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Orgânicos

30.agosto.2011 16:43:25

Arroz sem crise

Preço de produção de R$ 980 por hectare, ante o dobro na lavoura convencional. Lucratividade de 30% a 35%, ante prejuízo na lavoura convencional, na atual crise por que passa a cultura do arroz. Produtividade praticamente igual à de um plantio convencional. Mas, principalmente, autonomia. O produtor sabe o que produz, quanto produz, domina toda a cadeia, da produção de semente ao plantio, colheita, secagem, beneficiamento, embalagem e comercialização.

Quem plantou arroz sob os princípios da agricultura orgânica no Rio Grande do Sul nesta safra não teve prejuízo.

Com um custo de produção bem menor, o baixo preço pago ao produtor pela saca de 50 quilos, que chegou a R$ 17 nos piores dias – hoje está por volta de R$ 25 – ainda permitiu lucro às 407 famílias de cooperados da Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs), com plantios em Eldorado do Sul e mais 12 municípios da região.

Produtores convencionais fronteiriços aos orgânicos começam a perceber que de loucos os vizinhos não têm nada. “Há dez anos, quando começamos, era isso o que os arrozeiros convencionais pensavam dos assentados”, diz o presidente da Coceargs e produtor de arroz orgânico Emerson Giacomelli. “Hoje eles querem saber como fazemos para ter lucro no meio desta crise”, comenta o presidente.

O arroz orgânico dos assentados, cuja produção é de 300 sacas de 50 quilos por safra e 20 mil sacas de sementes orgânicas, é vendido sob a marca Terra Livre, em mercados públicos, na merenda escolar, em feiras. O preço ao consumidor? R$ 1,60 por quilo, diz Giacomelli. Também não fica nada a dever ao arroz convencional.

Há dez anos os assentados, que já produziam arroz, partiram para o cultivo orgânico. “Foi uma decisão política”, explica Giacomelli. “Se continuássemos no convencional, teríamos quebrado”, diz, com toda certeza e lembrando de vários amigos arrozeiros que continuam no plantio convencional. E quebraram. “Nós entramos na crise, mas não quebramos com a crise.”

O grande segredo disso, acredita Giacomelli, é o baixo custo de produção, de R$ 15 a R$ 16 por saca, ante R$ 28 no plantio convencional. “Tem assentado nosso que até consegue baixar ainda mais este custo”, diz. O presidente do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Cláudio Brayer Pereira, lembra que 70% dos produtores de arroz do Rio Grande do Sul (são 18 mil) plantam menos de 60 hectares. “Uma área perfeitamente viável para ser convertida à agricultura orgânica”, defendeu, na segunda-feira, durante seminário na Expointer sobre a cultura do arroz.

O principal gargalo da produção, porém, continua sendo a comercialização, diz Giacomelli. “Ainda não conseguimos escoar 100% da produção; é complicado encontrar compradores de arroz orgânico”, diz o rizicultor, acrescentando que os grãos ficarão estocados até que sejam vendidos como foram produzidos e merecem: como arroz orgânico. “É uma das vantagens deste cereal, que pode ser armazenado por tempo indefinido”, diz ele, muito satisfeito com a opção feita pelos assentados há dez anos. “Descobrimos o gostinho da autonomia”, finaliza.

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Bio Brazil Fair: feira de produtos orgânicos no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. FOTO: TÂNIA RABELLO/AE

Uma pesquisa inédita sobre o comportamento e a percepção do consumidor de alimentos orgânicos foi divulgada hoje, durante a Bio Brazil Fair, que prossegue até o dia 24 de julho no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na capital. A pesquisa foi realizada pela Organic Services e a Vital Food, em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Goiânia e Belém), num total de 1.907 entrevistas, dos quais 765 feitas via internet e 1.139 nos principais pontos de venda de orgânicos em cada uma das cidades acima mencionadas. A apresentação ficou a cargo do representante no Brasil da Organic Services, o engenheiro agrônomo Ulisses Bocchi.

