Outro dia saiu uma reportagem mostrando que, segundo o índice Big Mac da revista Economist, o real é a quarta moeda mais valorizada do mundo, só perdemos para Noruega, Suécia e Suíça. Com o dinheiro que pagamos por um Big Mac aqui, dá para comprar dois na Argentina.
A ficha caiu mais ainda quando uma amiga minha portuguesa, que está aqui de visita, foi ao supermercado.
Ela voltou de lá com uma manteiga Sancor, argentina.
- Por que você comprou manteiga argentina?
- Porque era a mais barata.
Pano rápido para a manchete de cadernos de economia de hoje. O déficit em conta corrente do
do país no primeiro semestre chegou a US$ 23,76 bilhões, equivalente ao déficit de todo o ano de 2009, que somou US$ 24,302 bilhões. No mês passado, pelos dados divulgados ontem pelo Banco Central, o saldo da entrada e saída de recursos na conta corrente ficou negativo em US$ 5,18 bilhões, o pior junho da série iniciada em 1947.
Não está na hora de ficar nervoso?
Mario Blejer, economista convidado pela presidente Cristina Kirchner para ocupar o BC argentino, no lugar de Martin Redrado, foi “traído” por Dominique Strauss-Kahn, o francês que é diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em outubro de 2008, veio à tona o escândalo: a mulher de Blejer, a húngara Piroska Nagy, estava tendo um caso com DSK.
Blejer interceptou vários e-mails “explícitos” trocados por Piroska e Strauss-Kahn, que é casado com Anne Sinclair, jornalista na TV francesa. Piroska saiu do FMI depois que o caso veio à tona. E Blejer afirmou que já estava se separando de Piroska quando ela teve o caso com Strauss-Kahn.

.”
“O Brasil decola – agora o risco para a grande história de sucesso da
América Latina é a arrogância”. Esse é o título de reportagem especial
publicada pela respeitada revista The Economist nesta quinta-feira,que
traz na capa uma foto que mostra o Cristo Redentor impusionado por um
foguete. Em seu especial com oito reportagens sobre negócios e
finanças no País e mais um editorial, a Economist afirma que o Brasil
“entrou em cena no palco mundial” e vai se tornar a quinta maior
economia do mundo até 2014. E que depois de ser subestimado por anos,
o País hoje supera os outros BRICs em vários quesitos. “O País está
passando por seu melhor momento desde que um grupo de navegadores
portugueses chegaram às costas brasileiras em 1500″, diz outro artigo
sobre o Brasil, na revista. “O Brasil já havia sido democrático antes,
havia tido crescimento econômico e baixa inflação – mas nunca havia
tido essas três coisas ao mesmo tempo.”
Mas a publicação inglesa alerta para as armadilhas que vêm pela
frente. “Da mesma maneira que seria um erro subestimar o Brasil,
também é um erro ignorar suas fraquezas”, adverte. “Muito dinheiro do
contribuinte está está sendo gasto nas coisas erradas” e há pouco
investimento público e privado. Para a Economist, Lula está certo ao
dizer que seu país merece respeito e “ele também merece muito da
bajulação que recebe”. “Mas Lula também tem sido um presidente de
muita sorte, colhendo os frutos de um boom de commodities e
trabalhando a partir da plataforma sólida construída por seu
antecessor, Fernando Henrique Cardoso”. A revista volta a chamar o
presidente de “Lula sortudo” em outro artigo. Para manter o bom
desempenho do Brasil em um mundo com condições mais difíceis, o
sucessor de Lula vai ter de lidar com alguns dos problemas que o
presidente achou que podia ignorar, adverte a revista.
A reportagem lembra que, em 2003, quando economistas da Goldman Sachs
cunharam o termo BRICs, muita gente torceu o nariz para a inclusão do
Brasil no time de economias vencedoras. “Brasil? Um país com taxas de
crescimento tão minúsculas quanto seus biquinis, vítima de qualquer
crise financeira que estiver à espreita, um lugar com instabilidade
política crônica, onde a capacidade infinita de desperdiçar seu óbvio
potencial é tão lendária quanto seu talento para futebol e carnavais”,
diz a reportagem.
“Agora, esse ceticismo parece equivocado”, afirma a The Economist. Em
outro artigo da revista sobre o país, a Economist diz que o Brasil
costumava ser sempre uma promessa, mas que agora começa a se tornar
realidade.
