Tarô, não: é taro. Ou será inhame?
- 20 de fevereiro de 2013|
- 21h24|
- Por Redação Paladar
Por Neide Rigo
Duvido que alguém deixe de comprar taro por não saber a diferença entre cará e inhame. Mas, se a confusão semântica não atrapalha as vendas, o fato é que desde que Pero Vaz de Caminha confundiu mandioca com cará, a que chamou de inhame, produtores, feirantes, cozinheiros, cientistas e tradutores se batem para decifrar quem é quem.
É que o cará, raiz bojuda, marrom, de polpa branca e granulada, do gênero Dioscorea, é chamado de inhame no Norte e Nordeste do Brasil. No restante do País, inhame é o nome do vegetal conhecido internacionalmente como taro, a Colocasia esculenta, planta da família das aráceas, originária da Índia e da Malásia.
FOTO: Felipe Rau/Estadão
Sei que não é fácil mudar o nome popular de um item alimentício, mas em nome do bom entendimento, podemos tentar adotar o taro. E o outro fica sendo cará mesmo ou inhame.
O taro é a base da alimentação tradicional dos havaianos, que utilizam não só os rizomas, mas também os talos e as folhas. Sempre cozidos – afinal, aprendeu-se que o calor reduz seu efeito irritante (leia abaixo), especialmente se a água do cozimento for descartada. Havaianos comem taro na forma de poi, uma pasta feita com o legume cozido e socado em tachos de madeira com mão de pilão feita de pedra esculpida em forma de sino compacto.
RECEITAS:
Como cozinhar o inhame
- Bolo de inhame
- Bolinho frito de taro
- Polenta com taro e cebola dourada
Essa pasta pode ser comida fresca, sem sal nem açúcar, ou fermentada. Acompanha carnes e peixes ou é comida pura, como um mingau. Com um processador de alimentos você pode fazer seu poi e comer no café da manhã. É revigorante, gostoso, suave. Para fermentar, é só colocar o purê numa tigela, cobrir com pano e deixar em temperatura ambiente até criar bolhas. Mas eu prefiro o fresco, com mel ou melado.
Já no mundo asiático os pratos com taro são muitos: doces, sopas, refogados, cestas crocantes para saladas, bolinhos fritos e assados, brancos, roxos naturais ou coloridos de azul com flores de ervilha-borboleta. E vários deles servem de inspiração para ousar mais no uso do legume tão bem adaptado entre nós, que usamos mais à sombra das batatas.
Aliás, o taro dura dias em temperatura ambiente, em local fresco. E quando apodrece, vai se encolhendo com dignidade, nunca com aquele exagero da podridão das batatas. Esquecido por algum tempo, quase sempre nos brinda com um broto – é só enfiar na terra e regar para receber novos taros.
Para instigar você a correr comprar taro, deixo três receitas: o bolo de fubá do Vale do Paraíba é quase uma broa rústica, feito com um ovo, pouco açúcar, sem farinha de trigo e sem manteiga, com o taro e sua baba no lugar de mais ovos; uma polenta com pedaços de taro e cebola roxa dourada que serve de entrada, prato único ou aperitivo, frio ou reaquecido no forno com uns pedaços de queijo por cima; e um bolinho frito, o taro dispensando a liga dos ovos, sem leite, sem trigo, o vegetal se bastando. E, tudo bem, vá lá, você pode assar se tiver medo de óleo, mas uma friturinha crocante a cada renúncia de papa não mata.
Taro. Havaianos comem não só as raízes, mas talos e folhas, cozidos.
Aprenda a manusear para ele não pinicar
Já vi gente tomando suco de taro cru para purificar o sangue e desintoxicar o corpo, seja lá o que essas coisas queiram dizer. E há quem recomende ainda dar inhame cru a crianças e interromper se acaso pinicar. É que o taro e outros membros comestíveis da família das aráceas, como a taioba e o mangarito, têm oxalatos de cálcio que podem vir em variadas concentrações e o efeito imediato é como morder uma almofadinha de agulhas.
Algumas pessoas parecem ser mais sensíveis que outras e podem começar a sentir irritação e coceira já nas mãos ao manusear o taro. Cortá-lo embaixo de água ou usar luvas são algumas soluções. Mas, além do oxalato, o taro contém outras substâncias irritantes e a combinação delas pode causar edema na boca, coceira e vômito, evoluindo para mais complicações às vezes.
