Antes de tudo, eu não vou ser analista da Xuxa. O Brasil inteiro já se coloca nesse papel agora. Todas as pessoas do país falam hoje (em tom de especialistas ou de julgadores) sobre a entrevista que a apresentadora deu ontem para o Fantástico.
Xuxa chorou e disse que foi abusada sexualmente com câmera dramática, cenário dramático e trilha dramática. Tudo ali cheirava a sensacionalismo. A chamada, de que Xuxa revelaria coisas inéditas, já soava como puro circo sensacionalista barato armado pelo ainda mais “importante” programa dominical do Brasil.
Xuxa ter sofrido abuso é muito triste. Mesmo. Ela chorar na TV também. Mas isso não é exatamente novidade. Ela sempre usou a mídia como divã. E ela não é a única. Muitas celebridades usam, sim, a imprensa, a TV, para tentar se resolver. Não sou capaz de dizer por que uma pessoa faz isso. Mas sou capaz de entender que a culpa não é só dela.
A mídia e os fãs, esses “amigos da onça”, estão sempre apontando as câmeras para você. São sempre carinhosos, afinal, te amam, se importam e querem saber ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE VOCÊ. Só que essa mesma gente que te ama um dia vai te usar e pode te matar.
De novo. Eu não vou analisar a vida da Xuxa. Essa hora mesmo, enquanto escrevo, todo mundo já está fazendo isso. E tem mais. O que ela disse não me assusta. Faz parte da trajetória de alguém que sempre se expos. O que assusta é o sensacionalismo do Fantástico e da TV Globo com uma das suas funcionárias mais rentáveis (se não está rendendo tanto, desculpem, já rendeu mais que o suficiente por muito tempo).
Mas não. É preciso aumentar o ibope. É preciso ganhar dinheiro. Faça um exercício. Imagine tudo o que a Xuxa disse escrito em uma revista ou em um jornal. Ela contar que sofreu abuso continuaria triste. Mas não seria tão chocante. O Michael Jackson ter a pedido em casamento seria apenas uma historia curiosa e quase engraçada. Ela ser solitária? Normal. Quantas estrelas solitárias existem por aí?
Mas com aquela luz. Aquela câmera próxima. Aquela trilha. Tudo pode virar filme de terror. E virou. No twitter, as pessoas BRIGARAM por causa da entrevista. Se brigamos por causa de uma entrevista dada por uma apresentadora de TV para um programa dominical, quem somos nós para chama-la de louca?
Pelo jeito não foi só a Xuxa que caiu no jogo do Fantástico. Nós, telespectadores, também caímos. E, na dúvida, saímos chamando a mulher de maluca. E esquecemos que aquilo era um programa de televisão usando o sensacionalismo mais barato.
Na internet, as pessoas dizem que estão com vergonha alheia da Xuxa. Eu também estou com vergonha alheia. Só que é do Fantástico.
Sabe gente boazinha que te ferra? Estou falando daquele tipo de amiga que é uma fofa. Mas que um belo dia, para o seu bem, diz, no meio de uma festa, que “você precisa emagrecer”. Não se enfureça. Ela está sendo sua AMIGA. Talvez, pensando por aqui, o sucesso da vilã Carminha, da novela Avenida Brasil, seja também por isso. Ela é a primeira vilã passivo-agressiva das novelas brasileiras.
É também uma falsa moralista. Como escreveu o amigo James Cismino, ela é uma espécie de Bolsonaro. Faz todo sentido.
Mas repito. É uma BOAZINHA. Claro. As boazinhas da vida real não andam por aí matando gente. Ok. Mas entre um chazinho verde e outro, pelo bem da família, são capazes de falar mal de gay “tadinhos” e afirmar que não gostariam de ter um neto negro porque “eles iam sofrer”.
Não é preciso nem ir tão longe. Não conheço quem fale mal de gay. Mas conheço, sim, muita mulherzinha passivo-agressiva. Elas vagam por aí magoando quem não tem a esperteza delas vestidas de bege (ou nude), o tom das boazinhas. Um belo dia, muito fofamente, elas vão lá e roubam o namorado da amiga. Depois dizem que não podiam fazer nada “ele me quis”. Em seu clássico texto “Bad like me”, Courtney Love faz um compendio entre as diferenças entre uma boazinha e uma Garota Má. “As garotas boazinhas roubam os namorados das más. As más podem até transar com o namorado das boazinhas, mas se sentem um lixo depois.”
