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Comida de rua tem frota cada vez mais farta

  • 22 de maio de 2014|
  • 0h56|
  • Por Redação Paladar

Licença oficial eles ainda não têm. Mas, com a regulamentação da lei de comida de rua há duas semanas, vans, kombis, trailers e carrinhos de comida tomaram impulso para sair de suas tocas – ou garagens, no caso.

Achá-los não é uma tarefa óbvia. Mas há algumas pistas: eles ainda estão estacionando principalmente em eventos ou em vagas na frente de empresas – e lojas de cerveja – que os convidam para matar a fome de quem está por ali. E, claro, têm presença assídua nas redes sociais.

Em eventos como a Virada Cultural ou a Feira de Artes da Vila Pompeia, no fim de semana passado, as cozinhas sobre rodas formaram pequenos engarrafamentos intencionais. E, aos poucos, compõem um circuito, com pontos de parada conhecidos e em estacionamentos – como o Butantan Food Park, aberto terça-feira.

E o público, bom, o público tem fome de comida boa, de fácil acesso e a preços razoáveis. Está tudo no jeito para que a cidade vire palco de um rico movimento de comida de rua, que toma forma especialmente na figura da moda, os food trucks.

Não, eles não foram inventados agora. E mesmo em São Paulo temos pioneiros, como Rolando Massinha e sua van de macarrão na Avenida Sumaré desde 2008, o caminhão temporário da Jameson sob comando do chef André Mifano (Vito) que circulou no ano passado e o próprio Buzina Food Truck, que já foi tema da coluna Eu Só Queria Jantar, abriram caminho para a frota que vem vindo.

Passamos a última semana no rastro dessas cozinhas motorizadas e aqui reunimos as histórias de algumas delas.

BAIANADA
Ainda não tem Facebook (contato pelo telefone 3603-5808)
Preços: de R$ 10 a R$ 15

FOTOS: José Orenstein/Estadão

Elas deixaram Itaju do Colônia, no sul da Bahia, uma cidade de apenas 7 mil habitantes, e enfrentaram 1.538 km para chegar até São Paulo. Sônia Santos e as filhas Joyce e Chauana se estabeleceram em Osasco, na Grande São Paulo, há quase um ano. E logo tiveram a ideia de vender sanduíche de pernil. À moda baiana, claro. A carne, úmida e macia, é servida com delicioso molho verde caseiro e uma boa pimenta no pão francês. Outra opção é um farto baião de dois, receita de família.

Desde que o ponto fixo no começo da Rodovia Anhanguera conquistou movimento, elas conseguiram juntar dinheiro para reformar a van – desembolsaram R$ 50 mil para colocar o logo e pintar a lataria. E melhorar a cozinha do furgão, onde finalizam o que já foi pré-preparado numa cozinha semi-industrial. A Baianada participa de feiras e eventos de rua nos fins de semana. A ideia, conta Joyce, é ampliar, ter mais uma van, sempre na rua. “Restaurante é muita burocracia”, diz ela./ JOSÉ ORENSTEIN

MASSA NA CAVEIRA
Preços: de R$ 12 a R$ 14

A massa fina e crocante chega quente à mão, recém-saída do forno instalado dentro de uma charmosa Kombi 1974. A fresca e benfeita margherita ou, ainda, as pizzas de abobrinha, calabresa, gorgonzola com alho-poró e frango com catupiry de Raphael Corrêa e Juliana Moreira têm atraído cada vez mais gente. A dupla largou seus empregos para fazer de um hobby profissão. Há pouco mais de um mês, têm rodado São Paulo servindo pizzas, seguindo uma receita de família para a massa. “Abrir um bar ou restaurante não estava em questão”, diz Raphael, que planejou o negócio por seis meses. A adaptação da Kombi custou R$ 70 mil e ele diz ter gastado mais R$ 30 mil para montar uma cozinha na zona norte. O Massa na Caveira quer percorrer a cidade, mas a ideia é fixar ponto na Av. Bráz Leme de terça a quinta. / JOSÉ ORENSTEIN

BAMBOLEIRAS
Preços: de R$ 4 a R$ 12

São duas mulheres que se revezam no volante, mas há bons motivos para você ir atrás desse furgão pintado em tons de rosa e verde: trata-se de uma confeitaria ambulante. A vitrine é dividia em três alas. Primeiro, os bolos para acompanhar o café coado (R$ 4) ali mesmo. Tem bolo de fubá, de laranja, bolo frapê, cenoura com ganache, que custam R$ 5. O cardápio varia conforme o dia. Na outra prateleira estão os minibolos recheados, de paçoca artesanal com doce de leite, de marshmallow caseiro, brigadeiro de chocolate belga, de morango, goiabada com cream cheese. Custam de R$ 10 a R$ 12. E tem também uma seleção de “mimos”, que inclui bala de coco, brigadeiro de chocolate belga, bolinho de chuva, cajuzinho, pipoca caramelizada. Custam de R$ 2 a R$ 6,50. Tudo é feito diariamente, no começo da manhã, numa cozinha profissional.

FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

O Bamboleiras pertence a duas amigas, Ariane Guimarães e Cláudia Daroncho, formadas em confeitaria. Elas se conheceram na faculdade e logo descobriram uma afinidade: Cláudia, que é engenheira química, e Ariane, que é administradora de empresas, queriam mudar de vida. Por quatro anos fizeram projetos e testaram receitas. No fim do ano passado a ideia se concretizou: seria uma confeitaria ambulante.

Foi preciso investir R$ 85 mil para personalizar o furgão, instalar geladeiras e energia extra para o balcão refrigerado. O Bamboleiras começou a circular na semana passada. O roteiro da semana está no Facebook.com / PATRÍCIA FERRAZ

SALVE SALVE NATURAL
Preços: de R$ 6 a R$ 12

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

Praticando corrida pela cidade, a advogada Manoa Steinberg Ostapenko e seu marido, Henrique Lang, administrador, começaram a se dar conta da falta de um lugar para sentar, tomar um suco e descansar. Assim nasceu o Salve Salve, food truck de suco, que fez sua estreia na Virada Cultural. Eles se uniram a Paulo Pavarotti, pai de Manoa, empresário da noite e grande figura, que fica no caixa do truck, e à nutricionista Cristina Reis. Os sucos vão dos simples, de uma fruta, aos funcionais. Há frutas, folhas, ervas, flores, grãos e complementos para serem combinados a gosto do freguês. Nos próximos dias, o Salve Salve estará parado, em reparos. Deve voltar à ação em uma garagem perto do Parque do Povo. / HELOISA LUPINACCI

HOLY PASTA
Preços: de R$ 17 a R$ 23

A página deles no Facebook é movimentada: a cada dia atualizam o roteiro de onde estarão na cidade vendendo uma dezena de massas, recheadas ou secas, servidas com quatro molhos básicos – tomate, pesto, branco ou bolonhesa.
Projeto de seis sócios, o Holy Pasta tem circulado desde fevereiro entre pontos na rua e eventos pela cidade. “O grande barato da kombi é rodar, estar o tempo todo em lugares diferentes”, diz Guilherme Alves, um dos sócios, que conta que o grupo deve, em breve, abrir um ponto fixo na Rua Rodésia, na Vila Madalena. A kombi toda preta e o uniforme tipo “work shirt” dão um tom underground e roqueiro à empreitada./ JOSÉ ORENSTEIN

LA BUENA
Preços: de R$ 6 a R$ 15

Bem fornidas e recheadas quesadillas, burritos levemente picantes que cabem na palma da mão, tacos crocantes e nachos bem temperados são alguns dos motivos para conhecer a comida rápida e acessível da cozinha sobre rodas de Arturo Herrero.

FOTOS: José Orenstein/Estadão

Sua história destoa um pouco da dos outros donos de caminhões de comida. É que este mexicano que em 2001 aportou em São Paulo lançou sua van na rua há pouco mais de um ano. “Estava na dúvida se abria uma filial do La Buena, mas acabei montando o carro”, conta Arturo, que tem o brasileiro Renato Nina como sócio. Há seis anos, eles haviam aberto o restaurante de comida mexicana e tex-mex no Tatuapé.

Agora, eles têm visto aumentar a demanda pela comida de rua. “No começo me acharam louco de lançar a van. Íamos atrás dos clientes. Hoje, eles nos procuram.” Lojas de cerveja, museus, feiras, empresas têm procurado o La Buena Station, a versão móvel do restaurante. Arturo conta ter gastado R$ 80 mil com a van, mas cerca de R$ 100 mil para adaptá-la. / JOSÉ ORENSTEIN

13 TRUCK
Preços: de R$ 10 a R$ 18

David Hamermesz e Miguel Caldeira, de 25 e 23 anos, tinham vontade de viver da gastronomia, mas não de entrar no esquema de restaurantes. Criaram uma empresa para cozinhar em eventos, mas logo depararam com a dificuldade de garantir uma clientela. Apareceu então na conversa um amigo de infância de Miguel, Marcus Mester, que tinha adaptado uma van para vender pizzas na rua, mas que não tinha tanta experiência em cozinha. O trio resolveu juntar forças: a van de pizzas virou o 13 Truck.

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

Circulando há um mês, David e Miguel servem três tipos de sanduíches, o de pernil desfiado com coleslaw e uma saborosa maionese caseira no pão de cenoura (R$ 13), o de salmão defumado com limão, azeite, cebola roxa, rúcula e cream cheese com iogurte de cebolinha no pão australiano (R$ 18) e um vegetariano, de caponata de beringela e pimentão, chips de banana-da-terra, rúcula e cream cheese (R$ 15). Vendem ainda porções de chips de banana-da-terra e mandioquinha (R$ 10). Em breve, eles pretendem expandir a oferta do cardápio com mais sanduíches e sobremesas. “Está sendo animador. Dos Jardins à Zona Leste, temos percebido que todo mundo quer a mesma coisa: comida bem feita, rápida, acessível”, diz David. Por ora, o 13 Truck tem participado de eventos; os sócios estudam a possibilidade de fixar ponto e se adequar à lei de comida de rua de São Paulo. / JOSÉ ORENSTEIN

LOS MENDOZITOS
Preços: de R$ 10 a R$ 14

Ele chama a atenção pelo estilo. O trio de amigos André Fischer, Danilo Janjacomo e o mendocino Ariel Kogan operam o único trailer dedicado 100% ao vinho. Claro, todos vindos de Mendoza.

FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

A ideia nasceu há dois anos. Logo depois do réveillon, foram para Mendoza, já com a ideia de importar e vender vinhos em um trailer. Com venda média de 350 taças por dia, o clima influencia bastante: “Se está quente, vendemos muito espumante, brancos e rosé. No frio, os tintos prevalecem”, diz André. Vale destacar a boa vocação para aperitivo do branco Chardonnay e do rosé de Malbec, ambos da Bodega Altofer (R$ 12 a taça com 120 ml). Para combinar com algum sanduíche, o Altofer Malbec (por R$ 10) entrega o que promete, simplicidade e descontração.

Mais dois trailers serão lançados esta semana, um no Butantan Food Park, outro numa praça da R. Oscar Freire. /MARCEL MIWA

ETIQUETA

Detecte a fila. Ela pode ser najanela da boleia ou do lado direito do balcão. Pergunte para as pessoas se elas estão na fila.

Ajude no troco. Muitos aceitam cartão, mas demora e depende da conexão da maquininha. Se puder, leve dinheiro.

Pegue e saia. Pegou sua comida? Circulando! Se você ficar ali de bobeira vai atrapalhar quem quer pegar comida, detectar a fila ou alcançar um guardanapo.

Tenha paciência. É um caminhão, não é um restaurante. Lembre-se disso antes de perder o rebolado.

Guardar lugar é o fim. Se houver mesas, seja solidário. Guardar lugar em vez de cedê-lo a quem está com a comida na mão procurando onde sentar é falta de educação.

LEIA MAIS:
+ ‘Não é só comida, é o programa’, diz chef britânico
+ Um bom panorama da comida de rua se desenha em São Paulo

VEM AÍ: UMA CARAVANA ESTÁ SAINDO DO FORNO

Thata Burger
Servirá hambúrgueres e batata frita. Abre nesta segunda, na região do Morumbi

Kombier
Venderá 46 rótulos de cerveja. Abre em 30/5, no Tatuapé

Burger Lab
Ligada ao restaurante de mesmo nome no Panamby, servirá hambúrgueres. Abre em 1º/6

Le Camion
Hambúrgueres, risotos, massas e saladas. Abre em 15/6

Hot-dog francês
O chef Raphael Despirite venderá cachorro-quente que já serve em feiras de rua em carrinhos adaptados. Sem previsão de inauguração.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 15/5/2014

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7 Comentários Comente também
  • 22/05/2014 - 14:52
    Enviado por: Joyce

    O contato da A Baianada está errado o telefone é 11 3603-5008 e o email é abaianadaoriginal@gmail.com.br

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  • 22/05/2014 - 16:09
    Enviado por: Tetsuo Shimura

    Gostaria que a redação do Paladar sondasse as prefeituras de cidades como Belo Horizonte, Curitiba e outras para publicarem matérias sobre eventuais possibilidades da comida na rua; como andam as leis para liberar tais atividades etc.

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  • 22/05/2014 - 16:59
    Enviado por: Luiz Cosceli

    Muito interessante a reportagem. Unico senão é que nao contribui em nada com nosso idioma ao chamar de Food Trucks introduzindo mais um termo estrangeiro em nosso vernaculo, como se isso fosse preciso. Existem pakavras em nosso idioma que traduzem sem problemas esse termo. Entendo que nao foi o Estado que cunhou o termo, mas poderia bem mencionar o termo em ingles e oferecer ao longo da reportagem um termo em portugues. Mas acho que é mais chique não é? Nota zero no quesito de redaçao.

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  • 23/05/2014 - 08:20
    Enviado por: Ronaldo

    Tenho vontade ter um negócio deste tipo. O que me preocupa é como são recolhidos os impostos? As Vans emitem a nota fiscal paulista?

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  • 23/05/2014 - 23:05
    Enviado por: Marcos Costa

    Boa noite, gostaria de saber se é necessario tirar linçensa da prefeitura para trabalhar com comida da rua,se positivo com devo devo proceder. Obrigado.

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    • 30/05/2014 - 18:38
      Enviado por: Mara Rodrigues

      É preciso ter LICENÇA sim…

  • 13/06/2014 - 22:08
    Enviado por: Aritana de Sá

    Achei muito jóia!!!!! Tenho interesse…quero saber se tem aqui pelo Rio Grande do Sul…moro perto de São Borja e tenho interesse…um abraço Aritana…

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