Foto: Tomas Bravo/Reuters
Um dos problemas mais graves da América Latina é o tráfico de drogas. A violência dos cartéis, que nos anos 1980 traumatizou a sociedade colombiana, hoje é o principal problema de segurança pública do México. Desde 2006, mais de 35 mil pessoas morreram por causa da violência relacionada a esses grupos. Na sexta-feira passada, na periferia de Monterrey, Nuevo Leon, Estado controlado pelo cartel Los Zetas, capangas executaram quatro taxistas, no que a polícia acredita ser um acerto de contas com informantes do cartel do Golfo, uma facção rival. Um homem que descia do ponto de ônibus morreu com uma bala perdida.
A metros dali, a professora Martha Rivera dava aulas em uma escola primária. Ao ouvir os tiros, pediu a seus alunos, que têm entre oito e nove anos se deitassem no chão. Para acalmá-los, começou a cantar uma música de ninar:
- “Si las gotas de lluvia fueran de chocolate me encantaría estar ahí…”. ( “Se as gotas de chuva fossem de chocolate, eu gostaria de estar aí” – A melodia, no Brasil, é a da canção infantil: ” A dona aranha subiu pela parede… veio a chuva forte e a derrubou”)
Martha começou então a brincar com as crianças, dizendo que se ficassem deitadas e abrissem a boca, poderiam experimentar as gotas de chuva de chocolate. A cena foi gravada pela professora com seu celular e postada no YouTube por um amigo dela.
Na segunda-feira, ela foi condecorada por autoridades estaduais. Ao jornal mexicano El Universal, Martha disse que seus alunos lhe deram a coragem necessária para manter o sangue frio na hora do ataque. “Claro que tive medo, mas tenho muito orgulho dos meus alunos. Eles me deram o valor, a coragem e o amor para que eu atuasse assim”, afirmou.
Ainda de acordo com a professora, ela gravou o vídeo porque seus superiores sempre exigem evidências para aplicar protocolos de segurança na escola. ” Não busquei ser famosa, nem reconhecimento. Apenas reagi para mostrar nossa realidade”, explicou.
Apesar de involuntária, sua ação teve reconhecimento e repercussão. A professora ganhou três mil seguidores no Twitter desde o episódio. Até a cantora colombiana Shakira lhe mandou os parabéns pela atitude.
Assista ao vídeo: (Em espanhol)
Veja mapa da BBC com as áreas de influência de cada cartel no México:
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Empate técnico: E agora, Keiko?
A uma semana das eleições presidenciais peruanas, uma pesquisa divulgada neste domingo pelo instituto Ipsos Apoyo indica que a vantagem da candidata conservadora Keiko Fujimori para o nacionalista Ollanta Humala é de um ponto porcentual. A candidata da chapa Fuerza 2011 tem 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% do esquerdista. Nesta noite, às 22h45 (horário de Brasília), será realizado o último debate antes da votação de domingo, que deve ser crucial para a conquista dos 8% de indecisos.
Nas pesquisas do final de semana passado, Keiko mantinha uma vantagem razoavelmente confortável sobre Humala, que em alguns institutos chegava a sete pontos porcentuais. No levantamento do Ipsos Apoyo, no entanto, essa dianteira era de 2,8 pontos, e a queda se deu dentro da margem de erro.
A pesquisa mostra que a oscilação negativa de Keiko não se transformou em votos para a Humala, mas em aumento no número de nulos e brancos. O jornal El Comercio, o maior do Peru, e favorável à candidatura conservadora, cita a polêmica declaração do ex-porta-voz de Keiko Jorge Trelles sobre o governo Alberto Fujimori como uma das causas do resultado. “Matamos menos que nos anos 80″, disse o assessor, sobre o combate a guerrilha maoísta Sendero Luminoso. A frase pegou muito mal para os fujimoristas, que tentam a todo modo esconder o passado de violações de direitos humanos e de corrupção do pai da candidata.
De acordo com analistas, o debate será crucial para conquistar os 8% de eleitores que continuam sem saber em quem votar. Ainda segundo a pesquisa, os entrevistados veem Keiko como mais preparada para o debate. Humala, que no primeiro turno leu suas respostas, terá de se superar.
Por outro lado, o número de eleitores que com certeza votaria em Keiko caiu três pontos, e o que de jeito nenhum o faria subiu dois. Humala viu sua rejeição cair três pontos e sua porcentagem de votos consolidados oscilar positivamente um.
Um outro levantamento encomendado pelo jornal La Republica, que apoia o nacionalista, ao instituto Imasen diz que o Humala tem 50,8% da preferência popular contra 49,2% da fujimorista.
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Enquanto milhares de pessoas na América Latina estavam de olho na final da Liga dos Campeões da Europa, vencida pelo Barcelona dos argentinos Lionel “La Pulga” Messi e Javier “El Jefecito” Mascherano, o ex-presidente de Honduras Manuel “Mel” Zelaya, deposto por um golpe de Estado em 2009, voltou ao país após um exílio de 16 meses, informou a AFP. O retorno foi intermediado pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Juan Manuel Santos, e negociado com o chefe de Estado hondurenho, Pepe Lobo.
