Olhar Sobre o Mundo


Um ano de Primavera Árabe

17 de dezembro de 2011 3:48 por Natália Russo

As revoltas no Oriente Médio e no norte da África, que ficaram conhecidas como Primavera Árabe, completam um ano. Ao longo desse tempo, quatro ditadores desapareceram – o presidente da Tunísia, Zine al-Abdine Ben Ali, se exilou na Arábia Saudita; o presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou após uma insistente presença de manifestantes na praça Tahrir, no centro do Cairo; Muamar Kadafi, da Líbia, foi capturado e morto por opositores depois de meses de guerra civil; e o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assinou um acordo para deixar o poder meses depois de ser gravemente ferido em um ataque.

Dois desses países já foram às urnas – em eleições disputadas, a Tunísia elegeu o Ennahda, partido islâmico moderado. No Egito, em uma votação que ainda não foi concluída, a Irmandade Muçulmana, legenda também islâmica moderada, e o Al-Nur, partido salafista, aparecem como favoritos.

As manifestações começaram em dezembro de 2010 quando um jovem tunisiano ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser a Primavera Árabe. Protestos se espalharam rapidamente por todo o Oriente Médio e norte da Africa – e o fenômeno está ainda inacabado.

Como no modelo líbio, a Síria vive um violento conflito entre opositores e apoiadores do regime de Bashar al-Assad, que está no poder desde 2000, quando o pai dele, Hafez, morreu. A ONU diz que mais de 5 mil pessoas já morreram nos confrontos, e uma comissão liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro aponta que houve “crimes contra a humanidade no país”. Assad, contudo, não dá sinais de que deverá sair.

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