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Patrícia Campos Mello

15.julho.2009 11:37:36

Diário da Guerra do Obama: no Afeganistão com o exército americano

Queridos leitores

Estou no aeroporto de Frankfurt, de onde embarco para Cabul daqui a algumas horas.
Depois de escrever sobre o conflito no Afeganistão durante meus quase três anos de correspondência em Washington, vou ver a guerra de perto. E queria contar um pouco do “making of” dessa matéria.

Há cerca de 4 meses, fui convidada pelo exército americano para dar uma palestra em Fort Leavenworth, no Kansas, sobre relacionamento da imprensa estrangeira com as Forças Armadas dos EUA. Fort Leavenworth é conhecido como o cérebro do exército, já que é um centro de formação de oficiais. Eu fui chamada por causa das matérias que fiz em Guantánamo, em Fort Polk (sobre treinamento de soldados que estavam indo para o Iraque) e em Quantico (treinamento de marines). No painel dos palestrantes, eu era de longe a mais inexperiente em questões militares. A meu lado estava um jornalista alemão do Frankfurter Allgemeine Zeitung, que já esteve no Iraque oito vezes e no Afeganistão umas três; do outro lado, um jornalista da TV russa, também com várias passagens em zonas de conflito, inclusive na Chechênia, e minha querida colega Joyce Karam do Al Hayat, jornal saudita – com grande experiência em Oriente Médio.

Depois da palestra, um general veio bater papo comigo e perguntou se eu nunca tinha pensado em “embed” no Afeganistão. Sim, já tinha pensado, eu respondi. Depois de ter contato com vários soldados a caminho da guerra, gostaria de ver de perto o que eles estão enfrentando. Uma coisa é estar confortavelmente no ar condicionado falando sobre a guerra com analistas. Outra coisa é testemunhar o custo do conflito para os afegãos. Para isso, o ideal era o tal “embed”, em que o jornalista consegue chegar até o front, e fica embutido na tropa – dorme , acorda, come, e vai em missões com os soldados.

Esse empurrãozinho era o que faltava para eu juntar coragem. O processo de se candidatar e ser aprovada para o embed levou mais ou menos 4 meses. O Pentágono checa todos os antecedentes do jornalista e alguns não conseguem aprovação.

O e-mail fatídico chegou no dia 13 de junho. “Cara Ms Mello : Anexa está a carta de aprovação de seu embed. Por favor chegue à base aérea de Bagram até as 4h30 do dia 19 de julho para que possamos transportá-la para seu local de embed.”

Ai Jesus. Agora eu vou.

Junto com o friozinho na barriga veio a mão-de-obra dos preparativos. Fui tomar um café com a jornalista Anna Mulrine, da US News, que me deu dicas preciosas. Anna é veterana de embeds – só no ano passado, foi quatro vezes para o Afeganistão. Além de recomendações digamos jornalísticas, ela me deu algumas dicas mais prosaicas.

“Não esqueça os “baby wipes”, ela recomendou. São aqueles lenços umedecidos de limpar bumbum de nenê, muito úteis quando banho não é a coisa mais fácil do mundo.

Gulp.

Ela também me recomendou o tipo de telefone por satélite que eu deveria levar e até a mala que era melhor. Eu havia ido na REI, que é o paraíso dos alpinistas, acampantes, etc, comprar uma mochila. O test-drive da mochila foi aterrorizante. O vendendor simpático coloca 20 quilos em sacos de areia para você testar o peso. Corcundinha era uma boa definição.

Foi então que Anna me salvou. “Mochila? Imagine….compra uma daquelas sacolas com rodinhas. Se bobear, os soldados ficam com pena e até ajudam a por a mala dentro do avião.” Ufa, fui lá trocar a mochila.

Todos os jornalistas que vão embutidos com as tropas americanas são obrigados a levar seu colete anti-bala e o capacete, dentro das especificações exigidas pelo exército. Aluguei então a parafernália – juntos, o colete e o capacete pesam 12 quilos. O pior é por o capacete na mala. Já tentou levar um capacete? Atravanca tudo. O senhor da empresa de aluguel de colete anti-bala– Kejo – era do Zimbábue. E foi logo avisando – se você fosse da Nigéria, não sei se alugava o equipamento pra você. Aparentemente aqueles e-mails picaretas nigerianos acabaram mesmo com a reputação do pessoal de Lagos.

