A nova febre do gim
- 6 de março de 2013|
- 23h20|
- Por Redação Paladar
Por Antonio Farinaci e Maeli Prado
Especial para o Estado, de Londres
Londres está vivendo uma nova era do gim. A fase não lembra em nada a “febre” do século 18, quando havia uma destilaria em cada fundo de quintal e a bebida virou um problema de saúde pública.
Passados quase 200 anos, as microdestilarias estão de volta à capital inglesa. Mas, desta vez, porém, produzindo gim artesanal de grande qualidade e em pouca quantidade.
Essas novas destilarias funcionam em galpões em áreas residenciais – a mais recente, inaugurada em novembro do ano passado, produz gim em plena City, o coração financeiro de Londres. Não por acaso foi batizada de COLD, abreviação de City of London Distillers.
A onda começou com esses três cavalheiros da foto acima – Jared, Sam e Fairfax, responsáveis pelo gim mais cultuado do momento, o Sipsmith. Jared é o mestre-destilador; Sam e Fairfax são os criadores da marca.
Os três cavalheiros produzem o gim mais cobiçado do momento, o Sipsmith, em alambique de cobre instalado num bairro residencial de Londres. FOTO: Divulgação
O Sipsmith nasceu há três anos e apenas um ano após seu lançamento recebeu o reconhecimento da crítica especializada, com um prêmio do suplemento de gastronomia do jornal inglês The Observer. E, junto do Sacred Gin, outro novato, foi parar na prateleira do Dukes, um dos endereços mais concorridos no mundo da coquetelaria londrina, baluarte da mixologia. Hoje a pequena produção da marca é distribuída na Inglaterra e exportada para alguns países da Europa, Estados Unidos, China, Japão e Austrália.
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O boom das microdestilarias começou nos Estados Unidos em 2005 e, desde então, o número de empresas quadruplicou – em 2005 eram 50 e hoje são 250 fazendo principalmente whisky, mas também vodca e gim. Na Inglaterra, o crescimento recente das bebidas chamadas “premium”, onde as microdestilarias se encaixam, chegou a 11%.
Na opinião do historiador inglês Richard Barnett, autor de Book of Gin, este é o melhor momento para beber gim nos últimos 500 anos. Isso porque nunca houve tanta oferta, com o surgimento de novas marcas e a revitalização de rótulos tradicionais. A história dessa retomada teve início com o lançamento do Bombay Sapphire, no final da década de 80, lançado ao estilo arrasa-quarteirão nos EUA.
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As novas marcas respeitam a tradição na hora de fazer a bebida que tem como base a infusão de zimbro em álcool. A fórmula do Sacred foi encontrada num compêndio do século 16. A do Sipsmith é do século 19. Assumidamente saudosistas, os produtores do Sipsmith encomendaram o alambique de cobre numa fábrica da Alemanha, fundada em 1869. O equipamento, batizado de Prudence, permite produzir vodca e gim com padrões tradicionais. “A Sipsmith usa o processo tradicional de deixar que as especiarias fiquem de molho na aguardente e sejam processadas com ela”, explica o mestre-destilador. O processo é lento, caro e muitos produtores acabam misturando essências de especiarias diretamente ao álcool. “Outros terceirizam a destilação. Aqui na Sipsmith, fazemos todo o trabalho”, diz Garden.
Microdestilarias estão borbulhando também em outros países, inclusive no Brasil – a Morada Companhia Etílica produz um hop gim em Curitiba. Para esta edição, o Paladar reuniu sete gins de nova geração – que comparou a seis rótulos tradicionais. Dos novos, só o espanhol Mare pode ser encontrado no Brasil. A prova foi possível com a ajuda de amigos generosos que trouxeram a bebida na mala. Não foi uma degustação com ranking, apenas a avaliação das características da bebida. Mas os ingleses ganharam, fácil, questão de tradição. Ah, apesar de ser uma instituição inglesa, o gim nasceu na Holanda.
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