O País não conseguiu passar incólume pela recessão, mas este entre os
últimos países a entrar, e os primeiros a sair.A revista diz que o
Brasil deve crescer a taxa anualizada de 5%, mas que deve acelerar nos
próximos anos, na medida em que campos de petróleo comecem a produzir
e os países asiáticos continuem consumindo os alimentos e minerais do
Brasil. “As previsões variam, mas em algum momento antes de 2014, o
Brasil vai se tornar a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a
Grã-Bretanha e a França – bem antes do que a Goldman Sachs achava.”
Até 2025, São Paulo será a quinta cidade mais rica do mundo.
O Brasil supera os outros BRICs em alguns fatores, diz a revista.
“Diferentemente da China, o Brasil é uma democracia, diferentemente da
Índia, não tem insurgentes conflitos étnicos ou religiosos ou vizinhos
hostis, e diferentemente da Rússia, exporta mais do que apenas
petróleo e armas, e trata investidores estrangeiros com respeito.”
A Economist diz que o Brasil, durante o governo Lula, reduziu a
desigualdade social. “De fato, quando se fala em políticas sociais
inteligentes e aumento do consumo doméstico, o mundo tem muito mais a
aprender com o Brasil do que com a China.”
“Em resumo, o Brasil entrou em cena no palco mundial”, decreta a The
Economist. E essa entrada foi marcada de forma simbólica no mês
passado depois que o Rio ganhou o direito de sediar as Olimpíadas de
2016
A Economist diz que a emergência do Brasil tem sido “constante, não
repentina”. A revista lembra que os primeiros passos foram tomados nos
anos 90, quando, esgotadas todas as outras possibilidades, o país
“adotou políticas econômicas sensatas”.Segundo a publicação inglesa,
essas políticas produziram uma trupe de novas e ambiciosas
multinacionais brasileiras – cita Petrobras, Vale, Embraer, Gerdau,
JBS. “Há um grande volume de investimento estrangeiro indo para o
Brasil, impulsionado pela redução da pobreza e crescimento da classe
média” Além disso, diz a The Economist, o país estabeleceu
instituições políticas fortes. ” Uma imprensa livre e vigorosa revela
atos de corrupão – embora ainda haja muito disso, e a maioria fique
impune.
Mas a revista faz um alerta. “Da mesma maneira que seria um erro
subestimar o Brasil, tamém é um erro ignorar suas fraquezas”. Segundo
a The Economist, os gastos do governo crescem mais rápido do que a
economia, mas tanto o setor público quandto o privado investem muito
pouco, o que ameaça as previsões otimistas.”Muito dinheiro do
contribuinte está está sendo gasto nas coisas erradas”. A folha de
pagamento do governo aumentou 13% desde setembro de 2008, gastos com
previdência social e aposentadorias aumentaram 7% no mesmo período,
apesar de a população ser relativamente jovem. “Apesar de melhoras
recentes, a educação e a infra-estrutura ainda são muito piores do que
na China ou Coréia do Sul (como um blecaute nesta semana lembrou). E
em partes do Brasil, crimes violentos são a regra.”
O real se valorizou quase 50% diante do dólar desde o início de
dezembro. Isso melhora o nível de vida dos brasileiros porque barateia
produtos importados, mas dificulta a vida dos exportadores. O governo
impôs uma taxa sobre entrada de capitais, mas, segundo a The
Economist. “isso dificilmente vai deter a valorização da moeda, ainda
mais quando o petróleo começar a jorrar”.
E a Economist lembra que ainda se usa o “jeitinho” para conseguir
muita coisa no Brasil. E diz que o Estado brasileiro parece um
alquimista ao contrário – transforma ouro em chumbo. “Brasil gasta
três vezes mais que a China com saúde, e tem indicadorers piores.; os
gastos em educação são respeitáveis 5% do PIB, mas os estudantes
brasileiros estão sempre no final da lista da OCDE”.
A resposta instintiva de Lula para os problemas é política industrial,
diz a revista. O governo vai exigir que equipamentos petrolóferos
sejam produzidos por indústrias brasileiras ee stá pressionando a Vale
para investir em siderurgia. “É verdade que a política pública ajudou
a criar a base industrial do Brasil”, diz o artigo. ” Mas foi a
privatização e abertura da economia que as tornaram eficientes; E
enquanto isso, o governo não está fazendo nada para remover alguns dos
obstáculos que dificulta, fazer negócios no Brasil – como regras
barrocas para o pagamento de impostos e contratação de pessoa.” Dilma
Rousseff insiste que não será necessária uma reforma das leis
trabalhistas.”Talvez a maior ameaça ao Brasil seja a arrogância. “
Para a Economist, Lula está certo ao dizer que seu país merece
respeito e “ele também merece muito da bajulação que recebe”. “Mas ele
também tem sido um presidente de muita sorte, colhendo os frutos de um
boom de commodities e trabalhando a partir da plataforma sólida
construída por seu antecessor, Fernmando Henrique Cardoso”. “O atual
presidente do Brasil recebeu muito do crédito pelo crescimento da
economia que deveria ser dado a seu antecessor, Fernandpo Henrique.
