26.10.10

Google images
1. Que motivos minha sobrinha, que vai prestar vestibular, teria para ser professora;
2. O que fazer para que um estudante de física que eu conheço possa se transformar em um cientista;
3. Como transformar uma garota muito criativa em uma pessoa inovadora;
4. Como encorajar um jovem recém-formado a ser um empreendedor;
5. Como fazer com que meu vizinho, um senhor de meia idade, tenha menos necessidade de procurar o hospital para se tratar;
6. Como convencer uma pessoa que tem uma dívida para receber, que vale a pena procurar a justiça;
7. Como assegurar a um pequeno empresário que é muito bom pagar impostos;
8. Que providências tomar para que o conceito do respeito seja disseminado na sociedade;
9. Como aumentar na sociedade a sensação de confiança nas instituições;
10. Como aumentar o orgulho de ser brasileiro.
Acho que a resposta à última pergunta, seria a soma de todas as anteriores. E você, qual sua opinião?
29.09.10

Fonte: google images
Vamos colocar assim: para ser contratada por uma empresa para um cargo importante uma pessoa precisa ter três qualidades essenciais: capacitação técnica para a posição pretendida, experiência comprovada na área e qualidade moral.
Ninguém é contratado por suas promessas nem por sua retórica emocional. Entretanto, alguém pode ser eleito em função dessas duas características. Por quê?
Ora, porque os “contratadores”, que, neste caso são chamados de eleitores, são pouco criteriosos e prestam pouca, ou nenhuma, atenção à qualificação de quem vai administrar o desenvolvimento da sociedade no Poder Executivo, ou representá-lo no Poder Legislativo, fiscalizando o uso do seu dinheiro e propondo as leis que regulam o bom funcionamento da sociedade.
Se você fosse um empresário, você contrataria uma pessoa para ser um dos diretores de sua empresa sem confrontar suas credenciais, sua formação e sua experiência compatível com a função que ele vai ocupar? Estou certo que não. Então por que você concorda em que seja eleito um político que vai ocupar uma cadeira importantíssima nos próximos 4 anos, com uma possibilidade remotíssima de ser substituído nesse período, sem fazer as mesmas verificações?
No próximo domingo teremos eleições. Ainda dá tempo para que cada brasileiro faça sua lição de casa para votar com consciência e segurança, considerando o voto um direito e uma responsabilidade e não uma obrigação e uma tarefa sem conseqüências. Entender isso é ter isso é lucidez cívica, coisa que, infelizmente, falta à imensa maioria do eleitorado, aquelas pessoas que não desenvolvem consciência política porque têm pouco acesso à informação e ao entendimento.
Se você está me lendo neste instante você tem tudo isso. E, para você, a consciência cívica vai além disso. Em seu caso, ter consciência cívica significa colaborar com aqueles que não têm, orientando, explicando, esclarecendo, influenciando o pensamento e a decisão.
09.09.10

As notícias assustadoras sobre invasões ao CPF de algumas pessoas com propósitos torpes (seja lá quais forem, só podem ser torpes) me lembraram um artigo que escrevi há dez anos.
Conta a história do livro do Orwell e faz uma relação com o Big Brother da TV, com o perigo do controle excessivo a que estamos cada vez mais sujeitos e com nossa vida pessoal.
Se você quiser ler a integra do artigo, clique http://www.sapiensapiens.com.br/afinal-quem-e-o-big-brother/ e pense.
01.09.10
Depende...
Se a paixão é por uma mulher, ela vem da admiração, da atração, da aflição para estar junto e poder tocar, ouvir, acariciar, cuidar e amar. A paixão entre duas pessoas está além da lógica, mas depende dela para começar. Interesses comuns, olhares intencionais, sorrisos marotos, jogos de cena, pele. Ingredientes do inconsciente que se misturam para temperar a paixão. De repente ela chega, se instala e aprisiona o peito e você não quer mais ser livre. A liberdade é um valor menor diante de uma paixão verdadeira. É muito bom estar apaixonado e sentir seu peito bombardear à simples lembrança e visão daquela pessoa.
Se a paixão é por uma causa, ela surge da necessidade humana de ter missões, de se sentir útil, participante, ativo, companheiro. Precisamos estar conectados a coisas que façam sentido, que tenham valor, que não se esgotem com o fim do expediente. Causas são apaixonantes por natureza, ou não serão causas, serão apenas tarefas. Grandes líderes que empunharam bandeiras de causas criaram legiões que se dispuseram a entregar a elas seu tempo, seu melhor e até suas vidas. É um privilégio ter uma causa, apaixonar-se por ela e por ela viver. Causas são paixões com lógica. Ter pelo que lutar é preferir morrer com honra a viver no vazio da existência desapaixonada, despropositada, sem arma nem alma.
Agora, se a paixão é por um time, neste caso ela não tem mesmo explicação. E nem precisa, por isso é uma paixão maior, que existe por si mesma, como a fé, que não precisa da razão. O time não tem causas, tem metas; não quer salvar as florestas, quer fazer gol; não quer acabar com as guerras, quer ganhar o campeonato. Um time nem precisa corresponder à paixão de sua torcida, que gosta de ser testada em sua fidelidade. O time nem sempre é fiel, mas a torcida sim. E é exatamente dessa dor, dos anos sem taças, das semanas sem gols que vem a paixão que se exalta na primeira vitória, na boa fase atual, no próximo campeonato.
Ser apaixonado por seu time é como fazer valer o instinto de apaixonar-se, é como ter um motivo sem motivo, sem exigência, sem troca. Ser apaixonado por seu time é como apaixonar-se pelo divino. É permitir-se a alegria de torcer, de gritar, de rir e de chorar. De ser criança. Ter um time do coração é entregar-se ao amor pelo simples ato de amar, sem espera e sem demora. Só paixão, nada mais.
Esta é minha homenagem ao Corinthians, o time que tem a torcida mais apaixonada e que hoje, 01/09 comemora 100 anos de existência!

