Com direito a filminho e entrevistas ao vivo, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou um acordo entre a Caixa Econômica Federal e o banco de Venezuela para criar correspondentes bancários em lojas de favelas venezuelanas. Chávez anunciou também um programa de financiamento da Caixa para construção de casas populares em áreas de morros nas favelas. No total, Lula e Chávez anunciaram 27 acordos na sexta-feira, no Palácio de Miraflores.
Empreiteiras brasileiras assinaram vários contratos – a Andrade Gutierrez fará um projeto de geração elétrica; a Queiroz Galvão, de geração hidroelétrica, a Camargo Correa, de saneamento do rio Tui e a OAS, obras em favelas.
Na quarta-feira, foi aprovada em primeira instância na Assembleia Nacional uma lei que permite ao governo venezuelano desapropriar equipamentos e anular contratos de obras públicas que estejam atrasadas ou suspensas. A lei ainda precisa ser aprovada em segunda instância, mas como há maioria chavista, não será um problema.
Segundo executivos das empreiteiras, há a percepção de que a boa relação política entre a Venezuela e o Brasil, principalmente o bom relacionamento de Lula e Chávez, reduz muito as chances de o governo bolivariano nacionalizar projetos brasileiros.
Ou seja, na hora de desapropriar, Chávez optaria antes por empresas e obras de outros países e dos próprios venezuelanos, antes de queimar o filme com os brasileiros.
mas essa garantia está muito ligada ao presidente Lula, e não se sabe o que acontecerá depois que o presidente sair do poder.
é um risco.
O presidente Hugo Chávez regulou o câmbio venezuelano em janeiro. Para bens essenciais como alimentos e remédios, são 2,6 bolívares fortes para US$ 1. Para todo o resto, são 4,3 bolívares por dólar. Mas falta dólar no país e o mercado negro floresce. No paralelo, um dólar vale sete, oito bolívares. Em maio, o mercado paralelo, ou livre, foi novamente reformulado por Chávez, depois de o dólar bater em 8,2 bolívares. Mas tudo continua nas sombras, embora quase todo mundo recorra a essas trocas paralelas.
Resolvi trocar dólares pela taxa mais vantajosa de 7 bolívares. Perguntei ao balconista do hotel. O sujeito baixou os olhos e disse– se você quer trocar dólares, fale discretamente com uns dos botones , os carregadores de mala.
- Gostaria de trocar dólares.
- Ah, a senhora sabe que não é permitido, é uma coisa complicada.
- Sei sim.
- Quantos dólares?
- 300.
- Me espere aqui que já volto.
Dez minutos depois, Iván está volta.
- Siga-me.
Entramos no elevador do hotel.
- Me mostre o dinheiro
A porta do elevador se abre. Entram três chineses. Iván faz um sinal com os olhos.
Saem dois chineses.
Sai o último.
- Aqui, conte o dinheiro.
- Está certo, 2100 bolívares.
Abre a porta do elevador, entram dois russos.
Saem.
Trocamos o dinheiro, rapidamente.
O botones sorri.
Descubro, mais tarde, que estão trocando dólar a oito bolívares. Humpf.
Pátria, socialismo ou morte, são os dizeres no muro perto do hotel.
Foi efêmero meu momento 007 em Caracas.
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