Preço de produção de R$ 980 por hectare, ante o dobro na lavoura convencional. Lucratividade de 30% a 35%, ante prejuízo na lavoura convencional, na atual crise por que passa a cultura do arroz. Produtividade praticamente igual à de um plantio convencional. Mas, principalmente, autonomia. O produtor sabe o que produz, quanto produz, domina toda a cadeia, da produção de semente ao plantio, colheita, secagem, beneficiamento, embalagem e comercialização.
Quem plantou arroz sob os princípios da agricultura orgânica no Rio Grande do Sul nesta safra não teve prejuízo.
Com um custo de produção bem menor, o baixo preço pago ao produtor pela saca de 50 quilos, que chegou a R$ 17 nos piores dias – hoje está por volta de R$ 25 – ainda permitiu lucro às 407 famílias de cooperados da Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs), com plantios em Eldorado do Sul e mais 12 municípios da região.
Produtores convencionais fronteiriços aos orgânicos começam a perceber que de loucos os vizinhos não têm nada. “Há dez anos, quando começamos, era isso o que os arrozeiros convencionais pensavam dos assentados”, diz o presidente da Coceargs e produtor de arroz orgânico Emerson Giacomelli. “Hoje eles querem saber como fazemos para ter lucro no meio desta crise”, comenta o presidente.
O arroz orgânico dos assentados, cuja produção é de 300 sacas de 50 quilos por safra e 20 mil sacas de sementes orgânicas, é vendido sob a marca Terra Livre, em mercados públicos, na merenda escolar, em feiras. O preço ao consumidor? R$ 1,60 por quilo, diz Giacomelli. Também não fica nada a dever ao arroz convencional.
Há dez anos os assentados, que já produziam arroz, partiram para o cultivo orgânico. “Foi uma decisão política”, explica Giacomelli. “Se continuássemos no convencional, teríamos quebrado”, diz, com toda certeza e lembrando de vários amigos arrozeiros que continuam no plantio convencional. E quebraram. “Nós entramos na crise, mas não quebramos com a crise.”
O grande segredo disso, acredita Giacomelli, é o baixo custo de produção, de R$ 15 a R$ 16 por saca, ante R$ 28 no plantio convencional. “Tem assentado nosso que até consegue baixar ainda mais este custo”, diz. O presidente do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Cláudio Brayer Pereira, lembra que 70% dos produtores de arroz do Rio Grande do Sul (são 18 mil) plantam menos de 60 hectares. “Uma área perfeitamente viável para ser convertida à agricultura orgânica”, defendeu, na segunda-feira, durante seminário na Expointer sobre a cultura do arroz.
O principal gargalo da produção, porém, continua sendo a comercialização, diz Giacomelli. “Ainda não conseguimos escoar 100% da produção; é complicado encontrar compradores de arroz orgânico”, diz o rizicultor, acrescentando que os grãos ficarão estocados até que sejam vendidos como foram produzidos e merecem: como arroz orgânico. “É uma das vantagens deste cereal, que pode ser armazenado por tempo indefinido”, diz ele, muito satisfeito com a opção feita pelos assentados há dez anos. “Descobrimos o gostinho da autonomia”, finaliza.
Adoro soluções alternativas, porém a vida me ensinou que isto são apenas exceções. Quando se ganham terras de presente, que já estavam adubadas, destocadas e mecanizadas, é facil falar mal do trator e do desmatamento. Desconfio que a produtividade das lavouras “organicas” só se dão porque os vizinhos usam corretamente os defensivos, impedindo que pragas invadam estas lavouras. Quanto à comercialização, o dificil é encarar o mercado nacional e internacional pagando impostos e o custo Brasil. Em quanto os governos de outros países subsidiam a agricultura o nosso fomenta a concorrencia desleal. Meus votos de soliedariedade aos teimosos que insistem em fazer este país ir para frente.
Dieter Schröder, o sr. desculpe, mas o sr. não tem a menor idéia de como se dá uma produção orgânica. É exatamente o oposto de tudo que o sr. diz. Já fundei associação de produtores orgânicos e já fui produtor orgânico. Hoje moro ao lado de uma comunidade inteira que produz organicamente e trabalho, também, com paisagismo sustentável. Para se produzir organicamente, o solo não pode ter sido contaminado nos últimos anos. Se foi, terá que descansar ou passar por processos de biorremediação para ser recuperado. Tampouco pode haver proximidade com vizinhos que usem agrotóxicos ou adubos químicos solúveis. A distância pode ser, em alguns casos, de vários quilômetros. São necessários também, regularmente, ensaios que determinem a qualidade da água, além de se estar sujeito a inspeções sem agendamento prévio das certificadoras. Portanto, não existe nada disso de se aproveitar colateralmente dos efeitos dos vizinhos que envenenaram suas plantações.
Sobre trator, ele é usado racionalmente. A questão prática é uma só: nossa forma de cultivo ainda copia a européia, sendo que lá o clima é temperado e aqui é tropical. O solo e toda sua microvida, portanto, têm comportamento diferente. Daí a restrição ao trator em algumas circunstâncias e modos de uso. E não há qualquer possibilidade de desmatamento. Uma verdadeira propriedade orgãnica deve, sim, trabalhar para recuperar o ecossistema em seu entorno.
Sobre a comercialização, produtos orgânicos hoje são commodittie e têm mercado dentro e fora do Brasil. Trata-se de um sistema de produção que, sem qualquer apoio do governo brasileiro, conseguiu se firmar dentro e fora do país. Só depois que se tornou realidade, é que surgiram legislações em benefício dos orgânicos, que, como dizia o mestre André Voisin, têm qualidade biológica superior a qualquer artigo de consumo alimentar convencional.
Vale a pena, sim, investir nos orgânicos. E vale a pena, sim, visitar produtores e propriedades orgãnicas, como forma de se auto-educar e de perceber que há muita gente apostando num mundo melhor e mais saudável.
responder este comentário denunciar abuso…concordo…! enquanto os outros paises se protegem..aqui ainda temos carga tributaria em cima de alimentos…alem de ter que aguentar o predatorio custo Brasil…!
responder este comentário denunciar abusoEmpresas com Earth Fare e Wholefoods nos Estados Unidos, seguramente comprariam o arroz organico do RS.
Se houvesse mais incentivos, os orgânicos decolariam no RS.
Hoje como praticamente só orgânicos comprados em duas feiras, uma na quarta e outra no sábado em Porto Alegre e afirmo: é uma das melhores coisas da cidade.
E o contato com os produtores? e o sabor dos alimentos? isso não tem preço!
O artigo não explica como o custo de produção pode ser “bem menor” que o convencional sabendo que geralmente os produtos sofrem de custos mais altos ???
Alguma resposta ?
…talvez seja pelo NÃO emprego de fertilizantes quimicos…e defensivos quimicos…que são caros…! e somente uso de fertilizantes organicos, compostados no proprio imovel rural.
responder este comentário denunciar abusoComo fazemos para entrar em contato com o produtor? Queríamos vender arroz orgânico aqui em Niterói pelo site http://www.saudedelivery.com.br/ estamos aumentando a nossa variedade de produtos e queríamos incluir arroz orgânico na nossa lista com um preço mais acessível.
Sra. Andressa, a Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre Ltda. fica em Eldorado do Sul. Tel. (0–51) 9992-5863, e-mail cootap.me@hotmail.com
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2011
2010
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