ir para o conteúdo
 • 

Patrícia Campos Mello

Peço desculpas pela demora para voltar a postar, mas o fato é que a reentrada na atmosfera pode ser atribulada. Apesar das férias, estou atolada de tarefas por causa da minha condição atual de expatriada.

Mas vamos lá. Chega de digressões.

Certamente vocês ouviram falar no revoltante encontro de negação do Holocausto patrocinado pelo lunático Mahmoud Ahmadinejad e “luminares” do anti-semitismo como o ex-Klu Klux Klan David Duke. O constrangedor espetáculo de anti-semitismo e racismo foi alvo de protestos generalizados.

Menos divulgada foi a participação de uma vertente ultra-ortodoxa do judaísmo, o Neturei Karta, no encontro de revisionisno histórico histérico..

O Neturei Karta é um grupo de judeus que se opõe ao Estado de Israel e ao sionismo.

“A visão é que, sim, houve um Holocausto e foi terrível, mas isso não pode ser usado para justificar atos ilegítimos e criminosos do sionismo”, diz o website do Neturei Karta.

Integrantes desse grupo chegaram a enviar cartas de parabéns ao Hamas e já fizeram protestos em frente à Casa Branca, carregando cartazes com os dizeres: “O judaísmo não tem direito de governar a Terra Santa”

Ahmadinejad, que é louco mas não é besta, “usou” os religiosos para dar um lustro de tolerância a seu encontro ultrajante. Posou para fotos com os religiosos, que foram apresentados como convidados de honra. E insinuou que o Neturei Karta apóia a visão revi sionista do Holocausto, o que é mentira.

A comunidade judaica condenou esses extremistas.

comentários (150) | comente

Alguém falou outro dia que eu estava muito crítica em relação às coisas americanas. Portanto quero aproveitar o espaço que me cabe para fazer uma ode a este país tão eficiente. Viva a sociedade afluente americana!!!! Aqui tem de tudo para todos…..

Em que lugar do mundo eu encontraria o genial Limpador Automático de Box de Banheiro?
Basta afixar a caixinha na parede, apertar um botão, e o limpador borrifa um detergente 360 graus, limpando o box e a banheira. Aí é só passar uma esponja. Diz na propaganda: “é tão fácil, é como ter uma empregada”. A diferença é que duas horas de faxina custam US$ 70 – e o limpador de box sai por US$ 25, mais US$ 5 o refil.

Na condição de semi-inimputável motora, levei anos para aprender a fazer uma baliza. Até hoje não diria que baliza está entre as minhas top 10 habilidades.
Mas aqui nos EUA, terra das oportunidades para todos, os apedeutas motores também têm vez.

O novo Lexus da Toyota tem um sistema opcional de “estacionamento automático”. Basta você parar o carro em frente à vaga, paralelamente ao carro da frente, inserir uns dados no computador de bordo, tirar as mãos da direção e voila – o carro estaciona sozinho.
Baliza automática, isso não tem preço. Ou melhor, o carro custa a partir de US$ 80 mil. Só para apedeutas endinheirados.

Há coisas mais simples, mas não menos engenhosas. O triturador de alimentos, por exemplo. A maioria das pias vem equipada com um triturador, onde você joga todos os restos de comida, que se transformam em lixo orgânico. Bacana.

Inverno ou verão, eles têm a solução (com perdão da rima pobre).

Entrei no carro de um amigo outro dia e ele me disse, todo orgulhoso: “Agora não preciso mais sentar no banco gelado quando saio de manhã para trabalhar.” Seu carro novo vem equipado com aquecedor de bancos – regulável, com temperatura que varia de 1 a 6. Agora ele chega no trabalho com o bumbum quentinho.

No verão, eles também não se apertam. Sabe quando você entra no carro estacionado e está aquele calor insuportável? Não mais. Nada de bafo quente com o auto-esfriador de veículos. Trata-se de um ventiladorzinho que você afixa na janela do carro, com uma frestinha do vidro aberta, e o ar circula. A propósito, o ventilador é movido a energia solar.

Eu já tinha visto propaganda de anti-depressivo veterinário, para cachorro com ansiedade de separação do dono. Agora vejo orgânicos para pets, que gracinha. Os cães não são mais forçados a comer biscotinhos cheios de hormônios e produtos químicos. Que tal os “Biscoitinhos orgânicos Newmans sabor manteiga de amendoim”? Newmans, no caso, é a marca de orgânicos do ator Paul Newman.

