Há dois meses, um escândalo. Um suposto caso de abuso sexual no BBB virou assunto na firma, no boteco, nas redes sociais e no cabeleireiro. Um participante, Daniel, teria supostamente abusado sexualmente de uma colega, Monique, enquanto ela dormia. Todo mundo chiou. E a Globo mostrou não estar preparada para lidar com crises na hora em que escamoteou o fato, para depois voltar atrás (só quando a polícia entrou na casa) e tirar Daniel do programa. Nada ficou muito explicado pela emissora. Muito tempo depois, alguém publicou que Daniel vivia trancado, sustentado pela Globo.
Fica a dica. Se a Globo tivesse jogado limpo e explicado para seus telespectadores um pouco mais claramente o que tinha acontecido, tudo teria sido mais simples. E se a empresa tivesse contado em comunicado que Daniel vivia em um flat por causa dos motivos “x” tudo talvez ficasse mais claro. O escândalo teria sido menor e o vexame da emissora também.
Ok. Era preciso esperar Monique ser eliminada do programa para saber o que de fato tinha acontecido. Resultado, expedido segunda-feira: o caso foi encerrado pela Justiça, depois das duas partes serem ouvidas. Daniel apareceu nos jornais da emissora falando que queria que sua vida “voltasse ao normal” e deu uma entrevista para o programa da Ana Maria Braga onde disse que passou por dias difíceis. Espera-se que uma fama de estuprador provada injusta pela lei (sim, se a Justiça decidiu, é nela que vamos acreditar) não cole no rapaz.
Mas, agora, pensando bem, quem se importa? Será que é preciso se preocupar? Ninguém nem lembra mais que Pedro Bial soltou um “amor é lindo” para falar do “casal” enquanto todo mundo gritava do lado de fora que poderia ser estupro. Ninguém lembra mais que a casa do BBB foi invadida pela polícia. Sim, se existia a suspeita, ela tinha que ser investigada. Provou-se infundada, ótimo.
Em tempos em que a informação tem mais velocidade do que um carro esportivo de luxo, lembramos de pouca coisa. E daqui a alguns meses, alguém vai dizer: quem é Monique mesmo? E Daniel? Eles vão evaporar no ar. Junto com o “escândalo”, a gafe da Globo e tudo que “sobra” do BBB. Nossa memória nunca foi tão curta. E o mundo acaba de ganhar, depois das sub celebridades, os sub escândalos.
“O amor é lindo”. Com essa frase o apresentador Pedro Bial resumiu o assunto do dia na internet e nas mesas de bar Brasil a fora. Um assunto sério, chato e pesado para caramba. Um suposto caso de estupro em um programa de TV. Uma coisa que não tem graça. Um escândalo. Ponto.
Um dos participantes teria supostamente abusado sexualmente de uma moça enquanto ela dormia apagada, bêbada. Horrível.
Acontecer um abuso no BBB não me surpreende tanto assim. Infelizmente. Na edição passada, um dos participantes descreveu em detalhes como um amigo seu fazia “mulher sangrar” durante a transa. Assisti ao vivo. E aquilo foi uma aula de violência contra a mulher (essa frase é chata, e esse texto não tem como não ser chato, foi mal aí).
A Globo tentar abafar o caso também não me surpreende. Vocês esperam mesmo que a rede de TV esclareça o assunto claramente? Gente, o BBB é um PRODUTO feito para a família brasileira e existe até boneco do programa vendido na parte de brinquedo das lojas infantis!
Chocante é ver o cinismo de Pedro Bial tentando ignorar o assunto. E também o machismo que correu solto na internet o dia inteiro ao se falar do caso. “Quem bebe além da conta não tem do que reclamar no dia seguinte. Se quer respeito, aprende a beber”, escreveu um blogueiro com milhares de seguidores.
“Se passou a mão na bunda, quem mandou, o vestido era muito curto”. A culpa é da mulher, claro. Ela que não beba. Ela que use burca. Resumo do dia: cinismo e machismo.
Não, não existe amor no BBB.
2012