O imenso poder de sobrevivência

Crédito: Getty Images
O acidente com os mineiros do Chile nos lembra o poder de sobrevivência do ser humano. E também o fato de que nas grandes crises é que surgem as lideranças.
Em geral, diante da eminência de uma catástrofe, vira líder aquele que mantiver a calma, que não demonstrar desespero. Quem se desespera perde o discernimento, a capacidade de decidir e, conseqüentemente, de influenciar outras pessoas. Além disso, quem mantém a calma tem muito mais possibilidade de analisar os fatos com coerência e encontrar saídas. Portanto, liderança tem muito a ver com inteligência emocional, sim.
Lembro de um acampamento escoteiro de que participei, lá nos anos de minha infância, sem a presença de um chefe. E não deu outra, nos perdemos na Serra do Mar por algumas horas, até que um dos colegas, justamente o mais tímido dos meninos disse que nós estávamos indo para o lado errado, porque ele havia visto o Cruzeiro do Sul e percebeu que estávamos caminhando para o leste, quando deveríamos estar indo para o oeste. Viramos os calcanhares imediatamente, e essa observação transformou o menino no líder automático do grupo, e ele assumiu a responsabilidade, pois sabia o que estava dizendo.
Lá na Mina de San José, no deserto de Atacama, há notícias de que, mesmo antes de terem sido localizados, os mineiros já tinham se organizado em três grupos: o de higiene, o de segurança e o de suprimentos. Com certeza entre eles já surgiram os líderes, caso contrário o poder de organização e de controle não teria se manifestado.
Então é assim: líderes são fundamentais para que as pessoas enfrentem as crises, mas às vezes são necessárias crises para fazer surgir os verdadeiros líderes. Com mais uma observação: períodos de muita tranqüilidade podem ser tão perigosos quanto uma crise, pois fazem com que as pessoas fiquem na zona de conforto, se acomodem e não evoluam. Neste caso, os líderes também são necessários, mas para criar crises artificiais, veja só....
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