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Patrícia Campos Mello

28.novembro.2010 16:05:51

Celso Amorim e o Irã – pensador global ou “enorme erro”?

O chanceler Celso Amorim ficou em sexto lugar na lista dos 100 maiores “pensadores globais” da revista Foreign Policy. No perfil altamente elogioso, a revista diz que o “mandato de Amorim provou que é possóvel ter, como ele disse recentemente, uma política externa humanista, sem perder de vista o interesse nacional”.
Amorim capitaneou uma das manobras diplomáticas mais destacadas do ano – o acordo de troca de combustível do Irã, mediado por Turquia e Brasil. O acordo acabou ignorado por Estados Unidos e as outras potências, que aprovaram as sanções contra o programa nuclear iraniano na ONU. Mas cimentou a maior presença do Brasil no cenário diplomático global.
Já a atitude do governo brasileiro em relação a violações de direitos humanos, principalmente no Irã, onde a viúva Sakineh Ashtiani pode ser apedrejada por adultério, pode acabar custando o cargo do chanceler.
Estive em Brasília durante a semana e conversei com diversos interlocutores da presidente eleita. Segundo eles, Dilma avalia que a atitude em relação a violações aos direitos humanos no Irã foi “equivocada” e “causou desgaste desnecessário”. Para Dilma, associar-se a um regime que apedreja mulheres e aprisiona opositores foi um “enorme erro”, dizem esses interlocutores.
O governo brasileiro reluta em condenar a sentença de apedrejamento de Sakineh e se abstém nas votações de resoluções da ONU contra essas práticas, e não condena a opressão a opositores do regime de Ahmadinejad. Um dos motivos para a não manutenção do chanceler Celso Amorim no cargo seria sua atuação no caso do Irã.
Seu desempenho nas negociações da Alca foi considerado um sucesso. Mas ele teria caído em desgraça por causa do Irã. Para fazer um recomeço, seria preciso ter um novo chanceler e Amorim ficou muito identificado com a iniciativa. Além disso, a química de Amorim com Dilma não seria das melhores – os dois tiveram algumas rusgas quando ela era ministra da Casa Civil.
Dilma já havia indicado que se opunha à atitude não intervencionista na questão iraniana. “Acho uma coisa muito bárbara o apedrejamento da Sakineh. Mesmo considerando usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro”, disse Dilma em entrevista no dia 3 de novembro.
Para assessores próximos da presidente, a percepção é de que a aproximação com o Irã pode ter custado ao presidente Lula o Nobel da Paz por seu avanço em reduzir a pobreza.

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11 Comentários Comente também
  • 28/11/2010 - 20:04
    Enviado por: Tweets that mention Celso Amorim e o Irã – pensador global ou “enorme erro”? « Patrícia Campos Mello -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by AberturaMundoJuridic, Patricia CamposMello. Patricia CamposMello said: Chanceler Celso Amorim – "pensador global" ou enorme erro? http://tinyurl.com/2c2oxwr [...]

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  • 28/11/2010 - 21:40
    Enviado por: seu_madruga

    “…a percepção é de que a aproximação com o Irã pode ter custado ao presidente Lula o Nobel da Paz por seu avanço em reduzir a pobreza….”

    Bem colocado, e provavel!

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  • 29/11/2010 - 01:54
    Enviado por: jan z. volens

    A entrevista de Amorim no “Estado” foi interesante: O desejo para que os EUA tiverem uma politica de “negligencia benigna” com America Latina! (Em ingles se diria: “For God’s sake, please leave us alone!) O ministro de defesa Nelson Jobim foi mas direito com os europeus: Na Fundacao Adenauer (politica de direita alema)em Rio, Jobim aclarou ao General Naumann (Alemanha) – “Brasil nao e parceiro dos EUA para governar o mundo” e declarou que Brasil rejeita a expansao da OTAN ao Sul Atlantico. O Prof. Marco Aurelio Garcia ficara como consultor geopolitio da presidencia: O Brasil continuara ao frente – independentemente. Parabens!

