Sempre gostei de crianças, mas nunca dei muita bola quando via um pai babando na sua cria. Para falar a verdade, para quem não tinha filho, sempre achei meio exagerado o comportamento. Só agora entendo como são prazerosas as descobertas do crescimento do bebê. Aqui em casa então, com gêmeas, cada dia tem algo novo para registrar e contar depois para mamãe.
A Beatriz, há algum tempo, introduziu no seu vocabulário inventado de bebê o abôô (que quer dizer acabou). Ela ainda não entende perfeitamente o que significa o acabou, não tenho dúvidas. É que ela usa para tudo e à toda hora. Acompanhado ainda do gesticular com as mãos.
Sei que um pouco, ela sabe que o abôô dela tem a ver com algo que não existe mais. Na hora da brincadeira, quando escondemos um objeto, ela vira com a mãozinha para gente e diz: abôô.
TRILHA DA SEMANA – Elis 1972
Eu tenho mais de mil perguntas sem respostas. A trilha desta semana é esse Elis Regina de 1972 com alguns dos principais clássicos interpretados por ela. As gêmeas adoram música e algumas mais ainda para ninar. Esse disco é um deles. Papai também curte. Eu quero encontrar as pessoas / de mãos e olhos abertos / sem me preocupar com dinheiro e posição
As gêmeas ouvem histórias (verdadeiras e inventadas) desde que vieram ao mundo. Como cantar, conversar olhando nos olhos e o contato físico, descobrimos que o “era uma vez” também é um importante canal de troca de afeto entre os pais e os recém-nascidos. Papai e mamãe garantem que, além de demonstração de amor, ajuda igual calmante como redutor de ansiedade das pequenas. Sem falar que cientificamente está comprovado que contribui para o desenvolvimento infantil na fala e futuramente na escrita.
Como nas cantaroladas, vale de tudo no mundo das histórias. A Beatriz e a Helena, no colo do papai, já ouviram dezenas de vezes a saga do maluco e aventureiro Dom Quixote e seu amigo Sancho Pança. Mas muitas vezes, pedimos licença para Miguel de Cervantes e mandamos um Quixote mais abestalhado, que cansado da mulher que em casa era muito brava saía para os pastos em um burrico e enfrentava não moínhos de vento, mas cupinzeiros de terra vermelha acreditando serem exércitos de soldados ou dragões e recheamos a história com o Elefante Edu, que mora no livro infantil ao lado, que agora ocupa espaço nobre na prateleira da sala. A floresta também está sempre nas histórias que as gêmeas ouvem. Quando falta paciência para as clássicas mais batidas como Chapéuzinho, vão saindo aventuras novinhas de duas irmãs, Beatriz e Helena, que foram passear na floresta…
Tudo repleto de caretas, sons de animais, vento nas árvores e muitas vozes em tons graves e agudos para dar mais tempero para as pirralhas. Usar bonecos e brinquedos como personagens também ajuda a prender a atenção delas, que esbugalham os olhos no colo ou onde estiverem para ouvir história. Tem dia que não estão interessadas, aí nem vale insistir. Outros, começam bem e acabam se distraindo com um latido mais agudo do cachorro do vizinho. Mas é assim mesmo, paciência é a chave-mestra do bom cuidado. Ninguém falou que ia ser fácil…
A psicopedagogia explica que ao contar histórias para o seu bebê ele está apreendendo palavras novas, observando como se expressar (é curioso como a partir dos cinco meses as gêmeas já começaram a imitar caretas) e, principalmente, estimula a fala e, no futuro, também a leitura e a escrita. Mas para Beatriz, a Helena, o papai e a mamãe, que não entendem disso, o que vale é a alegria e a tranquilidade do momento (que vai durar o quanto quiser a paciência e a atenção do bebê). Aproveite!
2013
2012