Zelaya, que estava vivendo na República Dominicana, chegou a Honduras vindo de Manágua, na Nicarágua, em um voo da companhia venezuelana Conviasa. Antes de embarcar, o ex-presidente qualificou seu retorno como uma vitória para a democracia na América Latina. “Minha volta é resultado de um esforço feito por todos os países latinoamericanos”, disse à TV Telesur.
Milhares de partidários do ex-presidente o esperavam nas ruas e praças próximas ao Aeroporto de Tegucigalpa. Alguns deles passaram mal por causa do calor. Organizadores do evento disseram à AFP que a volta de Zelaya pode atrair até 1 milhão de pessoa, mas a polícia não deu estimativas.
Para o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Jose Miguel Inzulza,a maioria dos hondurenhos anseia por um processo pacífico de reconciliação. “A democracia pressupõe divergências, que devem ser resolvidas pacíficamente”, falou à AFP.
Fazem parte da comitiva de Zelaya sua mulher, Xiomara Castro, duas de suas filhas e assessores. Também o acompanham os chanceleres da Venezuela, Nicolás Maduro, da Bolívia, David Choquehuanca, o ex-presidente panamenho Martín Torrijos, o enviado do governo dominicano Miguel Mejía e a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba.
Dos presidentes latino-americanos, o venezuelano Hugo Chávez é o mais popular. Ao menos no Twitter. Na semana passada, ele superou o número de 1,5 milhão de seguidores. Bem mais do que a argentina Cristina Kirchner, com 419 mil, ou que seu vizinho colombiano, Juan Manuel Santos, com 183 mil. A rede de microblogs já provou o quanto pode ser útil para mobilizar pessoas e disseminar informações. A primavera árabe, a morte de Osama Bin Laden e a revolução verde do Irã são exemplos disso.
Por isso, o Nuestra America fez uma lista de “twitters de presidentes a seguir”. São contas que sempre trazem informações bacanas, ou que mostram um pouco da relação dos governantes com os governados (ou nem sempre). Chávez, por exemplo, que sabe como poucos usar a comunicação em seu projeto de poder é extremamente interativo no Twitter. Já o salvadorenho Maurício Funes “desencanou” da sua conta em 2010. Vamos a eles:
Chile: Sebastián Piñera
Colômbia: Juan Manuel Santos
Venezuela: Hugo Chávez
Honduras: Pepe Lobo
Haiti: Michel Martelly
Costa Rica: Laura Chinchilla
México: Felipe Calderón
El Salvador: Mauricio Funes
Argentina: Cristina Kirchner
Essas são as contas oficiais. Se alguém souber de fakes engraçados, podem sugerir!
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Daqui a pouco menos de duas semanas, Ollanta Humala e Keiko Fujimori se enfrentam no segundo turno das eleições presidenciais peruanas. Segundo as últimas pesquisas, a candidata conservadora mantém uma pequena vantagem sobre o nacionalista. A campanha está bastante polarizada. Jornalistas foram ameaçados, demitidos e até agredidos. No primeiro turno, o nacionalista venceu com uma votação maior no sul do país. Keiko saiu-se bem no norte e em Lima, que concentra dois terços do eleitorado.
De acordo com analistas, ambos têm índices rejeição muito altos, e a disputa deve ser voto a voto. Keiko é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000 e cumpre 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção. Humala, derrotado em 2006, moderou seu discurso nacionalista e afastou-se do presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas é visto com desconfiança por muitos no país. Parte do setor produtivo teme que ele possa colocar em risco o alto crescimento econômico dos últimos anos. Diante disso, a Nuestra America traz um raio-X dessa eleição, que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos na América Latina:
Keiko Sofía Fujimori Higuchi:
Keiko participa de corpo a corpo em Chiclayo
Karel Navarro/AP – 19/05/2011
Perfil: Graduada em Administração de Empresas pela Universidade de Boston, nos EUA, tem 35 anos ( o aniversário dela é na quarta, dia 25). Tornou-se primeira-dama do Peru em 1994, após o divórcio de seus pais. Após a renúncia de Fujimori ao terceiro mandato, no final do ano 2000, voltou-se para trabalhos de caridade. Em 2006, elegeu-se deputada federal pela capital, Lima.
Partido/Coalizão: Fuerza 2011: Criado em janeiro de 2008, reúne egressos do período do fujimorismo, na época dividido em três facções. Tem uma plataforma liberal, que une a diminuição de gastos com o combate a pobreza, e a insegurança pública.
Votação no primeiro turno:23,6%
Última pesquisa: 51,4% (Ipsos Apoyo) e 53,7% (CPI)
Principais apoios: Empresariado (setor mineiro), cúpula da Igreja, parte da classe média-alta limenha e os ex-candidatos Pedro Pablo Kuczynski, terceiro colocado no primeiro turno, e Luís Castañeda, o quinto.