Fato. Qualquer moça não dada a elaborados jogos de competição femininos costuma se ferrar quando esbarra com uma boazinha. É assim desde os colégio, quando elas nos convenciam, sabe-se lá como, a “dar” para elas os nossos melhores papéis de carta. Esse era um tipo de roubo consentido. Típica coisa de passivo-agressiva.
Quando a gente cresce, continua se deparando com algumas delas. Elas se fazem de vítima (Carminha é a especialista em cenas, quase desmaios e necessidades de tomar água com açúcar) quando a barra pesa e não é fácil lidar com elas. Conselho: não lide. Melhor limar as passivo-agressivas da sua vida. Porque no duelo com uma delas, qualquer moça não preparada para o jogo (e mesmo as mais agressivas não são) vai se ferrar. E se dar mal no final. Se cruzar com uma boazinha Carminha passivo agressiva na vida real, Corra, Lola, corra!
O rapper Emicida foi preso ontem em Belo Horizonte por desacato à autiridadade. Motivo: cantar a música “Dedo na Ferida”. E falar para a platéia levantar o dedo no refrão que diz: “fodam-se suas leis, fodam-se vocês.”
Vamos lá. Emicida não mandou ninguém atacar a policia, praticar vandalismo, quebrar o estádio. Sugeriu que levantassem o dedo em uma música que chama dedo na ferida e que fala mal da policia, mais precisamente da desocupação de Pinheirinho.
Usar palavrões em música é parte da cultura rap e das musicas pop de protesto. Normal. Assim como as gírias. As letras de rap são escritas do jeito que se fala no “dialeto suburbano”, como diz Criolo, amigo e parceiro de Emicida na música “Mariô”. A mesma em que diz: “eu odeio explicar gíria.”
Emicida também deve odiar. Então, não vamos fazer o garoto explicar sua letra, certo?
Quando ouvi Dedo na Ferida pela primeira vez, achei a música leve para um rap com esse nome. No bar, eu e amigos lembramos que os Racionais já haviam cantado “Não confio na policia raça do caralho.”
E agora lembro de “Policia”, da mega ultra mainstream banda Titãs. Eles falavam “policia para quem precisa. Policia para quem precisa de policia” nos anos 80, época em que a ditadura não tinha nem acabado direito. Renato Russo, no famoso episódio do estádio Mané Garrincha, xingou a policia e quem mais passasse pela frente. Lembranças antigas da minha adolescência. Mas nenhum artista foi preso (ainda bem).
Em 97 os integrantes do Planet Hemp foram presos. Além de cantar coisas como “eu canto assim porque fumo maconha”, eles eram quase todos pretos. E cantavam rap.
Emicida sempre é “quase preso”. Ele conta que vive tomando dura da policia: porque é pobre, preto e mora na periferia.
O rapper que foi preso ontem pode, sim, de alguma maneira, ser comparado aos titãs dos anos 80. Ele é um artista pop, com amplo sucesso na MTV. Os filhos dos meus amigos, meninos de seus nove anos, são fãs do Emicida. E faz sentido. Nos palcos, ele é simpático, muitas vezes engraçado e tem cara de menino. E ele é mesmo um menino de 26 anos.
A história de Emicida é impressionante. Ele saiu da linha da miséria absoluta cantando sua luta. Hoje, trabalha muito, muito mesmo. O artista tem uma agenda de shows lotada. É um guerrilheiro do rap que trabalha muito e honestamente. Mas, como diz seu amigo Criolo, de novo,” trabalhador brasileiro é tratado como lixo”. Principalmente se for preto e pobre e cantar rap.
Certo. Domingo é Dia das Mães. Nos sites e capas de revistas, famosas mostram como alcançaram a boa forma rápido (o novo “meu parto foi bom”), exibem a prole com orgulho (sempre bem vestidos, com roupas PASSADAS). E uma rotina em geral tão perfeita que deixa qualquer mulher normal, aquela que fica descabelada, grita com a criança (quem nunca?) e tem surtos de loucura deprimida.
