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15 de Abril de 2010

 

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Condenando o euro

Paul Krugman

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Condenando o euro

15 de maio de 2012 | 17h50

Paul Krugman

Neste ponto um argumento que era considerado ultrapassado – que o ajustamento da zona do euro não será possível a menos que a meta de inflação seja elevada - agora está tendo um amplo apoio, embora não de players cruciais. Uma inflação significativamente acima de 2% é quase que seguramente a condição necessária (embora não suficiente) para o euro sobreviver.

Então, o que vem ocorrendo com as expectativas de inflação do euro? Podemos examinar o equilíbrio das contas alemãs – a diferença em termos de rendimento entre os títulos alemães – sem dúvida vistos como seguros – e os títulos alemães indexados à inflação na zona do euro. Que atualmente aponta para uma taxa de inflação esperada durante os próximos cinco anos de 1,3% – excessivamente baixa para tornar viável a sobrevivência do euro.

Então, como esse equilíbrio evoluiu com o tempo?


Possivelmente foi entrando num território plausível em 2011 e depois caindo para níveis que com certeza condenaram o euro.

E o que sucedeu em abril de 2011? Os BCE – Banco Central Europeu elevou as taxas, embora fosse óbvio que o aumento da inflação era um contratempo temporário estimulado pelos preços das commodities. Este foi um claro sinal de que a obsessão com a estabilidade de preços estava mais forte do que nunca. E que significava, no final, uma perda de esperança.

Credibilidade!

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Perigos da União Nacional

7 de maio de 2012 | 15h56

Paul Krugman

Um comentário a respeito dos resultados da eleição grega: o que estamos vendo no país é o perigo de permitir que todas as Pessoas Muito Sérias se juntem num governo de união nacional quando as Pessoas Muito Sérias estão, na verdade, completamente equivocadas quanto àquilo que precisa ser feito.

Vamos voltar um pouco o filme: não acho que analisar eleições europeias em termos de alguma maré ideológica particular seja o mais indicado. Pode-se dizer que se trata de um mundo como o de Larry Bartels, no qual os eleitores rechaçam quem está no governo e recompensam os insurgentes sempre que a economia vai mal, independentemente das especificidades das plataformas de governo apresentadas nas campanhas. A vitória de Hollande na França é tão representativa de uma guinada geral à esquerda quanto a vitória de Rajoy na Espanha foi indicativa de uma guinada geral à direita; nada mais do que os “de fora” sendo beneficiados pelo fato de não estarem no governo, e a economia estar em tão má situação.

Mas pensemos agora na Grécia, que tinha um governo de união nacional – uma aliança entre centro direita e centro esquerda dedicada a seguir aquilo que as PMSs consideram ser políticas responsáveis. Algo como Michael Bloomberg embebido em vinho grego. Parece ótimo, não? (Eu responderia que não, mas não posso ser considerado uma Pessoa Muito Séria.)

O problema é que as políticas responsáveis nada têm de responsáveis – o programa de austeridade que definiu o significado de `seriedade’ na Europa é um abjeto (e previsível) fracasso. Por isso, os eleitores descontam a raiva nas urnas, votando contra os partidos no poder. E como todas as pessoas respeitáveis estão dentro da tenda política, apoiando políticas fracassadas e sendo identificados com elas, isto dá aos extremistas de esquerda e direita um número expressivo de votos.

É verdade: os ecos dos anos 30 são muito fortes.

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A histeria em torno de Hollande

4 de maio de 2012 | 18h19

Paul Krugman

Em cada um de seus artigos, o FT de hoje só fala de Hollande. Alguns dos textos são razoáveis; outros, no entanto, são mais parecidos com este artigo de Josef Joffe, no qual ele declara que a provável vitória de Hollande representa “uma perspectiva desanimadora para todos, a não ser os novos keynesianos e os velhos socialistas”.

Talvez eu devesse me sentir lisonjeado pelo fato de Joffe considerar que o grande debate seja travado entre os falcões da austeridade e… eu. Mas ele diz que se trata de um debate “cansado” – porque debater as formas de combater o desemprego em massa torna-se simplesmente maçante, sabem?