“É importante lembrar que antes de realizarmos as entrevistas fizemos um mapeamento prévio desses pontos de vendas de orgânicos para detectar quais os principais em cada município”, disse Bocchi, em sua apresentação.

Mas vamos aos números: nada menos que 69% dos consumidores de orgânicos são mulheres, sendo que 29% delas têm de 31 a 45 anos de idade e 39% de 46 a 60 anos. “O fato de a maior parte das consumidoras ser de mulheres de meia idade pode ser um indicativo de maior preocupação com a saúde a partir de determinado estágio da vida”, diz Bocchi.

O público consumidor de orgânicos é também economicamente ativo, tem nível elevado de escolaridade (um terço tem graduação superior, pós-graduação ou escolaridade acima disso). Em números, 40% têm pelo menos o curso superior completo. Quanto à renda, 44% ganham acima de R$ 6 mil (21% entre R$ 6 mil e R$ 10 mil e 23% mais de R$ 10 mil).

Sobre a imagem dos orgânicos, é fortemente ligada à saúde e à ausência de agrotóxicos, além de hormônios e adubos químicos. Além disso, 88% concordam que alimentos orgânicos têm alto valor nutritivo; 48% compram por questões de saúde e 36% compram pelo fato de o alimento não conter agrotóxico.

O consumidor de orgânicos é relativamente bem informado, pois 44% declararam que sabem bastante sobre o modo de produção orgânica; 52% sabem um pouco a respeito e 4% dos consumidores de orgânicos já ouviram falar do termo orgânico, mas não têm certeza do que significa.

Quanto às certificadoras, 72% reconhecem algum selo certificador e 29% não reconhecem selo nenhum. Além disso, 51% não lembraram de nenhuma marca de orgânicos, espontaneamente, e 49% citaram pelo menos uma marca.

Um dado intrigante da pesquisa abordou o tema transgênicos, vegetais terminantemente proibidos, por lei, nos cultivos orgânicos. Na visão dos consumidores pesquisados, 63% afirmaram que alimentos orgânicos não podem ter elementos transgênicos, mas uma parcela relativamente alta – 17% e 4%, respectivamente –, concordaram que pode haver transgênicos em orgânicos ou concorda plenamente com a presença de transgênicos em alimentos orgânicos.

O consumidor de orgânicos é fiel, já que 58% compram orgânicos semanalmente; 12% pelo menos a cada 15 dias; 8% mensalmente e 22% ocasionalmente, mesmo com o fato de três quartos dos pesquisados acharem os orgânicos caros demais. Entre os alimentos mais consumidos, estão as frutas, legumes e verduras, com 94% do total. Já as principais dificuldades para comprar orgânicos, na visão dos consumidores que responderam à pesquisa, são preço alto, pouca variedade e dificuldade para encontrar produtos orgânicos. “Os consumidores não encontram sempre orgânicos; isso pode ser sinal de uma cadeia pouco estabelecida”, explica Bocchi. De todo modo, justamente pela dificuldade de encontrar orgânicos, os consumidores fiéis acabam fazendo uma “peregrinação” em supermercados, lojas de orgânicos e feiras orgânicas.

Entre os produtos à disposição do consumidor, os itens mais procurados são, em primeiro lugar, as frutas; depois, verduras e legumes, “que são os itens que estão mais à disposição do consumidor” e, em seguida, cereais básicos, como arroz e feijão.

Quanto aos pontos de venda no varejo, Bocchi assinala que os supermercados são, de longe, o principal meio de escoamento da produção orgânica. Em seguida, vêm as lojas especializadas  – “Há uma gama variada dessas lojas e a Organic Services está fazendo um trabalho para desenvolver mais estes pontos de venda”, diz Bocchi –; as feiras e, por último, os restaurantes.

Quanto às feiras, Bocchi diz que ficou clara a satisfação dos consumidores, já que os preços dos produtos orgânicos nesses locais de venda são mais baixos; os produtos são melhores e mais frescos. Em relação aos restaurantes, Bocchi acredita que é um setor que promete crescer mais. “Há uma tendência, sobretudo em restaurantes gourmets, em servir alimentos orgânicos”, diz ele, que acredita que, “com a cadeia se estabelecendo, os orgânicos passarão a ser cada vez mais acessíveis”.