Mas Lula manteve as reformas que herdou e fez algumas conquistas
sozinho .”
Para manter o desempenho melhorado do Brasil em um mundo com condições
mais difíceis, o sucessor de Lula vai ter de lidar com alguns dos
problemas que Lula achou que podia ignorar, adverte a Economist.
O artigo termina em um tom otimista. “A rota do país parece estar
traçada. A decolagem é ainda mais admirável porque foi alcançada por
meio de reformas e instituições democráticas”. E ainda alfineta o
líder dos BRICs. “Ai, se a China pudesse fazer o mesmo”
A relatora especial da ONU para o direito à moradia, a brasileira Raquel Rolnik, passou 18 dias em sete cidades dos Estados Unidos e encontrou uma situação digna de terceiro mundo. “Fiquei assustada com a situação da moradia nos Estados Unidos”, disse Raquel, que também é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Ela já vinha pesquisando o problema da moradia nos EUA há tempos e esperava se deparar com os estragos da crise das hipotecas subprime. Mas encontrou coisa pior: gente morando em carros, muitos moradores de ruas em “cidades de barracas”, famílias inteiras sem-teto, apartamentos superlotados, com três famílias. “É muito difícil achar moradia acessível, as pessoas estão gastando 80%, 90% da renda com aluguel ou parcela do financiamento”, disse Raquel. “Quando a crise chegou, grande parte da moradia pública tinha sido demolida e não foi substituída em números suficientes.”
Ela esteve em Washington, Nova York, Wilkes-Barre, Chicago, New Orleans, Los Angeles e na reserva indígena Pine Ridge.
A ONU tenta desde 2005 enviar um relator para a moradia para os EUA, mas vinha sendo ignorada pelo governo Bush. Só agora, no governo Obama, mais aberto à atuação de instituições multilaterais como a ONU, é que a relatora recebeu sinal verde.
A direita americana esperneou. Um editorial do jornal conservador Washington Times disse que a visita de Raquel era parte da “usurpação gradual da soberania americana.”e perguntava porque ela não ia pesquisar a moradia no Brasil
“Ela deveria voltar para o lugar de onde saiu”, dizia o editorial. “A culpa burocrática de Miss Rolnik deveria ser dirigida ao Brasil, onde 28,9% da população urbana vive em favelas.”
“É claro que de forma absoluta, o problema da moradia é mais grave nos países em desenvolvimento”, disse Raquel. “Mas, de forma relativa, é igual – nos EUA, são milhões de pessoas sem acesso à moradia, no país mais rico do planeta.”
A relatora da ONU diz ser muito difícil comparar Brasil e EUA. Os EUA tiveram, por muitos anos, uma política de moradia abrangente, que foi sendo desmantelado desde o governo Reagan. O país está em uma trajetória descendente, só amenizada por algumas medidas recentes do governo Obama, ela diz.
Já o Brasil, explica Raquel, nunca deve uma política de moradia popular em grande escala. Eram sempre iniciativas da própria população – favelas, loteamentos irregulares – que então eram substituídas por COHABs ou Cingapuras, mas em escala muito menor.
Raquel está preparando um relatório sobre tudo o que viu nos EUA. Ela visitou projetos de habitação do governo, bairros com muitas casas em execução de hipoteca, locais onde se concentram moradores de rua e as chamadas tent-cities, que reunem sem-teto em barracas. Também promoveu assembléias com moradores e reuniu-se com representantes de ONGs, além de integrantes do governo Obama. Em março, ela apresenta seu relatório diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), espécie de
Febraban mundial que reúne 375 bancos, afirmou que as regulações
bancárias propostas por alguns países ameaçam reduzir a oferta de
crédito para emergentes. “Com as novas regulações exigindo que bancos
tenham altos níveis de capitalização, é possível que as instituições
financeiras reduzam os empréstimos para o mercado emergente,
principalmente para países mais fragilizados”, disse o IIF.
