está certo. Quem é q S&P para rebaixar a nota dos EUA, depois de ter errado tanto? E quem é a S&P para classificar o Brasil com um BBB? O Brasil é menos solvente que o Lehman Brothers?

    Entendo que a análise de que é a política que tornam os EUA pouco confiáveis está parcialmente correta.

  12. Enviado por: Antonio

    Totalmente de acordo com a analise feita particularmente no que se refere à S&P. Como pode alguém levar a sério uma agencia dessas ? Depois do Lehmann Bros. as pessoas deveriam desconfiar totalmente da origem da noticia. Ainda me lembro em 2008 tb qdo a Fitch melhorou a nota do Brasil e veio a crise financeira global e o Brasil tb nao cresceu o que a Fitch previu. Assim amadores também somos e nao precisamos dessa gente para ajudar.

  13. Enviado por: Ricardo

    Embora leia os artigos de Paul Krugman não lhe dou 100% de crédito já que esse economista/colunista é um inveterado anti-republicano.

  14. Enviado por: André

    PPRRREEEEPPAAAARRRAAAAARRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    AAPPOOONNTTTAAARRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    DDOOUUBBBLLLLEEEEEEE DDIIIPPPPPPP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  15. Enviado por: Robson Campos

    Parece que o Império está com os pés de barro.A nação americana demonstra uma fragilidade como nunca antes visto.É verdade que eles são experts em sair de crises.Mas, a conjuntura política mundial nos últimos vinte anos mudou.Hoje o que se vê é uma distribuição de poderes econômico e político que antes não havía.Quanto mais o país se afundar em crises mais as liberdades individuais estarão em perigo,já que a cultura do medo se sobrepôe as mesmas.A América tão cedo perderá o seu posto de líder, mas ao mesmo tempo percebe que a ruína já ronda a sua porta.O frenesí tomou o lugar do patriotismo que existía até a geração passada.O que se percebe agora é a falta de comprometimento político por parte do seu povo como também a perda dos princípios basilares que fizeram deste país uma grande nação.Os Estados Unidos da América durante muitas décadas,passou a imagem de uma nação que não correspondía a sua realidade.A máscara da mentira agora caiu e eles não estão preparados para serem expostos mundialmente.Os pioneiros devem está se revirando nos túmulos.

  16. Enviado por: Edson

    Não estou entendendo.
    Se a S&P merece tão pouco crédito assim, porque está criando essa avalanche toda???

  17. Enviado por: Juliano Camargo

    Krugman usa espantalhos ideológicos que não existem, mas que ele usa para assustar as criancinhas.

    Se ser contra impostos é ser de extrema direita então 99% dos pagadores de impostos seriam de extrema-direita. O 1% restante devem ser os masoquistas.

    O fato é que não há mais tantas criancinhas assim, e a minoria consciente que se informa e tem consciência do que está por trás dos slogans políticos sabe que no final eles é que pagam a conta dos bail-outs, dos ‘programas de estímulo’, dos ‘afrouxamentos monetários’.

    O movimento anti-impostos e a favor da austeridade fiscal emerge da disseminação de argumentos e fatos, e seu confrontamento com a realidade econômica. Você ouve uma legião de especialistas falando coisas sem sentido, e no final ouve apenas 1 em 100 falando algo que tem sentido.

    É assim que uma ‘minoria radical’ pode operar uma mudança tão maior que o tamanho dela. Apelando à inteligência e aos argumentos, ao invés de aceitar cegamento a autoridade de ‘Nobéu’ que não entende as muitas disparidades entre seu modelo econômico e a realidade.

    A credibilidade do establishment econômico representado pelo Sr. Krugman está bem mais abalada do que a do S&P.

  18. Enviado por: Fidel Castro Chavez

    Veja o desespero do Sr. Krugman, ele só traduz o quão perdido está a outrora potência número 1. Sempre ouvi dizer que os americanos são bitolados e este artigo escrito também prova isto, ele fala dos gastos do sistema de saúde do seu decadente país, mas sequer cita os bilhões de dólares gastos com as guerras por eles inventadas.
    Meu caro Krugmann, a fila anda e vocês não são mais os maiorais. A verdade dói.

  19. Enviado por: Alexandre

    E até parece que os mercados do mundo inteiro ficaram esperando esta nota para voltarem aos patamares de 2008.