Ok. Algumas das mães famosas sempre dizem que são, sim, normais. Oras, são mães como qualquer uma! Estão sempre muito preocupadas, culpadas etc. Mas o fato é que elas não perdem o glamour. Lá está a mulher falando que é uma mãe normal em uma casa totalmente arrumada, com os cabelos perfeitos e as unhas impecáveis (normal, sei).
E, ah, claro, ela já voltou a trabalhar. E ela lida com isso, sim, com alguma culpa. Mas lida. E pelo que vimos na foto, sim, tem tempo de passar no cabeleireiro semanalmente.
Em casa, a mãe não famosa também é preocupada, culpada e já voltou ao trabalho. Mas… e o glamour? Foi parar naquele lugar, diz a mãe da criança pequena, e solta um palavrão. Sua casa não tem nada a ver com a das revistas. E os brinquedos no chão da sala? As fotos das “celebridades em casa com família” poderiam deixar uns espalhados pelo menos como cenografia!
Nas propagandas, a coisa não melhora. A mãe está sempre sorridente, cozinhando com riso plácido no rosto e bem penteada até mesmo no café da manhã. Qualquer pessoa que conheça uma família normal com filho pequeno sabe o quanto isso é impossível.
Alguns reality shows já tentam resolver “o problema”, um deles “Mãe Modelo”, tenta exatamente isso: transformar uma mãe comum em uma mãe “tapete vermelho (eles usam essa expressão). E funciona assim: uma mãe (com roupa esculachada e descabelada) ganha um dia de beleza para se transformar em… uma mãe diva! E ela chora ao se olhar no espelho e se ver, assim, “transformada”, tal qual uma mãe de Hollywood.
Dá até para entender. Cada dia é mais difícil ser uma pessoa (seja mãe ou não) descabelada. Ou seja, uma pessoa normal.
Ok. Todo mundo já sabe da historia. Então vou contar em poucas palavras, só para o caso de um ET que não acompanha o que se passa no país ter acesso a esse blog. A atriz Carolina Dieckmann tirou fotos pelada (ou meio) e elas foram parar na internet e divulgadas Brasil a fora. Agora a atriz tenta processar os sites que republicaram a imagem. Sim. Todo mundo sabe disso. Por aqui, só algumas considerações e perguntas sobre ’o caso.’
Um tribunal popular parece ter sido criado na internet e em cada rodinha com mais de duas pessoas para julgar a moça, desde sexta-feira, quando as fotos foram publicadas.
Como ainda somos moralistas… Sim, existe muita gente se fazendo de chocado com o fato de uma moça adulta, mãe de dois filhos e livre tirar fotos sensuais com sua câmera. Espera, na boa. Ninguém nunca fez isso? Essa atitude não é uma coisa normal, ainda mais agora, que andamos o tempo todo com celulares superpotentes nas mãos, como se eles fizessem parte do nosso corpo? Ela fez alguma coisa “errada”?
Depois de condenar o fato de uma mulher tirar fotos nua, o tribunal começou imediatamente a fazer outros julgamentos. “Ah, mas ela não está depilada o suficiente”. Ou ela não está depilada do jeito “certo”. Bem, patrulha com os pelos púbicos dos outros? De novo? Sempre que uma mulher posa nua e não está seguindo a “depilação da moda” (sim, isso existe) ela vai ser condenada por isso? Socorro. Não basta ser linda (e ela é) é preciso estar com a depilação que você, que não a conhece e viu a foto, considera adequada.
Em que anos estamos? O advogado da atriz disse que as fotos eram para “uso do casal”. Tudo bem. Acredito. Mas e se não fosse? Qual o problema? Cada um se fotografa do jeito que quer. Ou melhor, cada um faz com o seu corpo o que tem vontade, certo? Principalmente uma coisa que, definitivamente, não está fazendo mal para ninguém.
Normal que todos vejam as fotos. Normal a curiosidade. Normal Carolina tentar de todo jeito tirar as fotos da internet. Aconteceu um acidente (acidentes acontecem) e a reação é prevista.
E sim, quem é famoso está sujeito a ser julgado mais que os outros (ou por mais gente). Mas pelo amor à Simone de Beuvoir, que sim, já posou nua para um amigo, vamos deixar a menina em paz?
Free, Carolina Dieckmann, free!