Mais informações sobre a pesquisa podem ser obtidas na Organic Services. Site www.organic-services.com.br, ou com Ulisses Bocchi, e-mail u.bocchi@organic-services.com .

 

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Começam amanhã, a partir das 11h até as 20h, e prosseguem até o dia 24 de julho, a Bio Brazil Fair e a Naturaltech, feiras simultâneas de produtos orgânicos e naturais, respectivamente. O local de ambos os eventos será o Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na capital paulista. “Esta é a sétima edição de ambas as feiras e o motivo de elas serem realizadas no Ibirapuera é o fato de os frequentadores do parque já terem uma tendência a privilegiar a qualidade de vida”, diz o presidente da Francal Feiras, Abdala Jamil Abdala, empresa promotora do evento. Para garantir a participação também do público consumidor, Abdala diz que se optou pela entrada gratuita.

No Pavilhão da Bienal, estará distribuído um total de 216 expositores, sendo 83 orgânicos. “O número de expositores orgânicos vem crescendo ano a ano, sobretudo os produtores de processados orgânicos”, garante Abdala, acrescentando que a expectativa é receber em torno de 25 mil visitantes, entre produtores, consumidores, representantes das redes de varejo, etc. “O setor de varejo deve comparecer em peso, em busca de alimentos mais saudáveis para vender nas gôndolas”, diz Abdala, “e até mesmo o setor de hospitais tem se interessado por alimentos orgânicos na alimentação dos pacientes”.

Amanhã, paralelamente à Bio Brazil Fair, ocorrerá também o 7º Fórum de Agricultura Orgânica e Sustentável, a partir das 13h30, que contará com a presença do coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rogério Dias; do secretário municipal de Participação e Parceria, Uebe Rezeck; do diretor do Sebrae Nacional, Enio Queijada de Souza; do presidente da BrasilBio (Associação Brasileira de Orgânicos), José Alexandre Ribeiro, e também de Abdala.

A reunião ordinária da Comissão da Produção Orgânica no Estado de São Paulo também ocorrerá amanhã, no Pavilhão do Ibirapuera, a partir das 9h30 até o meio-dia, no Auditório da Bio Brazil Fair.

Entre os produtos expostos na Bio Brazil Fair estarão sopa instantânea de frango orgânica, cachaças, saquês, licores, iogurtes, manteiga, hambúrguer, queijos, sorvetes, algodão doce, doce de abóbora e de outras frutas, champignon, molhos, açúcar, pães, especiarias e temperos, milho pipoca e até cosméticos.

Saiba mais sobre o evento em http://migre.me/5jc4I

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Clélia Angelon, proprietária da Surya (de preto) e Amira Rachid (de camiseta amarela): oportunidade para pequenos produtores orgânicos escoarem produção. FOTO: SURYA/DIVULGAÇÃO

Vender a produção. Este é o principal gargalo de qualquer pequeno produtor de frutas e hortaliças. O que se dirá então de produtores orgânicos, que atuam num nicho de mercado e, em um universo de alfaces, pepinos, bananas, morangos e tomates convencionais, apresentam um produto quase sempre mais valorizado, dada a escala menor e as condições especiais de cultivo, sem adubos químicos e agrotóxicos.

Pois duas iniciativas, em dois sagrados “templos” de comércio de alimentos – o “mercadão” municipal, no centro da capital, e a Ceagesp, na zona oeste – estão permitindo que pequenos agricultores orgânicos escoem a produção, dentro dos mandamentos do comércio justo

Uma das iniciativas é mais voltada a hortaliças. A outra, vende de tudo, mas especializou-se em frutas. Veja, abaixo, um pouco da história das duas.

Amanhã, dia 16 de junho, às 9h, na Rua da Cantareira, 377, será inaugurado, no BOX 45, o Box Ecotree Orgânico da Surya Brasil, no Mercado Municipal Kinjo Yamato. Este mercado faz parte do complexo do Mercado Municipal da Cantareira e fica na mesma rua do prédio principal do mercadão, aquele mais antigo, com os vitrais coloridos.