Ainda assim, Joffe tem sua utilidade enquanto indicador da opinião alemã, que diz, basicamente, `conseguimos nos tornar competitivos e restaurar o crescimento; o que impede os demais de seguir o mesmo rumo?’ Ele consegue omitir o fato de que a recuperação alemã na década de 2000 foi impulsionada por uma expressiva guinada no sentido de um superávit comercial; será que todos devem fazer o mesmo, ao mesmo tempo? Como se diz “argumentação fraudulenta” em alemão?

Philip Stephens apresenta uma ótima reação contra a histeria em torno de Hollande:

“Na sua capa, a influente revista The Economist declarou que o sr. Hollande é `perigoso’ – embora, sendo britânica, tenha acrescentado a este epíteto pouco elogioso a locução `um pouco’. A revista observou que o candidato à presidência `acredita genuinamente (grifo meu) na necessidade de se criar uma sociedade mais justa’. Ora, o que poderia ser mais perigoso do que isto?”

“Este tipo de alarmismo toma como base premissas curiosas: a de que o passado nos ensina que os governos não devem jamais interferir nos mercados; e a de que a atual estratégia econômica da Europa tem sido um estrondoso sucesso tanto na reconstrução das finanças públicas quanto na restauração do crescimento econômico.”

E Wolfgang Munchau se mostra cautelosamente esperançoso, como eu.

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O grande erro

25 de abril de 2012 | 18h38

Paul Krugman

É “Oficial: Keynes Estava Certo”, diz Henry Blodget. Os resultados eleitorais recentes na Europa parecem ter elevado a consciência de uma maneira que literalmente anos de dados econômicos não conseguiram: a doutrina da austeridade que regeu a polícia europeia é um grande fiasco.

Eu poderia ter-lhes dito que isso ocorreria, e com certeza, o fiz. Então não mencionei que após três anos de advertências sombrias de que os vigilantes de bônus estão atacando, a taxa de juros de títulos americanos de 10 anos continua abaixo de 2%.

É importante compreender que o que estamos vendo não é uma falência da economia ortodoxa. A economia padrão neste caso – isto é, a economia baseada no que a profissão aprendeu nessas três últimas gerações, e quanto a isso, na maioria dos manuais – era a posição keynesiana. Essa coisa de austeridade foi inventada do nada e de alguns exemplos históricos duvidosos para servir os preconceitos da elite.

E agora os resultados são que os keynesianos estavam totalmente certos, e os “austerianos” totalmente errados – com enorme custo humano.

Gostaria de poder acreditar que isso realmente seria suficiente para prosseguirmos e analisarmos o que pode ser feito, agora que sabemos que as ideias por trás da política recente estavam todas erradas. Mas isso é otimismo injustificado, imagino. Ninguém admite que esteve errado, e as ideias “austerianas” têm um  claro apelo político e emocional à prova de qualquer evidência.

Não sabes, meu filho, com quão pouca sabedoria o mundo é governado?

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Devolvendo o Gini à garrafa

11 de abril de 2012 | 17h42

Paul Krugman

Será que a política econômica é capaz de transformar a desigualdade? Em especial, será que os governos são capazes de reduzir a desigualdade sem assassinar a economia? Como parte da preparação para um curso, tenho analisado uma história que, ao que me parece, tem sido pouquíssimo debatida nos Estados Unidos, mas é no mínimo muito interessante: o notável declínio na desigualdade ocorrido na América Latina.

Espere aí – os países latino-americanos não são extremamente desiguais? Sim, eles – ainda – são. Mas esta desigualdade é hoje muito menos gritante do que já foi. Politicamente, a região avançou para a esquerda perto do ano 2000, voltando parcialmente as costas para o Consenso de Washington – e houve uma reversão dramática nas tendências que regem a desigualdade:

E quanto ao desempenho econômico? O estudo indicado no link acima divide os regimes em três tipos: os social-democráticos (o Brasil, por exemplo), os populistas de esquerda (Venezuela) e aqueles que não se situam à esquerda do centro. (LOC é a sigla para left of center. Na tradução: à esquerda do centro)


Há muito para ser analisado aqui, e não faltam perguntas a respeito da relevância disto para os países mais ricos. Mas quem se lembra de como a direita elogiou o sistema chileno de aposentadoria privada pouco tempo atrás? (Descobrimos que os próprios chilenos não se mostravam tão entusiasmados em relação a este sistema.) Bem, talvez nossos vizinhos do sul tenham uma lição diferente a nos ensinar.