O próximo passo foi o BGAN, o telefone por satélite que dá acesso a internet banda larga nos confins do Judas, assim me garantem. Mas quem disse que tecnologia veio para facilitar a vida das pessoas? Só se for a vida das pessoas extremamente tecnófilas. Passei uma hora e meia com o “cara do sistema” no telefone, só para instalar o software do tal BGAN no meu computador. Desse jeito, imagine quanto tempo vou levar pra fazer a coisa funcionar lá no meio do nada? O “cara do sistema”, Ken, era ultra gentil e, de quebra, esteve no Iraque durante oito meses, como operador de rádio. “Cuidado com os escorpiões – um dia acordei cercado de escorpiões brancos”, ele avisou. Ai meu Deus. Não bastassem as bombas, agora vou ficar neurótica com escorpiões.

Entrementes, ia dando conta da pilha de livros sobre Afeganistão que estava no meu criado mudo – In the Graveyard of Empires, do Seth Jones, Descent into Chaos, do Ahmed Rashid, a última Foreign Affairs tinha um artigo interessante, uma análise espetacular da Stratfor, repassada pelo colega correspondente Gustavo Chacra, quilômetros de matérias de jornais, e o Lonely Planet também porque ninguém é de ferro. Na mala, estou levando o Rory Stewart (The Places in Between) e o apropriado Cus de Judas, do Antonio Lobo Antunes, sobre a guerra em Angola. Também consultei o Lourival Sant’Anna, que já foi para os confins do Afeganistão (e duzentos outros lugares mais), e fez grandes matérias, e li as belas reportagens da colega Adriana Carranca, que esteve em Cabul no ano passado.

Assisti na semana passada ao The Hurt Locker, um filme sensacional que acabou de estrear nos EUA (embora no Brasil já esteja em DVD) sobre os destacamentos de especialistas em IEDs, as letais bombas improvisadas. E havia assistido ao Taxi to the Dark Side, espetacular, sobre um taxista afegão que é preso por engano e acaba morrendo em Bagram.

A amiga Rita Siza, correspondente do jornal português Público, foi a pessoa mais alugada do planeta durante os últimas dois meses. Aguentou toda a minha ansiedade. Prometi a ela trazer uma burca fashion de presente, no mínimo. Os amigos Balthazar e Dri (e Laurinha e Julia) também merecem suas burcas fashion – além de aguentarem meu aluguel, eles ficaram cuidando da minha filhota canina, a border collie Sarah. José Meirelles Passos, veterano de guerras no O Globo, deu a dica: nao esqueça bateria extra para a câmera e pro laptop, e um bom livro, para as muitas horas de espera. Afinal, alguém já disse que o lema do exército é “hurry up and wait”

Por fim, trago na mala o conselho do meu pai, Hélio, que junto com o William Waack cobriu a guerra do Golfo. Os dois fizeram um livro maravilhoso – Mister, you Bagdad: dois repórteres na Guerra do Golfo.”

“Se você for corajosa demais, você acaba morta; se você for medrosa demais, não faz o trabalho direito.”

E cá estou em Frankfurt, tomando a terceira Coca Light do dia e esperando o voo da Safi Airlines para Cabul. O destino final é algum ponto na fronteira entre o Afeganistão e Paquistão, sudeste do país, em uma base americana.

Espero absorver cada detalhe de tudo o que estiver acontecento ao meu redor, conversar longamente com soldados americanos, e com civis afegãos cansados dessa guerra que não acaba mais e está custando tantas vidas.
E se Deus quiser, escrever matérias que nos ajudem a entender essa guerra.

Minha mãe, que acendeu uma vela para Sao José e outra para São Jorge, ainda não se acostumou com a idéia. “Não dá mesmo para você cobrir o Michael Jackson, filha?”

comentários (53) | comente

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53 Comentários Comente também
  • 15/07/2009 - 13:37
    Enviado por: Sandro

    Patrícia,

    Boa viagem e boa sorte.

    Diz para a sua mãe que cobrir o Michael Jackson qualquer um faz, além de ser o maior tédio.

