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Levo vinho ou cerveja?

  • 5 de março de 2014|
  • 21h50|
  • Por Redação Paladar

Por Marcel Miwa

Para estrear a nova seção, que será mensal e vai testar a parceria entre bebidas e comidas, sem preconceito – escolhemos as empanadas como tema. A sommelière Daniela Bravin, a editora do Paladar, Patrícia Ferraz, a editora-assistente e colunista de cerveja, Heloisa Lupinacci, e eu nos reunimos no Arturito na sexta-feira para a prova. A ideia era levar bebidas para combinar, todos levaram vinhos (Guilherme Velloso mandou sua contribuição) e Heloísa chegou com as cervejas.

Ninguém viu os rótulos dos outros – dois brancos, quatro tintos e três cervejas. Eles foram entregues ao maître da casa, Peter, que serviu e numerou as taças nos bastidores.

A dificuldade comum a todas as bebidas foi encarar a força dos temperos da empanada (bastante condimentada) da casa. As cervejas se saíram melhor que os vinhos na prova: todas funcionaram. Duas delas apenas refrescaram a boca para a próxima mordida, o que já é alguma coisa. A terceira, uma cerveja quase exagerada, conseguiu chegar na intensidade da receita.

Para versões mais tranquilas do pastel argentino, as outras duas cervejas provadas devem segurar a onda. IPAs e saisons também podem fazer bonito. E os vinhos com certeza se sairiam melhor também.

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

Colomé Torrontés 2013
Salta, Argentina
R$ 55,50, Decanter Vinhos
Este saltenho branco e o prato conversaram bem. Mas não apenas por serem conterrâneos. O que fez a combinação dar certo foram a estrutura e a intensidade aromática do vinho: o bom corpo e as notas cítricas e de Moscatel verde balancearam o cominho e a pimenta, marcantes da receita.

Tenuta Sant’Antonio Scaia Rosso IGT 2011
Vêneto, Itália
R$ 58, Wine
Boa surpresa. As notas de cereja amarga e ameixa foram capazes de se conectar à empanada, principalmente na versão com uva-passa. O conjunto equilibrado, com boa acidez, taninos discretos e álcool integrado, foi fundamental. Dos vinhos, foi o que combinou melhor com a empanada.

5 AM Saint
Escócia
R$ 20,90 (355 ml), na Puro Malte
Esta american amber ale escocesa leva dois tipos de lúpulo na produção e outros cinco em dry hopping (depois que a cerveja já saiu da panela, na fermentação ou na maturação).
Mais intensa das três, foi a única que fez frente à força dos temperos da empanada, apontando para um outro caminho: american IPAs (leia mais na pág. 2) e imperial IPAs talvez fizessem casamentos melhores com essa receita.

Wensky Saci
Curitiba (PR)
R$ 18,90 (500 ml), no Clube do Malte
A empanada, bastante condimentada, combinou mais com o cheiro dessa amber ale – que estava expressivo, adocicado, gordo – do que com o gosto dela. No nariz, a cerveja dava sinais de que ia conseguir fazer frente aos fortes temperos da carne. Estava apostando na força do lúpulo, mas, na boca, a empanada falou muito mais alto – especialmente a da casa, mais picante. Não foi aquele casamento lindo, mas também não deu totalmente errado. A coisa ficou no empate. O gole para lavar a mordida. Zero a zero.

Bierland Vienna Lager
Blumenau (SC)
R$ 14,90 (600 ml), na Cerveja Store
Esta é uma cerveja parruda. Tem bastante malte e bastante lúpulo; tem corpo e amargor. Na boca, ela começa insinuando os aromas do malte – algum dulçor, algo cereal –, mas logo vem a porrada herbal e amarga do lúpulo carregado. É um amargo longo, consistente. Mas, de novo, o condimentado da empanada da casa falou mais alto. Com a versão que levou uvas-passas e menos picância, a aliança funcionou melhor. Para empanadas mais convencionais, essa cerveja deve funcionar bem. Mas com a versão temperada da prova, continuamos no empate, aquela harmonização que funciona, mas não brilha.

Melhor discutir a relação

Como em qualquer painel de degustação, alguns vinhos se dão bem e outros nem tanto. Numa prova de harmonização, um vinho que não combina com o prato não é sinônimo de vinho ruim – apenas não foi capaz de ressaltar as qualidades do prato escolhido. E nem melhorou com ele. Daniela Bravin lembra que não se pode simplificar tudo ao critério de regionalidade: “Esse negócio de harmonização com pratos e vinhos sul-americanos só é infalível quando se está lá, nos pés da Cordilheira”.

Com a empanada, o vinho argentino Colonia las Liebres 2012 (100% Bonarda, R$ 47,20 na World Wine) e o brasileiro Almadén Shiraz 2011 (R$ 14,50 na Miolo) ficaram alcoólicos diante da picância do prato; pimenta e álcool formaram uma combinação explosiva na boca. Já o argentino Amalaya Blanco 2012 (85% Torrontés e 15% Riesling, R$ 46,60 na Decanter Vinho) e o brasileiro Ensaios Experimentais Barbera 2012 de Marco Danielle (R$ 120,00 na Tormentas) foram apagados pelas especiarias do recheio da empanada, especialmente o cominho. O resultado não foi desastroso, mas não vale a pena pagar 100% do valor para receber 50% das qualidades.

 

 

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