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Uma análise racional para tributar os ricos (elaborada)

4 de abril de 2012 | 15h40

Paul Krugman

Algumas pessoas estão afirmando: “Impostos desestimulam o trabalho!”. Hum, é o que mede a curva da oferta no gráfico; se os impostos não tivessem nenhum efeito sobre a mão de obra, seria uma linha vertical.

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De modo que o presidente Obama está atacando o plano Ryan. E melhor ainda, está se opondo a uma premissa econômica subjacente, segundo a qual  tributar menos os ricos é a resposta para tudo e bom para todos. Porque essa premissa se insere numa péssima teoria econômica.

escrevi a respeito anteriormente, baseado em Diamond e Saez, mas pensei em tentar uma abordagem diferente.

A maneira como Diamond e Saez fazem sua análise é para afirmar que, porque os ricos são ricos, a utilidade marginal do seu rendimento é muito pequena, o que significa que na margem sua renda não é importante para a previdência social.

Assim, devem ser tributados com uma alíquota que amplie a receita, que é 1/(1+E) – onde E refere-se à elasticidade da oferta da mão de obra dos ricos. E como temos muitas evidências de que esta elasticidade é muito pequena, a alíquota do imposto apropriada para os ricos é um tanto alta – 70% ou mais.

Mas e se os ricos, com sua bondade “galtiana” oferecerem alguma coisa que ninguém mais consegue? Chame isso de “J”, para “jobcreation”(criação de emprego). Não seria imperativo que, para estimular “J” deveríamos então manter seus impostos baixos? Na verdade não.

Portanto minha análise alternativa é esta : podemos pensar na sociedade como um todo – ou, se preferir, a sociedade com exclusão dos 1% que estão no topo – tendo um poder monopsônio sobre os ricos. O quadro ficaria assim:

paul_krugman_blog_02.jpg

O ideal, do ponto de vista dos não ricos, é aplicar um imposto que torne o custo de contratar pessoas ricas para produzir o “J” (criação de emprego) igual ao real custo marginal desse “J”, custo que inclui o fato de que comprar mais eleva o preço das compras inframarginais. E se você fizer um esforço, vai concluir que o imposto ideal é…1/(1+E) . Mesmo que os ricos sejam excepcionalmente capazes de oferecer   a mágica da criação de emprego,  devem pagar muito mais impostos do que pagam.

E esta é uma tese econômica padrão perfeita – na verdade Econ 101.

Assim qual é a base para afirmações de que os ricos devem pagar impostos não muito pesados?  Com frequência o que  parece é que, para os conservadores,  existem grandes externalidades de alguma maneira positivas para o que os ricos fazem; como se acreditassem que a política industrial é absurda, a  menos que a indústria em questão se constitua numa criação de empregos pelos ricos, caso em que os argumentos imprecisos sobre as enormes repercussões  são excelentes.

Mas a simples lógica diz que devemos tributar os ricos, e  com vigor.

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Desastres das agências de classificação de risco

2 de abril de 2012 | 15h08

Paul Krugman

Jonathan Portes tem uma bronca justificada com eurocratas falando com as pessoas erradas – a saber, com as agências de classificação de crédito:

“Essas agências se mostraram muitas vezes erradas; elas têm modelos de negócio falhos e, com frequência, conflitantes; e suas classificações não têm poder preditivo. Isso tudo é bem estabelecido. Ademais, com respeito a avaliar “risco de crédito” de dívida soberana elas – e digo isto literalmente – não sabem do que estão falando. Por isso eu quero dizer que elas simplesmente não compreendem o que elas próprias estão dizendo”

E ele nos encaminha a uma postagem de blog defendendo com eficácia essa posição.

Evidentemente, eu compartilho essa visão. Vimos muito dramaticamente o que valem as agências de classificação quando a Standard & Poor’s rebaixou os Estados Unidos – nada. Os rendimentos dos bônus na verdade caíram.

A questão é que, embora S&P, ou Moody’s, ou Fitch talvez – talvez – saibam alguma coisa sobre dívida corporativa, elas sabem menos do que qualquer macroeconomista competente sobre dívida soberana.

