Céu de outono
A maior qualidade do outono é a de não ser óbvio. Aprisionada entre as extravagâncias do verão e a mão pesada do inverno, a estação se sustenta em delicadezas, nuances, entrelinhas e pequenas revoluções. O outono não é pra qualquer um.
Das quase imperceptíveis revoluções de outono, o fotógrafo Hélvio Romero captou a mais instigante delas: o céu.
Sim, o céu. Ele mesmo! Que de tão disponível acaba quase sempre ignorado pela turba apressada das cidades.
Mas, felizmente, você ainda pode reconhecer um artista pelo jeito como ele olha para o céu.
Nesta seleção de imagens, Romero nos apresenta o azul único do céu de outono. Um azul denso, menos etéreo, mais quente, palpável, vivo e mundano.
O céu, pelas lentes de Romero, também não é assim tão distante ou inatingível. A beleza de suas imagens está no toque, no encontro entre o azul e a cidade, entre o sagrado e o pecado, o infinito e o resto dos mortais. É como se Romero cruzasse sua percepção estética apurada com sua experiência de repórter fotográfico, de profissional de jornal diário.
São fotos que vão sobreviver a edição de amanhã e a temporada de outono.
Abra a janela do seu computador para admirar o céu de outono. Não sei como está lá fora. Mas aqui dentro está lindo.
Texto: Escritor e jornalista, Gilberto Amendola
Da raíz aos grãos
São várias as matérias primas que dão origem à farinha. São vários os processos que fazem com que a farinha seja o que é dentro do pacote, nas mesas de nossas casas. São várias as formas de consumo. E são várias as farinhas.
Uma das mais conhecidas é a farinha de mandioca. Nomeada popularmente como ‘macaxeira’, a mandioca é uma raiz comestível originária do oeste do Brasil e um dos alimentos mais consumidos no nordeste, região onde se concentra um grande número de casas de farinha.
A seguir, você verá fotos de uma casa de farinha situada na cidade de Passa e Fica, no Rio Grande do Norte, e conhecerá todas as etapas de produção da farinha de mandioca, desde o descasque da raiz até o empacotamento.
World Press Photo 2011
O World Press Photo é o prêmio internacional mais importante do Fotojornalismo. No ano de 2011 mais de 100 mil imagens foram enviadas por 5.247 fotógrafos de 124 países.
A foto ganhadora, do espanhol Samuel Aranda, trouxe o instante que um ferido durante as revoltas do Iêmen abraça uma mulher com ‘niqab’ – véu islâmico que cobre todo o corpo. A composição se assemelha à escultura “A Piedade” de Miguel Ângelo.
Meninos do Contestado
Eles eram crianças quando, em 1912, tropas do Exército e agentes policiais desembarcaram nos sertões de Santa Catarina e Paraná para combater seus pais, mães, tios e avós que pegaram em facões de pau e velhas espadas farroupilhas e julianas, num movimento contra o projeto de uma ferrovia em suas posses de terra e os desmandos de lideranças emergentes da República, proclamada duas décadas antes.
Às vésperas do centenário da Guerra do Contestado, a maior rebelião civil do País no século 20, que agitou o Sul entre os anos de 1912 e 1916, o Estado investigou o paradeiro das últimas testemunhas do conflito que deixou um saldo estimado de dez mil mortos. Altino Bueno da Silva, hoje com 108 anos, Maria Trindade Martins, 105, e Sebastiana Medeiros, 102, foram localizados em porões de casas e barracos de bairros pobres.
Numa investigação jornalística de 12 meses, para dar a versão dos derrotados sobre os cem dias decisivos da vitoriosa campanha militar (dezembro de 1914 a abril de 1915) comandada pelo general Fernando Setembrino de Carvalho – o cerco, a tomada e a destruição do reduto caboclo de Santa Maria, principal acampamento dos revoltosos, no atual município catarinense de Timbó Grande, a 400 quilômetros de Florianópolis.
A luta sertaneja marcou uma área de 30 mil quilômetros quadrados, maior que Alagoas e o Haiti, ainda hoje uma região tratada como “maldita” pelo Poder Público – as terras do Contestado, cercadas por cidades colonizadas por europeus e com padrões de primeiro mundo, apresentam índices de desenvolvimento humano equivalentes a rincões pobres do Nordeste. É uma história de renegados em pleno Sul do Brasil.