“O excesso de regulamentação pode atrapalhar a recuperação da economia
mundial”, afirmou em entrevista Josef Ackermann, presidente do
conselho do IIF e do Deutsche Bank.
O Conselho de Estabilidade
Financeira (FSB, na sigla em inglês), órgão encarregado de desenhar as
novas regulamentações financeiras para evitar que a crise se repita,
discordou, dizendo que não há excesso de regras e que os bancos não
podem voltar aos maus hábitos.
“Não estamos impondo regras demais cedo
demais, como alguns afirmam”, disse ontem Mario Draghi, presidente do
FSB. As regulamentações propostas pelo FSB serão discutidas durante
2010 e só devem ser implementadas em 2011 ou 2012. “Tem tempo de sobra
e os bancos já sabiam, estamos debatendo essas regras desde 2007″,
disse Draghi. “Eu diria que é prematuro os bancos se preocuparem com
excesso de regras. E agora é a hora de eles se capitalizarem.”
Os bancos se opõem a tetos para bônus de executivos, propostos por
alguns países. Eles também não querem índices rígidos para
capitalização e restrições para bancos considerados “grandes demais
para quebrar”
O IIF também discorda da recomendação do Fundo Monetário Internacional
(FMI), que afirmou ser muito importante os bancos aproveitarem este
momento para se manter capítalizados – em vez de distribuir dividendos
para seus acionistas ou bônus para seus executivos. “Não achamos que
isso faz sentido”, disse Charles Dallara, diretor-gerente do IIF. “Os
acionistas são donos dos bancos e, em relação a compensação,
precisamos oferecer boa remuneração para reter talentos.” Um
jornalista indicou que muitos dos bancos receberam dinheiro dos
contribuintes para não quebrar, então não teriam de prestar contas
apenas aos acionistas. “Estar capitalizado é importante, mas não tão
importante quanto ter lucros e liquidez”, disse Ackermann, diretor do
conselho do IIF. “E se nós não remunerarmos os profissionais de forma
adequada, vamos perder gente talentosa e os lucros vão cair”
Segundo Ackerman, são importantes as regras para capitalização,
endividamento, liquidez e remuneração, com o objetivo de assegurar a
estabilidade do sistema financeiro. “Mas a garantia de que as
instituições reguladas terão condições de inovar e fornecer os fluxos
de crédito necessários para o crescimento também é essencial”, disse.
“Existe um risco real de as reformas regulatórias minarem a
recuperação global e a criação de empregos; essas reformas precisam
ser calibradas cuidadosamente”
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda que o Brasil
mantenha os atuais déficits em conta-corrente, em vez de voltar para
os superávits pré-crise. E o FMI aconselha os países da América Latina a
evitar acumulação excessiva de reservas. Em vez disso, deveriam usar
linhas flexíveis do Fundo como “seguro” contra fugas de capital em
crises internacionais. As economias da América Latina deveriam “ser
importadoras de capital e continuar a registrar déficits em
conta-corrente perceptíveis, mas há certa relutância entre esses
países, que não querem depender de capital externo, muito volátil”,
disse Jörg Decressin, chefe da divisão de estudos da economia mundial
do Fundo Monetário Internacional (FMI). Decressin disse ao Estado que,
a longo prazo, “mais capital deve entrar nesses países, que poderão
ter déficits em conta-corrente maiores”.
Segundo ele, esse seria o papel dos países latino-americanos no ajuste
dos desequilíbrios globais. Enquanto a China deve estimular seu
mercado doméstico e reduzir sua poupança, e os EUA devem fazer o
contrário, os latino-americanos deveriam parar com sua excessiva
acumulação de reservas e superávits em conta-corrente. Os países da
região, em geral, tinham um pequeno superávit em conta-corrente antes
da crise e passaram a registrar um pequeno déficit . A idéia é que
essas economias não mais acumulem reservas como forma de precaução
contra crises financeiras – mas sim usem o FMI como o “acumulador de
reservas” oficial. “Para facilitar esse processo, deveria haver
garantias de que, toda vez que o capital privado sair do país por
causa de problemas externos, capital oficial (como o do FMI) pode
entrar para ajudar”, disse Decressin ao Estado.”Quando não existem
essas garantias, os países usam os fluxos de capital para acumular
reservas em vez de promover mais crescimento – obviamente, mais
crescimento é melhor do que mais acumulação de reservas.” Ele disse
que o FMI já está oferecendo essas garantias com a “Linha de Crédito
Flexível”, um pacote já fechado com México, Colômbia e Polônia, que
não exige muitas condições e é destinado a países com fundamentos mais
sólidos. O Fundo tentou emplacar essa linha com o Brasil, mas o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis o empréstimo, depois de
ter quitado todas as pendências do Brasil com o Fundo.