Sobre outras notícias, grandes resultados para a austeridade europeia:

Histórias de sucesso

26 de março de 2012 | 15h29

Paul Krugman

Oh, meu Deus

Mr. Katainen, o líder de 40 anos de um dos últimos países da zona do euro que ainda permanece com um Triplo A, manifestou-se de maneira mais otimista nos seus comentários sobre a “growsterity”, uma forma de austeridade que permite a adoção de algumas medidas direcionadas para estimular o crescimento, como a decisão da Finlândia de estabelecer algumas isenções fiscais para gastos das empresas com pesquisas, não obstante os drásticos cortes orçamentários em outras áreas.

“É claro que se você corta gastos e eleva impostos, isso vai reduzir o crescimento a curto prazo”, Katainen admitiu. “Mas ao mesmo tempo aumentará a credibilidade do país. E uma vez reconquistada a credibilidade, o crescimento surgirá, como temos observado na Irlanda, por exemplo, e especialmente na Letônia”. Tenho dúvidas.

 

A Letônia cresceu um pouco nos últimos dois anos; os Estados Unidos também em 1933-35. Mas ainda é uma economia achatada. E no caso da Irlanda houve algumas comemorações de vitória muito prematuras; surpreendentemente, a alegação de que a Irlanda estava se recuperando parece ter se fixado na consciência das Pessoas Muito Sérias da Europa, ao passo que a demonstração posterior de que tudo foi uma espécie de clarão rápido e momentâneo nunca foi assimilada.

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Deixem o cinto para lá

12 de março de 2012 | 18h15

Paul Krugman

Algumas pessoas me pediram uma explicação rápida e fácil para a diferença entre um governo e uma família – basicamente, o problema que haveria em dizer que, quando as coisas vão mal, o governo deve apertar o cinto. Estou trabalhando numa resposta. Mas, quem sabe, possamos usar a Grécia como uma rápida ilustração do problema.

Afinal, poderíamos encarar a Grécia como uma família que gastou demais, endividou-se e, agora, seus membros vêem-se obrigados a fazer tudo aquilo que as famílias fazem quando se descobrem em tal posição: cortar os gastos com aquilo que não é essencial, adiar despesas grandes como o atendimento médico e coisas do gênero, largar seus empregos e reduzir a própria renda – ei, espere aí.

É este o ponto, é claro. Quando uma família aperta o cinto, ela não acaba com os empregos que a sustentam. Quando um governo aperta o cinto diante de uma economia deprimida, muitas pessoas são privadas de seus postos de trabalho; e isto traz efeitos negativos até sob o ponto de vista estritamente fiscal e míope do governo, pois uma economia em retração significa uma arrecadação menor.

Ora, alguém poderia dizer que cortar gastos governamentais não significa realmente eliminar postos de trabalho – alguém que tenha passado os últimos anos numa caverna ou num centro de estudos estratégicos de viés conservador, alheio às informações a respeito de como a austeridade tem funcionado na prática. Pois o resultado das políticas de austeridade na Europa são o máximo que conseguiremos em termos de testes macroeconômicos e, sem exceção, os grandes cortes nos gastos governamentais foram seguidos por declínios acentuados no PIB.
Assim, é melhor deixar o cinto para lá; trata-se de uma péssima metáfora.

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Finalmente, Espanha

8 de março de 2012 | 14h29

Paul Krugman

Eu sempre vi a Espanha, e não a Grécia, como o país quintessencial da crise do euro. Com o governo Rajoy se recusando – corretamente – a adotar mais austeridade, o foco está agora onde  possivelmente deveria estar o tempo todo.

E com a Espanha agora na frente e no centro, o equívoco essencial de todo o foco da política europeia fica absolutamente transparente. A Espanha não entrou nessa crise por ser fiscalmente irresponsável; eis uma pequena comparação:

E embora agora digamos que o superávit antes da crise inflou a bolha, Martin Wolf assinala que o Fundo Monetário Internacional julgou aquele superávit estrutural.

A questão é o que fazer agora. A Espanha precisa claramente ficar mais competitiva; talvez as reformas no mercado de trabalho que ela está tentando implementar façam o truque, embora eu tenda a ser cético; se não, a questão será de deflação relativa gradual – ou saída do euro e desvalorização.

O que está claro é que aumentar ainda mais a austeridade não ajudará; apenas reforçaria a espiral descendente, e traria para mais perto a possibilidade de uma verdadeira catástrofe.

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