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  • 15/07/2009 - 15:00
    Enviado por: Knock out

    Boa viagem a boa sorte!.

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  • 15/07/2009 - 15:21
    Enviado por: Marcela

    Parabéns pela coragem e boa sorte nas suas reportagens. Vou acompanhá-las! Beijos

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  • 15/07/2009 - 16:26
    Enviado por: francisco

    grande aventura,com certeza estarei acompanhado.
    desejo-lhe muita sorte

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  • 15/07/2009 - 16:39
    Enviado por: Sérgio Gabrielleschi

    Prezada Patrícia, te desejo boa sorte e coloque muitas fotos e comentários para nós, principalmente o que pensa os soldados americanos da Guerra. Abraços

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  • 15/07/2009 - 16:39
    Enviado por: Claudio Rocha

    Desejo a você toda a sorte do mundo, e agradeço a você fazer esta reportagem, que nada mais é do que um presente para nós leitores e adminradores das boas reportagens!!!

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  • 15/07/2009 - 16:47
    Enviado por: Lilian

    Boa sorte! Estarei te acompanhando pelo seu blog!

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  • 15/07/2009 - 17:04
    Enviado por: daniela

    Acompanho seu blog faz tempo. Que oportunidade, hein? Coragem e boa sorte!

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  • 15/07/2009 - 17:14
    Enviado por: AleBoin

    UAU…toda a sorte do mundo p/ vc!!! Tenho certeza que a tua coragem e o teu medo estarão dosados no ponto certo para vc fazer um trabalho maravilhoso. Torcendo muito por vc daqui de SP.

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  • 15/07/2009 - 17:20
    Enviado por:

    Pata, boa sorte e se cuida no Afeganistão. E continua postando o making of no blog

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  • 15/07/2009 - 17:29
    Enviado por: Paulo Cesar

    Patrícia, além de te desejar uma boa viagem e um bom retorno, talvez eu possa me alinhar com sua mãe e sugerir: Veja Forrest Gump e você terá visto todas as guerras. Se desejar algo lógico nelas, procure encontrar em Apocalipse Now ou Platoon, mais adequadro. Para sentir a coisa mais de perto vá ao complexo do alemão, no Rio, e fique apenas olhando. Vestida de gari e com uma máquina escondida, você poderá documentar o Afeganistão na boa e com pouco risco. Porque, uma coisa é certa: os americanos perderam, assim como os russsos, assim como os britãnicos. Não se pode vencer nada contra tibos tão díspares entre si e tão pré-históricas. nem elas mesmas sabem o que ocorre e por que. Mas,. boa sorte e não esqueça que o soldado americano, de hoje, é profissionalizado. Não luta mais por nada que não seja ele mesmo. É ignorante e não consegue emprego na América. Besteira falar com eles. é uma profissão parecida com os soldados do Poderoso Chefão. Eles apenas portam armas, comem, dormem, estupram mullheres, abrem fogo até o limite , dado o medo que sentem, nem sabem onde fica o Afeganistão e o que estão fazendo lá. Não servem pra nada, portanto. Melhor conversar com os oficiais. Sao menos burros.

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  • 15/07/2009 - 17:33
    Enviado por: sergio bittencourt

    muito bom.sorte,sucesso

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  • 15/07/2009 - 17:39
    Enviado por: sergio diyodi abe

    Patricia, vejo que esta muito excitada e ansiosa para iniciar o seu “embed” . Espero que tudo corra bem, e que vc nos envie informacoes que deem uma panorama desta guerra tao confusa.
    Obrigado

    sergio

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  • 15/07/2009 - 18:05
    Enviado por: Rejane

    Patricia, desejo boa sorte neste desafio que é estar no meio da guerra. Confie no seu trabalho e tudo dará certo! Como jornalista que nem você, adorei o texto, porque mostra o profissonal como ser humano também, que sente friozinho na barriga, que tem vontade de desbravar o desconhecido, enfim, estou torcendo aqui no Brasil para tudo dar certo!

    Abraço,

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  • 15/07/2009 - 18:33
    Enviado por: estevam norio tio

    Olá Patrícia,
    Muita boa sorte nessa sua louca aventura,
    Invejo vc de estar onde eu gostaria muito de ir: cobrir conflitos.