Ilan Goldfajn, economista-chefe do banco Itaú Unibanco, discorda da
idéia do Fundo sobre a necessidade de reduzir as reservas nos
emergentes. Durante seminário no FMI ontem, Goldfajn disse que a crise
do ano passado provou a utilidade de altos níveis de reservas, e que
daqui para frente haverá maior acumulação de reservas como um
amortecedor
.
Segundo o economista, com o enfraquecimento da demanda dos Estados
Unidos, o mundo está em busca de um consumidor de última instância. E
mercados domésticos de países como o Brasil são bastante atraentes.
Goldfajn prevê um aumento dos investimentos diretos em países da
América Latina, de olho nos mercados consumidores internos, com
conseqüente valorização da moeda e aumento no déficit em
conta-corrente. Ele prevê que o Brasil terá déficit em conta-corrente
de 2,6% do PIB em 2010 e investimento estrangeiro direto equivalente a
2,33%. “Mas viu-se nessa crise que o nível de reservas ideal, para
medidas de precaução, é maior do que pensávamos anteriormente”, disse
ele.
Um manifestante turco atirou um tênis ontem contra o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. Strauss-Kahn estava dando uma palestra na universidade Bilgi, em Istambul, quando conseguiu se desviar de um tênis branco arremessado por um membro da platéia. Ele está na cidade para o encontro anual do Fundo. O “arremesso de calçados” se transformou em técnica popular de protesto desde que um jornalista iraquiano mirou um sapato no ex-presidente George W Bush, em Bagdá.O sapato atirado contra Bush, aliás, era de fabricação turca.
O estudante, de barba e vestido de branco, foi retirado do recinto por seguranças. Strauss-Kahn minimizou a gravidade do incidente. “É importante que tenhamos um debate aberto, fiquei feliz ao me reunir com estudantes e ouvir a opinião deles”, disse Strauss-Kahn. “É isso que o FMI precisa fazer, mesmo que nem todo mundo concorde – e uma coisa eu aprendi – os estudantes turcos são bem educados, esperaram até o final para reclamar”, ele afirmou a repórteres.
A Turquia já teve 18 pacotes com o FMI. Faz mais de um ano que o governo turco negocia um empréstimo com o Fundo, depois que seu último acordo de US$ 10 bilhões venceu em maio de 2008. Mas o Fundo insiste para que a Turquia adote princípios de austeridade fiscal. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan , afirmou que a “Turquia não precisa mais da bengala do FMI e não pode aceitar exigências do Fundo sobre impostos e gastos.” Ele simboliza a desconfiança no país em relação ao Fundo.
Em primeiro lugar, quero pedir desculpas pela ausência. Os últimos dias foram enlouquecedores – direto da Cúpula do G-20 em Pittsburgh para a reunião anual do FMI em Istambul. Para vocês terem uma idéia da confusão mental, hoje fui barrada aqui na porta do centro de convenções.
- Sua credencial não serve…
E eu, já preparada para discutir, dou uma olhada na dita credencial. Tinha pendurado no pescoço a credencial de Pittsburgh e deixei a identificação do FMI no hotel. (está certo que só perceberam no terceiro check-point….)
Mas chega de digressões.
O anfitrião da reunião do Fundo deste ano é a Turquia, que por muito tempo foi o principal cliente do Fundo. Aliás, era um dos únicos “ganha-pão” do fundo até a crise eclodir, porque países como Brasil e Rússia haviam quitado todas suas dívidas com o FMI. Depois da crise, o Fundo voltou a ganhar relevância – e já fez programas com 15 países, inclusive um pacote de US$ 15 bilhões com a Hungria.
O fato é que a Turquia ser anfitriã da reunião é, digamos, deveras irônico. Faz mais de um ano que o Fundo e a Turquia não conseguem se entender. O país tinha um acordo de US$ 10 bilhões com o Fundo, que venceu em maio de 2008. Pouco tempo depois, começou a negociar um novo pacote. Mas o governo turco não quer nem ouvir falar nos chamados remédios amargos do Fundo: austeridade fiscal, reforma na arrecadação de impostos, superávit primário.
