Céu de outono
A maior qualidade do outono é a de não ser óbvio. Aprisionada entre as extravagâncias do verão e a mão pesada do inverno, a estação se sustenta em delicadezas, nuances, entrelinhas e pequenas revoluções. O outono não é pra qualquer um.
Das quase imperceptíveis revoluções de outono, o fotógrafo Hélvio Romero captou a mais instigante delas: o céu.
Sim, o céu. Ele mesmo! Que de tão disponível acaba quase sempre ignorado pela turba apressada das cidades.
Mas, felizmente, você ainda pode reconhecer um artista pelo jeito como ele olha para o céu.
Nesta seleção de imagens, Romero nos apresenta o azul único do céu de outono. Um azul denso, menos etéreo, mais quente, palpável, vivo e mundano.
O céu, pelas lentes de Romero, também não é assim tão distante ou inatingível. A beleza de suas imagens está no toque, no encontro entre o azul e a cidade, entre o sagrado e o pecado, o infinito e o resto dos mortais. É como se Romero cruzasse sua percepção estética apurada com sua experiência de repórter fotográfico, de profissional de jornal diário.
São fotos que vão sobreviver a edição de amanhã e a temporada de outono.
Abra a janela do seu computador para admirar o céu de outono. Não sei como está lá fora. Mas aqui dentro está lindo.
Texto: Escritor e jornalista, Gilberto Amendola