A proposta do box, idealizado pela Surya Brasil (empresa do ramo de cosméticos, com vários itens orgânicos em linha), é comercializar a produção de pequenos produtores orgânicos de frutas e hortaliças vinculados à Associação Frutificar e à Aprovap, ambas no Vale do Paraíba, além da Appoi (Associação de Pequenos Produtores Orgânicos de Ibiúna).

“Tudo começou quando a Surya começou a desenvolver um projeto com 12 produtores orgânicos do Vale do Paraíba”, conta a engenheira agrônoma Amira Rachid, da Surya. Inicialmente, conforme explica, o contato com os agricultores foi para a produção orgânica e extração de óleos essenciais, que serão usados nos cosméticos. “Como era um projeto de longo prazo – a primeira colheita de ervas para produção de óleos essenciais está sendo feita agora –, tivemos a ideia de tentar melhorar a renda desses produtores de outras maneiras”, conta Amira.

Uma delas foi permitir um melhor escoamento das frutas e hortaliças que eles já produziam. “A primeira iniciativa ocorreu no fim de 2009, quando a empresa montou 190 cestas de Natal orgânicas para distribuir entre os funcionários.” Ao longo do tempo, a Surya criou condições também para que esses produtores vendessem parte da colheita orgânica para os funcionários. “Aí pudemos criar uma logística melhor de distribuição e ganhar know how”, diz Amira.

Daí para a ideia do box no Mercado Municipal foi um passo. No Box Ecotree, que será inaugurado amanhã, mais de cem itens orgânicos estarão à disposição dos consumidores. Entre eles, abacate, abóboras, hortaliças de vários tipos, tomates, amendoim, banana, manga, café, tubérculos, temperos, palmitos, pães e até cogumelos. “Acredito que o box será um estímulo para os agricultores ampliarem a produção. Além disso, o acesso a um mercado tão importante será um arranque para eles se organizarem mais e partirem, quem sabe, para outros desafios”, conclui Amira.

Quem quiser conhecer o box Ecotree, ele fica no Mercado Municipal Kinjo Yamato, Rua da Cantareira, 377, Centro, Box 45. O box venderá no atacado e no varejo. Atendimento a consumidores (varejo) de segunda-feira a sábado, das 9h às 15h. Aberto ao público a partir de 17 de junho.

Especializado em frutas

Luciana Carbone: "Objetivo é fomentar a fruticultura orgânica no País, que, ao contrário do que muitos acham, é farta". FOTO: TÂNIA RABELLO/AE

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), no bairro do Jaguaré, zona oeste, há três anos a produtora rural Luciana Aparecida Dias da Silveira Carbone, de Monte Azul Paulista, região de Bebedouro (SP), aceitou o desafio não só de comercializar, mas também de prospectar uma grande diversidade de frutas cultivadas organicamente no País.

Numa visita ontem ao Box 144 do Pavilhão HFM, Setor de Frutas, onde funciona desde 2009 a Terra Frutas Orgânicas, pelo menos 11 variedades de frutas orgânicas podiam ser encontradas, entre elas,  coco seco e coco verde, laranja, limão, banana, banana-da-terra, kiwi, tangerina poncã, maracujá, maçã, goiaba e atemoia.

“Amanhã vai chegar morango e estamos também no finzinho da safra de caqui”, diz Luciana, acrescentando também que vende até melancia e melões orgânicos, quando estão na safra. “Não é verdade que o Brasil não produz frutas orgânicas. O que ocorre é que quem comercializa orgânicos volta-se principalmente para hortaliças e legumes”, acredita Luciana.

Por isso, como faz questão de ressaltar, além de comercializar frutas, Luciana faz principalmente um trabalho de fomento da fruticultura orgânica. “Trabalhamos com mais de cem famílias de pequenos produtores orgânicos, abrigados em cooperativas e associações de vários Estados brasileiros”, orgulha-se Luciana.

