A Ferrari ganhou ou perdeu na Alemanha?

Crédito: Jim Zook
Quando o Felipe Massa permitiu a passagem do Alonso no Grande Prêmio da Alemanha ele teria agredido a ética do esporte? Essa é uma pergunta importante porque está em jogo a carreira de um piloto extremamente talentoso, que pode ser considerado leniente com os interesses da equipe a que pertence, contrariando a ética do esporte, que premia o vencedor por seus méritos, e não por armações de bastidor.
Basta lembrar a marca indelével que algo semelhante deixou no Rubinho Barrichello desde aquela corrida da Áustria em 2001 e 2002 em que ele, despudoradamente, deixou o Schumacher passar e, num caso mais escandaloso, a atitude do Nelsinho Piquet que obedeceu ao Briatore e provocou um acidente para favorecer o companheiro de equipe.
Este acontecimento provoca uma discussão no mundo corporativo. Até que ponto as exigências de uma empresa podem contrariar os valores de um executivo? Será que, pelo tão desejado “espírito de equipe”, um profissional deve esquecer de si mesmo? A lei do resultado a qualquer custo ainda vigora? Não, nenhum profissional é uma máquina insensível. Acima de tudo é uma pessoa, que tem princípios e valores, aliás, muito desejados e valorizados pelas organizações. O problema é que muitas vezes, para que alguma tarefa de alto interesse estratégico seja realizada, os valores são colocados em segundo plano. Afinal, empresas vivem de resultados.
Lembro de um caso de uma empresa que sugeriu a um executivo durante uma negociação com outra empresa que ele se fizesse passar por descontente com seu emprego, para, assim, conseguir alguma simpatia de seu oponente e ter acesso a informações que ajudariam na negociação final. Ele fez o que foi pedido, favoreceu a empresa, mas passou a ser visto com desconfiança pelos próprios colegas, que passaram a considerá-lo pouco confiável, capaz de qualquer coisa.
Nos Estados Unidos existe um tipo de atividade legal desempenhada por advogados que são conhecidos por “faxineiros”. Eles são especializados em limpar a “sujeira” ética deixada para trás por empresas que, para atingir seus objetivos, não hesitam em desrespeitar a natureza, os interesses coletivos e a própria lei. O filme Conduta de risco, com o George Clooney conta essa história. E mostra que os executivos envolvidos nas maracutaias podem até ganhar um bom dinheiro, mas têm suas carreiras comprometidas.
Sempre é bom lembrar que um emprego é importante, mas que uma carreira é mais. E que o emprego pertence ao empregador, mas a carreira pertence ao empregado, e ela pode estar sendo prejudicada com atitudes antiéticas, mesmo que seja para obedecer ao chefe. Vamos torcer para que a imagem de piloto talentoso do Felipe Massa não seja ultrapassada na pista pela de cordeirinho obediente do business da fórmula 1.
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