30.08.10

Crédito: Getty Images
O acidente com os mineiros do Chile nos lembra o poder de sobrevivência do ser humano. E também o fato de que nas grandes crises é que surgem as lideranças.
Em geral, diante da eminência de uma catástrofe, vira líder aquele que mantiver a calma, que não demonstrar desespero. Quem se desespera perde o discernimento, a capacidade de decidir e, conseqüentemente, de influenciar outras pessoas. Além disso, quem mantém a calma tem muito mais possibilidade de analisar os fatos com coerência e encontrar saídas. Portanto, liderança tem muito a ver com inteligência emocional, sim.
Lembro de um acampamento escoteiro de que participei, lá nos anos de minha infância, sem a presença de um chefe. E não deu outra, nos perdemos na Serra do Mar por algumas horas, até que um dos colegas, justamente o mais tímido dos meninos disse que nós estávamos indo para o lado errado, porque ele havia visto o Cruzeiro do Sul e percebeu que estávamos caminhando para o leste, quando deveríamos estar indo para o oeste. Viramos os calcanhares imediatamente, e essa observação transformou o menino no líder automático do grupo, e ele assumiu a responsabilidade, pois sabia o que estava dizendo.
Lá na Mina de San José, no deserto de Atacama, há notícias de que, mesmo antes de terem sido localizados, os mineiros já tinham se organizado em três grupos: o de higiene, o de segurança e o de suprimentos. Com certeza entre eles já surgiram os líderes, caso contrário o poder de organização e de controle não teria se manifestado.
Então é assim: líderes são fundamentais para que as pessoas enfrentem as crises, mas às vezes são necessárias crises para fazer surgir os verdadeiros líderes. Com mais uma observação: períodos de muita tranqüilidade podem ser tão perigosos quanto uma crise, pois fazem com que as pessoas fiquem na zona de conforto, se acomodem e não evoluam. Neste caso, os líderes também são necessários, mas para criar crises artificiais, veja só....
25.08.10

Foto: Arquivo Pessoal (Eugenio Mussak, Zé Pescador e Dulce Magalhães, também colaboradora da Promar)
Passei cinco dias em Salvador e na Ilha de Itaparica a convite da ONG Promar, em contato com comunidades simples que lutam para melhorar sua condição de vida. Acho que ensinei algumas coisas, mas aprendi muitas também. Aprendi, por exemplo, que a grande limitação não são as condições gerais, mas a vontade individual.
Todos eram pessoas pobres que enfrentam dificuldades, mas entre aqueles que convivi há alguns tipos:
- Existem aqueles que estão totalmente integrados ao ambiente em que vivem, são conformados e não questionam de nada;
- Aqueles que se queixam de sua condição e esperam que alguém, como o governo e as ONGs façam alguma coisa para ajudá-los;
- E existem aqueles que não estão conformados, mas também não esperam nada dos outros, procuram, eles mesmos, encontrar saídas, criar as próprias possibilidades.
Há, então, os conformados, os revoltados e os atuantes. As três categorias de pessoas que encontrei em Itaparica - entre as quais, o Zé Pescador da Promar é o melhor exemplo da terceira - são o modelo das sociedades em geral, pois existem em todos os lugares. Nas empresas, no meu prédio, nas ruas.
A lição é que existe a realidade e existe o a visão que temos dela, e não conseguimos mudar a realidade se não ajustarmos nossa visão sobre ela.
Como disse o Arthur Schoppenhauer, “Todo homem toma seu campo de visão como o limite do mundo”.
Para saber mais sobre a Promar, acesse: www.promar.org.br
Sobre o Zé Pescador: www.zepescador.com
12.08.10

