Somos todos gaullistas agora. Essa é a conclusão de Sudhir Hazareesingh, professor de Política na Universidade de Oxford, em artigo na Foreign Policy.
Muitos líderes ao redor do mundo estão emulando o estilo “anti-americano”, independente, de Charles de Gaulle, do ex-presidente e gigante (literalmente, ele tinha 1.96 m) francês. Aquele mesmo que nunca disse “o Brasil não é um País sério”, mas poderia ter dito, e levou a fama pelo aperçus de um embaixador brasileiro da época.
Segundo Hazareesingh, os franceses, desgostosos com Sarkozy, abraçaram com fervor as comemorações dos 70 anos do chamado do líder francês à resistência contra os nazistas. Mas não são os únicos com saudades de De Gaulle. De acordo com ele, também Muamar Kadafi da Líbia e Fidel Castro de Cuba se inspiram em De Gaulle.
Segundo o acadêmico, além de Simon Bolívar, o mentor espiritual de Hugo Chávez, De Gaulle seria outro dos inspiradores do caudilho.
E por que não Lula, com seus laivos nacionalistas em política externa?
O time de Lula se vangloria de ter esnobado a Alca, de não ser mais quintal dos EUA, e Lula comparou o vizinho norte-americano a um elefante que se borra diante de um rato (nós, no caso, no papel pouco lisonjeiro de roedores).
Fui a Brasilia ontem, para entrevistar o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. A viagem ao Brasil é a primeira visita oficial de Santos a um governo estrangeiro. E o ex-ministro da Defesa teve “ótima química” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme descreveram seus assessores. Santos disse estar satisfeito com as condenações de Lula ao terrorismo na região, embora o presidente brasileiro não tenha mencionado diretamente as Farc. Lula afirmou em discurso durante almoço para Santos, no Itamaraty, que nada justifica o terrorismo e que apoia a luta do povo colombiano.
Já em relação ao presidente Obama, há uma interrogação. A Colômbia tradicionalmente é um dos maiores aliados dos Estados Unidos, que colaboram com milhões em ajuda militar e para o combate ao narcotráfico (Plano Colômbia). Washington sempre é um dos primeiros destinos dos mandatários colombianos. Mas desta vez, uma visita à Casa Branca ainda nem está no horizonte.
“O senhor já tem marcado um encontro com o presidente Obama?”
Santos respondeu, um pouco irritado:
“Não tenho um encontro formal com Obama, por enquanto não. Mas com os Estados Unidos temos a melhor das relações, e vamos continuar com esta relação. Não tenho nenhum plano de visita a Washington, mas em algum momento, claro que irei.”
A única viagem programada é para participar da assembleia geral da ONU, em Nova York, em setembro.
Especulou-se muito sobre o futuro do relacionamento entre Colômbia e Estados Unidos quando Barack Obama ganhou. Alvaro Uribe tinha relações muito próximas com o rival republicano, John McCain, que perdeu a eleição dos EUA em 2008. Já o democrata Obama é bem menos entusiasmado com a Colômbia, e foca nas suas relações com o México, que exige cada vez mais atenção por causa da guerra do narcotráfico. Outro ponto de atrito é o acordo de livre-comércio entre Colômbia e EUA- está parado no Congresso sem sinais de que será aprovado logo. Ao contrário dos republicanos, o democrata Obama não é grande entusiasta de acordos de livre-comércio e não vai se indispor com seus aliados sindicalistas, que se opõem ao acordo, para pressionar pela aprovação no Congresso.
Com direito a filminho e entrevistas ao vivo, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou um acordo entre a Caixa Econômica Federal e o banco de Venezuela para criar correspondentes bancários em lojas de favelas venezuelanas. Chávez anunciou também um programa de financiamento da Caixa para construção de casas populares em áreas de morros nas favelas. No total, Lula e Chávez anunciaram 27 acordos na sexta-feira, no Palácio de Miraflores.
Empreiteiras brasileiras assinaram vários contratos – a Andrade Gutierrez fará um projeto de geração elétrica; a Queiroz Galvão, de geração hidroelétrica, a Camargo Correa, de saneamento do rio Tui e a OAS, obras em favelas.
Na quarta-feira, foi aprovada em primeira instância na Assembleia Nacional uma lei que permite ao governo venezuelano desapropriar equipamentos e anular contratos de obras públicas que estejam atrasadas ou suspensas. A lei ainda precisa ser aprovada em segunda instância, mas como há maioria chavista, não será um problema.
Segundo executivos das empreiteiras, há a percepção de que a boa relação política entre a Venezuela e o Brasil, principalmente o bom relacionamento de Lula e Chávez, reduz muito as chances de o governo bolivariano nacionalizar projetos brasileiros.
Ou seja, na hora de desapropriar, Chávez optaria antes por empresas e obras de outros países e dos próprios venezuelanos, antes de queimar o filme com os brasileiros.
mas essa garantia está muito ligada ao presidente Lula, e não se sabe o que acontecerá depois que o presidente sair do poder.
é um risco.
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