Geografia do voto: Ganhou em sete Estados no primeiro turno e lidera com folga as pesquisas na capital.
Propostas: Fortalecimento do investimento no país, na infraestrutura, agricultura familiar e turismo. Melhora na segurança pública com aumento da inclusão social e mecanismos de coerção. Redução da pobreza com seguro saúde universal e investimento em educação.
Ollanta Moises Humala Tasso:
Humala participa de passeio ciclístico em Lima
Foto: Paolo Aguilar/Efe
Perfil: Militar reformado, tem 48 anos. É mestre em Ciências Políticas pela Pontifícia Universidade Católica do Peru. Entrou para o Exército em 1982. Em 1991, combateu guerrilheiros do grupo de inspiração maoísta Sendero Luminoso. Durante a crise que antecedeu a renúncia de Fujimori, liderou uma sublevação militar frustrada contra ele. Foi adido-militar do Peru na França e na Coreia do Sul. Em 2006, perdeu a eleição no segundo turno para o presidente Alan Garcia.
Partido/Coalizão: Gana Peru/Partido Nacionalista Peruano: Criado após o levante de Locumba, liderado por Humala e seu irmão em 2000, diz almejar um “nacionalismo integrador”, com um modelo de desenvolvimento que atenda ao Estado plurinacional peruano.
Votação no primeiro turno: 31,7%
Última pesquisa: 48,6% (Ipsos/Apoyo) e 46,3% (CPI)
Principais apoios: Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura em 2010, comunidades eclesiais de base, pequeno empresariado e sindicatos e o ex-presidente Alejandro Toledo, quarto colocado no primeiro turno
Geografia do voto: Venceu em 14 Estados no primeiro turno, a maior parte no sul do Peru. Tem alto grau de rejeição em Lima.
Propostas: Fortalecimento do mercado interno, compromisso com a estabilidade macroeconômica, e investimento em infraestrutura. Estímulo à identidade plurinacional peruana e reformas dos poderes públicos. No segundo turno, o candidato se comprometeu a não alterar a Constituição para manter-se no poder.
Leia mais sobre os candidatos nos sites de Keiko e Humala. Aqui estão as contas no twitter dele e dela. Entre os jornais peruanos, o La Republica está fazendo uma cobertura mais anti-fujimorista, e o El Comercio, anti-Humala.

Chaves, o do oito: isso, isso, isso
Olá, pessoal. Este é apenas mais um blog latino-americano sem dinheiro no bolso. Ok, a descrição não é ideia minha. É dos meus colegas do La Pelota (um blog sobre futebol na América Latina, que, inclusive, recomendo). Mas sempre quis usá-la!
A ideia do Nuestra America é trazer pros leitores do estadão.com.br um pouco mais das notícias e curiosidades sobre o que acontece nesse nosso subcontinente com o qual temos, ao mesmo tempo, tanto e pouco em comum.
Sim, falamos português e o resto, espanhol, e temos a rivalidade no futebol. Mas também compartilhamos com “nuestros hermanos” um passado comum: a época colonial, as guerras de independência travada pelos Libertadores da América – que não por acaso apadrinham o mais importante torneio ludopédico do continente - as ditaduras durante a Guerra Fria e o processo de integração regional em curso desde a criação do Mercosul.
Mas, admito, o meu exemplo preferido de o que temos em comum com nossos vizinhos é o Chaves. O do oito, não o Hugo. O programa, feito no México nos anos 70, fala da realidade da América Latina. Dos desempregados, como o Seu Madruga, dos meninos de rua, como o Chaves, dos cortiços, como a vila. Talvez por isso faça tanto sucesso até hoje, inclusive no Brasil.
Falando um pouco de mim, meu nome é Luiz Raatz, sou jornalista e tenho 29 anos. O nome é alemão, eu sei, mas juro que falo espanhol direitinho, apesar de que com um sotaque levemente argentino. Já fiz um mochilão pela América do Sul em 2008 e pretendo fazer outro ainda este ano, desta vez para Machu Picchu.
Me formei na PUC-SP em 2004 e hoje trabalho como repórter da editoria de Internacional do Estadão. Entre dezembro de 2009 e abril deste ano fui editor de inter do estadão.com.br. Inclusive quem acompanha o Radar Global já deve ter se deparado com algum post meu lá. Na minha “vida pregressa”, fui editor de mundo do Último Segundo, no Portal iG, entre abril de 2007 e abril de 2008. Antes disso, fui repórter de cidades (tb no iG) e de esportes.
Quando mudei do online pro impresso pedi pra continuar colaborando com o portal de alguma maneira. Aí pintou o projeto do blog. Aqui, vamos falar um pouco mais do que rola no México, América Central e “América Andina ” (Da Bolívia à Venezuela) pra não entrar na seara do meu companheiro e mestre Ariel Palácios, com seu blog sobre o Cone Sul. O debate de ideias é, e sempre será, aberto, respeitando, claro, os limites da civilidade e da educação.
Pra quem quiser acompanhar no Twitter, é só seguir no @lraatz
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