© 2010 Ekaterina Nosenko
Você lembra do Robinho no jogo Brasil X Holanda? Parecia um celerado.
Apesar de ter sido o autor do gol , estava fora de controle, isso sem falar do Felipe Melo e outros. O equilíbrio emocional não entrou com eles naquele jogo, não foi escalado nem para o banco, e isso talvez explique o resultado.
Já ontem, no amistoso com a seleção dos Estados Unidos, quanta diferença. Tirando o Daniel Alves que, em um ou dois momentos mostrou nervosismo, o resto do time, dos quais dez eram estreantes na seleção, parecia estar com as emoções sob total domínio da razão. O resultado? Bem, um dois (quase três) a zero, domínio do campo, avanços pelas duas laterais, entrosamento, alegria. Melhor esse jogo do que os cinco da Copa do Mundo.
Se alguém acha que isso tem a ver com o comandante do time levante a mão. Eu estou com as duas apontadas para o céu. É claro que o equilíbrio (ou falta dele) emocional do líder influencia o grupo. Eu já vi isso em empresas, escolas, famílias. O Goleman tinha razão. Inteligência emocional é fundamental para se chegar a bons resultados, e para comemorá-los também.
Grande Mano Menezes, que fez apenas dois treinamentos com o time completo e já fez o que fez. Experiência e maturidade, conhecimento e criatividade, razão e emoção. Duplas de área. Que venha 2014!
Em tempo: será que o Dunga assistiu ao jogo? E se assistiu, será que aprendeu alguma coisa? E se aprendeu, será que teria humildade para admitir?
05.08.10

Imagem: Getty Images
Há uma história interessante, contada por um oficial que serviu com Napoleão. Ele se chamava Jean Michel, e conta que quando era ainda um soldado, estava montando guarda em um acampamento na campanha da Áustria, em pleno inverno de 1796, quando, de repente percebeu um movimento atrás de si. Virou-se e deu com Napoleão Bonaparte em pessoa. Dizem que ele se contentava com poucas horas de sono e muito cedo, costumava caminhar pelo acampamento, às vezes surpreendendo seus oficiais.
Ele então conversou um pouco com o soldado e, quando estava se afastando, Jean Michel - que agora tremia de emoção mais que de frio -, teve um momento de coragem e atreveu-se a dirigir a palavra a seu comandante supremo:
- Meu general, desculpe minha insolência, mas tenho necessidade de saber uma coisa: que qualidade eu preciso desenvolver para me transformar em um grande general algum dia?
O comandante tardou um instante para assimilar a pergunta, depois sorriu levemente e então disse:
- Se você me pede para que eu indique apenas uma qualidade, aquela que poderá algum dia transformá-lo, não só em um grande general, mas em um grande homem, então eu vou lhe dizer, meu jovem. Você precisa desenvolver aquela a partir da qual todas as outras virtudes virão: você precisa ser disciplinado. Só assim você se valerá bem do tempo, nosso bem mais precioso. Quanto a mim, pode ser que, no futuro, eu perca uma batalha, mas jamais perderei um minuto.
Em latim, disciplina, significa ensino, por isso usamos essa palavra também para designar áreas do conhecimento, como matemática, história. Há, portanto, uma conexão entre a disciplina e o aprendizado. Aliás, a palavra disciplina tem a mesma origem da palavra discípulo. O mestre disciplina um jovem para que ele aprenda, se desenvolva, torne-se autônomo e produtivo. O jovem que o mestre disciplina é, portanto, seu discípulo.
No sentido pessoal, a disciplina aumenta nossa capacidade de aprender e, a partir disso, realizar. Quem se disciplina torna-se, ao mesmo tempo, mestre e discípulo. As pessoas disciplinadas são mestres de si mesmas.
As pessoas disciplinadas são mais livres, pois liberta a pessoa da pressão externa e do sofrimento que vem dos sonhos não realizados, das frustrações auto-provocadas, da miséria da desesperança. Uma mente livre é uma mente disciplinada. Aliás, foi o Renato Russo nos disse que “disciplina é liberdade...”.
02.08.10