Entre os principais clientes do box de Luciana, que é certificado pelo IBD, estão pessoas que trabalham com entrega de cestas em domicílio. “Mais de 60% das nossas vendas são feitas para essas pessoas”, diz a produtora e comerciante.

As vendas também são feitas, por exemplo, para o primeiro supermercado exclusivo de produtos orgânicos de São Paulo, o Quintal dos Orgânicos, cuja inauguração foi noticiada em primeira mão por este blog.

Mas as vendas no varejo, diretamente no box, também têm crescido. “Muita gente chega aqui no boca a boca”, diz Luciana. E, já neste domingo, a Terra Frutas Orgânicas marcará presença também no Varejão da Ceagesp, com barraca orgânica num dos extremos do Varejão, próximo às barracas de peixes. Para o público em geral, o atendimento no box é feito de terça a sexta-feira, das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 12h. No domingo, no varejão da Ceagesp, das 7h às 12h. “Quem quiser parar na frente do box para abastecer o carro com as compras pode fazê-lo durante a semana a partir das 16h30″, ressalta Luciana.

Embora Luciana frise em vários momentos que o objetivo principal é divulgar as frutas (“Nós, inclusive, somos produtores de goiaba, carambola e limão orgânico”, diz Luciana), do box da Terra Frutas Orgânicas é possível sair com a feira completa. Além das frutas, a produtora-comerciante vende também hortaliças, legumes e tubérculos como brócolis, pepino, tomate, batata, cenoura, mandioquinha, batata-doce, abóbora japonesa e comum, entre outros. O telefone de Luciana para contato é (0–11) 8480-8582.

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Este é o título da matéria que eu fiz para o caderno Planeta. Veja no link a tese de Thiago Roncon, da UFSCar que calcula, por meio da avaliação emergética, o valor real de uma floresta nativa em pé. Muitos vão se surpreender.

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Pepino espanhol: E. colli encontrada em legume espanhol não é da mesma linhagem da bactéria letal. EFE/BERND WUESTNECK

Sobre os pepinos espanhóis que estariam supostamente contaminados com uma variante severa da bactéria Escherichia colli (que já provocou 15 mortes na Europa), o engenheiro agrônomo e fiscal federal do Ministério da Agricultura, Marcelo Laurino, coordenador da CPOrg-SP (Câmara Setorial de Agricultura Orgânica de São Paulo), explicou, hoje, durante reunião na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que está havendo uma grande confusão. “A bactéria não está presente nos legumes crus porque eles foram cultivados organicamente, como se tem noticiado, na tentativa, talvez, de confundir os consumidores e deixá-los com algum tipo de aversão aos vegetais orgânicos”, diz.

Segundo Laurino, esta bactéria pode ser encontrada tanto em produtos cultivados organicamente quanto nos cultivados de maneira convencional. “Os pesticidas utilizados na agricultura convencional não matam esta bactéria, que se multiplica sobretudo no pós-colheita, por causa de condições inadequadas de higiene na lavagem dos legumes, que depois serão consumidos crus”, diz. “Geralmente a contaminação por E. colli se dá pela água”, explica. “E isso pode ocorrer tanto no pós-colheita de produtos convencionais quanto orgânicos.”

Laurino destaca, ainda, que caso aconteça algum problema sanitário em produtos orgânicos, neste sistema de produção é possível rastrear todo o caminho que o legume fez, da semente até o consumidor. “A produção orgânica é obrigatoriamente rastreada, se não o produtor não consegue a certificação orgânica”, continua. “Há, portanto, maior facilidade em detectar o foco do problema, fazendo a rastreabilidade do produto.”

Se bem que, em notícia publicada há pouco no site do Estadão, aparentemente a variante da E. colli encontrada nos pepinos espanhóis não é a mesma que está provocando o surto letal.

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Meio em cima da hora, este post é para avisar da 7.ª Semana dos Alimentos Orgânicos em São Paulo, com extensa programação, que na verdade começou já na sexta-feira, dia 27 de maio, inclusive em vários municípios do Estado.