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  • 15/07/2009 - 18:46
    Enviado por: Frederico R. Cesar

    Só posso desejar a você boa sorte! Espero ler matérias bem interessantes no seu blog.

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  • 15/07/2009 - 18:53
    Enviado por: José Ribeiro

    Olá Patrícia,

    Li por acaso a chamada da sua matéria na Home do Estadão e não consegui mais parar de ler.
    Vou acompanhar seu blog e torcer por você!
    Quando garoto fui para a Aeronáutica para viver aventuras como estas, hoje com família nem pensar. Vou imaginar você como minha representante e de tantos outros, que como eu, ao mesmo tempo que odeiam a guerra, sabem que infelizmente ela é da natureza humana (sabe Deus por quanto tempo ainda) e que sentem a atração de estar perto da ação e como você disse, entendendo melhor o porque disto. FInalizando, estarei pedindo Deus a ao Universo que o seu anjo da guarda lhe proteja sempre, evitando os lugares errados na hora errada e fechando seu corpo contra qualquer mal, de modo que você mantenha a todos nós informados e volte para continuar seu destemido trabalho. Boa Sorte!

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  • 15/07/2009 - 18:59
    Enviado por: Cambar

    Grande Patricia! Que legal. Parabens pela coragem. Continue postando aqui seus textos sobre o cotidiano, dessa vez de la.
    beijo,
    Cambara

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  • 15/07/2009 - 19:21
    Enviado por: Pax

    Frase que já ouvi de dois correspondentes: “Keep your head down”.

    Mas… não leve “entrementes” na bagagem. Parece guerra dos 100 anos.

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  • 15/07/2009 - 19:50
    Enviado por: Nélson

    Desejo que OS BONS ESPÍRITOS TE ACOMPANHEM EM TODO O CAMINHO.

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  • 15/07/2009 - 19:56
    Enviado por: hildebrando teles de oliveira

    Que Deus esteja contigo nesta árida empreitada.

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  • 15/07/2009 - 22:44
    Enviado por: Adriana

    amada, estamos na torcida e orgulhosos de vc! Laurinha leu sua postagem e comentou: “Uau, deve ser bem emocionante.”
    bj grande
    Dri

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  • 16/07/2009 - 02:34
    Enviado por: Otharyo

    É tudo besteira. Ser repórter embeded é moleza. Não tem risco nenhum, já que os repórteres ficam bem atrás das tropas e só avançam quando a barra já está limpa. Perigo por perigo, seria realmente mais útil – e mais arriscado – reportar as ações da polícia nos morros do RJ ou mostrar a situação das vítimas de balas perdidas na Linha Vermelha, perto do aeroporto do Galeão. Por que você não vai para SP, para contar a história da Letícia, que morreu na semana passada? É engraçado como a nossa imprensa faz festa com uma guerra a 14 000 km, e esquece guerra pior, aqui no Brasil. Claro, quando a grana é boa, vale até injeção na testa, certo?

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  • 16/07/2009 - 02:54
    Enviado por: fernando amaral

    querida Patrícia,

    parabéns, por não hesitar em aceitar o convite, e muito boa sorte nessa empreitada.
    já deu pra ver que você está se preparando bem, mas, de todo modo: vá pela sombra (quando possível)
    e olhe onde pisa.

    best wishes
    auguri

    Fernando Amaral

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  • 16/07/2009 - 03:00
    Enviado por: Andrei

    Dois dias na cracolândia em SP (a Disneylandia do Crack – pra quem vive em outro planeta e nunca ouviu falar…) e você já estará preparadíssima para o que der e vier! Pra quem vive no Brasil, guerra não é nada… Boa Sorte pra você e pra todos nós.
    Abraço!

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  • 16/07/2009 - 07:09
    Enviado por: Anna H.

