Olhar Sobre o Mundo


Céu de outono

20 de março de 2012 2:14 por Natália Russo

A maior qualidade do outono é a de não ser óbvio. Aprisionada entre as extravagâncias do verão e a mão pesada do inverno, a estação se sustenta em delicadezas, nuances, entrelinhas e pequenas revoluções. O outono não é pra qualquer um.
Das quase imperceptíveis revoluções de outono, o fotógrafo Hélvio Romero captou a mais instigante delas: o céu.
Sim, o céu. Ele mesmo! Que de tão disponível acaba quase sempre ignorado pela turba apressada das cidades.
Mas, felizmente, você ainda pode reconhecer um artista pelo jeito como ele olha para o céu.
Nesta seleção de imagens, Romero nos apresenta o azul único do céu de outono. Um azul denso, menos etéreo, mais quente, palpável, vivo e mundano.
O céu, pelas lentes de Romero, também não é assim tão distante ou inatingível. A beleza de suas imagens está no toque, no encontro entre o azul e a cidade, entre o sagrado e o pecado, o infinito e o resto dos mortais. É como se Romero cruzasse sua percepção estética apurada com sua experiência de repórter fotográfico, de profissional de jornal diário.
São fotos que vão sobreviver a edição de amanhã e a temporada de outono.
Abra a janela do seu computador para admirar o céu de outono. Não sei como está lá fora. Mas aqui dentro está lindo.

Texto: Escritor e jornalista, Gilberto Amendola

Da raíz aos grãos

14 de março de 2012 7:08 por Natália Russo

São várias as matérias primas que dão origem à farinha. São vários os processos que fazem com que a farinha seja o que é dentro do pacote, nas mesas de nossas casas. São várias as formas de consumo. E são várias as farinhas.
Uma das mais conhecidas é a farinha de mandioca. Nomeada popularmente como ‘macaxeira’, a mandioca é uma raiz comestível originária do oeste do Brasil e um dos alimentos mais consumidos no nordeste, região onde se concentra um grande número de casas de farinha.
A seguir, você verá fotos de uma casa de farinha situada na cidade de Passa e Fica, no Rio Grande do Norte, e conhecerá todas as etapas de produção da farinha de mandioca, desde o descasque da raiz até o empacotamento.

Almoçando com tubarões

23 de fevereiro de 2012 0:00 por Natália Russo

É difícil de acreditar, mas podemos participar de um almoço emocionante em mar aberto, cara a cara com tubarões, sem gaiolas de proteção. Essa tarefa de risco acontece nas águas quentes de Nassau, capital das Bahamas.

A tensão é inevitável e faz parte desta aventura. A Stuart Cove, empresa que promove os mergulhos, se encarrega de ir buscar cada viajante no hotel, para evitar atraso (e desistências, quem sabe?). A assinatura de um termo de responsabilidade, que isenta a empresa em caso de acidente – raros na região, destacam os guias – aumenta ainda mais a dúvida: será que é seguro? Há exigências e regras para (quase) garantir que, sim, você vai e volta inteiro. Para começar, apenas mergulhadores certificados podem participar. A principal orientação é nunca fazer movimentos bruscos perto dos tubarões. No retorno ao barco “Nunca tire as nadadeiras longe da escada do barco, isso é um belo banquete para as feras! Segure na escada, ponha o pé no degrau com a nadadeira ainda no pé, tire a nadadeira, e ponha o pé rapidamente no degrau de cima! A sola do pé em movimento é semelhante a ação do peixe dentro d´agua e o tubarão chegará ao seu pé em poucos segundos! Se vocês tiverem algum valor por seus pés, façam o que estou falando!” alerta NealHarvey, alimentador de tubarões, passando as informações ao grupo, enquanto o barco cumpre o trajeto de 2 quilômetros até Bahama Mama. Lá fica o navio cargueiro Ray of Hope de 200pés naufragado em 2003, em parceria entre o governo e a iniciativa privada, para servir de recife artificial. A região é farta em tubarões-tigre e tubarões caribenhos de arrecife, conhecidos no Brasil como cabeças-de-cesto.

Piadas como “estão prontos para virar comida de tubarão?” tentam descontrair e aliviar a tensão. Harvey explica que os animais se aproximam dos mergulhadores por instinto, mas logo tomam outro rumo.

No primeiro mergulho, para reconhecimento da área, chegamos a uma profundidade de 25 metros. Ver um animal de 2 metros de comprimento vindo rápido em sua direção e desviando a pouco menos de 2 metros de distância é aterrorizante. Mas o movimento se repete tantas vezes que você acaba se acostumando.