Sujar as mãos de sangue em uma briga é muito chato. Discutir, falar o que não deve e ouvir o que não quer? Péssimo. Dói. Cansa e dá trabalho. Mas na época da virtualidade, existem outras maneiras de brigar. Quem é muito famoso, briga por meio de seus programas de televisão. Sim, sem ter nem que falar com o outro. E quem é um reles mortal neurótico briga por redes sociais. ”Você não sabe, briguei com a fulana”. “Como?” “Ah, foi pelo instagran.”
Se você for famoso, as maneiras de brigar sem nem encontrar a pessoa aumentam. Você manda seus assessores brigarem por você! Simples assim.
A recente briga de Adriane Galisteu e Ana Hickman é um ótimo exemplo das brigas contemporâneas. E antes que vocês briguem comigo (xingar em comentários é uma outra ótima maneira de brigar) deixa eu explicar: esse é um exemplo.
Pois bem. As duas resolveram brigar por meio de programas de TV. Cada uma dava um recado para a outra no seu espaço, com todos os telespectadores ouvindo, e amando (todo mundo gosta de ver sangue, mesmo se for de mentirinha). Aí o marido de uma delas, que também tem um programa de TV, se meteu. Pronto. Sabe aquela boa briga na rua, com cada mulher gritando de cada lado do muro das casas, bem barraqueira mesmo? No mundo dos famosos ou dos maníacos virtuais ela não existe mais. O que não tem nada a ver com uma espécie de “paz entre os homens.”
Famosos e anônimos, continuamos brigando muito. Quem não tem programa de TV ou assessor manda umas indiretas pelo twitter ou pelo Facebook e pronto. E quem é famoso. Bem..
Faça uma declaração polêmica sobre a fulana. E conte com o jornalista pra te ajudar, claro. A outra famosa nem vai precisar responder diretamente. Ela vai mandar um recado. E os fofoqueiros vão espalhar as notas por todos os lugares. Dá para imaginar (e sim, tudo isso é muito engraçado) divas deitadas em ofurôs dando ordem para os assessores: “manda dizer que eu disse isso”. E a outra lê e a resposta se espalha rapidamente, ao infinito. Se você quiser caprichar na briga, mande umas indiretas (ou diretas) pelo Twitter. Os jornalistas vão amar e escrever a frase mais clichê do jornalismo moderno (fulana disse em seu microblog).
A sua briga está pronta e você ainda conseguiu aparecer bastante. E virar o assunto mais comentado da semana (uhuuu!). E antes que os assessores briguem comigo: isso é uma sátira. E o final da história? Elas farão as pazes em um programa de televisão. Difícil é escolher o de quem. Porque a briga agora vira briga por audiência (e não era desde sempre?). Bons tempos em que as pessoas davam uns gritos uma com a outra e pronto.
É verdade essa história de que a Legião vai voltar com o Wagner Moura de vocalista? Os amigos perguntam isso na mesa do bar. “A gente vai voltar ao mesmo assunto?”. Sim, cinco minutos antes alguém já tinha aparecido com a notícia. Alguns acham meio engraçado. Outros acham que é revoltante. E ponto. Mas o círculo do absurdo está montado. E é difícil juntar as peças. A Legião Urbana é uma banda adorada até os dias de hoje, 16 anos após o seu fim (devido à morte de seu criador, o ainda ídolo Renato Russo). E o Wagner Moura, todo mundo sabe, é um ator querido, talentoso para caramba e inteligente. Talvez o melhor de sua geração. Em todos os pontos.
Mas fato é que as peças dessa “volta” não combinam. Se alguém contasse que isso iria acontecer um dia, todo mundo pensaria que era invenção. “Como?”. A ideia bizarra, parece, foi da MTV, a emissora que fez o famoso Acustico com a Legião Urbana mais de 20 anos atrás. E que entrevistou Renato Russo com muita dignidade várias vezes. A sensação é de que alguma coisa se perdeu (a tal dignidade) quando a gente dá de cara com a volta da banda, assim, do nada.
Vamos lá. Renato Russo era um pop star cheio de peculiaridades. Ele dava muito “piti”, ele parava shows no meio. E não, ele não aceitava tocar em festivais patrocinados. Negou várias vezes tocar no então Hollywood Rock (sim, nos anos 80-90) cigarro podia patrocinar coisas. Renato Russo não era um vendido. Não. De forma alguma. Ele era digno. E sua relação com a fama sempre foi essa. De entrega aos fãs. De pé atrás com o mercado. Seu ídolo máximo e espelho era Morrissey, o cantor que veio ao Brasil mês passado dando aula de dignidade simplesmente sendo ele mesmo.