Veja a programação e agende-se:

29 de maio (domingo)

Terapia orgânica na horta, em Americana (SP), das 8h às 11h30, na Chácara Day Luz (Rua Honorato José de Oliveira, 46, Bairro Santa Lúcia). Gratuito. Inscrições, tel. (0–19) 3406-7678;

30 de maio (segunda-feira)

Palestra sobre consumo consciente, em Jacareí (SP), às 8h, no Viveiro Municipal. Gratuito. Informações na Prefeitura Municipal, tel. (0–12) 3955-9000;

Apresentação de DVDs: “Obsolescência Programa” e “O Mundo Segundo a Monsanto”, das 8h30 às 10h, em São Simão (SP), no Centro Paula Souza/Etec Prof. Francisco dos Santos, Rodovia Conde Francisco Matarazzo Jr., km 127. Gratuito. 

Palestra sobre consumo consciente, em Pindamonhangaba (SP), às 14h, no Cepic (Centro de Práticas Integrativas e Complementares) da Secretaria Municipal de Saúde de Pindamonhangaba. Gratuito. Tel. da prefeitura: (0–12) 3644-5600.

Palestra “Alimentos orgânicos?”, com Jefferson Castilho, gerente de Abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca de Ubatuba (Smapa), em Ubatuba (SP), às 19h30. Gratuito. No curso técnico de Nutrição e Dietética do Centro Paula Souza de Ubatuba. Tel. da prefeitura de Ubatuba: (0–12) 3833-1392.

31 de maio (terça-feira)

Apresentação de DVDs: “Obsolescência Programa” e “O Mundo Segundo a Monsanto”, das 8h30 às 10h, em São Simão (SP), no Centro Paula Souza/Etec Prof. Francisco dos Santos, Rodovia Conde Francisco Matarazzo Jr., km 127. Gratuito. 

Café da manhã com representantes do setor e o secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, às 9h30, em São Paulo (SP), no hall do auditório Augusto Ruschi (Av. Prof. Frederico Hermann Jr., 345). Tel. da secretaria: (0–11) 3133-3000.

Palestra “Alimento orgânico – saúde plena ao alcance do consumidor“, com Manoel Messias Lôbo, agropecuarista orgânico, às 20h, em Americana (SP), na Chácara Day Luz, Rua Honorato José de Oliveira, 46, Santa Lúcia. Tel. (0–19) 3406-7678.

Palestra Idec Aberto – Consumo Sustentável, das 19h30 às 21h, em São Paulo (SP), no auditório do Idec (Rua Desembargador Guimarães, 21, Água Branca). Inscrições no site: www.idec.org.br/idecaberto.

1.º de junho (quarta-feira)

Apresentação dos DVDs “Obsolescência Programa” e “O Mundo Segundo a Monsanto”, das 8h30 às 10h, em Santa Rosa de Viterbo (SP), na E. E. Conde Francisco Matarazzo, Rua Sete de Setembro, 474. Gratuito.

Projeto Espaço Saudável, das 9h às 14h, em Ubatuba (SP). Exposição de produtos do manejo sustentável de Ubatuba. No Calçadão, Praça Nóbrega (centro da cidade).

2 de junho (quinta-feira)

Apresentação dos DVDs “Obsolescência Programa” e “O Mundo Segundo a Monsanto”, das 8h30 às 10h, em Santa Rosa de Viterbo (SP), na E. E. Conde Francisco Matarazzo, Rua Sete de Setembro, 474. Gratuito.

E, A SEGUIR, UMA PROGRAMAÇÃO ESPECIAL NO PARQUE DA ÁGUA BRANCA, NA CAPITAL PAULISTA, DENTRO DA VIRADA SUSTENTÁVEL.

4 de junho (sábado), na Av. Francisco Matarazzo, 455, Parque da Água Branca, São Paulo (SP)

9h às 10h

Oficina com slow food São Paulo – Oficina educação do gosto, no Espaço Cultural da Associação de Agricultura Orgânica (AAO), junto à Feira do produtor orgânico

9h às 11h

Oficina Viva para Crianças com Conceição Trucon. Tema abordado: alimentação infantil para crianças de todas as idades.

