ir para o conteúdo
 • 

O papai, as gêmeas e a mamãe

As gêmeas agora pegam cavaco pelo chão, parecem duas vassouras mágicas. Com a Beatriz e a Helena andando, as duas agora rodeiam o papai e a mamãe e saem em disparada, exploram a casa, distante do colo que outrora foi o campeão de audiência. Com dois bebês de uma vez, fica um para cada lado.

Uma missão impossível é evitar o teste da boca. A duas não podem ver uma sujeira no chão, farelo de pão, um fio que soltou da blusa, um grão de terra, tudo que fica pelo piso da casa tem um destino direto e certo: a boca. Elas pinçam com dois dedos aquilo que encontram pelo chão e rápido rápido enfiam na boca, dirigindo o olhar imediatamente para quem está por perto, como quem diz “enfiei algo na boca”. Quando não conseguem pegar com os dois dedos, elas aprenderam que ao apertar a ponta do dedo sobre a sujeira, ela gruda na mão.

Papai é mais desencucado. Com a Beatriz e a Helena um pouco maiores, a neura com o risco de bactérias e outras sujeiras indesejadas do chão diminuiu. Mas o medo é colocar uma formiga viva, uma moeda, um grão de feijão, coisas que possam parar na garganta ou machucar a boca ainda sem dentes das pirralhas.

Comente!

Num domingo como esse ensolarado (um pouco mais frio, talvez), no dia 11 de setembro do ano passado, as gêmeas chegavam ao apartamento em que morávamos. A casa, com quintal, churrasqueira e um quarto para cada um dos bebês ainda estava nos finalmente. Moramos quase cinco anos nesse prédio. Com seus ínfimos 40 e 41 centímetros de tamanho, a chegada da Beatriz e da Helena em casa foi avassaladora. Carregada de cheiros, cuidados, novos hábitos, mudanças que inundaram o lar que um dia já fora do casal.

Esqueça tudo que é seu e aquelas coisas da sua vida, principalmente nos primeiros meses. As rotinas e manias que marido e mulher mantinham vão dar espaço para o pequeno ser que passa o dia dormindo, chorando, mamando, mijando, peidando e cagando (no nosso caso, dois). E você se afunda nessa maluquice com olheiras de defunto e sorriso de quem nasceu de novo, revigorado a cada sorriso dos bebês e a cada cafungada no minicorpo que exala um cheiro inenarrável!

Além dos odores, que de forma sublime tomam a casa, o sofá vira território para amamentar e ninar os pequenos, a mesa da sala vira suporte para bolsas, banheiras, carregadores de crianças (cada vez mais engenhosos), a cozinha vira o espaço do leite e das mamadeiras. Enfim, os cantos que um dia foram seu, também são tomados pelos altares e bugigangas dos bebês.

Na casa nova, para onde mudamos no mês de outubro, o espaço é maior. Mas nem por isso, sobram cantos que a gente pode dizer que são nossos. Aqui, a Beatriz e a Helena são as donas de tudo também. Um dos quartos virou o altar das trocas de fraldas. E olha que são pelos menos sete por bebê por dia (multiplique por dois, no nosso caso). De tanta troca, a gente vira craque e faz isso até dormindo.

Comente!

Ouvir música faz bem para os bebês, para a mamãe e para o papai. Assim, tenha certeza, gravidez e paternidade têm que ter trilha sonora. As gêmeas estão ouvindo de tudo e gostam! Se divertem mais ainda porque sabem que mamãe e o papai curtem, estão felizes e tranquilos quando estão ouvindo um som. Aqui em casa, a Beatriz e a Helena ouvem música desde os três meses de gestação, quando compramos um fone de ouvido, desses maiores (igual ao que jogador de futebol e DJ usam), e passei a colocar música na barriga da mamãe para que as gêmeas pudessem curtir.

Para acalmar, a maior parte das vezes elas ouviam música clássica: Mozart, Vivaldi, Bach. Mas também ouviam coisas que a gente gostava e que acalmava a mamãe. Uma das que mais tocou na rádio-gêmeas-gestação era Rise, do Eddie Vedder, feita para o filme Into the Wild (impagável!). Ouvia e reouvia várias vezes! As meninas gostam até hoje. Para facilitar, comprei um fone dos mais baratos e arranquei a alça que fica sobre a cabeça e usava-os como se fossem aqueles aparelhos de monitorar o batimento cardíaco do bebê.

Música acalma as pessoas e também os bebês. Estudos já comprovaram sua eficácia até mesmo no desenvolvimento de prematuros. No ano passado, a revista Pediatrics publicou artigo científico de uma pesquisa que comprovou que recém-nascidos que ouviam Mozart na incubadora ganhavam peso mais rápido. Acredita-se que como eles ficaram mais calmos, com a frequência cardíaca e respiratória mais baixa e, assim, tiveram menor gasto calórico. Por que Mozart? Seria porque a repetição com maior frequência da linha melódica atuaria numa área específica do cérebro. Outros efeitos positivos já foram comprovados como auxílio no aprendizado da sucção e controle da dor.

 

Juno.JPG

As gêmeas agora ouvem de tudo. Nossa estante já foi tomada por DVDs com as músicas de criança: Galinha Pintadinha, A Barata, Indiozinhos, O Sapo, Escravos de Jó, Mariana. Mas também ouvem as músicas que embalaram os sete meses na barriga da mamãe. E aos poucos e estão sendo introduzidas na discografia da mamãe e do papai.

Hoje a trilha sonora do dia foi o CD do filme Juno. No colo com o papai, elas podem ainda não entender se gostam ou não das músicas, mas da farra e do sorrisão enquanto dançamos no ar, a Beatriz e a Helena gostam de gargalhar!!

Comente!

  • Quem Faz

    Quem Faz

    Ricardo Brandt

    Ricardo Brandt, 35 anos, é jornalista e tirou um sabático das redações de jornal em agosto de 2011, quando Beatriz e Helena nasceram, para cuidar das pequenas e trabalhar em casa. Junto com a Taís, que manteve o emprego fixo, vai contar como é criar dois bebês de uma vez e gerenciar a casa, enquanto mamãe vai para o trabalho

Comentários recentes

Arquivos

Blogs do Estadão