O grande momento

No esperado mergulho para alimentar tubarões, podemos ver inúmeros tubarões na superfície rondando o barco esperando os mergulhadores caírem novamente na água. É uma imagem difícil de esquecer. Não é fácil confiar nos animais selvagens e se atirar ao mar. São poucos que se sentem preparados e confiantes para realizar essa proeza, mas o que consola o aventureiro é que são raros os ataques na região.

Todos descem a uma profundidade de 15 metros, até a proa da embarcação naufragada. Vestido com uma roupa de malha de ferro trançada, Neal Harvey chega depois, com a caixa de alumínio cheia de pedaços de peixe. Larga a caixa na estrutura de ferro do barco, o que emite um som similar a um gongo, que dá início ao ritual. A quantidade de tubarões aumenta – são pelo menos 40 após 15minutos. É possível ver fêmeas de 3 metros de comprimento. O fato de não tocar nas feras com a mão pode deixar o mergulhador frustrado, mas nem é preciso. Você pode sentir parte dos corpos dos tubarões batendo nos seus ombros, cabeça e até mesmo no rosto, enquanto brigam entre si para passar entre os mergulhadores e alcançar a caixa. Estamos tão próximo dos animais que podemos ver a riqueza de detalhes de suas íris. E o que era assustador passa a ser fascinante. De volta à superfície, o entusiasmo toma conta do grupo, que se cumprimenta com gritos de euforia. O alimentador chega depois e é recebido sob aplausos. Sua mão sangra. Ele diz que já perdeu a conta de quantas vezes foi mordido. “Os tubarões sentem que não é peixe e largam, mas o ferimento é inevitável”, diz. “Vocês não foram mordidos porque não fizeram movimentos bruscos”, explica, depois de perguntar, de brincadeira, se estavam todos bem e “com tudo no lugar”.

World Press Photo 2011

13 de fevereiro de 2012 18:40 por Natália Russo

O World Press Photo é o prêmio internacional mais importante do Fotojornalismo. No ano de 2011 mais de 100 mil imagens foram enviadas por 5.247 fotógrafos de 124 países.
A foto ganhadora, do espanhol Samuel Aranda, trouxe o instante que um ferido durante as revoltas do Iêmen abraça uma mulher com ‘niqab’ – véu islâmico que cobre todo o corpo. A composição se assemelha à escultura “A Piedade” de Miguel Ângelo.

Meninos do Contestado

Eles eram crianças quando, em 1912, tropas do Exército e agentes policiais desembarcaram nos sertões de Santa Catarina e Paraná para combater seus pais, mães, tios e avós que pegaram em facões de pau e velhas espadas farroupilhas e julianas, num movimento contra o projeto de uma ferrovia em suas posses de terra e os desmandos de lideranças emergentes da República, proclamada duas décadas antes.

Às vésperas do centenário da Guerra do Contestado, a maior rebelião civil do País no século 20, que agitou o Sul entre os anos de 1912 e 1916, o Estado investigou o paradeiro das últimas testemunhas do conflito que deixou um saldo estimado de dez mil mortos. Altino Bueno da Silva, hoje com 108 anos, Maria Trindade Martins, 105, e Sebastiana Medeiros, 102, foram localizados em porões de casas e barracos de bairros pobres.

Numa investigação jornalística de 12 meses, para dar a versão dos derrotados sobre os cem dias decisivos da vitoriosa campanha militar (dezembro de 1914 a abril de 1915) comandada pelo general Fernando Setembrino de Carvalho – o cerco, a tomada e a destruição do reduto caboclo de Santa Maria, principal acampamento dos revoltosos, no atual município catarinense de Timbó Grande, a 400 quilômetros de Florianópolis.

A luta sertaneja marcou uma área de 30 mil quilômetros quadrados, maior que Alagoas e o Haiti, ainda hoje uma região tratada como “maldita” pelo Poder Público – as terras do Contestado, cercadas por cidades colonizadas por europeus e com padrões de primeiro mundo, apresentam índices de desenvolvimento humano equivalentes a rincões pobres do Nordeste. É uma história de renegados em pleno Sul do Brasil.

Texto: Leonencio Nossa

O frio na Europa

9 de fevereiro de 2012 18:19 por Natália Russo

Enquanto várias regiões brasileiras sofrem com o extremo calor, no Hemisfério Norte o problema é totalmente inverso. O rigoroso inverno na Europa já provocou cerca de 450 mortes até o momento, e a previsão é de que o frio intenso dure mais alguns dias. Pedimos aos internautas brasileiros que vivem no continente europeu que enviassem fotos registrando a situação.