Mas nesta quintessencial sociedade Tabajara, não somente há tudo para todos, como necessidades são criadas a todo minuto.

Vai me dizer que você já sabia que precisava de um DVD que imita uma lareira? “Com o DVD lareira passando na sua TV, você quase sente o calor e os estalidos do fogo….você pode curtir o clima e, ainda por cima, não precisa limpar a chaminé”, explica-me a propaganda na TV. Genial.

Não há como não admirar aqueles que trouxeram ao mundo o grill do George Foreman…..

PS- Estou indo para São Paulo, de férias. Confesso que vou ficar um pouco perdida sem meu triturador na pia e sem meu DVD de lareira, mas continuarei postando….

comentários (104) | comente

13.dezembro.2006 20:24:25

Mulher vota em mulher?

>

“A questão do momento é: qual seria a maior desvantagem em uma campanha presidencial, sexo ou raça?”

É com essa pergunta provocadora que a colunista Maureen Dowd abre sua coluna de hoje no The New York Times, discutindo os dois Democratas favoritos ao posto de candidato a Presidente, Hillary Clinton e Barack Obama.

Aliás, eles são dois no meio de trocentos presidenciáveis – parece que não passa uma semana sem que algum político anuncie que está “explorando” candidatura para 2008.

Mas voltando aos primeiros da fila, a teoria da Maureen Dowd é que a Hillary está tentando se masculinizar, parecer durona, e o Obama quer se ‘branquear’, não passar por um candidato só dos negros.

E Hillary também quer passatr a imagem de muito experiente, bem mais do que seu rival, que só está há dois anos no Senado. A colunista alfineta, diz que Hillary teve mais experiência foi como esposa.

“Hillary, advogada formada em Yale, tinha um scarpin em “The West Wing” e outro no “Desperate Housewives”, um pé no mundo dos líderes globais e outro no mundo das mulheres de meia-idade humilhadas por seus maridos, aqueles que paqueram moças do escritório”

Ai, ai. Ferina. “Só uma mulher consegue ser assim má com outra mulher”, foi o comentário de um amigo.

“Hillary ainda luta entre seu lado Vênus e seu lado Marte, às vezes mostrando seu viés durão, de política, outras vezes indo buscar cafezinho pros colegas do sexo masculino”.

Ui.

Agora, a colunista é bem mais branda quando fala de Obama.

“O senador Obama desliza entre o mundo branco e o mundo negro. Em New Hampshire no domingo, falando para uma audiência quase toda de brancos, o advogado de Harvard parecia em casa, vestido como banqueiro de Wall Street em casual Friday e soando tão branco quanto Lou Dobbs.”
Mas daí pra frente, só elogios, incluindo “gracioso”, “sorriso matador”, e “Obama é o pior pesadelo de Hillary”.

É de se pensar – será que mulher vota em mulher?

A propósito, uma das armas dos republicanos é chamar atenção para o pouco divulgado nome do meio de Obama – o senador de Illinois se chama Barack Hussein Obama. Mas, aparentemente, o eleitor não está nem aí para o fato de o possível presidenciável ser xará do Saddam.

comentários (49) | comente

12.dezembro.2006 01:58:30

Abaixo Lou Dobbs

LOU DOBBS

Foi-se a época em que só a Fox News era panfletária. Está difícil achar algum noticiário minimamente neutro aqui nos Estados Unidos.

Lou Dobbs, que tem um programa de notícias às seis da tarde na CNN, é um escândalo. Ele passa o programa inteiro falando mal de imigrantes e “defendendo” a classe média. Completamente xenófobo. Fora que a falta de educação impera – várias vezes ele chama alguém de uma associação pró-imigrantes, como a La Raza, e não deixa o entrevistado falar, interrompe, faz comentários ofensivos. E isso é na CNN, que já foi sinônimo de neutralidade.

Os âncoras exaltados agora estão em todas as emissoras – CNN, MSNBC, ABC.

A New Yorker chegou a fazer uma matéria sobre Lou Dobbs e seus “excessos”, e como ele pode estar comprometendo a credibilidade da CNN.

Para se ter idéia da força do sujeito, os democratas mais populistas que foram eleitos agora no dia 7 de novembro já ganharam a alcunha de “Lou Dobbs Democrats”.

Dito isso, é inegável a vitalidade do comentário político por aqui, principalmente o de tom humorístico. Os fake news – Jon Stewart e Stephen Colbert, que fazem programas no Comedy Central tirando sarro de notícias verídicas – são geniais. Tem muita gente que não têm paciência de assistir aos noticiários tradicionais, ou duvida da imparcialidade deles, e acaba usando os fake news como a principal fonte de informação.

