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Food truck acelera. Mas não na rua

  • 20 de agosto de 2014|
  • 20h55|
  • Por Redação Paladar

Por Marília Miragaia

As licenças que vão habilitar os primeiros vendedores de comida de rua em São Paulo devem começar a ser emitidas entre fim de agosto e início de setembro, de acordo com a Prefeitura da cidade.

Mas a procura pelos chamados TPUs, os termos de permissão de uso, foi modesta, ao contrário do que se esperava quando a lei da comida rua foi regulamentada, no início do ano. Pouco mais de mil propostas foram feitas para 900 pontos divulgados em junho. O número ainda pode ser atualizado.

Enquanto isso, só cresce a demanda por food trucks, uma das três categorias previstas na lei. E quem pensa que isso vai significar sair à rua e almoçar, a cada dia, em um “truck” diferente, pode estar enganado.

Almoço. No Butantan Food Park, 50 food trucks estão na fila de espera ocupar espaço. FOTO: Evelson de Freitas/Estadão

Os food trucks estão bombando, mas em espaços como pátios destinados a alimentação, estacionamentos de lojas e eventos fechados como casamentos, festas de confraternização e formaturas. Com o mercado aquecido, muitos não têm intenção de mudar de estratégia, ao menos por enquanto.

“Food truck virou moda, é o novo ex-BBB da festa”, brinca Mauricio Schuartz, produtor do Butantan Food Park. O endereço reúne trucks, trailers e barracas e recebe cerca de 8 mil pessoas por final de semana. Segundo Schuartz, ao menos 50 trucks estão na fila de espera para poder vender comida no espaço, que abre todos os dias.

Doni Nascimento, do Le Camion, é um dos participantes do Butantan. Mas, além disso, seu truck, que vende hambúrgueres e risotos, já foi convidado para atuar em pontos como cervejaria, doceria, incorporadoras e até um pet shop.

“Para algumas lojas, ter oferta de comida ao redor é um grande atrativo. O pessoal vai comer e já dá uma olhada na vitrine”, diz Marcus Mester, do 13 Truck, que também participa de um esquema semelhante.

Em casos como esses, estabelecimentos convidam food trucks para estacionar em uma área privada, distribuir ou vender comidinhas para gerar movimento – ou complementar seu serviço, como no caso de uma cervejaria ou um bar.
O processo não é ilegal, mas requer, além de autorizações como da Vigilância Sanitária, um alvará, afirma a Prefeitura.

“O mercado está tão em alta que não consigo atender às solicitações que recebo. Hoje, grandes eventos, como casamentos e festas de 15 anos, procuram food trucks”, diz Raphael Corrêa, sócio do Massa na Caveira.

Corrêa conta que concorre a uma licença na região norte de São Paulo e pretende ter até o fim do ano um segundo carro para poder atender a eventos. “Tem até empresas de bufê interessadas em montar food trucks para não perder essa fatia de mercado”, diz.

“As licenças têm sido o plano B. O plano A são festas fechadas, eventos que podem ter até 9 mil pessoas”, afirma Celso de Oliveira, vice-presidente da Associação Paulistana de Comida de Rua, formada no início do ano.

Oliveira também é dono da Bumerangue, empresa que adapta veículos e os transforma em food trucks. A demanda, segundo ele estima, cresceu em torno de 150% depois da aprovação da lei, em novembro. Hoje, clientes de sua oficina têm de esperar cinco meses até ter seu pedido atendido.

Parado, só poste. Uma reclamação recorrente entre donos de food trucks é que, segundo a lei de comida de rua, os veículos têm de se limitar a pontos fixos que foram determinados pela Prefeitura – em lugar de circular e parar de acordo com a demanda.

Na teoria, seria possível circular entre diferentes pontos, mas isso, na ponta do lápis, pode ser inviável por causa dos trâmites e custos envolvidos.

“Você perde a mobilidade. A ideia do food truck é ir a diferentes lugares, buscar sua freguesia. Se for para ter um ponto fixo é melhor ter um restaurante”, diz Hermes Bernardo, do Fichips.