Texto: Leonencio Nossa
O frio na Europa
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- Tópicos: Europa, Fotografia, Fotojornalismo, Frio, Inverno
Enquanto várias regiões brasileiras sofrem com o extremo calor, no Hemisfério Norte o problema é totalmente inverso. O rigoroso inverno na Europa já provocou cerca de 450 mortes até o momento, e a previsão é de que o frio intenso dure mais alguns dias. Pedimos aos internautas brasileiros que vivem no continente europeu que enviassem fotos registrando a situação.
Cracolândia: tráfico solto
A formação da cracolândia, na região central de São Paulo, remete ao início dos anos 1990, quando a região historicamente conhecida como boca do lixo começou a receber viciados em crack que passaram a morar pelas ruas e casarões abandonados.
O último levantamento da polícia, antes da ocupação, estimou que 400 viciados moravam na área. Mas a população flutuante girava em torno de até 2.000 usuários.
A revitalização da degradada região é o foco do projeto Nova Luz, plano urbanístico da prefeitura para recuperar, em parceria com a iniciativa privada, esse pedaço do centro paulistano.
Veja também:
Entenda como a cracolândia foi formada
Projeto Nova Luz não explica como resolverá o problema social da região
Um ano de Primavera Árabe
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- Tópicos: Egito, Fotografia, Fotojornalismo, Iêmen, Líbia, Primavera Árabe, Síria, Tunísia
As revoltas no Oriente Médio e no norte da África, que ficaram conhecidas como Primavera Árabe, completam um ano. Ao longo desse tempo, quatro ditadores desapareceram – o presidente da Tunísia, Zine al-Abdine Ben Ali, se exilou na Arábia Saudita; o presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou após uma insistente presença de manifestantes na praça Tahrir, no centro do Cairo; Muamar Kadafi, da Líbia, foi capturado e morto por opositores depois de meses de guerra civil; e o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assinou um acordo para deixar o poder meses depois de ser gravemente ferido em um ataque.
Dois desses países já foram às urnas – em eleições disputadas, a Tunísia elegeu o Ennahda, partido islâmico moderado. No Egito, em uma votação que ainda não foi concluída, a Irmandade Muçulmana, legenda também islâmica moderada, e o Al-Nur, partido salafista, aparecem como favoritos.
As manifestações começaram em dezembro de 2010 quando um jovem tunisiano ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser a Primavera Árabe. Protestos se espalharam rapidamente por todo o Oriente Médio e norte da Africa – e o fenômeno está ainda inacabado.
Como no modelo líbio, a Síria vive um violento conflito entre opositores e apoiadores do regime de Bashar al-Assad, que está no poder desde 2000, quando o pai dele, Hafez, morreu. A ONU diz que mais de 5 mil pessoas já morreram nos confrontos, e uma comissão liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro aponta que houve “crimes contra a humanidade no país”. Assad, contudo, não dá sinais de que deverá sair.
80 anos de Cristo Redentor
Há 80 anos que a paisagem do Rio de Janeiro é pontuada pelo Cristo Redentor, inaugurado em 12 de outubro de 1931, após 5 anos de obras. Símbolo da Cidade Maravilhosa, o monumento, localizado no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do mar, recebe visitas de muitas pessoas ao redor do mundo.
Um emblema do cristianismo, o monumento se tornou um dos ícones mais reconhecidos internacionalmente do Rio e do Brasil. No dia 7 de julho de 2007, em Lisboa, no Estádio da Luz, o Cristo foi eleito uma das novas sete maravilhas do mundo. E de braços abertos.
Vida e arquitetura moscovita
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- Tópicos: Arquitetura, Fotografia, Fotojornalismo, Moscou, Rússia, Verão
Cidade que abraça mais de 10 milhões de habitantes, a capital da Rússia, Moscou, não é marcada apenas pelo branco da neve durante os invernos rigorosos. A metrópole é colorida durante todo o verão e a surpresa envolve mais do que simplesmente o calor escaldante de 40ºC e as enormidades arquitetônicas. É uma cidade europeia com estilo próprio, sendo receptiva e, ao mesmo tempo, visualmente agressiva.
A cidade apresenta um ritmo acelerado como o de São Paulo, refletido no trânsito carregado pelas ruas e avenidas. Mas, para relaxar os habitantes, a cidade tem parques altamente arborizados e um amplo circuito cultural. Neste momento é que os russos aproveitam a oportunidade de se envolverem com o clima.