Outro dia, Stewart estava noticiando a saída do John Bolton, aquele bigodudo insano que era embaixador dos EUA na ONU e comprou briga com metade das Nações Unidas. Assim que ele anunciou a saída do neocon, a platéia explodiu em aplausos.

No dia seguinte, comentando a reação da platéia, Stewart disse: “olha, vocês têm que ser mais diplomáticos, têm que fazer como o Kofi Annan (atual secretário-geral da ONU, em fim de mandato, que detesta o Bolton).” E mostrou o comentário do Annan sobre a saída do Bolton.

“Ele fez o que esperavam que ele fizesse”, foi o lacônico “lamento” de Annan sobre a saída do embaixador americano.

Aí entra o Jon Stewart: “Bolton fez de tudo para espalhar democracia no mundo, que afinal é o mais importante legado dos EUA – depois da pizza com borda recheada, claro.”

O fato é que a liberdade de imprensa irrestrita produz essas calamidades que são o Lou Dobbs e o Bill O’Reilly, mas também dá espaço para os perspicazes fake news e vários colunistas afiados, como a Maureen Dowd e o Frank Rich, do The New York Times.

Na última sexta-feira, a coluna da Maureen Dowd era uma “fábula” sobre Bush sendo aconselhado por James Baker, o ex-secretário de Estado que coordenou o relatório do Grupo de Estudos de Iraque, tentativa de tirar os americanos da lama do Iraque. A certa altura da fábula, Maureen espeta, sem dó: “Bush convocou seus dois últimos aliados – seu poodle inglês e seu terrier escocês, Blair e Barney”. Barney é o nome do cachorro do presidente. Não preciso dizer que Blair não é um cachorro.

PS – Fui a uma festa no sábado que juntou jornalistas, diplomatas, pessoal do departamento de Estado, FMI, etc. Piada politicamente incorreta que rolava na festa – e aí, você já arrumou seu fornecedor de polônio?

Jon Stewart

comentários (37) | comente

07.dezembro.2006 22:07:20

Que vida de cão

De tempos em tempos, a gente se depara com uma frase que toca fundo no coração, como diriam nossos Wandos e Agepês.
“É como uma bolsa, mas com batimentos cardíacos”, disse uma fulana ao The New York Times, sobre os chihuahuas, yorkshires e outros microcachorros que se tornaram acessório obrigatório das socialites nova-iorquinas que se prezam. Não é uma pérola?

É preciso ter um cão lilliputiano para combinar com os stilettos Christian Loubotin e as enormes bolsas Chanel desta temporada. Os cães fashion acompanham suas donas por toda parte – nos restaurantes, no escritório, no cinema.

Eu já vi vários de capa de chuva amarela, chapéuzinho e mini-galochas. Não contentes, eles ganham “mordedores” Louis Vuitton….essa Paris Hilton é uma praga mesmo….

Ainda no tópico cães: foram recrutados 16 mil “cães terapeutas certificados” para ajudarem crianças a aprender a ler. O que? Hã? Isso mesmo. Os cachorros vão às escolas aqui dos Estados Unidos e ficam sentadinhos ao lado da criança, enquanto ela lê em voz alta.

Aparentemente, os cães terapeutas melhoram o desempenho das crianças, porque são um público sem preconceitos, que não faz julgamentos.

Cachorro acessório, cachorro ouvido de penico, isso tudo bem. Agora, cachorro normal, nem pensar.

Nem pense em fazer atividades caninas legítimas com seu animal. Aqui em Washington, é dificílimo achar um parque onde exista um cercadinho para soltar o cachorro.

Se você soltar o cachorro só um pouquinho, para o bicho correr, pegar uma bolinha, jogar um futebol, dá-lhe multa.

Coitada da Sarah, minha Border Collie que é a reencarnação do Garrincha.

comentários (54) | comente

“Seqüestro: a história de Megumi Yokota”, um documentário que acaba de estrear aqui nos Estados Unidos, é um dos grandes filmes deste ano.

O filme conta história do rapto da japonesa Megumi Yokota, em 1977, quando ela tinha 13 anos. Megumi, assim como 17 outros jovens japoneses, foi seqüestrada por espiões da Coréia do Norte. Os jovens ficavam presos na Coréia do Norte para ensinar espiões do país a “serem japoneses” – falar japonês, agir como legítimos japoneses, nos mínimos detalhes – para que eles pudessem se passar por japoneses em missões terroristas.