9h às 12h

Curso de horta caseira orgânica e compostagem com Marcelo Noronha, com aula teórica na sala de cursos da AAO e aula prática das 12h às 14h no Espaço Cultural da AAO

10h às 12h

Desenho vivo e palestra sobre o biochip com Ana Branco

10h às 12h

Show musical com a banda Oirt com Tamima Brasil, Felipe de Souza e João Paulo no Espaço Cultural da AAO, junto à feira do produtor orgânico.

10h às 12h

Desenho vivo com hortaliças, no Espaço Cultural da AAO

13h às 17h

Seminário: “O momento atual da agricultura orgânica no Brasil”, com dra. Ana Primavesi, dra. Ondalva Serrano, eng. agrônoma Araci Kamiyama, Beatriz Costa (do Planeta Orgânico), Manoel Baltasar Baptista da Costa (da UFSCar), no Auditório Paulinho Nogueira.

14h às 16h

Palestra sobre o biochip - Espaço de Cultura 2.

5 de junho (domingo)

15h às 17h

Experiência reFlux – Clima e consumo em São Paulo

16 de junho (quinta-feira)

Inauguração do box de produtos orgânicos Ecotree da empresa Surya Brasil, no Mercado Kinjo Yamato, na Rua da Cantareira, 390, Centro, São Paulo (SP), às 8h.

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Recebi este vídeo, bem legal, sobre evento de troca de sementes crioulas no bairro da Lapa, na capital paulista. No post “Vá trocar sementes na Lapa”, eu havia comentado sobre o evento. A equipe Resgate Cultura é a responsável pelo documentário, dirigido e editado por Adolfo Borges. Entre os entrevistados, mais um citado em um dos posts deste blog, Guaraci Diniz. O post é “Um agricultor de existência”.
Para quem não pôde ir à feira de troca de sementes, eis um aperitivo do que foi aquele grande dia.

Passado Semente Futuro from Resgate Cultura on Vimeo.

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Frangos da Korin: desafio logístico para obter milho orgânico o ano inteiro. FOTO: PAULO LIEBERT/AE

Obter milho e soja convencionais, ou seja, não-transgênicos, é um dos principais gargalos para avicultores e suinocultores que pretendem adotar o sistema orgânico de criação em suas propriedades. “É um gargalo gigantesco”, diz o gerente industrial Luiz Carlos Demattê Filho, da Korin, de Ipeúna (SP), a principal agroindústria produtora de frango orgânico do País. Além de convencional, a semente tem de ser cultivada de maneira orgânica, de modo, ainda, a evitar a temida “contaminação cruzada”, ou seja, o pólen de milho transgênico de alguma maneira alcançar o convencional e daí surgirem espigas transgênicas em plena lavoura convencional.

A necessidade de isolar lavouras por parte do produtor orgânico será crescente, pelo menos nos próximos anos. Basta ver o avanço das lavouras de milho transgênico desde 2008, ano da aprovação do uso da tecnologia no País.

Conforme estudo da consultoria Céleres, a pedido da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), “na safra 2009/2010, analisada nos estudos, 32,5% da produção brasileira de milho utilizou variedades transgênicas. Um ano depois – e três anos após a chegada do milho GM às lavouras – esse índice já era de 57%, chegando a 75% na safrinha de inverno. Como comparação, segundo Anderson Galvão, da Céleres, a soja GM, cujo plantio no Brasil foi aprovado na safra 2005/2006 (mas que ilegalmente já era plantada em solo brasileiro desde o início dos anos 2000), demorou nove anos para atingir os mesmos 57% do plantio total brasileiro de soja.”

Neste mesmo estudo, porém, a bióloga Paula Carneiro prevê que, “nos próximos dez anos, a adoção da biotecnologia na cultura do milho possibilitará uma redução da área semeada com esse cereal de 49,5 milhões de hectares”, dado o grande aumento de produtividade resultante das lavouras transgênicas. Entretanto, enquanto essa redução de área plantada não ocorre, os produtores orgânicos do cereal preocupam-se em isolar suas áreas.