    Então você tem a quem puxar, jovem repórter corajosa ! Só não hesite se seu chefe te mandar voltar pra casa, é menos arriscado assim…
    (e dê graças a Deus se voltar sã e salva)

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  • 16/07/2009 - 11:39
    Enviado por: claudio

    Patrícia pergunta para o Bin Ladem “CADÊ O CHINELO???” “CADÊ O CHINELO???” ele vai responder “RONALDO!!!!!”. Esta é a senha do paraíso. risos

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  • 16/07/2009 - 13:39
    Enviado por: mauricio barbosa

    Patrícia, boa sorte e que Deus te proteja nessa nova empreitada. Uma verdadeira aventura, para quem gosta de novos desafios e não tem medo da morte!
    Como diz aquela canção do Cazuza, imagino que você vá ver a cara dela e ela estará bem viva …
    Quem sabe, de quebra, você não consegue uma entrevista exclusiva com o Obama, ops, quis dizer Ozama, naquelas montanhas …

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  • 16/07/2009 - 13:57
    Enviado por: Ana Paula

    Patricia,

    Parabéns pela iniciativa, e espero que traga importantes informações e com transparência, sobre o terror que acontece a muitos anos no Afeganistão e o porque não terminam com essa guerra que mata tantas pessoas inocentes!!!
    Pedirei sempre a Deus para te guardar a cada instante e te dar experiências incriveis.

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  • 16/07/2009 - 14:01
    Enviado por: Carlos

    É sempre bom ouvir sobre o reconhecimento de brasileiros no exterior bem como o sucesso destes, a longo prazo acho que ajuda a ir melhorando a autoestima do nosso povo e a um prazo maior a qualidade do novo voto.
    Boa viagem e muita sorte e prosperidade.

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  • 16/07/2009 - 15:28
    Enviado por: beto pandiani

    boa sorte Patricia, bela atitude, te acompanharei, beijo

    Beto

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  • 16/07/2009 - 15:57
    Enviado por: pimentel

    Patrícia, vai na fé. Na bagagem, além do colete, capacete e baby wipes, você leva de brinde a inveja positiva de muitos colegas. Tô nessa. By the way, inveja positiva é aquele que você tem por querer estar no lugar de alguém, que não derruba , pelo contrário, fortalece. E de toda forma, também estamos indo, pelo blog. Aguardamos relato e, na volta, o livro.

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  • 16/07/2009 - 18:37
    Enviado por: Abgaidson

    Há gente que não vai ao Rio com medo de levar um tiro, ser assaltado. Que não viaja de avião. E quem acha que morrer faz parte, ou sofrer uma violencia. O mundo ainda é seguro, não exagere.

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  • 16/07/2009 - 19:21
    Enviado por: Bradock

    Bom… vou destoar.

    Lamentável Patrícia, que voce tenha decidido se arriscar para cobrir um conflito de menor importância como esse.

    Mas já que está decidido, deselho-lhe boa sorte.

    Os civis em geral não fazem idéia do potencial destrutivo das armas militares. Fui militar. Na época, tempos atrás, atirávamos com o FAL, fuzil automático leve. Havia um tipo de munição que se colocava no carregador para parar veículos. Eram balas de aço. Atravassavam um carro dos dois lados, e ocupantes, se houvesse. Chegavam a furar o bloco do motor. E voce pensando em capacetes e coletes… Alguém que seja atingido por um projétil destes, se sobreviver fatalmente acaba mutilado.

    Isso sem falar nas minas terrestres, que arrancam pernas e braços como se pessoas fossem bonecos de pano.

    Tudo que voce verá por aí será o circo dos horrores. Ciência, tecnologia, inteligência aplicada na exterminação do ser humano. Gente que sai perfeita, caminhando, e volta de maca, sangrando. Isso quando volta e não vira POW MIA. Vale como informação. Talvez te dê nova visão do mundo. Eu, depois que deixei dessa vida, passei a adimirar poentes.

    É certo que dificilmente te colocarão na ‘zona de conflito’, embora, aparentemente, parece que é o que voce quer. Voce deverá permanecer ‘behind the scene’. Aposto que não te levariam para um ‘raid’, nem que voce insista.

    Mas, mesmo na base ou em locais próximos a ela, não seria bom que voce se caracteriza-se como um GI Joe. Pode acabar confundindo algum índio de turbante que seja mais afoito. Quanto mais ‘PRESS’ voce estiver, menos risco acontecerá.