Foram mais de 20 anos até que se descobrisse o que tinha acontecido a esses jovens, até que o governo de Pyongyang admitisse os seqüestros, durante uma missão diplomática do ex-primeiro ministro japonês Junichiro Koizumi ao país.

Mas o destino destes jovens está envolto em mistério até hoje – alguns morreram em circunstâncias estranhas, outros foram devolvidos e, no caso de outros, as explicações não batem. Não vou contar mais para não estragar.

O documentário, dirigido pelo americano Chris Sheridan e por sua mulher, a canadense Patty Kim, tem como produtora executiva Jane Campion, do premiado O Piano. O documentário ganhou vários prêmios.

comentários (36) | comente

Não se engane: ele não está ali para anotar o seu pedido e servir a sua comida. Ele está ali por acidente.

Aqui nos Estados Unidos, a maioria dos garçons tem atitude, na acepção ianque da palavra – isto é, eles se acham. Ser gentil não está incluído no salário do pessoal.

Ai de quem demora para escolher o prato. O garçom estará atrás de você, batendo o pezinho, e perguntando de cinco em cinco minutos: Vocês estão prontos?

Olho em volta, o restaurante está vazio, não estou empatando ninguém. Mas o garçom ansioso vem de novo. Não, não estamos prontos, estamos batendo papo, dá licença?

Nos restaurantes americanos, tudo conspira para abreviar a sua experiência alimentar.

Mal acabei meu prato, e vem o garçom insistente – “are you still working on that?” (você ainda está trabalhando nisso?)

Trabalhando? Eu estou saboreando meu prato, curtindo a refeição. Não estou fazendo um serviço, não.
Aliás, a expressão é absolutamente brochante. Toda vez que o garçom vem com essa frase, acaba o meu prazer gastronômico. (antes que alguém me corrija, fui olhar no dicionário – é com ch sim)

Por fim, um clássico dos estabelecimentos americanos é jogar a conta não-solicitada na mesa. Não importa que você não tenha pedido a conta e que ainda queira um cafezinho. Mova-se. E rápido.

A tolerância dos garçons para eventuais dificuldades do cliente é mínima. Meu pai sempre conta um episódio de sua primeira visita a Nova York. Estava no Village, e resolveu comer um hambúrguer numa lanchonete.

“Como você quer o seu hambúrguer?”, perguntou a garçonete.

Meu pai não teve dúvidas. Mandou um “bad done”

Faz sentido, não? Se “well done” é bem passado, mal passado deveria ser “bad done”.

“Você quer que eu cuspa no seu hambúrguer?”, foi a resposta da garçonete pouco tolerante a atropelos lingüísticos. (bad done é mal feito, rare é mal passado)

Às vezes, há que se admitir, o serviço é bom. A gente até se surpreende. E resolve agradecer mais uma vez, feliz da vida: Thank you!

E a resposta qual é? Ahã. É isso aí. De nada, não há de que, imagine, you’re welcome, tudo isso saiu de moda. O pessoal (não só os garçons, justiça seja feita) se limita a dizer ahã quando você agradece. Que raiva.

O ultraje final é a gorjeta. A recomendação é dar de 15% a 20%, por um serviço normalmente bem abaixo da média. Mas varia. Dia desses, uma amiga minha esteve em um restaurante em Miami e deixou lá generosos 20% para o garçom. Quando estava indo embora, quase na saída do lugar, veio o gerente em desabalada carreira.

“Você não gostou do serviço?”

“Ora, gostei, claro, tanto que deixei 20%”

“Então você não leu a nossa recomendação – sugerimos aos clientes uma gorjeta de 25% quando o serviço for considerado bom.”

Ah, faça-me o favor.

Alguém me disse que os garçons daqui “têm atitude” porque a maioria está garçom, não é garçom. A praga dos garçons acidentais é culpa da revista People. A bíblia das celebridades está cheia de reportagens sobre estrelas de Hollywood que faziam bico de garçom até serem descobertas pelos grandes estúdios.

Como meu pai perdeu as esperanças de ver a Angelina Jolie cuspindo no hambúrguer dele, hoje em dia ele só pede medium rare (ao ponto pra mal) pras garçonetes daqui.

comentários (71) | comente

No Financial Times de ontem, o colunista Martin Wolf fez uma análise atilada do resultado das eleições americanas. A derrota republicana nas eleições legislativas do dia 7 de novembro foi uma amostra não apenas da repulsa do povo americano à guerra do Iraque, mas também uma rejeição à política de exportar à força a democracia para outros países.