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  • 29/11/2010 - 19:29
    Enviado por: Glúon

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    Conversa em Brasília
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    - Amorim, infelizmente não o manterei como Ministro das Relações Exteriores.
    - Tudo bem, presidenta Dilma. Onde eu deixo as minhas credenciais?
    - Por favor, coloque-as aí sobre a minha mesa…
    - E as pedras?
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  • 29/11/2010 - 22:15
    Enviado por: SLeo

    Querida, acho que há mais coisa nessa dispensada do Amorim que o Irã _ que, aliás, foi prioriade para Lulam, mais que para Amorim. Lula foi quem pontuou uma posição tradicional do Itamaraty, a de não intervenção nas disputas em direitos humanos, com decalrações idiotas sobre Ahmadinejahd, que desmoralizaram a posição brasileira. Sobre Direitos HUmanos, meu ptiacop é o seguinte, de um belo livro que recomendo (e que citei erradamente na cluna, o título certo é “A Plitização dos Direitos Humanos” (maldito corretor automático).: http://is.gd/hXZUe

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    • 30/11/2010 - 09:40
      Enviado por: Patricia Campos Mello

      Oi Sergio!
      sei que há uma posição histórica do itamaraty de abstenção nessas votações, e li sua coluna sobre o livro – aliás, ótima. também concordo que o Lula era quem exagerava nas declarações fla-flu, não vou me meter no país dos outros, comparar dissidente cubano a criminoso comum. mas o caso é que ninguem vai criticar o lula, com seus 80% de aprovação.
      eu acho que o celso amorim recebe crédito por muitos dos seus acertos da política externa, mas vai acabar pagando por alguns erros que nao foram propriamente dele.
      bjo!

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  • 30/11/2010 - 02:05
    Enviado por: CORREGEDOR

    O Lula, Nobel por melhorar a renda do brasileiro com Política Econômica herdada do governo anterior? A mesma que ele combateu em todas instâncias possíveis e imagináveis quando da sua formação? Haja paciência para suportar tanta asneira. Ou por dar R$ 22,00 mensais por criança (R$0,72 por dia) do Bolsa Família?

    Prestem atenção. Os institutos estão aparelhados pelo PT. Não creiam em suas estatísticas.

    Em 2002 o quilograma de frango resfriado custava de R$ 0,80 a R$ 1,00 na minha cidade; nas promoções o valor chegava a R$ 0,60! O salário mínimo era de R$ 200,00; hoje o bem custa R$ 4,00 em média, para um salário mínimo de R$ 515,00. Até 2001 um famoso supermercado fazia vendas de legumes e hortaliças por R$ 0,09 por quilograma na quarta feira! R$0,09! Hoje a coisa não sai por menos de R$ 1,00. Não consigo ver tanta melhora no poder de compra do brasileiro que diferencie tanto de antes de 2003. O crédito expandido pra valer, inclusive através do aumento da Dívida Publica via BNDES, é que causa uma aparência de consumo maior, de renda maior.

    Depois que essa turma petista sair do IBGE, IPEA, DIEESE e afins, saberemos melhor nossa realidade econômica.

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  • 30/11/2010 - 02:24
    Enviado por: CORREGEDOR

    “Seu desempenho nas negociações da Alca foi considerado um sucesso.”

    Deve ser por isso que estamos entregando nossa indústria manufatureira, e outras, para a China. O único nacionalismo que a turma petista conhece é o antiamericanismo. Entregar refinaria pro Evo pode; levar cano do Correia também pode; rever tarifas da energia de Itaipu pro Lugo, idem. E as FARCs circularem mais a vontade em território brasileiro é avanço diplomático.

    Amorim é inteligente demais. Está redefinindo o conceito de nacionalismo e de diplomacia. Afinal o mundo sempre se renova , e o Barão de Rio Branco não pode ser eterno; ou é dando que se recebe? Agora com o sucesso na tomada do Complexo do Alemão e o grande prejuízo do tráfico das drogas vindas de países andinos, coisa de política externa é claro, ele quase vai se tornar trem maior ainda: talvez Arcanjo do Hemisfério Sul Americano.

    OBS.: Deve ter algum esquerdistinha nessa revista para puxar saco de petista. É tanto dinheiro que esse governo tem mundo afora que ele pode quase tudo.

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  • 02/12/2010 - 18:30
    Enviado por: Marcus

    Eu fico muito feliz em saber que a aproximação com o Irã tenha causado estragos na reputação de Celso Amorim e Lula. Na verdade eu já havia percebido o quanto a credibilidade das opiniões de Lula ficaram comprometidas com essa aproximação, principalmentes entre os chefes das nações mais preocupadas, e ameaçadas, tanto pelos mísseis como pelo programa nuclear do Irã.

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  • 04/12/2010 - 13:53
    Enviado por: Anna H.

    Nao sei explicar porquê, mas simpatizo com o Celso Amorim. Parece que gosta de causar polêmica, mas suas posiçoes quanto à política externa brasileira me deixam com uma ponte de inveja (porque gostaria de poder fazer como ele) e orgulho de ser uma brasileira com direito de concordar ou discordar. Até poucos anos atrás nao tinha essa impressao.

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  • 04/12/2010 - 13:55
    Enviado por: Anna H.

    Errata: “ponta” e nao “ponte”,ok ?

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