No verão, o sol se põe às 23h e amanhece às 5h. Durante o dia, as pessoas costumam frequentar parques, praticar esportes e se refrescar em chafarizes que estão espalhados por toda a cidade.
Moscou é o cenário das revoluções mais clamadas e conhecidas pela história mundial e mantém a mostra nas obras da cidade seu poderio conquistado por séculos. Projetos arquitetônicos megalomaníacos repletos de detalhes cuidados minuciosamente se contrapõem à padronização estética e “quadrada” de prédios residenciais.
Conheça, nas fotos abaixo, toda a magia que envolve Moscou:
Bonde: um dia de restauração
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- Tópicos: Bonde, Fotografia, Fotojornalismo, Santos
O repórter fotográfico Ivan Dias acompanhou o processo de restauração de bondes por um dia. Meio de transporte que leva à nostalgia, o bonde passou a ser visto como marca turística por unanimidade. E foi assim em Santos, onde seu trajeto está sempre ocupado e agradando de crianças a idosos.
Durante a restauração, cada parte é tratada nos mínimos detalhes: de parafusos à pintura. Com profissionais especializados, o árduo trabalho mantém em operação a linha turística de Santos e conserva modelos brasileiros, portugueses, italianos, escoceses e norte-americanos que são doados pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.
Entre as relíquias, não poderia faltar o bonde do time: o Baleião. Para homenagear o Santos F.C. e seu tricampeonato na Libertadores da América, o transporte tem até mesmo uma réplica do troféu para os fãs apreciarem o trabalho.
Achiropita em imagens
Pare e pense: Achiropita. Em mim, nesse momento, algo vocifera da barriga, quase me convencendo de que o processamento daquele tipo de dado mudou de setor. Rolou goela abaixo, da cabeça para o estômago, em queda livre, sem escala. E acendeu o pavio que culminou na oportuna e faminta pergunta que fiz há uns 3 anos: “Achiropita… É de comer? “.
Coincidência ou não, a ingênua questão que revelou minha latifundiária ignorância veio rebocando comida. Toneladas dela. Quantidades inimagináveis para a cabeça e desafiadoras para a elasticidade de qualquer calça – nisso, senti num solavanco um outro ronco grave e abafado, afinando no fim, provavelmente em protesto do que acabei de escrever.
Mas falar de comida é justamente falar de Achiropita. Nossa Senhora da Achiropita: santa não por saber fazer um primor de polenta – pode ser que ela nem soubesse cozinhar – mas porque é santa mesmo, canonizada pela Igreja Católica e tudo mais.
Onde entra a comida? Na festa, é claro. Como em toda boa folia, os comes e bebes não podem faltar. Sobretudo nas da Paróquia da Nossa Senhora da Achiropita, no Bixiga, muito bem abastecidas com as 16 toneladas de farinha; 12, de macarrão; 11 toneladas de queijo, as 5 de linguiça e por ai vai, tudo em medidas gordas. Tutta l’Itália!
Não é pra menos. São 30 mil pessoas por noite de festa. Trinta mil bocas. Trinta mil estômagos. Para dar conta disso, só 40 nonas pilotando panelas de 55 litros. Se soubesse disso tudo desde o começo, deixaria a sinfonia de resmungos gástricos continuarem. E talvez em homenagem repetiria: “Achiropita… É de comer?”. Ah, e como…
Texto: Ricardo Chapola do Estadão.com.br
Testemunhas oculares da história
Seja sozinho, ou em meio a dezenas buscando a melhor imagem, seja esperando o acontecimento do século ou simplesmente marcando a delicadeza de um gesto, o repórter fotográfico tem um vínculo inquebrável com a informação.
São sempre vistos em ação com suas enormes máquinas e objetivas, mirados nos gabinetes ministeriais ou nos campos mais inimagináveis. Em meio à angústia, à dor, ao mórbido. Tudo isso passa a ser conhecido graças ao fotojornalista.
Poder ser considerado intruso é só uma parte do trabalho. A outra, apresenta ao mundo a figura que tenta retratar também a face não convencional do mundo. Amados ou odiados, mas engajados. Eles são, como diria o famigerado slogan do emblemático Repórter Esso: as testemunhas oculares da história.
E hoje, 2 de setembro, as câmeras voltam-se para quem diariamente estão por trás: o próprio fotojornalista. São eles, os aniversariantes de hoje, que mostram ao mundo tudo, até mesmo aquilo não seja coisa de capa.
Fotógrafo não faz demagogia, fotógrafo faz fotografia.