    No meu tempo, e já faz tempo, os correspondentes usavam uma faixa branca no antebraço esquerdo e a metade da frente do capacete era pintada de branco. Tanto em um, como em outro, era escrito ‘imprensa’, na língua dos hostís do local. Havia também um colete, branco, com a mesma inscrição. As laterais do carro também eram identificadas desta forma e uma antena com uma bandeirinha branca também era usada.

    Enfim… Voce tem sorte de eu não ser teu pai. Juro que iria te buscar e voltaria com voce para o Brasil. E te daria uma bela surra para voce aprender a deixar de abusar do acaso.

    Good luck, fucking crazy!

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  • 16/07/2009 - 22:17
    Enviado por: José Lima

    Pelo seu currículo, é uma experiência muito importante. Tantos que deram opinião repulsiva ao seu posicionamento sobre o golpe em Honduras talvez se supreendam com essa sua empreitada jornalistica e a afinidade com o ambiente militar. De quebra, vai funcionar como um recado sobre uma profissão cuja especificidade acaba de ser reconceituada no Brasil. Deus a acompanhe e esperamos curiosamente os relatos!

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  • 16/07/2009 - 22:21
    Enviado por: edilson oliveira

    Patricia, voce s sabe que só será divulgado o que for de interesse da cia.Se voce honestamente intenção de contribuir para a paz,guarde com voce as informações mais importantes,os sentimentos mais verdadeiros,para divulga-los no momento mais oportuno.Não é facil.Será um turbilhão de sentimentos e emoções juntos.A escolha será dificil.Voce é inteligente e saberá faze-la.Boa sorte,bom trabalho

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  • 16/07/2009 - 23:18
    Enviado por: Guilherme

    Patrícia!!!

    em um curso de jornalismo em situações de conflito armado Marcelo Beraba e Ricardo Galhardo comentaram que para cobrir inteiramente um fato durante um conflito é necessário sentir o “bafo” quente das bombas. Cuidado, Vá e volte, e não esqueça de nos contar tudo.

    Boa sorte!!! Torcemos por vc!!!

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  • 17/07/2009 - 16:32
    Enviado por: Tiago Ferreira da Silva

    Patrícia,

    Traga também histórias não apenas do que está acontecendo nos arredores do Afeganistão através de depoimentos de soldados e militantes.

    É de extremo interesse também o pensamento do povo afegão que não está dentro da guerra, mas mantém residência em um Estado que passa por catástrofes inuméricas.

    No mais, boa sorte e tenha um ótimo desempenho jornalístico no exercício do seu trabalho. Com isso, ganha você e ganha o público, que poderá ter um pouco de conhecimento sobre o Afeganistão, a guerra e seu povo.

    Que responsa, hein!

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  • 18/07/2009 - 09:31
    Enviado por: JOAO MELO

    Patrícia Melo,

    SUCESSO e CORAGEM.
    Estarei aqui torcendo muito por você.

    BOA SORTE.

    Abraço,

    João Melo,
    direto da selva amazônica, (quase Cabul…)

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  • 18/07/2009 - 11:50
    Enviado por: Dani Matta

    Pata,

    Boa sorte, se cuida e manda noticias…..

    Bjs

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  • 18/07/2009 - 15:43
    Enviado por: joyce bloem

    Pata,

    Estarei acompanhando sua adirmiavel e corajosa empreitada atraves de seus blogs. Certa de seu merecido sucesso e feliz retorno, envio meu grande abraco and God Bless,

    Joyce

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  • 18/07/2009 - 22:23
    Enviado por: nani

    VC NÃO IMAGINA O QUANTO EU DESEJARIA ESTAR NO SEU LUGAR. BOA SORTE!

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  • 18/07/2009 - 22:31
    Enviado por: Alexandra Forbes

    Querida,

    puxa, que grande noticia. Eu, como fellow reporter, sei o quanto isso significa, cobrir uma guerra. O post foi uma leitura deliciosa e vou te acompanhar aqui de longe, passo a passo. Muito sucesso!