Bem, Renato Russo morreu. E é impossível não fazer piada com sua banda. E não pensar que ele está se revirando no tumulo. E não imaginar o que ele acharia disso tudo. Os ingressos já estão sendo vendidos a 200 reais. Os ensaios já começaram e já existe até foto de divulgação da tal “homenagem” ao Renato Russo. Homenagem com ingresso a 200 reias? Homenagem para ser transmitida (e provavelmente conseguir muita audiência) da MTV?
Hora de recorrer a Morrissey, artista que Renato amava tanto que quase imitava. “Na reunião da gravadora, nas mãos deles: uma Estrela morta, Ah, os planos que eles armam. Ah, a ganância doentia. Na reunião da gravadora, uma estrela morta. Os babacas velhos dizem: “o conheci pessoalmente, e eu o conheci primeiro. E eu o conheci bem. Relance. Reembrulhe”. A letra brilhante de “Paint a Vulgar Picture” diz ainda: você poderia dizer não. Se você quisesse. Bem, Renato Russo não pode dizer não porque os mortos não falam, certo?
É difícil a “vida” de uma estrela morta.
Em uma sala de recuperação, uma moça tem as orelhas e os braços enfaixados. Sua companheira de quarto chora ao tirar o curativo do nariz. “Não esperava que ficasse tão bom.” Tudo isso é filmado e faz parte do reality show mais bizarro exibido na TV brasileira: o “Bridal Plastic”, que vai ao ar pelo “E”.
Para merecer o lugar de “mais bizarro”, um reality tem que ser absurdo MESMO. Pois esse ganha. De longe. E assusta. As pessoas ficaram loucas?
Algumas delas, sim. “Bridal Plastic” é um reality show de noivas. Até aí, meio normal. Mas funciona da seguinte forma. As moças se internam em uma casa-clinica para competir em provas. Quem ganha cada um dos desafios é premiado com uma plástica!!! Verdade. E não há limites para o número de cirurgias. Por isso, uma moça com a cabeça enfaixada declara, depois de ter perdido uma prova. “Eu queria tanto ganhar uma lipo”.
As noivas querem se operar para casar “perfeitas”. E a campeã final receberá o “casamento dos sonhos”. Bem, a noiva Frankenstein casa em uma festa de princesa. Absurdo assim.
A locação do reality é uma casa-clinica que tem uma sala de recuperação. Sério. Uma delas, com nariz enfaixado graças a uma rinoplastia, conversa com outra que também ganhou “o nariz dos sonhos” sobre quem eliminar no próximo paredão. Gente. Choque.
Todas as provas, as tais que resultarão em prêmios- plástica (como alguém pode comemorar o fato de passar por uma cirurgia que vai doer?) tem a ver com o tema casamento. Em uma delas, as noivas têm que fazer um buquê. “Eu estava sentindo muita dor quando fiz”, diz uma participante ao ser elogiada por um “especialista” em florews. Sim, ela cumpriu a tarefa com a cabeça enfaixada e se movimentando em uma cadeira de rodas.
“Será que a fulana vai ficar muito arrasada se for embora para casa sem ter conseguido nenhuma plástica?”, comenta uma das participantes. Provavelmente sim. E a campeã ficará feliz cada vez que for para a faca. “Estou realizando o meu sonho”, diz cada uma delas antes de sair da casa e ir para o HOSPITAL.
Sim, a humanidade ficou maluca. Na verdade, a gente já devia ser maluco desde sempre. Mas isso não era exibido na TV. Nem incentivado. Sim, colocar mulheres competindo por PLÁSTICAS para realizar o casamento dos SONHOS é uma maneira de incentivar uma epidemia de loucura que assola a humanidade. Se você quiser ver a que ponto chegamos (e Freud se revira no túmulo) assista ao programa e veja o que é uma “noiva cadáver”. 2012 está sendo, sim, televisionado.
Quer ficar careca ao vivo para manter um emprego? Vale ser submetida a coisas horríveis nesse trabalho, tipo, sei lá, ser jogada em um canil com cachorros ferozes? Sim!!, gritam milhões de meninas Brasil afora que sonham em ser uma “Panicat”, integrante do time de gostosas do programa “Pânico”, uma das profissões mais desejadas (e bizarras) do momento.