    Com ou sem S&P isto ocorreria de qualquer maneira.

    Ora,o Brasil não teve rebaixamento,aliás ao contrário,e foi a bolsa que mais perdeu até agora.

    Aqui falam que o rebaixamento dos EUA vieram precipidadamente,para mim veio tardiamente.

    • Enviado por: Alexandre

      E outra,perderam o AAA mas ainda é AA+.Que escandalo para nada.

      Os democratas querem deslocar o foco do problema na falta de liderança e competencia administrativa.O cara não fez nada até agora.Está apenas curtindo a Casa Branca.

      O Obama prometeu distribuição de renda no país errado,tipo: venham meus amigos que eu tirarei dos ricos e além de voces não estarem trabalhando voces nunca mais precisarão trabalhar.Gozado,lembra-me um país um pouco mais ao sul…

      Até para a Líbia sobrou a hipocrisia deste presidente.

      ONDE ESTÁ?Onde está o plano do Obama para tirar o país do buraco?

  20. Enviado por: Heleno

    Pena. Krugman são passa de um porta-voz do Partido Democrata. Lamento que o Estadão só reproduza matérias deste tipo de pensamento. Não temos sequer um representante do lado republicano – e tantos bons há! – ao menos para um contraditório.

  21. AS GRAVATINHAS QUE COMANDAM O MUNDO

    Bem, agora todos sabemos quem comanda realmente o universo: meia dúzia de gravatinhas fantasticamente remuneradas. São elas que dão as cartas para o universo. São elas que constroem as canoas para os investidores navegarem. Essas gravatinhas comandam as atualmente na moda – “agências de classificação de risco”.

    Elas fazem a “leitura” da política e da economia dos países, que, para manter seus gastos, remuneram investidores dispostos a confiar seu dinheiro em troca de juros. E assim o mundo giraria numa boa.

    Porém, se algum executivo, que representa, por certo, interesses de investidores, resolver criar uma crise e derrubar a bolsa de valores do mundo inteiro, ele realiza uma “leitura” da realidade da segurança ou insegurança financeira de determinado país. E, seja por deixar de ver um problema real que exista no mundo real, ou criar uma realidade suposta que inexiste, com isso, numa reação em cadeia, vai minando os “mercados mobiliários” (bolsas) no mundo todo.

    Essa é só mais uma parcela artificial de um mundo cada vez mais virtual e artificial.

    Perde representatividade na economia a realidade das coisas. Ou seja, a quantidade de riqueza que um país consegue produzir pela infraestrura que possui, pela tecnologia que detém, pela indústria, recursos naturais e humanos. E ganha representatividade uma falsa idéia sobre o futuro. O que pode determinar a movimentação das bolsas de valores. Que é apenas mais um, de tantos retratos de uma realidade “psicológica”, virtual, irreal.

    Tanto é assim que se vê uma determinada empresa ligada a rede mundial de computadores ter um “valor de mercado” igual a 1000 num dia e anos ou meses depois passar a 100 e depois a 10, só para citar um exemplo.

    Então as decisões das pessoas sobre fazer a compra de um carro, o financiamento de uma casa, a compra de uma geladeira nova, é influenciada porque passa a temer pelo seu futuro, pela sua empregabilidade. E a indústria recebe menos encomenda dos clientes e passa a projetar menos produção, o que leva a despedir pessoas. E no comércio a mesma coisa. Então, inicia-se uma crise econômica.

    Mas o incrível disto tudo é que mesmo existindo a riqueza, a economia não funciona por um estado psicológico de medo gerador da inércia.

    A riqueza existe: Os recursos naturais, minerais, a tecnologia, o conhecimento, a capacidade de gerir, tudo isso existe. Todavia, um estado psicológico de menos ou mais confiança é o que determina se a indústria vai produzir, se o comércio vai vender, se as pessoas vão ter mais ou menos possibilidade de garantir seu trabalho, de oferecer seus serviços.

    Conclui-se, portanto, que algumas pessoas, sentadas em uma sala, podem estagnar o mundo ou fazer o mundo girar.

    E por que isso é assim? Porque o mundo (as pessoas, as universidades, os governos, os empresários, os formadores de opinião) resolveram, que mais do que uma lógica real, o mundo segue uma lógica artificial, virtual.