“A principal característica deste governo tem sido não apenas sua incompetência, mas a rejeição de todos princípios que nortearam a política externa dos EUA após a segunda guerra mundial”, diz Wolf. “A estratégia deste governo tem sido baseada em quatro idéias:a primazia da força, a preservação de uma ordem unilateral, o exercício sem limites do poder americano e o direito para declarar guerras ‘preventivas’ na ausência de ameaças iminentes.”

Para Wolf, os EUA precisam começar do zero e desenhar uma política externa que se adapte à realidade atual. Essa política deve incluir as seguintes idéias: não limitar a atuação externa a uma guerra ao terror, mas trabalhar para a manutenção da prosperidade econômica mundial, incluindo o desenvolvimento do mundo islâmico; admitir que o poder militar é bem menos efetivo do que se pensava e causa uma enorme desconfiança em relação às reais intenções dos EUA; entender que a legitimidade dos EUA está no respeito que o país recebe de outras nações; e, por fim, sim, as instituições multilaterais são importantes, a despeito do desprezo professado pelos EUA. Wolf cita também a importância de se aliar a outros países, em vez de mergulhar em cruzadas de um país só.

Ele alerta para o perigo das alternativas: uma retirada às pressas do Iraque ou um realismo exacerbado e antiquado, eco do século XIX, tampouco serão soluções. E termina num tom otimista, citando a frase famosa de Winston Churchill: “Os Estados Unidos invariavelmente acertam, depois de terem esgotado todas as alternativas”.

“Os EUA devem liderar pelo exemplo, e não pelo uso da força militar; e por sua habilidade de mostrar o caminho, e não por ordens unilaterais.” É isso aí. Vamos começar de novo?

comentários (33) | comente

Ann Coulter, a pensadora de direita que é o capeta de mini-saia para os liberais americanos, não perdoa.

Na semana passada, seis imãs foram retirados de um vôo da US Airways que estava indo de Minneapolis para Phoenix. Eles argumentam que estavam apenas rezando, quando a polícia veio e os obrigou a descer do avião. Agora, os imãs estão conclamando os muçulmanos a boicotarem os vôos da US Airways, porque se sentiram discriminados.

Ato contínuo, Coulter, a Barbie de direita, escreveu uma coluna comemorando a expulsão dos muçulmanos do vôo. “Se os muçulmanos boicotassem todas as companhias aéreas, não só a US Airways, não precisaríamos mais de esquema de segurança nos aeroportos.”

Segundo ela, a idéia de que um boicote muçulmano poderia prejudicar as linhas aéreas é ridícula. “Agora só falta os taxistas de Nova york ameaçarem tomar banho”, diz Ann. Para Ann, todo o episódio pode ter sido uma jogada de marketing da US Airways. “E funcionou comigo – agora, a US Airways é minha companhia área oficial”, diz.

“Se você realmente quiser prejudicar uma empresa aérea, anuncie que ela é a preferida dos muçulmanos.”

comentários (185) | comente

Cada coisa. Uma rede de academias de ginástica aqui dos Estados Unidos proibiu “grunhidos”. Sabe aquele pessoal que faz uns ruídos estranhos quando está puxando ferro? Pois é. Na rede Planet Fitness, eles estão vetados. O New York Times conta a história de um sujeito fortão, chamado Albert Argibay, que foi expulso da Planet Fitness porque grunhia.

Além das regras básicas – não deixar a bicicleta suada para o próximo, não largar os halteres no meio do caminho, não ficar mais de 40 minutos na esteira, a academia tem essa lei pétrea – proibido grunhir.

O que gerou toda uma discussão semântica, vejam só. Afinal, onde termina a respiração forte e começa o grunhido? Qual a diferença entre ofegar e guinchar? Até que ponto se pode falar em um ruído atlético, e quando isso se transforma em barulho neanderthalesco?

Com o tal Argibay, não teve conversa. Ele se recusou a ir embora e a gerente da academia chamou a polícia. Agora o fortão quer processar a academia, por danos morais. Não agüenta mais trote de amigos, que ligam pra ele e ficam grunhindo no telefone.

Vale perguntar o seguinte: o que aconteceria se a Maria Sharapova fizesse ginástica nessa academia? Iam chamar a polícia também, ou loira que grunhe está liberada?

comentários (47) | comente

Arquivos

Blogs do Estadão