Trata-se de uma versão picante da Chacrete, aquelas moças que dançavam no programa do Chacrinha. Só que a “Panicat” é a Chacrete da era do vale tudo da fama. Na UFC para conseguir ser capa de revista, posar nua, ter muitos seguidores no twitter e ganhar cachê para ir a eventos VALE TUDO. Mas tudo MESMO.
O maior exemplo foi dado ontem, domingo, quando a “Panicat” Babi Rossi aceitou ficar careca ao vivo durante o programa. Também, a moça não tinha muita opção. Ou ela pediria demissão AO VIVO em rede nacional (alguém aí teria coragem de fazer isso?) ou ficaria careca ou teria um corte de cabelo “estilo Neymar”. Bem, a parte da demissão nem foi oferecida para ela. Afinal, quem não quer ser “Panicat”?
Pagar mico e ser humilhada meio pelada na TV é uma profissão tão almejada que uma das moças no ar hoje em dia, Carol Magalhães, fez uma plástica, por escolha própria, para entrar no programa. Como? Sim. Depois de ouvir que tinha o nariz grande, ela decidiu operá-lo antes de estrear e ganhou o apelido de Carol Narizinho.
Ser “Panicat” é um trabalho rentável, em termos de grana e da moeda da fama. Isso porque existe também uma outra profissão no momento, a “ex panicat”. Como uma ex participante do programa, a moça ainda pode posar nua para revistas, ser convidada para eventos com cachê, ser noticia sempre, namorar famosos, ser destaque de escola de samba e participar de reality shows onde vai ser ainda mais humilhada do que foi no programa.
Mas quem não quer ser famoso? Quem não quer deixar de ser um fulaninho? Quem não quer ter, que seja, muitos seguidores no Twitter? Não, não é o caso de julgar as panicats. O vale tudo é chocante. Mas tem tudo a ver com nossos tempos.
Ah , sim. Não existe “Panicat” homem, claro. Assistente de palco com pouca roupa, dançarina do Faustão. Essa seara continua feminina. E com cada vez mais humilhação. Até quando?
Madonna apareceu em uma festa. Normal. Os fotógrafos tiraram fotos de seus pés (nada normal). Suas unhas estavam meio mal tratadas. Pronto. Deu-se o escândalo. E os pés da Madonna, na falta de assunto, viraram o escândalo da semana (não, a foto não será publicada nesse blog porque eu não mexo com esse tipo de coisa).
“Isso é inveja”, falava um amigo revoltado. Vamos lá. É um pouco pior que isso. Fotografar os PÉS de uma famosa procurando defeito é de um grau de perversão da fama bizarro. Quem mandou ser famosa? Agora você vai ver! Suas mãos sempre serão fotografadas para que todos vejam que você está VELHA. Se os braços estiverem fortes demais, lá estará, Madonna exagera na malhação. E se estiver mole, pronto, é uma descuidada mesmo. “Eca”, disse o mundo inteiro enquanto olhava para as unhas dos pés, repito, AS UNHAS DOS PÉS, de Madonna.
Se gostamos de alguém ( quem se dá ao trabalho de reparar nas unhas dos pés da Madonna deve mesmo gostar dela, porque amor e ódio são a mesma coisa, já disse o Dr. Freud etc) precisamos acabar com a pessoa. Vê-la falida. Caída no chão. Não é por acaso que fotos de tombos de famosos são web hit certo.
Fãs são pessoas malucas. Haters (os famosos odiadores da internet, aqueles que “atacam” seus alvos também). E pensando bem, eles são os mesmos. Madonna vai fazer show no Brasil. Milhares de pessoas vão comprar ingressos caríssimos para ver a cantora fenômeno. Mas ai dela se cair, ai dela se estiver com os pés (OS PÉS) feios. Seus fãs (que pagaram caro, repito), talvez se matem para tirar uma foto do detalhe que a destrói. Se não estamos no palco, tacamos ovo em quem está.
E pensando nos pés da pobre da Madonna, só dá para imaginar uma coisa. Ser muito famosa deve ser um pesadelo. Dos mais assustadores. Pobre famosa rica. E não, não estou falando isso por inveja. Eu juro.
2012
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