    Veja, é claro que um tsunami no Japão, por exemplo, afetou e afeta o mundo, porque interrompeu a produção de inúmeras mega-empresas importantes, que exportam para o mundo inteiro, e que deixaram de comprar seus insumos, e isso gera uma reação em cadeia. E, portanto, neste caso, afeta as “cotações” de várias empresas por uma situação real. É uma obviedade.

    Porém, o que se verifica, agora, é um movimento político organizado, visando a tentar enfraquecer um homem pacifista (o Presidente Obama, evidente), visando a retirá-lo futuramente do poder. Este movimento (aliada a dependência econômica americana com a indústria da guerra, hoje em decadência) é que está a produzir uma série de situações políticas que gera e corrobora “leituras” de um suposto tenebroso caminho para o futuro. Cartilha que é lida pela mídia, que acaba por vender a imagem do caos.

    Os EUA não vão deixar de ser a nação mais rica e poderosa do mundo só porque um grupo de executivos assim determinou. E certamente terá as suas soluções políticas para sair do impasse e pagar suas dívidas com os seus dólares (eles imprimem o dinheiro que governa o mundo).

    Mas o incrível é ver a mídia seguir a religião da meia-dúzia de executivos. Que, inclusive, parece que nem mesmo saber somar um trilhão, mais um trilhão. E vende-se a crise. Será que é a indústria da guerra que querem ver funcionando a todo vapor para ativar a economia? Eu prefiro a indústria da paz e a economia do bem.

    Então a economia é tão virtual e superficial como o restante do mundo. Da internet e dos fakes. Por isso, hoje vou esquecer que o dinheiro é virtual, na certeza de que vou vê-lo multiplicado apenas daqui alguns meses ou anos, mas com a certeza de que vou vê-lo. E vou ler poesia!

  22. Enviado por: Jandir

    Ele está certo. As agências de risco erraram em 1997, 1998 e 2008. Que credibilidade elas possuem?. Acredito que os EUA continuarão sendo o que são por muitos séculos ainda.

  23. Enviado por: José Luiz

    Assistam ao documentário “Trabalho interno” (Inside job), de Charles Ferguson, exibido no canal 171 da Sky, exibido pela Sony, e entendam o que o sistema financeiro e os políticos, juntamente com ‘especialistas econômicos’ fizeram com os EUA e com outros países no mundo.

  24. Enviado por: darci prass

    Interessante que ha comentarios do tipo “a mascara da mentira caiu”, “o rebaixamento ja veio tarde”,”chegou a hora do acerto”, etc.Se este for o caso, vamos deixar os USA quebrarem em paz e nos focar nos paises que estao bem e vao liderar o mundo daqui pra frente (quais sao eles mesmo?). Nao vamos gastar vela com defunto ruim. Nao deveria mais ser noticia de primeira pagina, uma vez que estao se tornando irrelevantes. A proposito, vale a pena ver a tabelinha publicada na coluna do Celso Ming no Estadao de hoje.

  25. Enviado por: Peter Karady

    Como economista realmente admiro os colegas como conseguem explicar o inexplicavel de forma crivel.
    O simples fato que so olham a area financeira e se esquecem completamente das mudanças da sociedade e as respectivas consequencias.
    Com a redução da mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida cresceu absurdamente a população economicamente não ativa.
    Questão de 30 anos atras a proporção era de 3:1 (3 ativos para 1 não ativo)e atualmente essa proporção caiu para 1,5:1.
    Para agravar esta situação houve durante essa epoca uma enorme concentração de renda.
    Esse fenomeno ocorre tanto nos Estados Unidos como na Europa.
    Haja politica economica para compensar estes fatos. So se for no papel pois na realidade é insoluvel.

  26. Enviado por: juliano camargo

    A concentração de renda é esperada em um ciclo inflacionário.

    A queda de preços que seria proporcionada a toda a população pela entrada dos produtos chineses foi parar no sistema financeiro, levada pelo piloto automático da política monetária, porque a taxa de juros caiu para zero.

    Os países ricos passaram por um ciclo inflacionário – criação absurda de crédito, com expansão média de 15% ao ano. Os preços que seriam mais baixos ‘ficaram estáveis’, ou seja, preços que cairiam mais de 10% ao ano ficaram estáveis, e dá-lhe imprimir dinheiro.

    O que isso acarreta na economia não é diferente dos booms inflacionários que o Brasil passou um tempo atrás.