Dono do food truck que serve peixe empanado com batatas palito, Hermes preferiu não tentar a licença da Prefeitura. Agora, se quiser parar na rua, terá de esperar novos editais. Mas a agenda lotada o faz preferir eventos fechados.

A Prefeitura informa que as primeiras licenças vão funcionar como piloto para aperfeiçoar o sistema e que está aberta ao diálogo. “Achamos que esse número (de licenças) é adequado para o aprendizado”, diz Manoel Victor de Azevedo, supervisor-geral de Uso e Ocupação do Solo da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.

SERVIÇO

Butantan Food Park
R. Agostinho Cantu, 47, Butantã
2ª a 4ª, 11h/16h; 5ª a sáb., 11h/22h; dom., 12h/19h

Pátio Gastronômico
R. Relíquia, 383, Casa Verde
Sáb. e dom., 12h/20h

Panela na Rua
Praça Benedito Calixto, 85, Pinheiros
Dia 28, 18h/22h

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 21/8/2014

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6 Comentários Comente também
  • 21/08/2014 - 22:59
    Enviado por: Gianluca Zucco

    Realidade peculiar de Sao Paulo, não apenas pelas limitações legais, assim como pelo espirito paulistano de ir, vir e consumir, desde que seja aonde tenha hypes e necessariamente filas que garantam ao povo a homologação de fazer sempre e religiosamente aquilo que os outros fazem…
    Realidades que nem aquela do Butantan Food Parque ou da Pracinha Oscar Freire estão correndo o serio risco de serem emulações de praças de alimentação ao ar livre…
    Posso entender (ate certo ponto) a margem de conforto empresarial e a garantia de lucro do lado dos food truckers, mas sinceramente corre-se o risco de uma padronização dos lugares, modalidades e – o maior – das ofertas gastronômicas, que vai na contramão do que a comida de rua deveria ser e è no mundo todo.
    Os food trucks vieram para ser uma alternativa (ligeiramente) mais barata da comida sentados e fechados ou tambem para ser uma proposta de lugares e ofertas genuinamente alternativos??

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    • 23/08/2014 - 11:08
      Enviado por: Paulo

      Concordo, como quase tudo em Sāo Paulo, cria-se uma versāo fake-coxinha para agradar ao público calça frouxa ávido pelas dicas da Vejinha.

  • 22/08/2014 - 11:23
    Enviado por: Daniel Ballesteros

    Em Belo Horizonte, estamos andando na contra mão das “street food”. para quem quer se arriscar tem que passar constrangimentos e andar muito para ter licenças sem cabimento como: inpm,detran ,dentre outras medidas como tamanho maximo de 3 metros e vai por ai, e desanimador.

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  • 22/08/2014 - 12:59
    Enviado por: Andreia Bittencourt

    Realmente o comercio ITINERANTE tem que circular!!! Uma pena a prefeitura não aproveitar essa mobilidade e organizar regras mais pertinentes ao negócio! Nos do Santo Rango Food Truck, entramos com solicitação do TPU para zona norte de Sao Paulo, mas com a esperança de que nossos governantes deem um segundo passo na instituição da lei, ajustando-a para que a comida de rua seja ITINERANTE!!! Dr. Andrea Matarazzo, vamos para o segundo passo? Santo Rango APOIA!!!! Quem apoia esta causa, curta nossa pagina e aumentemos essa campanha. https://www.facebook.com/santorangofoodtruck?fref=ts

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    • 23/08/2014 - 11:09
      Enviado por: Paulo

      Detalhe, Andrea Matarazzo nāo é doutor.

  • 23/08/2014 - 22:51
    Enviado por: Maria Truccolo

    Antes de autorizar mais comércio de alimentos, a Prefeitura deveria fiscalizar os já existentes. Atrás do meu edifício, no centro da cidade, tem um bar que há 19 anos foi ter licenças somente no ano passado e polui o ar incessantemente com os efluentes gasosos da comida que produz. Foi denunciado inúmeras vezes e cadê? Esses itinerantes têm filtros suficientes em suas cozinhas móveis? Já pensaram no inferno em que isto vai se transformar numa cidade já extremamente poluída?

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