Uma pesquisa do Instituto venezuelano Hinterlaces divulgada na semana passada indica que o novo tumor do presidente Hugo Chávez não prejudicou suas chances de se reeleger nas eleições de outubro. De acordo com o levantamento, sete em cada dez venezuelanos acreditam que o líder bolivariano vai se recuperar da doença e disputar as eleições de outubro contra o candidato da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Henrique Capriles.
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A íntegra da pesquisa (em espanhol)
A pesquisa ouviu os venezuelanos em duas oportunidades sobre a intenção de voto para outubro – a primeira logo após a vitória de Capriles, nas primárias de 12 de fevereiro, e a segunda após o anúncio da “lesão” de Chávez, no dia 21. O presidente teve no primeiro questionário 49% da preferência do eleitorado, contra 37% de Capriles. Os indecisos somaram 10%. Após o anúncio da recaída, Chávez oscilou três pontos porcentuais para cima, e Capriles, três para baixo. Ambos estão dentro da margem de erro da pesquisa, de 3,6 pontos porcentuais. A avaliação positiva do governo variou dois pontos para cima e atingiu 66%.
A pesquisa também revela a fraqueza do “chavismo sem Chávez”. Questionados sobre se há no horizonte um substituto para o presidente, caso ele não se recupere, 55% dos venezuelanos disseram não haver um líder dentro do chavismo para tomar o lugar do comandante.
A ordem de preferência do eleitorado de possíveis sucessores de Chávez é paradigmática: 30% votariam no vice-presidente Elías Jaua. O segundo colocado é “ninguém”, com 23%, seguido do chanceler Nicolás Maduro, com 14%, e do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, com 11%.
Para o cientista político Oscar Reyes, da Universidade Central da Venezuela, a saúde de Chávez é crucial para o futuro do projeto bolivariano.” Se ele não se recuperar, muitos venezuelanos pensarão: caramba. Hugo, gostamos muito de você, mas você está doente e precisamos de um presidente saudável”, disse.
Ainda segundo o analista, assim como no ano passado, a doença pode aumentar a empatia do eleitor venezuelano com Chávez. “A doença aumenta a compaixão pelo presidente. Mas o voto é irracional. Entram na decisão componentes como o medo, amor o ódio e a vingança”, afirmou.
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