Cracolândia: tráfico solto

10 de janeiro de 2012 19:15 por Natália Russo

A formação da cracolândia, na região central de São Paulo, remete ao início dos anos 1990, quando a região historicamente conhecida como boca do lixo começou a receber viciados em crack que passaram a morar pelas ruas e casarões abandonados.

O último levantamento da polícia, antes da ocupação, estimou que 400 viciados moravam na área. Mas a população flutuante girava em torno de até 2.000 usuários.

A revitalização da degradada região é o foco do projeto Nova Luz, plano urbanístico da prefeitura para recuperar, em parceria com a iniciativa privada, esse pedaço do centro paulistano.

Veja também:

Entenda como a cracolândia foi formada

Projeto Nova Luz não explica como resolverá o problema social da região

Kassab apresenta projeto da Nova Luz

Sorrisos para 2012

Sorrisos não tem limite geográfico. Do Rio de Janeiro a Xangai, os leitores do Estadão enviaram fotos de sorrisos com a vontade de começar o ano com a alegria estampada no rosto. O Olhar Sobre o Mundo também deseja sorrisos e um ótimo 2012.

Um ano de Primavera Árabe

17 de dezembro de 2011 3:48 por Natália Russo

As revoltas no Oriente Médio e no norte da África, que ficaram conhecidas como Primavera Árabe, completam um ano. Ao longo desse tempo, quatro ditadores desapareceram – o presidente da Tunísia, Zine al-Abdine Ben Ali, se exilou na Arábia Saudita; o presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou após uma insistente presença de manifestantes na praça Tahrir, no centro do Cairo; Muamar Kadafi, da Líbia, foi capturado e morto por opositores depois de meses de guerra civil; e o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assinou um acordo para deixar o poder meses depois de ser gravemente ferido em um ataque.

Dois desses países já foram às urnas – em eleições disputadas, a Tunísia elegeu o Ennahda, partido islâmico moderado. No Egito, em uma votação que ainda não foi concluída, a Irmandade Muçulmana, legenda também islâmica moderada, e o Al-Nur, partido salafista, aparecem como favoritos.

As manifestações começaram em dezembro de 2010 quando um jovem tunisiano ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser a Primavera Árabe. Protestos se espalharam rapidamente por todo o Oriente Médio e norte da Africa – e o fenômeno está ainda inacabado.

Como no modelo líbio, a Síria vive um violento conflito entre opositores e apoiadores do regime de Bashar al-Assad, que está no poder desde 2000, quando o pai dele, Hafez, morreu. A ONU diz que mais de 5 mil pessoas já morreram nos confrontos, e uma comissão liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro aponta que houve “crimes contra a humanidade no país”. Assad, contudo, não dá sinais de que deverá sair.

Veja também

“Rally da Pecuária” pelo cerrado

26 de outubro de 2011 17:44 por Nilton Fukuda

“Rally da Pecuária 2011” é uma expedição técnica que visita fazendas de pecuária de corte em todo o País, para avaliar a qualidade do rebanho brasileiro com base na situação das pastagens. O Rally é dividido em cinco etapas e vai percorrer 24 mil km em nove estados. O repórter fotográfico Leonardo Soares acompanhou uma das etapas e percorreu 30 municípios, cruzando três estados na região do cerrado: Tocantins, Pará e Mato Grosso.

Ocupe o planeta

23 de outubro de 2011 20:00 por Natália Russo

Com mais de um mês de manifestações, o movimento Ocupe Wall Street (Occupy Wall Street) ganhou importância ao atrair a atenção internacional e o respeito de várias organizações como a ONU. O protesto conseguiu arrecadar recentemente US$ 300 mil.

Seu nascimento foi discreto, quando alguns manifestantes começaram a acampar em protestos contra Wall Street em Manhattan. Em pouco tempo, as manifestações tomaram grandes proporções; centenas de milhares de pessoas protestavam não apenas nos Estados Unidos, mas também em países vizinhos, na Europa e no Brasil.

80 anos de Cristo Redentor

Há 80 anos que a paisagem do Rio de Janeiro é pontuada pelo Cristo Redentor, inaugurado em 12 de outubro de 1931, após 5 anos de obras. Símbolo da Cidade Maravilhosa, o monumento, localizado no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do mar, recebe visitas de muitas pessoas ao redor do mundo.

Um emblema do cristianismo, o monumento se tornou um dos ícones mais reconhecidos internacionalmente do Rio e do Brasil. No dia 7 de julho de 2007, em Lisboa, no Estádio da Luz, o Cristo foi eleito uma das novas sete maravilhas do mundo. E de braços abertos.