No Sudeste o problema existe, mas ainda não é tão grave quanto no Sul do País. “Produtores de milho orgânico, de maneira geral, não cultivam grandes extensões, daí a maior facilidade de instalar a cultura em áreas onde não haja por perto lavouras de milho convencional, o que aumentaria o risco de contaminação cruzada”, diz.

No Sul, porém, justamente onde o milho mais avançou, com 1,5 milhão de hectares plantados, e há maior tradição em cultivos orgânicos, talvez seja mais complicado fazer a separação entre lavouras com grãos convencionais cultivados organicamente e lavouras transgênicas.

Demattê ressalta outro ponto que já foi discutido na Câmara Setorial de Agricultura Orgânica, abrigada no Ministério da Agricultura: “São normas que estão sendo discutidas no ambiente dos orgânicos, normas que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estipulou para isolar áreas de grãos convencionais dos transgênicos, porque acreditamos que não sejam suficientes para realmente proteger os cultivos orgânicos”, diz. “Já foram encaminhadas algumas demandas ao Ministério da Agricultura e à CTNBio para tentar rever esses critérios de isolamento de lavouras.”

O que ele acha mais problemático é a obrigatoriedade de manter um “cinturão” de 20 metros de largura em volta de lavouras convencionais. “Este cinturão ou bordadura deve ter milho convencional que não poderá, porém, ser colhido como orgânico, dado o risco de cruzamento com variedades transgênicas”, diz ele, explicando que para o produtor orgânico isso significa prejuízo. “Só que nós entendemos é que quem planta milho transgênico deve ser obrigado a fazer esta bordadura, este cinturão com plantas convencionais, e não os produtores orgânicos”, continua. “A lei, atualmente, não define quem deve fazer, mas é claro que os orgânicos acabam fazendo, para evitar o risco de contaminação transgênica em suas lavouras”, conclui.

A Korin, que mantém seus frangos orgânicos em Ipeúna (SP), acaba de agregar mais dois criadores de frango orgânico, que fornecerão a ave à Korin, na forma de integração. “Eram avicultores que já trabalhavam conosco, criando o frango natural, sem antibióticos ou promotores de crescimento”, explica Demattê. A empresa mantém uma lavoura de 25 a 30 hectares de milho orgânico, para abastecimento próprio, mas também depende do fornecimento de terceiros.

Embora a dificuldade de obter o cereal o ano todo requeira grande planejamento logístico, a empresa vem registrando crescimento na produção da ave orgânica. “Desde que começamos, em 2008, já aumentamos a produção em 40%”, diz Demattê, sem porém revelar o número efetivo de aves abatidas/ano.

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A Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu (SP) vai realizar, entre 25 e 27 de abril, o evento “Seminário Brasil-Espanha de ensino, pesquisa e extensão em Agroecologia e Educação Ambiental: desafios metodológicos para a transição agroecológica e perspectivas educativas”. Segundo os organizadores, o evento tem como principal objetivo fomentar o intercâmbio de experiências entre os dois países sobre as inovações no ensino em agroecologia e as metodologias aplicadas na chamada transição agroecológica, o processo de passagem da agricultura convencional para a de base ecológica.

Palestrantes de instituições como a Universidade de Córdoba (Espanha), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Faculdade de Ciências Agronômicas e Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, Associação Brasileira de Agroecologia e Instituto Giramundo Mutuando estarão presentes. Além disso, estão previstas apresentações de relatos de experiências de diferentes regiões do Brasil, que estarão divididas em painéis intitulados: “Metodologias de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Transição Agroecológica”, “Educação Ambiental no Ensino Superior: contribuições para a formação em Ciências Agrárias” e “Educação em Agroecologia no Ensino Superior.

O Seminário é organizado por meio da parceria entre pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Unesp de Botucatu, além do Instituto Giramundo Mutuando e Instituto de Sociologia e Estudos Campesinos da Universidade de Córdoba, Espanha. Estudantes e profissionais interessados podem realizar as inscrições por R$ 30 e R$ 50 reais, respectivamente, até o dia 15 de abril.

Mais informações e a programação completa no site www.transicaoagroecologica.org

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