Nuestra América

O processo de impeachment contra Fernando Lugo não é algo inédito na história paraguaia.  Uma série de visitas ao Acervo Estado mostra que o juízo político é uma ferramenta comum desde a redemocratização, mas que no caso de Lugo foi usada com velocidade inédita. A figura do juízo político, introduzida na Constituição de 1992, já foi invocada contra o presidente Luis González Macchi, em  2003, e contra Raúl Cubas. No primeiro caso, Macchi escapou por cinco votos. Já Cubas renunciou antes de ser julgado.  O primeiro processo demorou dois meses para ser levado ao Senado. O segundo demoraria uma semana. O de Lugo levou 24 horas.

A história das duas tentativas de impeachment estão interligadas e têm um personagem em comum: o general Lino Oviedo, que liderara em 1996 uma tentativa de golpe contra o presidente Juán Carlos Wasmosy. O militar, fora do Exército,  tentou candidatar-se em 1998 à presidência do Paraguai pelo Partido Colorado. A um mês da eleição, ele foi condenado a dez anos de prisão em razão da sublevação militar de dois anos antes. Seu companheiro de chapa, Raúl Cubas, acabou saindo como candidato a presidente e  Luís Maria Argaña, um rival de Oviedo dentro do Partido Colorado, como vice.  Cubas venceu com a promessa de libertar Oviedo, o que fez depois de assumir o cargo.

Argaña foi assassinado em uma emboscada por homens armados em 23 de março de 1999.  Oviedo e Cubas foram responsabilizados pela oposição pela morte do vice. Dois dias depois, a Câmara aprovou abertura do processo de juízo político contra Cubas. Ao contrário do que aconteceu com Lugo, no entanto, o processo seria julgado no Senado uma semana depois.  Só que não deu tempo. A repressão ordenada pelo governo a uma passeata contra Oviedo e Cubas deixou quatro mortos. A pressão tornou-se insustentável e Cubas renunciouMacchi, presidente do Senado, assumiu e colocou fim à crise, conhecida como Marzo Paraguayo.

Quatro anos mais tarde, Macchi foi alvo de um processo de juízo político por mau uso de suas funções e corrupção. No caso dele, o processo foi ainda mais lento.   Foi aberto na Câmara em 5 de dezembro de 2002. Macchi acabou escapando em uma votação no Senado em 12 de fevereiro. Faltou o apoio de cinco senadores para destituí-lo.



 

 

 

 

 

 

 

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07.julho.2011 16:23:22

Plantão médico

Os que acreditam em mau olhado diriam que os líderes da América do Sul estão precisando se benzer. E com urgência. Ao menos seis dos presidentes da região tiveram algum problema de saúde nos últimos meses, mostra um levantamento da AFP publicado no Terra Colômbia. São eles os líderes de Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador e Venezuela.

O caso mais notório e recente, claro, é o câncer do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Muito já se foi dito sobre a doença, que começou descrita pelo governo venezuelano como um “abcesso pélvico”. Chávez levou quase um mês para ir à público admitir que extirparam-lhe um tumor maligno. Enquanto isso, governava de Cuba. A oposição reclamou. Queria que ele passasse seus poderes para o vice-presidente Elias Jaua. O presidente, que nunca foi muito afeito a delegar nada para ninguém, fez-se de mouco. Voltou ontem, na véspera do bicentenário da independência venezuelana.

Não é o primeiro problema de saúde de Chávez. Em 2007, ele narrou durante seu programa “Alo presidente” uma diarreia que teve enquanto vistoriava obras. ” Isso só acontece com o Chávez!”, brincou. No mesmo vídeo, ele faz um alerta cômico sobre seu entrevero, que hoje poderia soar bem mais trágico: ” Sou um ser humano como qualquer um de vocês. Às vezes as pessoas se esquecem disso”

Outro que teve de enfrentar uma dura batalha contra o câncer é o presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Ele concluiu em dezembro do ano passado a quimioterapia contra um câncer linfático. A exemplo de Chávez, Lugo fez o tratamento em outro país. Mas, ao invés de Cuba, escolheu o Brasil.

A nossa presidente, Dilma Rousseff, que também já teve de tratar um câncer linfático quando ainda era ministra da Casa Civil de Lula, teve de cancelar recentemente uma viagem ao Paraguai onde aconteceu uma cúpula do Mercosul por causa de uma pneumonia.

Outra presidenta que também cancelou viagens por problemas de saúde foi a argentina Cristina Kirchner. Mas no caso dela, isso aconteceu duas vezes. Em abril, ela deixou de viajar ao México após uma crise de pressão baixa. Em junho, ela sofreu um pequeno corte ao bater a cabeça em uma grade, e também faltou à cúpula do Mercosul.

O boliviano Evo Morales também guardou repouso por recomendações médicas em março, após ter sido diagnosticada uma inflamação em um tendão do joelho que ele havia operado em novembro. Outro com contusões ortopédicas é o equatoriano Rafael Correa. Ele passou por uma cirurgia no joelho direito em setembro do ano passado para corrigir um desgaste no fêmur. Durante a quartelada militar daquele mês que paralisou o país, o presidente ainda se locomovia de bengala.

Ao que se sabe, o peruano Alan Garcia, o chileno Sebastián Piñera, o colombiano Juan Manuel Santos e o uruguaio José Mujica não têm tido problemas . Mas, em volta a tantos colegas “no departamento médico”, já devem ter encomendado um check-up.

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