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Diário da Copa 2014. Alemanha 7 x 1 Brasil. A maior humilhação da história do futebol brasileiro

Luiz Zanin

08 julho 2014 | 18:55

Que a Alemanha era superior, nem o mais fanático torcedor brasileiro negava. Mas que o Brasil fosse tomar o vareio de bola que tomou da Alemanha, nem o mais pessimista poderia prever.

Na verdade, o Brasil não jogou. Assistiu a Alemanha jogar. Depois de tomar o primeiro gol, entrou em parafuso. Dissolveu-se. E começou a tomar um gol atrás do outro. Parecia treino. Embora se possa dizer que a Alemanha jogava muito bem, a verdade é que também não encontrava reação nenhuma do outro lado.

Enfim, perder é uma coisa. Normal, embora dolorida. Agora, perder desse jeito, é absolutamente inadmissível. Não gosto de crucificar ninguém, mas esses jogadores mancharam uma camisa que tem cinco estrelas, cinco títulos mundiais e, ainda é, e será mesmo após esse vexame, a maior vencedora de Copas, tendo participado de todas elas. Com todas essas credenciais, essa seleção patrocina o momento mais baixo do futebol brasileiro em toda a sua história.

Não adianta buscarmos vilões individuais, Fred ou qualquer outro. O desastre é coletivo. E assim deve ser considerado.

E, sendo o desastre coletivo, a única atitude decente seria a demissão imediata de toda a Comissão Técnica e o compromisso de todos esses jogadores de não voltarem a vestir esse manto sagrado, que hoje mancharam e envergonharam.

Tenho apenas pena das gerações mais jovens, que presenciaram esse naufrágio. Não viram os momentos de glória da seleção e terão para sempre a memória desse vexame. Perto deste desfecho, o Maracanazo da geração de 1950 é nada. Nada mesmo. Ainda teremos muito que pensar e ruminar para digerir esse vexame. É inimaginável que com 29 minutos do primeiro tempo o Brasil já estivesse sendo goleado por 4 a 0. Nunca se viu isso. E em casa, ainda por cima!

Se eu fosse mais otimista, eu diria que uma tragédia dessas proporções seria ocasião para uma reforma em regra do futebol brasileiro. A começar pelo papel da CBF, que deveria ser dissolvida, a bem do futebol brasileiro.

Mas já posso antever as desculpinhas. E nada será feito. Os “nossos” jogadores voltarão para suas casas europeias, para seus clubes milionários, ouviremos essas figuras soturnas, Felipão, Parreira, Marin, Del Nero, falar em falta de sorte, ou que o futebol é assim mesmo, e estamos conversados.

Essa turma comprometeu toda uma história de glórias do futebol brasileiro, um futebol que já foi conhecido por seu estilo, sua fantasia, sua invenção e caráter vencedor. Essa tradição não merecia ser arrastada na lama desta forma.

E estamos conversados.

Chorar? Esse time não merece uma lágrima.

Podemos chorar por nós mesmos.