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Farinha + banana + bolinho de chuva + creme de leite

  • 28 de dezembro de 2010|
  • 8h00|
  • Por Redação Paladar

Por Aryane Cararo

Minha sogra vinha em casa para um café e eu não tinha o que servir. Achei uma boa hora para testar o método Cozinhando com a Internet com doces. Um dia antes, havia ido ao mercado e comprado vários ingredientes essenciais para uma cozinheira. Como o dia estava chuvoso, apelei para a falta de imaginação: bolinho de chuva. Lembrava de ter farinha de trigo. E tinha banana, era prata, mas era banana. Digitei: farinha de trigo banana bolinho de chuva. A facilidade acabou aí. Eu não tinha todos os ingredientes essenciais.

Todas as receitas de bolinho de chuva pediam leite. Não compro leite. Em casa, ninguém bebe. Todas as vezes em que o comprei, foi para usar apenas uma xícara no preparo de algum bolo. O resto acabava azedando. Nunca achei medida intermediária ao litro.

bolo.jpg

Mas tinha creme de leite, aquela meia lata (um pouco menos) que sobrou da carne ao molho de mostarda, mel e maçã do post passado. Refiz a busca: farinha de trigo banana bolinho de chuva creme de leite. Logo na segunda opção, surgiu uma receita que parecia ser ainda mais perfeita – o bolinho era assado e não frito. Evito fazer frituras em meu apartamento para não dormir com o travesseiro cheirando a coxinha. E um site com este nome só poderia ser confiável: Receitas de Mãe.

Bolinho de chuva assado

1/2 lata de leite condensado
1/2 lata de creme de leite
1 colher (de sopa) de açúcar
2 xícaras (de chá) de farinha de trigo
1 colher (de sopa) de fermento em pó
1 ovo

Modo de preparo:

- Unte uma assadeira grande com óleo e farinha de trigo. Reserve.
- Misture o leite condensado, o creme de leite, o açúcar, o ovo e o fermento em pó.
- Acrescente aos poucos a farinha de trigo e misture muito bem.
- Com o auxílio de uma colher, coloque montinhos da massa na assadeira, deixando espaço entre os montinhos.
- Asse em forno médio por mais ou menos 30 minutos.

Fonte: Site Receitas de Mãe  

Por sorte, tinha leite condensado. Comprei-o depois de uma semana em que quis muito comer brigadeiro e não pude fazê-lo pela falta do ingrediente. Mas tampouco fiz depois. E logo emendei um regime, que agora me impede de usá-lo para o fim que foi adquirido. Tudo bem. Na vida, a gente sempre muda os planos. Só não imaginava que faria tantas mudanças naquela tarde. Outro ponto decisivo para que esta receita tenha sido eleita foi a quantidade de ovo. Um dia antes, havia três na geladeira. Mas, misteriosamente, sobrou apenas um.

Despejei o leite condensado e o creme de leite. Quando os dois já se deleitavam na tigela, peguei o fermento em pó. Já fazia tempo, muito tempo desde o nosso último encontro. Tanto tempo que ele estava com o prazo de validade vencido. Murchei, mas não desisti. Fiz o teste que minha avó, superdefensora dos alimentos recém-vencidos, ensinou: um pouco de fermento numa colher pequena e algumas gotas de água. Se borbulhasse bastante, dava para usar. Ele quase não borbulhou. Mas nessa altura eu já tinha dois ingredientes na bacia e um casal de visitas. Foi uma aposta.

A farinha, na minha despensa desde sempre, também tinha vencido há pouco. Mais uma aposta. E de aposta em aposta, a receita foi tomando consistência. E sofrendo adaptações. Até que meu namorado sugeriu: acrescenta banana. Eu já tinha desistido dela, mas vi no ouro da casca a possibilidade de salvação. Ouro, não, prata. Nunca tinha usado este tipo de banana em nenhuma receita. Também não havia provado um prato elaborado com ela em lugar nenhum – e acho que agora sei por quê. A banana prata assada ficou sem gosto, desapareceu do bolo, envergonhou-se de ser usada.

Difícil foi identificar o ponto de consistência da massa para fazer os bolinhos. Acabei exagerando na farinha e paguei pelo pecado – ficou duro e com gosto de… farinha. O pior é que, na tentativa de fazer as bolinhas, ouvi um coro: “Despeja tudo na forma”. Desapeguei do amor pela receita. E lentamente aquela massa grossa foi tomando conta da forma, de maneira disforme, confusa e rebelde. Afinal, o que seria mais uma em meio a tantas exceções?

Untei a forma com margarina para culinária, porque não prestei atenção que a indicação era óleo. Não fez diferença. Também não fui atenta ao ponto de cozimento e deixei o fogo na temperatura mais alta. Vinte e cinco minutos depois, cheirou a queimado. Não queimou, por sorte. Mas cresceu sem disciplina. A massa ficou pesada, densa. Não era muito doce (teria ficado se tivesse feito os originais bolinhos e os sapecado de açúcar).

E o bolo que deveria estar no diminutivo foi salvo pela geleia, que meu namorado inventou de jogar por cima. Ótima ideia. Ficou bom assim. Meus sogros comeram, e repetiram, e repetiram. Até mesmo sem geleia. Eles juraram que gostaram. De qualquer forma, aprendi uma lição (e não estou falando de nunca mais usar ingredientes com prazo de validade vencido): o que nasceu para ser fritura nunca chegará a assado. Apesar de mais saudável, jamais poderia chamar aquela massa de bol(inh)o de chuva. Era um metamorfo. Gostoso, mas metamorfo.

PS.: Fermento em pó vencido faz mal? Era o que queria saber quando recorri à internet, na esperança de encontrar um site confiável com a resposta. Mas só uma resposta apareceu (e repetidas vezes): misture cinco colheres disso com um litro de água e você vai ter um potente limpador de pias e de inox. Ou seja, não usem fermento vencido em receitas, ok?

Aryane Cararo é editora do Estadinho, o suplemento infantil do Estadão, e não está no blog errado. Ela conta aqui suas aventuras culinárias com o método que ela batizou de Cozinhando com a Internet. Na prática, ele consiste em correr para a web, digitar os ingredientes que existem na cozinha e torcer para que venha uma boa dica de receita. Depois, é só testá-la, usando criatividade nas adaptações.

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