Para sair da crise – que pegou a Turquia de jeito, derrubando a atividade em 14,3% no primeiro trimestre deste ano – o primeiro-ministro Erdogan implementou uma série de pacotes de estímulo, como fizeram outros países. Tinha até isenção de impostos para venda de veículos, a exemplo da isenção de IPI no Brasil. Os pacotes de estímulo funcionaram, e o consumo reaqueceu, amenizando a crise. Mas o buraco fiscal cresceu, e muito. A Trquia passou de uma meta de superávit primário de 6,5% para um déficit primário (sem incluir desepesas com juros) de 2,2% neste ano.
O FMI está mais flexível. Não só nos países que foram aprovados para a nova linha flexível, México, Polônia e Colômbia, por terem políticas macroeconômicas sólidas. Outros países que fecharam acordos tradicionais, como Hungria, conseguiram termos bem menos draconianos que os exigidos nos antigos empréstimos do FMI.
Mas existe um limite. E é aí que o governo turco e o FMI não se entendem.Vamos ver se a bela paisagem de Istambul ajuda.
Durante os últimos meses, o maior medo dos economistas e formuladores de políticas nos Estados Unidos era mergulhar em uma reedição da Grande Depressão de 30. Agora, o grande fantasma é o ano de 1937.
O Fed e a Casa Branca estão sendo pressionados para revelar sua “estratégia de saida”. O Tesouro e o Fed adotaram medidas audaciosas e heterodoxas, com um aumento sem precedentes da liquidez, juros perto de zero e expansão do balanço do
Banco central.
Com isso, o governo Obama evitou uma desaceleração catastrófica da economia.
Mas agora republicanos e democratas moderados começam a clamar por uma estratégia de saída. Está na hora de começar a normalizar a política monetária e fiscal, já que o desastre foi evitado. O déficit do orçamento deste ano será de US$ 1,58 triilhão, o equivalente a 11,2% do PIB. A única vez em que os EUA tiveram um déficit dessa magnitude foi durante a Segunda Guerra Mundial. Inflada pelos pacotes de estímulo à economia e resgates de bancos, a dívida do país já corresponde a 56% do PIB, primeiro ano em que o endividamento americano ultrapassará os 50% do PIB desde a Segunda Guerra.
Esse caminho é insustentável e precisa ser revertido, alerta parte dos economistas. Esse descontrole fiscal e monetário só pode levar a inflação e desvalorização do dólar. É preciso começar a enxugar.
Mas e aí que entra o fantasma de 37. Em 1933, a economia americana começava a se recuperar de uma das maiores recessões da história. Mas o governo de Franklin Delano Roosevelt começou a manobrar para trazer o orçamento de volta para o azul e enxugar a liquidez, revertendo alguma das medidas de emergência que havia adotado. A estratégia saiu pela culatra. O aperto acabou abortando o crescimento que começava a se recuperar. Em 1937, a economia voltou a desabar. A tentativa de equilibrar o orçamento levou a uma depressão em dábliu – a economia começou a melhorar, voltou a piorar bruscamente, para só depois emergir.
A mesma coisa ocorreu no Japão nos anos 90.
O governo Obama não quer repertir este erro. Ainda é muito cedo para se livrar das muletas. “O que aprendemos com o episódio de 1937 é que não basta estar se recuperando”, diz Christina Romer, diretora do Painel de Conselheiros Econômicos da Casa Branca (e estudiosa da Grande Depressão, como o presidente do Fed, Ben Bernanke). “Não queremos fazer nada que breque a recuperação.” Mas a turma da austeridade fiscal não está tão certa disso. E acredita que a hora é agora para evitar um surto inflacionário.
É essa a encruzilhada da política monetária e fiscal americana.
Eu me lembro bem da época em que o Brasil queria ser “um país gente grande” e ganhar o selo de qualidade “grau de investimento”. Vira e mexe ia um economista gringo para São Paulo e pontificava – a relação dívida-PIB do Brasil é muito alta, o país é muito arriscado.
Anos e inúmeras debacles de escala global depois, a Standard & Poor’s e a Moody’s andam à procura da credibilidade perdida, o Brasil é grau de investimento, e os países emergentes parecem cada vez mais seguros.
O FMI divulgou um estudo na semana passada sobre endividamento pós-crise global. No ano que vem, a relação dívida-PIB dos 10 países mais ricos do G20 será de 106%. Isso mesmo, 106%. Já os emergentes que fazem parte do G20 (como Brasil,Argentina, México)tinham relação dívida-PIB média de 38% em 2007, e ela deve cair para 35% em 2014, ou seja, menos de um terço do índice nos países ricos.
E a remuneração dos títulos do Tesouro americano continua subindo.
2011
2010
2009
2008
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2006