-
22/02/2013 - 14:33 Enviado por: Nuno
Oi, Neide,
muito bom artigo. é isso mesmo. ressalto que quem parece ter causado essa confusão foi o Brasil, na região Sudeste, em algum momento da história quando achou que taro (Colocasia) fazia lembrar o inhame (Dioscorea), provavelmente quando cozido pois as plantas são muito diferentes, e resolveram chamar assim. Seria algo como achar que caqui parece com tomate e sugerir: – vamos chamar esse fruto vermelho de “tomate”? após séculos, tá feita a confusão!
responder este comentáriodenunciar abuso
Deixe um comentário:
- Magia magiar: Eu bem que achava que o nome húngaro para seu próprio povo: Magyar, tinha alguma conotação ... http://bit.ly/cwEUrM Leia mais 2010-03-05
- Como se faz farofa paulista?: Publicado no Paladar de 4/3/2010 Não existem definições claras ou receitas ... http://bit.ly/9ak2Xy Leia mais 2010-03-04
- Mais Chile: Um relato mais acurado da devastação começa a chegar. Na parte aberta do site de Jancis Robin... http://bit.ly/bb6n1r Leia mais 2010-03-04
- Nigella, a nova inspiração de Tim Burton: Tim Burton viu potencial de rainha na apresentadora de TV Nigel... http://bit.ly/blnueI Leia mais 2010-03-03
- 5%: Amanhã no Paladar, na quinta parada das “Viagens engarrafadas de Glupt!” faremos um passeio pela Bair... http://bit.ly/9YMq0f Leia mais 2010-03-03
- More updates...
- A Educação no século 21
- A crise na terra dos reis
- Album de Retratos
- Alvaro Siviero
- Andrei Netto
- Animal Reflexão
- Antero Greco
- Aprendendo no Mundo
- Ariel Palacios
- Arquivo Estado
- BOB
- Bate-pronto
- Blog da Garoa
- Casa
- Ciência Diária
- Cláudia Trevisan
- Coluna do Ming
- Combate Rock
- Conto de Notícia
- Conversa de bicho
- Copa 2014
- Correr por aí
- Cristina Padiglione
- Daniel Gonzales
- Daniel de Barros
- De$complicador
- Dener Giovanini
- Denise Chrispim Marin
- Dentro da rede
- Diego Zanchetta
- Direito e Sociedade
- Edison Veiga
- Edmundo Leite
- Entenda seu IR
- Estadinho
- Estante de Letrinhas
- Fernando Dantas
- Flávia Guerra
- Força de Expressão
- Fredric Litto
- Gustavo Chacra
- Haisem Abaki
- Herton Escobar
- Homem Objeto
- Jamil Chade
- Jornal do Carro
- José Paulo Kupfer
- José R. Toledo
- João Bosco Rabello
- João Luiz Sampaio
- Julia Duailibi
- Livio Oricchio
- Luiz Américo
- Luiz Carlos Merten
- Luiz Horta
- Luiz Zanin
- Lúcia Guimarães
- MBA de A a Z
- Macaco elétrico
- Marcelo R. Paiva
- Marcius Azevedo
- Moda
- Modo Arcade
- Mural dos Concursos
- Música Sertaneja
- NY Local
- Nhom
- No azul
- O papai, as gêmeas e a mamãe
- Paladar
- Paul Krugman
- Ponto Edu
- Prósperi
- Públicos
- Quiroga
- Radar Cultural
- Radar Global
- Radar Imobiliário
- Radar Político
- Radar Tecnológico
- Radar do Emprego
- Reclames do Estadão
- Ricardo Chapola
- Ricardo Guerra
- Ricardo Lombardi
- Roberto Lobo
- Robson Morelli
- Rodrigo Martins
- Roldão Arruda
- Rolf Kuntz
- Sala ao Lado
- Seja Sustentável
- Seus Direitos
- Sonia Racy
- Sua oportunidade
- Tatiana Dias
- Trending Pop
- Trânsito
- Tutty Vasques
- Ubiratan Brasil
- Vencer Limites
- Viagem
- Vias Alterlatinas
- William Capita Machado
- Wilson Baldini Jr.