    um beijo,

    Alexandra

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  • 18/07/2009 - 23:17
    Enviado por: jorge almeida

    sabe patricia, há muitos anos, um jornal, aqui deste país dizia:”esses homens, esses combatentes da liberdade…eles lutam com armas primitivas contra o i´mpério soviéitco”, agora d. patricia…esses mesmos homens, são terroristas, fanáticos´…é , o mundo dona patricia da voltas, né? pra que não sabe, o jornal, ao qual me refiro é o “jornal da tarde”…que na época da guerra entre afegnistão e união soviética, os mesmos talebans eram “combatentes da liberdade…é agora terroristas, né dona patricia? o mundo é muito estranho…sem dúvida…boa doan patricia, espero que seja, pelo menos honesta, coisa rara, na sua profissão…

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  • 19/07/2009 - 04:02
    Enviado por: Felipe Campos Mello

    Pata, mesmo sendo um irmão muito chato e que sempre te enche o saco, estarei acompanhando a sua grande aventura por este blog e omínimo que tenho a dizer é BOA SORTE!

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  • 19/07/2009 - 22:24
    Enviado por: Aluisio

    Boa sorte,boa viajem teacompanho bastante, faça revisão do equipo de comunicação,estes equipos custumam terinterferencia no local provocada é obvio.ok fique atenta sempre nas suas reportagens na H2O por mais de3 dias.ok
    Qua voce seje a proficional que é e tenha muita Proteção de DEUS.ok vai em frente.ok
    Abraços Aluisio

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  • 19/07/2009 - 22:30
    Enviado por: Paulo

    Patricia

    Use roupas que identifiquem q vc eh do Brasil. Use um bone, um botton, ou o q for. O ideal eh usar uma camisa da selecao brasileira embaixo do colete. Isso ajuda em caso de sequestro. Todo mundo gosta de brasileiro. Leva uma foto do Ronaldinho, do Pele, etc. Isso pode ter um valor muito alto se alguma coisa der errado.
    Estou torcendo pra q tudo de certo. Que seu anjo da guarda te proteja.

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  • 19/07/2009 - 22:37
    Enviado por: Zaka

    Isso sim que é por a mão na massa!

    O blog é de quem tem conhecimento de causa por vive no meio dela.

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  • 20/07/2009 - 00:30
    Enviado por: OZANAM THALES

    Parabéns, pela empreitada.

    É uma rara oportunidade de vc mandar notícias do que ocorre no Afeganistão, pra muitos brasileiros que desconhecem a geopolítica mundial. Esta guerra é fundamental pro Ocidente, pra China e tbm pra Rússia, já que os talebans querem conseguir o poder não só no Afeganistão, mas tbm no Paquistão (para obterem a bomba atomica). A luta no Afeganistão é vital pro mundo, se queremos um mundo laico e onde os direitos humanos sejam respeitados, ou um retorno a Idade Média.

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  • 20/07/2009 - 03:22
    Enviado por: Rodrigo

    Parabéns e boa sorte Patrícia!

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  • 20/07/2009 - 14:35
    Enviado por: Adriana Carranca

    Boa sorte, Patrícia!!! Aproveite muito essa experiência maravilhosa. Tenho saudade de Cabul, muita saudade. E desse povo incrível que são os afegãos, uma gente que não se rende ao sofrimento nunca! Vou te acompanhar nessa viagem, pelo blog e as matérias excelentes que você faz. Movafagh baasheed, jan!!!

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  • 22/07/2009 - 10:33
    Enviado por: BOSCO DUARTE

    …tudo bem , você faz parte de aventuras, reportagens, é gratificante para a profissão…
    mas, de “balas”, falta de amor, guerras, não é bem
    o que gostariamos de estarmos ouvindo, lendo…
    que reportagens de coisas alegres, de dignidade
    de nossos políticos, moradias, saúde, enfim, coisas que engrandeçam nossa gente, nosso
    povo, nosso BRASIL!!!
    Feliz retorno!!!DEUS ESTEJA E SEJA MUITO MAIS
    VIDA EM NOSSAS VIDAS…ENTÃO, NADA DISSO
    SERÁ PRECISO OUVIR FALAR, ESCUTAR, PRESENCIAR…
    valeu pela coragem e não tanto pela reportagem
    que nada de paz, amor nos traz…

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  • 22/07/2009 - 15:47
    Enviado por: M.Helena Nichols

    ola,
    como posso obter a impressao deste texto no mesmo tamanho que o original
    gostaria de usra-lo como leitura na minha aula particular de portugues como 2a. lingua.

    Muito grata

    M.Helena

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