Ilustração: Art Box Images
Agosto chegou, as férias terminaram, o transito piorou e ainda por cima a segunda-feira está chuvosa. Por falar nisso, quais os motivos pelos quais tiramos férias?
Pelo menos em teoria, podemos dizer que tiramos férias para dedicarmos um período exclusivamente ao prazer, fazendo coisas não por obrigação, mas por vontade. É quando temos mais tempo para ficar com a família, namorar, brincar com as crianças. Aproveitamos para viajar, conhecer algum lugar novo, ler um romance, assistir a mais filmes. Na prática nem sempre é assim, pois muitos aproveitam o período de férias para arrumar a casa ou resolver problemas antigos, isso quando não usam o tempo para arrumar um bico.
O período de férias existe para que as pessoas se recuperem do estresse acumulado no trabalho, e isso é importante porque como não temos como eliminar o estresse de nossa vida, o que nos resta é encontrar os lenitivos, entre eles, as férias.
Mas há uma proposta interessante sobre esse tema, que é a criação de um “estado de férias”, que significa não esperar chegar as férias tradicionais para fazer coisas prazerosas. É só isso, parece pouco, mas pode ser muito se você se organizar.
É possível, pense bem, tirar férias toda semana, aproveitando bem o final de semana, não levando trabalho para casa e planejando pequenas atividades divertidas. É também possível tirar férias todos os dias, dedicando um tempo, uma hora só para você, para fazer ginástica, praticar um esporte, ler um livro, cultivar um hobby. Isso deveria ser sagrado. E eu diria que também é possível tirar pequenas férias durante o dia, e isso se faz criando um bom ambiente de trabalho, em que as pessoas se dão bem e colaboram entre si. Ambientes de trabalho podem e devem ser agradáveis, e isso está muito ligado com a postura do líder (de quem se tem a expectativa apenas de que seja uma pessoa séria).
Mas ser sério não significa não ter alegria. O oposto da alegria é a tristeza, o contrário da seriedade é a irresponsabilidade. Ser sério significa ser competente, confiável e responsável, mas dá para fazer isso sem abrir mão de prestar atenção no bom ambiente ao seu redor e fazer pequenas coisas para criar um ambiente leve a agradável.
A proposta do Domenico de Masi é exatamente essa. O ócio criativo não significa não fazer nada. Significa trabalhar, aprender e divertir-se ao mesmo tempo. Será possível realizar essa utopia do sociólogo romano? Sinceramente, acredito que sim! E você?
26.07.10

Crédito: Jim Zook
Quando o Felipe Massa permitiu a passagem do Alonso no Grande Prêmio da Alemanha ele teria agredido a ética do esporte? Essa é uma pergunta importante porque está em jogo a carreira de um piloto extremamente talentoso, que pode ser considerado leniente com os interesses da equipe a que pertence, contrariando a ética do esporte, que premia o vencedor por seus méritos, e não por armações de bastidor.
Basta lembrar a marca indelével que algo semelhante deixou no Rubinho Barrichello desde aquela corrida da Áustria em 2001 e 2002 em que ele, despudoradamente, deixou o Schumacher passar e, num caso mais escandaloso, a atitude do Nelsinho Piquet que obedeceu ao Briatore e provocou um acidente para favorecer o companheiro de equipe.
Este acontecimento provoca uma discussão no mundo corporativo. Até que ponto as exigências de uma empresa podem contrariar os valores de um executivo? Será que, pelo tão desejado “espírito de equipe”, um profissional deve esquecer de si mesmo? A lei do resultado a qualquer custo ainda vigora? Não, nenhum profissional é uma máquina insensível. Acima de tudo é uma pessoa, que tem princípios e valores, aliás, muito desejados e valorizados pelas organizações. O problema é que muitas vezes, para que alguma tarefa de alto interesse estratégico seja realizada, os valores são colocados em segundo plano. Afinal, empresas vivem de resultados.
Lembro de um caso de uma empresa que sugeriu a um executivo durante uma negociação com outra empresa que ele se fizesse passar por descontente com seu emprego, para, assim, conseguir alguma simpatia de seu oponente e ter acesso a informações que ajudariam na negociação final. Ele fez o que foi pedido, favoreceu a empresa, mas passou a ser visto com desconfiança pelos próprios colegas, que passaram a considerá-lo pouco confiável, capaz de qualquer coisa.
Nos Estados Unidos existe um tipo de atividade legal desempenhada por advogados que são conhecidos por “faxineiros”. Eles são especializados em limpar a “sujeira” ética deixada para trás por empresas que, para atingir seus objetivos, não hesitam em desrespeitar a natureza, os interesses coletivos e a própria lei. O filme Conduta de risco, com o George Clooney conta essa história. E mostra que os executivos envolvidos nas maracutaias podem até ganhar um bom dinheiro, mas têm suas carreiras comprometidas.
Sempre é bom lembrar que um emprego é importante, mas que uma carreira é mais. E que o emprego pertence ao empregador, mas a carreira pertence ao empregado, e ela pode estar sendo prejudicada com atitudes antiéticas, mesmo que seja para obedecer ao chefe. Vamos torcer para que a imagem de piloto talentoso do Felipe Massa não seja ultrapassada na pista pela de cordeirinho obediente do business da fórmula 1.