    Agora as armadilhas são tantas que vai haver uma concentração de renda ainda maior, porque há milhões de ovelhas que depositam suas confianças em esquemas de pirâmide endossados por governo, ou acreditam em promessas impagáveis, ou acreditam que o Fed ou os governos vão poder fazer alguma coisa.

    Estes são os incapazes de agir por conta própria, especialmente contra o consenso. Querem voltar ao clima de normalidade induzido por injeções de crédito fácil que não compram mais nem mesmo um mês de tranquilidade.

    E a grande maioria das pessoas mesmo se tivesse economias para gerenciar infelizmente não conseguiria preservar sua riqueza, porque isto é uma tarefa muito difícil em um ambiente de juros zero.

  27. Enviado por: Maurilio

    Sinal dos Tempos!
    Será o retorno obrigatório das economias planificas!?

    URSSCUBAURSSCUBAURSSCUBAURSSCUBAURSSCUBAURSSCUBAURSSCUBA

  28. Enviado por: Juvencio

    O Paul tem razão. Conforme disse Obama , os EUA continuam AAA. A maior prova disso é que mesmo depois da desclassificação os titulos da dívida americana continuam sendo muito procurados para compra. A economia americana é de enorme influencia no mundo pelo seu tamanho. Os que sonham ver a China liderando o mundo , terão que esperar muito.

  29. Enviado por: karlson rocha silveira

    O governo brasileiro é tão fraco que depois de emprestar bilhões de dólares ao FMI o governo não aproveitou a oportunidade para “exigir” uma melhora na sua nota,afinal,não era uma grande prova de solidez econômica?Além de socorermos a Argentina que não conseguia fechar seu balancete e perdoamos as dívidas(em dólar) dos países africanos. Então nada disso valeu ? Porque o governo brasileiro não questiona nada e aceita tudo passivamente?

  30. Enviado por: Agusto Carvalho

    Antes de criticar o que as agências de rating tem feito em relação ao seu principal negóicio (classificação frente ao risco de crédito), precisamos deixar claro quais são as premissas básicas por trás um rating. Sugiro o post ‘Rating e a função Shuffle do iPod’ publicado em meu Blog Phynancial:

    http://phynancial.wordpress.com/2011/08/02/rating-e-a-funcao-shuffle-do-ipod/

  31. Enviado por: Amilton Lopews

    Caro
    Paul

    Seus diplomas não o impede de confundir pessimas avaliações de riscos pre-crise imobiliaria nos EUA, cometidas pelas Agencias de Riscos.
    No momento, não de trata de questionar a redução nas Notas AAA para os EUA; sim, de reconher a pessima vulnerabilidade das reservas americanas, pois negar isto seria desmerecer o Premio Nobel de Economia que vc recebeu.

  32. Enviado por: mauricio carvalho

    DEVENDO US 14.3 TRI E PAGANDO 0.20% AO ANO, O CUSTO E DE 28.6 BI AO ANO. ISTO E OS ESTADOS UNIDOS
    AQUI, DEVENDO US 1.2 TRI E PAGANDO 12.5 AO ANO, O CUSTO E DE 150 BI AO ANO, ISTO E O BRASIL
    PAGAMOS 60 X MAIS QUE OS POBRES AMERICANOS,
    AQUI NAO TEMOS NADA, HOSPITAIS, RODOVIAS, SANEAMENTO ETC E OS 6 MESES DE TRABALHO QUE PAGAMOS DE IMPOSTOS, SAO ROUBADOS QUASE QUE INTEGRALMENTE PELOS NOSSOS HONESTOS POLITICOS
    SERA QUE ALGUEM TEM CORAGEM DE DAR UMA NOTA A NOSSA ECONOMIA
    MAIS DE QUE EU ESTAVA FALANDO MESMO, EM.

  33. Enviado por: Euclides Coelho

    Krugman tem razão ao afirmar que o problema nos E.U.A é político e não Financeiro. Afinal, os americanos ainda conseguem obter empréstimo de longo prazo a juros baixo, sem contar com um detalhe não levantado por Krugman,a de que a dívida americana é cotada em dolar e sendo os americanos o controlador da oferta de dolar, basta acionar as maquinas de impressão da “CASA DA MOEDA” e o problema da dívida ta resolvido. Consequencia direta da maior oferta monetária, desvalorização do dolar e aumento das exportação.

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